Quarta, 16 Janeiro 2019

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Por Antonio Fernando (funcionário demitido dos Correios)

 A insatisfação dos trabalhadores dos Correios é muito grande. Dentro dos centros operacionais, Cdd’s, agências próprias e até mesmo na área administrativa existe uma indignação surda, uma perplexidade, devido a expectativa do que o próximo governo fará com a Empresa.

Já ninguém tem mais dúvida que a proposta de Bolsonaro/Paulo Guedes é de privatização pura e simples. Mesmo o discurso do novo Presidente da ECT, o general Juarez Aparecido de Paula Cunha, de que os Correios não seriam privatizados, não convenceu.

Ao mesmo tempo há uma grande desconfiança dos funcionários em relação às direções sindicais em geral e ao Partido dos Trabalhadores em particular. Isso por conta dos acordos pré-colocados das direções e comitês que deram apoio ao próprio Lula, quanto a burocracia interna da Empresa, que apostava que quando Lula assumisse o poder executivo, essas alas que participaram na construção de uma vitória mesmo que parcial viessem a usufruir das benesses daquele que colocaram na Presidência.

Só que não contavam que a construção da pirâmide social ainda não foi modificada e que não haveria a mínima possibilidade de distribuir cargos e benesses a todos que deram esse apoio.  Daí começou uma verdadeira parafernália por dentro da direção da ECT, onde se impôs, a partir do próprio Lula, que grande parcela do movimento sindical fosse colocado nos cargos de segundo e terceiro escalões para assim conter o movimento operário ecetista.

Assista:

 

A burocracia sindical em crise dá as costas aos trabalhadores

Não durou muito e a corda arrebentou, crises avassaladoras percorreram todo o território nacional e as perdas que os trabalhadores foram sofrendo com os golpes, como por exemplo o Plano de Pensão o Postalis, o plano de saúde, mudança do Correios saúde para o Postal Saúde e o Plano de Carreiras, levaram a uma divisão imensa da burocracia sindical.

Tanto que a situação chegou ao ponto de uma decisão que estava engavetada desde a década de oitenta trouxeram à tona na categoria, que foi a revitalização de uma fictícia federação fantasma que por negociações da direção da empresa com a burocracia não precisou ser utilizada há mais tempo.

Agora veio, devido à crise terminal dessa mesma burocracia, a ser colocada para a contenção dos trabalhadores. Bem, se os trabalhadores que pensam em unificação já não estavam acreditando na mobilização perante a imobilidade da direção, defensora única e exclusivamente dos interesses patronais, com duas federações antioperárias é que não conseguiriam mesmo.

O PT, que hoje está totalmente inerte por conta de sua crise interna, afeta diretamente a mobilização dos trabalhadores pois, diante dos ataques que estão sendo colocados como a reforma trabalhista, da previdência e demais ataques que o governo de Bolsonaro/Paulo Guedes, se nega a apresentar uma política de enfrentamento, pelo contrário, quer “negociar” com Bolsonaro.

Superar a burocracia e organizar pela base a resistência

 Essa realidade coloca aos trabalhadores a necessidade de que essa burocracia seja totalmente eliminada do seio dos ecetistas, pois senão o fizerem, estão fadados a terem que entregar suas carteiras de trabalho para serem trocadas do azul pelo verde e amarelo, tendo que dar adeus aos nossos direitos conquistados com muita luta.

Por isso, temos que juntos colocar aos trabalhadores uma pauta para o Conrep Ampliado, que deverá ser realizado em São Paulo, que as unidades de agências que hoje estão na mão de meia dúzia de parasitas sejam totalmente reestatizadas, que seja colocado o fim das terceirizações com a imediata abertura de uma seleção interna para que esses trabalhadores sejam incorporados aos quadros efetivos da empresa e que os generais abram os livros contábeis da empresa, pois a farsa do déficit dos Correios precisam ser colocados para toda a sociedade. 

E ainda, colocar a todos os ecetistas que para encaminhar a luta, como temos um único patrão, temos que ter uma única organização, para fortalecer a luta nacional contra a política de privatização do governo Bolsonaro/Paulo Guedes.

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