Sábado, 22 Setembro 2018

(09/05/2017)

carros

O capitalismo brasileiro, que é dominado pelo imperialismo, em primeiro lugar o imperialismo norte-americano, se encontra quase travado desde 2015. O deficit fiscal, que em 2016 foi de R$ 145 bilhões, na realidade é de R$ 190 bilhões, se considerarmos os R$ 45 bilhões que foram repatriados do exterior.

A presidenta deposta, Dilma Rousseff, foi acusada de promover pedaladas fiscais que teriam deixado um déficit de R$ 90 bilhões no ano passado. Na realidade, o problema de fundo não se relaciona com as pedaladas e sim com a acelerada queda da taxa de rentabilidade, que no caso das 500 maiores empresas brasileiras, caiu quase 5% desde 2015. O investimento público sofreu uma queda de 32%. Esses dados refletem a crise que se desenvolve em cima do contágio do colapso capitalista mundial. Em 28 de janeiro de 2017, a revista The Economist (que atua como um observatório do grande capital especulativo) revelou que a taxa média de lucro mundial caiu 25% nos últimos cinco anos. Os monopólios enfrentam uma dura crise de acumulação de capital. Uma das leis principais do capitalismo, a reprodução ampliada do capital, está provocando o aumento dos sintomas de “engripamento” do sistema de conjunto, de maneira similar com que aconteceu na década de 1930. Para “desengripar”, o sistema capitalista e a burguesia recorreram à Segunda Guerra Mundial. Em cima da destruição em massa das forças produtivas e do esforço da reconstrução, o capitalismo ganhou duas décadas de fôlego ao custo de acelerar o desenvolvimento das tendências revolucionárias. 

Como os grandes capitalistas se tornaram pró-Temer e Lava Jato?

A subida de Luiz Inácio Lula da Silva ao governo, no ano de 2003, teve como objetivo conter o desenvolvimento das tendências revolucionária. Elas se aceleravam graças a crise aberta pelo desastre social provocado pelos dois governos de FHC.

Os governos Lula se basearam nos altos preços das matérias-primas no mercado mundial, em cima dos quais foi promovida a compra em larga escala de sindicalistas e ativistas sociais que, em grande medida, foram incorporados diretamente ao Estado.

Com a crise de 2008, se abriu outra etapa no Brasil. A crise chegou como uma “marolinha”, de acordo com as palavras do então presidente Lula, quem também disse que os bancos nunca tinham obtido tanto lucro quanto nos seus governos. Em 2011, o crescimento do Brasil começou a apresentar problemas. A crise começou a estourar no final de 2012. O governo entrou com o programa de isenções de impostos para os fabricantes de linha branca. Em 2014, em cima do aprofundamento da economia capitalista mundial, o Brasil foi atingido fortemente pela crise e a “marolinha” começou a se transformar num “tsunami”.

Em 2014, a burguesia estava dividida. Uma parte dos grandes capitalistas ainda apostava que o PT conseguiria aplicar as reformas impostas pelo imperialismo. Devido ao grau de parasitismo do capitalismo mundial, essas “reformas” só poderiam ser mais das mesmas políticas “neoliberais”.

Após o fracasso do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é um banqueiro ligado à especulação financeira, uma parte dos grandes capitalistas, principalmente os capitalistas nacionais, acreditava que uma vez Dilma sendo retirada do governo, a economia poderia ser alavancada novamente em cima de um governo que promovesse ataques maiores contra os trabalhadores. Havia a crença que a Operação Lava Jato poderia ser controlada. A falha desse cálculo estava em que a crise capitalista mundial tinha se acelerado e os lucros dos monopólios estavam caindo. O imperialismo começou a forçar a aplicação de uma política muito mais dura no Brasil. A visita do presidente Barack Obama, em 2014, foi o último sintoma de apoio do imperialismo aos governos do PT. A política mais dura também tinha na base o massacre das empresas brasileiras que começou, primeiramente, sobre a principal empresa do setor da construção civil, petróleo e defesa, a Odebrecht. Ao mesmo tempo, o imperialismo colocou, como uma das metas principais, controlar diretamente a Petrobras. O exato ponto de virada dessa política aconteceu quando o PMDB, no início de 2016, publicou o documento “Uma ponte para o futuro”, que encampava uma nova onda de “neoliberalismo” no Brasil. 

Uma política abertamente recessiva

A política do governo de Michel Temer é abertamente recessiva. O investimento público foi liquidado e, com isso, a indústria brasileira foi paralisada, assim como a economia no geral.

O Brasil é um país atrasado. Devido à exploração imperialista, tem uma taxa de acumulação de capital muito pequena. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) foi direcionado para repassar recursos públicos que facilitem as “privatizações” (que mais deveriam ser chamadas de doações). As empresas públicas brasileiras se encontram em processo de preparação para serem entregues aos capitalistas por um ínfimo percentual do seu valor real. No caso da Petrobras, vários importantes campos de petróleo já têm sido entregues sem licitações e por valores abertamente irrisórios. Os Correios também se encontram no olho do furacão das privatizações.

A política do governo está provocando uma das maiores taxas de desemprego da história do País. De acordo com os números oficiais do IBGE, o desemprego atinge mais de 24 milhões de trabalhadores,incluindo os  que não procuram emprego a mais de três meses. De uma população de 206 milhões de habitantes, apenas 39 milhões possuem Carteira de Trabalho assinada. Desses, a metade ganha um mísero salário mínimo.

A saída para crise em termos reais só pode estar ligada a uma política de lutas, à unificação da classe operária e à derrubada (por vias revolucionárias) do governo Temer, o que abriria imediatamente uma situação pré-revolucionária.

Nacional

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