Sábado, 15 Dezembro 2018

Por Antônio Fernando

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A política adotada pelos governos brasileiros nos últimos 15 anos é de sucatear e dilapidar totalmente a empresa dos Correios, apresentando-a com um falso déficit, para justificar sua privatização. Esta é uma imposição do imperialismo para entregar os setores mais rentáveis do Correios, a troco de banana, para os monopólios do setor, tais como a BHL, Federal Express e UPS.

Apesar do general Juarez Cunha, que assumiu a presidência dos Correios, ter declarado que é contrário à privatização da empresa, sabemos que quando se coloca um militar para gerenciar empresas públicas em um país de terceiro mundo como o Brasil, é porque a crise econômica já alcançou índices tamanhos  que o regime totalmente falido tem de vender seus bens a preços baixos para se sustentar. Para isso precisa se cercar de personalidades confiáveis para gerenciar o patrimônio público que será vendido.

Abaixo a Privatização

Os trabalhadores não podem mais ter a esperança de que a empresa não será privatizada e de que não perderão seus direitos conquistados a duras penas. Tivemos vários debates com os trabalhadores que acreditam que, com a direção de um general, a empresa vai ser limpa da política corrupta que tem existido desde antes dos governos de FHC, PT e Temer.

É uma imensa ilusão pensarmos que no mundo capitalista e globalizado que vivemos hoje, a empresa será limpa da corrupção apenas com a direção de uma figura idônea. Para enganar os trabalhadores, a privatização vem acontecendo aos poucos: muitos trabalhadores terceirizados, sucateamento enorme da Empresa, várias agências entregues às agências fraqueadas as quais levam a maior parte dos lucros.

Se não houver um trabalho muito intenso na base da nossa própria categoria, não superaremos essa problemática que nos afeta muito. Se não pressionarmos as Centrais Sindicais para a organização da luta dos trabalhadores desde sua base, não conseguiremos reverter as privatizações.

O caso mais grave que nos deparamos nessa semana foi a não liberação de férias, o que vai gerar a maior balbúrdia entre os trabalhadores. Esses precisam encampar imediatamente mais essa luta contra a direção da empresa que colocou nas costas dos ecetistas mais essa situação nefasta.

Os trabalhadores dos Correios precisam exigir da burocracia dos sindicatos, que faça algo para reverter essa situação. Devem, inclusive, também pressionar as Federações para chamar o Congresso dos trabalhadores, CONREP (Conselho de Representantes) para São Paulo para unificar toda a categoria dos Correios a nível nacional.

Abertura dos livros-caixa para saber a real situação da ECT

Deve-se exigir da Empresa que hoje está sendo dirigida pelo general Juarez Cunha e, se esse realmente pretende que a empresa não seja doada para o capital especulativo internacional, que se abram totalmente os livros-caixa.

As Federações também devem pressionar a direção da Empresa para a abertura desses livros porque significam uma verdadeira caixa preta de operações fraudulentas. E, principalmente, ficará provado que a ECT é lucrativa e que a privatização é entregar de mão beijada para os americanos uma das principais empresas do país.

A ECT repassa para os cofres da União 50% do que arrecada em seu valor bruto e não presta contas desse valor para ninguém. Este dinheiro é retirado dos trabalhadores, por isso o ecetista, o operador de triagem e transbordo (OTT), o carteiro, o atendente comercial ou até mesmo o agente de suporte, tem que entender que isso já é uma política feita na empresa desde 1969, quando ela começou a gerar lucro para os cofres públicos.

Antes dessa data a Empresa não gerava lucro, o que ela obtinha era por conta da prestação de serviço à sociedade. Não era necessário gerar nenhum lucro porque as empresas estatais estavam voltadas a servir à sociedade. Junto com a globalização o conceito de que tudo deveria dar lucro se generalizou.

Nesse período, os partidos de direita e os neoliberais, muitos inclusive da era Fernando Henrique Cardoso, abriram as portas da Empresa para as lucrativas agências franqueadas, onde, quem era apoiador de político influente tinha sua unidade de franquia garantida, na maioria das vezes situada nas melhores localizações.

Dentro de uma agência franqueada essa tática política de sangria gerou uma instabilidade entre os trabalhadores, que passaram a ser substituídos pelos trabalhadores terceirizados.

Esse fator também deve ser denunciado no CONREP que deve exigir que a Empresa estatal abra imediatamente um concurso interno para esses trabalhadores, o que aumentará sua capacidade de desempenho e recuperará parte do seu quadro de trabalhadores efetivos.

Unidade para lutar

Durante o CONREP deve ser explicado para toda a categoria essas situações pois muitos trabalhadores desconhecem o que acontece dentro da Empresa ou em seus bastidores internos. Nós conhecemos os problemas porque esmiuçamos a fundo o funcionamento interno dos Correios. Daí, então, temos colocado que não há outra saída para os trabalhadores se não a união de todos e a mobilização para lutar contra a exploração e a privatização, que vai trazer mais exploração ainda.

Nesse momento, é necessário passar por cima da burocracia que está dentro da própria Central Única dos Trabalhadores (CUT) porque sabemos que esta dirige a maioria dos sindicatos existentes e, dentro dos Correios, comanda a maioria dos cerca de 35 sindicatos dos ecetistas.

A CUT deve ser convocada para essa reunião também para barrar a reforma da Previdência que está em pauta pelos governos Temer/Bolsonaro e também contra a nova política da área da saúde que afeta todos os trabalhadores. 

A unidade dos trabalhadores nesse momento é essencial e sabemos que muitas outras lutas advêm da luta dos trabalhadores dos Correios. Portanto precisamos unificar e mobilizar todos os trabalhadores, inclusive de outras estatais, para um Congresso de Trabalhadores a nível nacional que seja realizado em São Paulo por conta do “que fazer” para lutar contra todos os ataques.

Fora Bolsonaro e o Golpe Militar
Abaixo a privatização!
Fim das terceirizações já!
Pela incorporação dos terceirizados como funcionários dos Correios!
Pela abertura dos livros-caixa! Com acesso total dos trabalhadores!

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