Quarta, 21 Novembro 2018

Global Economy (23)

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Massacre ao povo palestino (parte 4)

Segunda, 04 Junho 2018 21:00

A Intifada palestina

 

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Intifada significa revolta, ou literalmente “sacudir”. O vocábulo começou a ser usado a partir da revolta palestina de 1987, quando em dezembro, começaram as revoltas espontâneas do povo palestino que usavam basicamente pedras e pedaços de madeira, contra as forças armadas de Israel, uma das mais bem aparelhadas do mundo e com um serviço secreto, o Mossad, que tem um alto orçamento e conta com a colaboração dos Estados Unidos. Foi o Mossad que sequestrou em Roma, em 1986, Mordechai Vanunu, e o levou para Israel onde foi condenado a 18 anos de prisão, sendo que 11 deles foram passados em uma solitária, acusado de deixar vazar informações sobre o programa nuclear israelense.

A Primeira Intifada Palestina foi de 1987 à 1993, e a faísca foi quando um caminhão dirigido por um israelense, no dia 8 de dezembro, em Gaza, bateu em duas caminhonetes lotadas de trabalhadores palestinos matando quatro deles. No funeral no dia seguinte teve início a revolta. Alguns membros do próprio governo de Israel já vinham alertando que a situação para os palestinos já estava se tornando insustentável devido ao forte controle e repressão a que estavam sendo submetidos. O saldo foi de 1.500 palestinos mortos em Gaza e Cisjordânia e dentre os mortos é interessante destacar que cerca de um quarto eram menores de 16 anos. Cerca 140.000 palestinos passaram pelas prisões de Israel, universidades foram fechadas, houve destruição de casas e deportação de militantes. A primeira Intifada terminou com o que ficou conhecido como Acordos de Oslo, que envolveram a assinatura de acordos sobre a autodeterminação dos palestinos, mas que viraram letra morta. O que de concreto saiu daí foi o reconhecimento da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) por Israel e vice-versa. Uma grande farsa que teve pernas curtas. Tanto os acordos de Oslo como os de Camp David não visavam resolver o problema do povo palestino mas conter os ataques dos países árabes vizinhos, tanto é que em 1994 foi feito um acordo de paz entre Israel e a Jordânia sem a participação dos palestinos.

Em novembro do ano 2000 uma nova revolta generalizada tomou conta de todos os territórios ocupados onde haviam palestinos que, com pedras e arremessos manuais, enfrentaram novamente as forças armadas de Israel até 2005. Neste mesmo ano Israel resolve sair da Faixa de Gaza, num plano conhecido como “desengajamento” para sitiar ali milhões de palestinos e submetê-los a todos os tipos de penúrias. Depois, em dezembro de 2008, o Hamas, uma organização considerada terrorista, de orientação sunita, que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, convocou uma nova ofensiva. No entanto, é sempre um conflito muito desigual dado o armamento que os israelenses detêm e o apoio que recebem dos países imperialistas que têm interesses econômicos na região. Ao contrário do que é informado não foi uma luta devido a questões culturais ou religiosas ou do bárbaro contra o moderno. A revolta começou no momento em que o líder israelense, Ariel Sharon, cercado por um grande esquema de segurança, fez uma visita à Mesquita Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, no dia 28 de setembro de 2.000, para iniciar uma reforma na esplanada em que está situada e proibiu a entrada de muçulmanos. Esta ficou conhecida como a Segunda Intifada. O saldo de mortos foi de cerca de 5 mil palestinos e mais de 50 mil feridos, muitos com mutilações para o resto da vida. Do lado israelense foram cerca de mil mortos. O Estado de Israel procurou destruir praticamente todos os setores de infraestrutura palestinos em ataques arrasadores por terra, água e ar.

A capital de fato de Israel desde 1948 tem sido Tel Aviv, apesar de que o governo israelense tem declarado, em várias ocasiões, ser Jerusalém a capital do país. Numa clara provocação o governo norte-americano de Donald Trump, no final de 2017, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e ordenou a transferência da embaixada para essa cidade, o que de fato foi feito em maio de 2018. Uma data bastante simbólica, pois foi no dia 14 de maio de 1948 que o  Estado de Israel foi fundado e que, desde então, os palestinos protestam nessa data contra o que chamam de Nakba, "Catástrofe"em árabe, desde que em foram expulsos de suas terras.

 Jerusalém é uma cidade considerada sagrada pelas três grandes religiões abraâmicas, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. A decisão de Donald Trump não é de espantar, os Estados Unidos e o capitalismo de uma forma geral encontram-se em uma enorme crise e as guerras localizadas para eles são uma garantia de lucros a curto prazo já que não existe saída possível no horizonte. Portanto, toda a violência do Estado de Israel contra os palestinos e do reconhecimento do governo dos Estados Unidos de Jerusalém como a capital dos judeus não tem nada a ver com qualquer profecia bíblica do Antigo Testamento relativa ao “povo escolhido por Deus”, perseguido por centenas de anos e que rejeitou Jesus Cristo, entre outros, mas sim com os interesses econômicos que estão envolvidos na conquista das terras e na comercialização de armamentos bélicos.

Toda a região próxima à Jerusalém é local de disputas antigas entre diversas nações poderosas, mas foi a partir dos anos de 1920 quando o império inglês controlava praticamente tudo é que começou um incentivo para que os judeus voltassem para a “terra prometida”. Jerusalém foi a capital do Mandato Britânico da Palestina até 1948. Com a fundação do Estado de Israel  e após a guerra a que deu origem, a parte leste de Jerusalém ficou sob domínio dos judeus e a parte oriental sob o controle da Jordânia. Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, o governo israelense invade a parte oriental e começa a fazer na região mais assentamentos, cometendo todos os tipos de atrocidades contra os palestinos, destruindo suas casas e plantações, e expulsando-os de suas terras numa verdadeira limpeza étnica. Israel nunca acatou nenhuma decisão de represália por parte das Organizações das Nações Unidas (ONU), muito menos a de devolução das terras roubadas dos palestinos. Parte deles que vivem em territórios ocupados são tratados como imigrantes de terceira classe e não têm direito a qualquer serviço público como saúde e educação.

Como Israel trata os prisioneiros palestinos

É bastante conhecido no mundo árabe a crueldade dos métodos de tortura a que os palestinos presos são submetidos, depois de passar por uma prisão israelense a pessoa vive pelo resto da vida com os fantasmas da tortura psicológica. Dentre as organizações de segurança interna uma das mais poderosas e cruéis é a Shin Bet ou General Security Services, em hebraico “Shabak”. Este agrupamento foi criado por David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel, que recrutou seus membros no grupo paramilitar Haganah, já famoso pelos métodos violentos que empregava antes mesmo da criação do Estado de Israel em 1948. Quando o Shin Bet prende alguém, o prisioneiro não tem direito à advogado ou à visitas durante 20 dias, é uma norma estabelecida por eles embora não esteja contida em nenhuma legislação. Por isso tem sido denunciada por grupos de direitos humanos do mundo inteiro, inclusive israelenses.

Não são raros os casos de árabes presos pela Shin Bet tentarem cometer suicídio, principalmente aqueles que já tiveram algum parente ou amigo que passaram pelas mãos dos seus torturadores. Em 1987, o Parlamento de Israel formou a Comissão Landau para verificar as práticas da Shin Bet e concluiu que os exageros deveriam ser evitados mas que algumas medidas moderadas de pressão física seriam necessárias.  Todos os palestinos que vivem nos territórios ocupados tem suas vidas completamente monitoradas por este Serviço que está acima de qualquer lei do próprio Estado de Israel. Mas não são somente os árabes, qualquer outro cidadão pode ser interrogado pela Shin Bet. Defensores de direitos humanos e ativistas políticos são seu alvo principal e são periodicamente presos por esses. Jihad Mughrabi, uma palestina detida, depois de ficar várias horas com mãos e pês amarados em uma cadeira, com venda nos olhos, ouviu a voz do torturador bem próximo de seu ouvindo dizendo que tinha uma surpresa para ela, tirou-lhe a venda e mandou olhar pelo buraco de uma fechadura e viu sua mãe sendo torturada, suplicando por água.

Apesar das Organizações das Nações Unidas já terem denunciado a Shin Bet por torturas, o governo de Israel, que não obedece a qualquer critério de legislação internacional, continua dando tratamento violento a mais de um milhão e meio de palestinos que têm cidadania israelense. Segundo a BBC News eles têm no Departamento para Assuntos Árabes, um destacamento especial para combater a Intifada popularmente conhecido como Marauders. Muitos de seus agentes são treinados durante anos para se passarem por palestinos e um dos testes é ir a um mercado árabe e conseguir conversar com diversas pessoas sem levantar suspeitas. Um dos mais severos métodos de interrogatório, regularmente praticado durante a intifada de 1988-92, deixa prisioneiros algemados esticados para trás sobre bancos, com sacos cobrindo a cabeça e música alta soando em seus ouvidos e que, mediante tortura, acabam confessando e confirmando as afirmações dos agentes sionistas. Funcionários do tribunal militar que tiveram acesso aos documentos do Shin Bet revelaram que diversos tipos de tortura são mencionados. Esses incluem olhos vendados por longos períodos, o que provoca uma perda de orientação, com cinco ou seis interrogadores em torno de um suspeito e gritando em seus ouvidos durante horas;  forçar um suspeito a ajoelhar-se contra uma parede com os joelhos dobrados; espancamentos; cócegas com uma pena no nariz ou na orelha; tapas; forçar um suspeito a ficar de pé durante horas amarrado com as mãos ao lado do corpo na postura “banana”. No entanto, esses métodos são novos e são considerados menos brutais do que os proibidos pelo Supremo Tribunal Militar israelense, entre os quais estão cobrir a cabeça com um saco por muitas horas, amarrações na posição “rã” e privação de "sono”.

 

torturaAtor israelense demonstra a posição conhecida como "banana", utilizada como método de interrogatório pelo Shin Bet, o serviço de segurança de Israel - Jaqueline Larma / AP Photo


Apesar de ter sido aprovado pelo Parlamento de Israel a proibição de torturas em  interrogatórios eles continuam na prática pois existem as exceções no caso de possíveis atentados em andamento, portanto, ninguém tem garantias sequer que as torturas tenham sido reduzidas, pois a qualquer questionamento pode-se alegar que um atentado está para ser realizado. Vale lembrar que apesar do alvo predileto ser os árabes, nem mesmo um judeu israelense está protegido contra a violência da Shin Bet. Em 1987, veio à luz que um oficial do exército israelense, Izzat Nafsu, foi torturado e passou 18 anos na prisão por ter confessado espionagem e repassado informações aos inimigos do Estado de Israel. Tais métodos contudo não conseguiram impedir o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzak Rabin em 1995 por um extremista de direita israelense.

Israel poderia ter se estabelecido em qualquer lugar, inclusive até na Argentina na América do Sul, que foi um dos lugares especulados, mas as terras palestinas foram as escolhidas porque tinham o álibi da “terra prometida”, conforme descrito na Bíblia. A causa palestina deve ser defendida por todos os socialistas do mundo como um direito à autodeterminação dos povos, contra o roubo de suas terras, contra a opressão e exploração a que são submetidos. É necessário denunciar Israel como um Estado semelhante ao do regime nazista, com utilização de  práticas de tortura e mesmo de exterminação. Só a revolução socialista mundial pode acabar de vez com o sofrimento do povo palestino e de todos os trabalhadores do mundo que são explorados e humilhados pela ditadura de uma minoria que só se importa com seus próprios lucros. 

 

Massacre ao povo palestino (parte 3)

Quarta, 30 Maio 2018 21:00

A criação do Estado de Israel


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Não foi da noite para o dia. Em novembro de 1947, as Nações Unidas (ONU) aprovaram o plano de partilha da Palestina, que contava naquela época com cerca de um milhão e meio de árabes e 700 mil judeus. O Estado judeu iria de TelAviv até Haifa, as regiões da Galileia Oriental, deserto de Neguev e o golfo de Akaba, com 14.000Km2. O outro, o Estado palestino árabe, compreendia desde a Cisjordânia até a Faixa de Gaza, com 11.500Km2, portando um território menor que o destinado aos judeus. Também determinava a internacionalização da cidade de Jerusalém. Este plano levou à guerra de 1948/49, pois os árabes não queriam aceitar que o movimento sionista recebesse dez vezes mais terras do que as suas próprias. Em 14 de maio de 1948, David Ben Gurion, um judeu polonês, líder da Central Sindical do trabalho, preso duas vezes na Revolução de 1905 na Rússia, e que migrou para a Palestina em 1906, proclamou a fundação do Estado de Israel e se tornou o seu primeiro presidente.

Em maio de 2018, uma ex-combatente sionista na década de 1940, Tikva Honig-Parnass, conta como se juntou a Palmach, a elite da força militar judaica à época, e como sua unidade desempenhou um papel no despovoamento e destruição de cidades e vilas palestinas para criar as bases do sonho sionista. “As aldeias ao meu redor foram aniquiladas. Qalunya, a poucos quilômetros a oeste de Jerusalém, estava à nossa direita na estrada de Jerusalém para Tel Aviv, foi destruída em um dia”. Qalunya foi uma das mais de 500 cidades e aldeias palestinas que foram etnicamente limpas pela milícia sionista durante 1948-49. Foi o lar de aproximadamente 1.000 pessoas. Hoje, essa mulher de 89 anos, filiada ao partido anti-sionista Organização Socialista em Israel mais conhecido pelo nome de sua revista Matzpen, vem desde a década de 1960 publicando artigos para desconstruir a ideologia criada para justificar a criação do Estado de Israel, a quem ela começou a denunciar como colonialista.

refugiadFluxo de refugiados da Palestina em 1948 [Jim Pringle / AP]


Por um curto espaço de tempo e por interesses próprios, a Inglaterra vinha se opondo à criação do Estado de Israel, por outro lado os Estados Unidos e a União Soviética logo o reconheceram. Estava oficializado o enclave judaico europeu no Oriente Médio e o Estado palestino até hoje não conseguiu se organizar. Israel ocupou 80% das terras palestinas, estava previsto “apenas” 60%. Jerusalém, uma cidade sagrada para cristãos, muçulmanos e judeus foi divida em duas, seria por determinação da ONU um lugar à parte, um território internacionalizado, sendo que Israel domina o lado ocidental desde a guerra de 1948. Não foi tão simples assim. Jerusalém continuou sendo um local de disputas e muitas controvérsias internacionais. A faixa de Gaza com 335Km2 ficou sob domínio egípcio.

Os palestinos se tornaram refugiados na sua própria terra ocupada pelos judeus com o apoio do imperialismo dos Estados Unidos. Mais de um milhão de pessoas, em 1949, expulsas pelo novos colonizadores se amontoava nos países vizinhos e os que ficavam tinham um governo opressor que os tratava com discriminação, inclusive racista, como registrado pela própria ONU. Com a vitória israelense, na guerra de 1948, foi colocado em marcha acelerada a máquina de propaganda sionista, bíblica, da vitória de Davi contra Golias, do civilizado sobre o bárbaro, do moderno contra o atrasado, quando na verdade a máquina de guerra colocada a favor dos judeus tinha um contingente duas vezes maior que todas as forças árabes, inclusive com armas muito mais sofisticadas. Os tempos de paz haviam definitivamente chegado ao fim, visto que, ao ocupar as terras palestinas os israelense não saiam delas desobedecendo sistematicamente todas as resoluções da ONU que também não fazia nada além de colocá-las no papel. As principais potências capitalistas apoiavam Israel, por outro lado a causa do povo palestino foi incorporada na agenda política de diversas organizações dos direitos humanos mundo afora. Mais de um milhão de palestinos estavam na condição de refugiados de guerra, morando em acampamentos com barracas de lona, similares aos campos de concentração nazistas.

Os palestinos concentrados no Cairo e em Beirute trataram de organizar a resistência. Foi então que surgiu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), financiada principalmente pelo governo do Egito, que montou também o Exército da Libertação da Palestina. Era necessária a criação de organizações próprias diante da inoperância da ONU e mesmo da frouxidão dos governos de países árabes. Organizações menores foram sendo criadas aqui e ali, cada uma com sua política, mas tinham em comum a “questão palestina”. A Al Fatah em Beirute e Gaza, também com base na Síria, tinha uma das lideranças mais conhecidas no mundo, Yasser Arafat, que participou da guerra de 1956, quando o governo egípcio de Gamal Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, inaugurado em 1869 e que era praticamente controlado pela Inglaterra e França. O Egito foi atacado por Israel que tinha uma aliança com a Inglaterra e a França. Em 1967, foi criada a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) que via a luta de uma forma mais ampla, como a libertação de todo o povo árabe oprimido. Em 1969 surge a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP), um agrupamento bem mais moderado que aceita a coexistência de dois Estados nas terras da Palestina. Em 1979, surge a Jihad islâmica palestina, um grupo bem mais radical que não aceita a ocupação israelense. Em 1987, é criado o Hamas, que é um grupo moderado, mas mantem ações armadas. Outros grupos foram formados em defesa da causa palestina, uma rede de solidariedade internacional funcionava relativamente bem, mas a agonia do povo palestino continuava.

1967, a Guerra dos Seis Dias

Na década de 1960 houve muitas mudanças na composição política e essas mudanças influenciaram no apoio à causa palestina. Inicia-se uma fase de confrontos e a única base confiável para os palestinos estava na Síria já que Líbano, Egito e Jordânia, faziam fronteira com Israel. O movimento armado palestino esteve praticamente dependente do governo sírio por muitos anos. A situação de tensão criada entre Israel e este país foi que levou a Guerra dos Seis Dias, um confronto entre árabes e israelenses iniciado no dia 5 de junho de 1967 e terminado no dia 10 do mesmo mês. Seis dias que mudaram a geopolítica da Palestina. Israel ocupou os territórios da Cisjordânia e a faixa de Gaza onde se pretendia criar um Estado palestino. Tomou parte do território da Síria, as Colinas de Golan, a parte oriental de Jerusalém e a Península do Sinai do Egito, este depois foi devolvido. Além disso, tomou o controle do golfo de Akaba e ocupou a margem oriental do canal de Suez.

A rapidez com que a guerra terminou se deveu à grande superioridade militar de Israel que contava com o apoio das principais potências imperialistas. Já no primeiro dia a força aérea de Israel destruiu, num ataque fulminante, quase toda a aviação de guerra do Egito, todos ainda em terra. Do lado de Israel foram cerca de 900 militares mortos, do lado árabe mais de 4 mil.

A guerra dos 6 dias, apesar de todas as causas apontadas, como, por exemplo, a necessidade de desvio de águas de uma afluente do rio Jordão para irrigação de plantações na Síria, tem como verdadeira causa a criação do Estado de Israel e seu expansionismo através da ocupação e expulsão dos verdadeiros donos daquelas terras.

Nas décadas de 1960 até 80 a causa Palestina se difundiu pelo mundo, principalmente entre a esquerda e aqueles que lutavam pelos direitos humanos e diversos movimentos no interior do território palestino ganharam força na luta contra o Estado opressor. A luta armada era vista como uma solução possível, mas somente o governo sírio permitia de fato que bases militares palestinas ali se instalassem, mas, ao mesmo tempo, tentava controlar as ações dos palestinos. Com a Guerra dos Seis Dias, diante da tomada de amplos territórios e posições importantes dos países árabes houve um arrefecimento no apoio à resistência palestina por partes dos países árabes fronteiriços que queriam negociar suas perdas e evitar novos ataques de Israel.

Sobre as lições Guerra dos Seis Dias, Georges Habache, secretário geral da FPLP escreveu: “Nesse conflito contra Israel há duas estratégias que coexistem: a estratégia de Nasser, que consiste em reconstruir seu exército, e a dos fedayn, ou seja: a estratégia proletária”.  Em 1969, Habache rompe com o grupo de Yasser Arafat e passa a defender as teses de uma luta revolucionária sem abandonar o nacionalismo. Diversos grupos são criados à época, com teses diferentes sobre o Estado de Israel e sobre qual deveria ser a estratégia de luta do povo palestino. Estas teses em geral eram influenciadas pelo apoio de qual governo e qual grupo político que governava em cada um dos países árabes. Diversas ações de guerrilha e luta popular com greves e grandes manifestações nos territórios ocupados vinham tirando o sossego do governo israelense que aumentava a repressão. No entanto, a maioria dos governos árabes tendiam muito mais a apoiar a Fatah, tida como uma organização mais moderada.

O desespero palestino era cada vez maior diante da força usada contra eles. Uma situação tão opressora que um poeta palestino, Mahmud Darwish, que teve sua vila completamente destruída e substituída pela colônia agrícola judaica  Ahihud, escreveu: “Estes só me deixaram uma liberdade, a de me suicidar. Eles existem porque matam. Eu me mato, logo existo”. Assim vários palestinos, no desespero, tornavam-se homens-bombas.

Mas a ação de resistência não se dava exclusivamente por atos terroristas como o sionismo gostava de espalhar para o resto do mundo. Em 1968 os israelenses atacaram uma base da Resistência palestina em Karameh, às margens do rio Jordão e foram vencidos, o que fez aumentar o apoio da população local.

A supremacia da OLP

arafatYasser Arafat (1929-2004)


Em 1970 os países árabes decidiram que a OLP seria a legítima representante dos palestinos. O rei da Jordânia, Hussein, aliado dos Estados Unidos, atacou e massacrou todas as forças de resistência dentro do seu país. A Síria foi o único país a prestar apoio aos
fedayns. Os outros países se diziam contra a atitude de Hussein, mas de fato nada faziam. Yasser Arafat apesar de lamentar também não estava disposto a bater de frente com governos árabes na região, afinal de contas eles estavam financiando a criação do escritório da OLP em diversos lugares do mundo. A lição que se pode tirar do massacre da guerrilha na Jordânia é que a luta dos palestinos por sua terra estava atravessada pela luta de classes. A classes burguesas palestinas apoiaram o rei Hussein nos momentos cruciais. Um setor importante da resistência entendeu que os regimes árabes reacionários eram inimigos do povo palestino.

Em 1973 o mito do exército israelense como invencível foi destruído, pois pela primeira vez as forças árabes fizeram com ele recuasse da margem leste do canal de Suez. Os Estados Unidos deram entrada com um pedido ao Conselho de Segurança da ONU para um cessar-fogo e a volta dos israelenses à posição de origem. Em outubro de 1974, pela primeira vez, um líder ocidental, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean Sauvagnargues, teve um encontro com Yasser Arafat em Beirute e, no mesmo ano, Arafat discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, com um clamor pela paz e com o pedido da construção de um Estado que pudesse abrigar a todos com fraternidade. No ano seguinte é aprovada na ONU uma moção de repúdio ao sionismo como racista e segregacionista.

Foi o momento também de várias divisões dentro do movimento, já que Arafat mostrava-se claramente a favor de abandonar o propósito dos palestinos de voltarem às terras que lhes tinham sido tomadas e de estabelecer um Estado palestino apenas em Gaza e Cisjordânia. A maioria destes grupos começou a montar acampamentos no Líbano de onde atacavam as posições de Israel que contra-atacavam matando indiscriminadamente civis. Uma situação que colaborou para a reação de grupos conservadores dentro do próprio Líbano e a entrar em choque com os fedayns , além de outros grupos, e que iniciou uma das guerras civis mais violentas do mundo. Beirute ficou destruída, principalmente depois da revolta provocada entre os grupos com a morte de 26 militantes palestinos dentro de um ônibus.

Nesta guerra civil, quando os palestinos começaram a avançar sobre as forças conservadoras, ocorre a intervenção do governo sírio com 30 mil soldados, que não só tenta colocar ordem ao caos mas, principalmente, pretende destruir as forças palestinas e após fortes combates consegue colocar Elias Sarkis para governar o Líbano todo destruído. A guerra civil não terminou e em 1982 Israel invade o Líbano e sitia, em Beirute, as forças palestinas. Foi negociada a retirada da OLP da cidade e um novo presidente foi escolhido pelo parlamento libanês, Bashir Gemayel, o líder cristão da milícia falangista de direita. A esta altura o exército libanês estava dividido com parte apoiando o governo e outros apoiando as chamadas forças progressistas e palestinas.

Em 1977, Anuar Sadat, presidente egípcio aproxima-se do governo israelense o que levou a assinatura de dois acordos em Camp David, residência rural do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter. Os países árabes foram contra os acordos, mas o Egito tinha um interesse imediato: a devolução da Península do Sinai.

Em 1978, as forças armadas de Israel invadiram o sul do Líbano com a intenção de atingir os acampamentos palestinos ali sitiados, para vingar um atentado a um ônibus que ocorrera na estrada entre Haifa e Tel Aviv e acabaram de arrasar o país. A força aérea atacou Beirute e deixou mais de 300 mortos e causou mais destruição. Estes bombardeios voltaram com força total em todo o Líbano depois de um atentado a um de seus diplomatas em Paris, em 1982. No mesmo ano, depois de um suposto atentado ao embaixador israelense em Londres, os israelenses fizeram um gigantesca ofensiva, por terra, ar e mar ao Líbano, prendendo mais de 15 mil “terroristas” e levando grande parte deles para as prisões israelenses. O Estado de Israel prendeu inclusive vários cidadãos libaneses, destruiu cidades e encurralou os palestinos em Beirute que negociaram uma retirada.

Os militares israelenses controlaram as eleições no Líbano mas um membro da ultra direita foi assassinado dois meses depois e, como consequência, iniciou-se um verdadeiro massacre covarde nos acampamentos palestinos de Sabra e Chatila, com torturas horrendas e mortes. A intensa onda de caça aos palestinos causou um verdadeira diáspora de milhões deles por todo o mundo.

Até a Conferência de Madri, em 1991, a OLP foi considerada uma organização terrorista por diversos países e por Israel até 1993. A partir de 1988 passou a apoiar a saída bi-estatal com palestinos e israelenses vivendo lado a lado desde que Jerusalém Oriental se tornasse a capital do Estado palestino e que esses pudessem voltar às suas terras originais de antes da guerra de 1948 e 1967. Em 1993, Yasser Arafat reconheceu o Estado de Israel numa carta ao presidente Yitzhak Rabin, de Israel que, por sua vez, reconhece a OLP como legítima representante dos palestinos.

Uma luta inglória


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Desde então, em nada se avançou sobre uma solução para o povo palestino, pelo contrário foram sendo cada vez mais encurralados nos acampamentos “provisórios”. O Estado de Israel fez o que bem entendeu durante todos estes anos de agressões, graças principalmente à aliança com os países imperialistas, agindo quase que como um departamento dos Estados Unidos no Oriente Médio. Encontrou resistência, mas continua se impondo pela força como um verdadeiro Estado terrorista, eliminando seus opositores e constituindo-se, se assim podemos dizer, num verdadeiro Estado necrófilo,  à semelhança do Apartheid.

Massacre ao povo palestino (parte 2)

Terça, 29 Maio 2018 21:00

Sionismo praticando a necropolítica em Gaza

 

necrogaza

 

A propósito, necropolítica é um conceito usado por Achille Mbembe, um filósofo camaronês, que busca explicar as formas atuais de subjugação, seja de pequenos grupos ou territórios inteiros. O que se passa nas periferias das grandes cidades ou com a maior parte das populações na África ou na Faixa de Gaza, por exemplo, são temas da necropolítica. Não basta controlar, seria bom que não existissem, o que abre a possibilidade de justificar e institucionalizar a matança como a “solução final” nazista. A percepção da existência do outro como um atentado à minha própria vida, como uma ameaça mortal ou um perigo absoluto cuja eliminação reforçaria meu potencial de vida e de segurança, como diria Mbembe. Para o filósofo, a Faixa de Gaza apresenta características relacionadas com o funcionamento da formação específica do terror chamado “necropoder”: “há a dinâmica de fragmentação territorial, da proibição do acesso a certas zonas e da expansão das colônias.O objetivo deste processo é duplo: impossibilitar toda a mobilidade e realizar a segregação de acordo com o modelo de Estado do apartheid. Assim, os territórios ocupados são divididos em uma rede complexa com bordas interiores e limites, isoladas entre si [...] numa divisão plana do território e adotando o princípio da criação de limites transdimensionais dentro dele, a dispersão e a segmentação redefinem claramente a relação entre soberania e espaço.” Neste sentido a organização territorial que constitui a Faixa de Gaza criou múltiplas separações que constituem não apenas controle, vigilância e separação, mas também isolamento. Completando: isolamento para a morte. Nada de surpresas ao ver os treinadíssimos soldados israelenses atirando em pessoas como numa caça descontraída.

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, Mano Brown, o rapper e compositor dos Racionais MCs, falando diretamente do Capão Redondo, o bairro paulistano onde cresceu na época mais violenta, os anos 80, quando segundo ele “todo mundo era magro, franzino e perigoso”, mas tratava da única estratégia, a sobrevivência, porque nos “anos 80 por aqui havia um genocídio, muita gente boa ficou pelo caminho. Ser preto era muito perigoso, muito perigoso pô, você podia morrer sem saber nem porque de tanto era o preconceito e o medo que eles tinham de você [...] não existia nem as leis básica do ser humano, o barato era selvagem [...] hoje existe um pouco mais de consciência, de autoestima [...] naquela época a gente se sentia feio, esse lance de se sentir feio era foda, era isso que eles faziam com a gente [...] as pessoas não gostavam de si mesmo, tínhamos vergonha do nosso cabelo [...] socialmente eu sou realista, vejo como é e não brinco, como artista eu sonho [...] a mudança acontece de todo jeito, a natureza é viva”. “O crime organizado tá aí atuando há muito tempo, já está em Brasília [...] o cara não tem nada, ninguém dá valor pra ele, chega alguém e da um nome pra ele, uma sigla pra ele defender, te dá uma família, te dá proteção, te dá honra, te dá motivo pra viver [...] o PCC controlou os homicídios em São Paulo, agora eu posso ser morto por falar isso, o sistema é falho, o sistema depende da violência pra sobreviver é diferente do PCC onde violência faz eles perderem dinheiro, eles precisam da paz pra ganhar, o sistema precisa da guerra pra vender bala, vender arma, pra empregar mais gente na polícia, para fazer mais cadeia, para superfaturar mais, é isso o que gera tudo. O Bezerra da Silva ante de morrer me falou assim ‘Brown, cadeia é que nem show tem que tá lotada pra dar dinheiro”. “Estamos num momento de cegueira e ambição, tá todo mundo ambicioso tanto a esquerda como a direita, eles ficam numa guerra psicológica, ninguém acredita mais em ninguém não [...] a periferia tá perdida”. Não teria necessidade alguma de acrescentar mais alguma coisa sobre necropolítica, é bem assim como Mano Brown falou sem tirar nem por. Um Estado de exclusão total onde matar e morrer é questão de tempo, são seres descartáveis. Assim é em Gaza, assim é no Capão Redondo.

Massacre ao povo palestino (parte 1)

Segunda, 28 Maio 2018 21:00

Nakba, 70 anos de assassinatos


joesacco

No dia 14 de maio deste ano mais de 60 palestinos foram mortos por disparos de fuzil do Exército Israelense e mais algumas dezenas ficaram gravemente feridos na Faixa de Gaza, próximo à fronteira estabelecida por Israel. Foi o maior número de mortos desde o dia 30 de março quando vinha acontecendo protestos da Grande Marcha de Retorno. O dia 14 de maio de 1948 entrou para o calendário palestino como "o dia da catástrofe" ou "nakba", em árabe, data da fundação do Estado de Israel, em que milhares de palestinos foram expulsos de suas terras e casas para dar lugar aos colonos judeus. O Massacre vem chamando a atenção para a necessidade de apoio à causa dos palestinos que vivem em condições subumanas em verdadeiros campos de concentração, principalmente na Faixa de Gaza. Ao que os grandes jornais, principalmente os telejornais chamaram de confronto, nada mais foi que uma chacina de palestinos indefesos, tanto é que não houve sequer um ferido do lado israelense. Além de tiros de fuzil, o exército israelense conta com sofisticados drones para jogar bombas. Uma criança de colo de oito meses, Laila Anwar Al-Ghandour,  morreu sufocada por gás lacrimogênio jogado de um destes drones. Para aumentar o terror os israelenses usam projéteis conhecidos como "dum dum" que são mais letais que os convencionais, pois se estilhaçam dentro do corpo da vítima.

Há 70 anos, os palestinos vem sofrendo ataques terroristas por parte dos israelenses, humilhações, tomada de casas e terras, saques nos acampamentos, restrições a acesso à infraestrutura e mortos de forma indefesa por uma força policial fortemente armada, treinada para a tortura. Muitos dos que morreram nas proximidades da fronteira da Faixa de Gaza levaram tiros pelas costas, qualquer um que se aproximava a 300 metros da cerca de separação era alvo do exército. Desde 1991, Israel sitiou a faixa de Gaza, as pessoas não podem sair e praticamente não é permitido que nada entre.  O governo egípcio colabora com o terror israelense, o ditador Abdel Fattahel-Sisi, faz cerco na pequena fronteira do país com a Faixa de Gaza para impedir a ajuda humanitária de entrar no país.

A situação é tão grave que até mesmo a Revista The Econonist, uma publicação da nata capitalista mundial, em uma matéria recente que tem como título “Israel deve responder pela mortes em Gaza”  , responsabiliza os palestinos pela violência na região, mas, ao mesmo tempo, denuncia a violência praticada pelo exército israelense contra a população daquele pequeno território que teve suas terras roubadas, seus empregos destruídos e suas famílias separadas ao longo dos anos pelo Estado sionista.

Enquanto a chacina era feita em Gaza, uma cerimónia coordenada pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu, com a presença de vários representantes de outros países, inaugurava a transferência da embaixada americana decidida por Donald Trump da capital de Israel TelAviv para a cidade de Jerusalém, uma cidade berço de várias culturas e religiões que conviviam em harmonia até que o movimento sionista iniciou a exclusão dos não judeus com a criação do Estado de Israel, como a “Terra Prometida", há 70 anos atrás.

Segundo a matéria da The Economist: “Gaza é uma prisão, não um Estado. Mede 365 quilômetros quadrados e abriga 2 milhões de pessoas, é um dos lugares mais populosos e miseráveis da Terra. Há falta de remédios, de energia e de outros itens essenciais. A água da torneira é intragável; o esgoto não é tratado e é bombeado para o mar. Gaza já tem uma das maiores taxas de desemprego do mundo, com 44%.” E não esconde que Israel controla o território e seus habitantes a partir da terra, mar e do ar. E que qualquer palestino, mesmo um fazendeiro, que esteja a 300 metros da cerca está sujeito a ser baleado. Sem falar que Israel raciona a entrada de energia elétrica, de comida e até mesmo de medicamentos para a população. Todas essas restrições se dão em um suposto controle para a segurança da população de Israel.

A economia vai de mal a pior

Sábado, 12 Maio 2018 21:00

laborcai

 

A inflação no Brasil teria caído para 3%, segundo os dados oficiais que são manipulados. O PIB teria crescido 1%. Esse crescimento do PIB teria acontecido após ter caído, nos dois anos anteriores, mais de 8%. Ou seja, foi um crescimento contabilizado a partir de um brutal decrescimento.

No Brasil existe uma grande capacidade industrial instalada e o aumento da produção acontece tomando como base um fundo de poço. Dessa forma, foi possível apresentar um relativo aumento da produção principalmente porque, em escala internacional, os preços das matérias primas têm aumentado por meio de uma série de manobras especulativas.

Na realidade, no Brasil, há uma enorme recessão principalmente a recessão industrial que avança e que coloca o País cada vez mais contra as cordas. Os dados oficiais recentes em relação ao desemprego, mostraram que este começou a aumentar de novo e estaria em torno de 13 milhões. De fato, é muito mais porque de 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada a metade ganha um salário mínimo, de fome. Para uma população economicamente ativa, entre 14 e 70 anos de idade, existem mais de 120 milhões de trabalhadores.

O desemprego e a criação de novas vagas com baixa remuneração coloca em colapso o consumo. O próprio crédito tem entrado numa situação complicada por causa do desemprego. Aumentaram os calotes e a inadimplência, apesar da redução dos juros e da liberação de parte do compulsório dos bancos. O investimento privado está praticamente paralisado. O investimento público também está paralisado e, com os ataques da Operação Lava Jato, também se encontra numa situação muito delicada. O déficit público em março foi de R$ 25 bilhões, o que coloca o atual governo como o campeão mundial dos déficits. É uma situação catastrófica.

Os Estados Unidos impuseram cotas para as importações de aço, com uma média de 7% ou menos para o Brasil. Mas o detalhe, nas entrelinhas, foi que, para os acabados, o aço manufaturado, o que realmente rende lucros, a redução foi de 30%. Os semi acabados, por exemplo, representam 80% das vendas. Isso foi aceito pelo país. Existe, é verdade, um excesso de 600 milhões de toneladas de aço no mundo, mas fica claro que nem sequer as próprias regras imperialistas impostas por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio), criada a partir do chamado Consenso de Washington em 1989 para favorecer o próprio imperialismo, são respeitadas.

O Brasil aceita absolutamente todas as imposições sem dar um pio. As reservas cambiais em dólares norte-americanos, de aproximadamente US$ 350 bilhões, podem a qualquer momento virar fumaça como aconteceu, por exemplo,  com os chineses que em 2016, para estabilizar o iuane, gastaram US$ 1 trilhão. Recentemente, Maurício Macri gastou US$ 5 bilhões para estabilizar o peso argentino e, para manter a política entreguista atual, se viu obrigado a declarar a bancarrota da Argentina com o pedido de um empréstimo de US$ 30 bilhões para o FMI (Fundo Monetário Internacional). Portanto, numa situação de crise generalizada, as reservas cambiais brasileiras tendem a se esfumaçar principalmente porque US$ 275 bilhões desses US$ 350 bilhões estão em títulos públicos norte americanos. Ou seja, se os Estados Unidos tiverem gripe, o Brasil terá pneumonia.

A crise no Brasil se aprofunda e avança a passos largos. Não há recuperação econômica nenhuma e o aprofundamento da crise econômica se encontra na base da crise política, que força o imperialismo a aplicar golpes cada vez maiores contra os trabalhadores, porque precisa espoliar ainda mais o País para estabilizar a recorrente queda da taxa de lucro mundial.

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