Segunda, 24 Setembro 2018

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Fordlândia, um lugar no futuro

Sábado, 21 Julho 2018 00:00

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Fordlândia fica às margens do rio Tapajós, no Estado do Pará, uma área de 14 568 km², dentro do município de Aveiro, concedida pelo governo estadual ao produtor rural Jorge Dumont Villares, em 1927, foi repassada ao fabricante de automóveis Henry Ford, pelo valor de aproximadamente R$ 3 milhões, em valores atuais. Ford queria ser autossuficiente na produção de látex para fabricação de pneus para seus automóveis e concorrer com a produção de borracha da Malásia, aumentando assim suas taxas de lucros. A área escolhida estava dentro de uma ampla região com seringueiras naturais, aproximadamente 10% da floresta da área foi derrubada e queimada para a construção da cidade que veio praticamente toda em dois grandes navios cargueiros dos Estados Unidos. O projeto deu errado e Fordlândia é hoje uma vila habitada por cerca de 1.200 habitantes.


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O projeto deu errado porque as terras não eram de boa cultura e faltava aos norte americanos o conhecimento necessário para o plantio e exploração do produto. Praticaram a monocultura, plantando mais de 3 milhões de seringueiras que eram atacadas por fungos. Quando iniciaram o projeto o ciclo da borracha, que durou de 1879 a 1912, no Brasil, já havia passado e era impossível concorrer com a produção inglesa e depois veio a fabricação de pneus a partir de derivados do petróleo, em 1945.

Diante do fracasso no primeiro local de plantio devido às pragas que infestaram as seringueiras, a empresa de Ford chegou a construir uma segunda vila mais ao norte, em Belterra, mas não foi adiante pelo mesmo motivo. No fim do ano de 1945, o governo brasileiro fechou um acordo com neto de Henry Ford, Henry Ford II, e comprou o acervo da empresa por aproximadamente US$ 250.000, assumindo também as obrigações trabalhistas com os operários que tinham sobrado além de receber seis escolas (quatro em Belterra e duas em Fordlândia); dois hospitais; estações de captação, tratamento e distribuição de água nas duas cidades; usinas de força; mais de 70 quilômetros de estradas; dois portos fluviais; estação de rádio e telefonia; duas mil casas para trabalhadores; trinta galpões; centros de análise de doenças e autópsias; duas unidades de beneficiamento de látex; vilas de casas para a administração; departamento de pesquisa e análise de solo; plantação de 1 900.000 seringueiras em Fordlândia e 3 200.000 em Belterra.

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Em 1930 houve uma revolta dos trabalhadores locais contra os chefes que fugiram para a floresta por medo de serem mortos, só alguns dias depois foram resgatados pelo exército brasileiro que fez também reestabelecer a ordem. Essa revolta ficou conhecida como quebra-panelas, um dos motivos alegados foi de que os trabalhadores eram obrigados a seguir a mesma dieta dos trabalhadores americanos, comer caça e farinha era proibido, mas isso foi apenas um dos aspectos, havia toda uma rígida disciplina que não era bem aceita pelos trabalhadores. Henry Ford,  que virou sinônimo de padronização, queria que os seus operários no mundo inteiro se alimentassem da mesma forma, para ele não importava a cultura ou os costumes da região, ele estava pagando e queria trabalhadores alinhados com a sua forma de organização do trabalho.

Ford, o neto, abandonou Fordlândia porque para o capital o que interessa única e exclusivamente são os lucros e, como diria Marx, não importa os sentimentos que se tenha, os métodos de acumulação não têm nada de idílico.

 

Veja o documentário de Marinho Andrade e Manuel Augusto:

A Rede Globo e o FBI

Domingo, 24 Junho 2018 00:00

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Desde a crise de 2008 o mundo não e mais o mesmo, os grandes monopólios lutam desesperadamente para repor a taxa de lucros em franco declínio. Nenhum setor da economia está imune aos ataques, tudo que possa dar lucros está na mira. Não foi à toa que começamos a ver o Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 2015, indiciando 14 dirigentes da FIFA em operação conjunta com a polícia suíça que prendeu 8 deles em maio de 2015, em Zurique, dente estes presos estava o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo o The New York Times o FBI passou três anos investigando e descobriu um enorme esquema de corrupção na entidade máxima do futebol mundial. É interessante que o FBI, que não é uma polícia internacional, estivesse investigando a FIFA a ainda mais porque o futebol não é um esporte popular nos EUA.

Há um esforço dos EUA, do Japão e agora até da China, para massificar o futebol porque além do efeito "soporífico", de adormecer os trabalhadores, tem o efeito do lucro porque movimenta muito dinheiro. É um esporte que o trabalhador, no geral, gosta, além de ser um grande negócio relacionado com a audiência. Um fato muito importante é que a televisão, principalmente a TV aberta, está com os dias contados devido ao crescimento da internet. Mesmo a rede Globo brasileira, a TELEVISA mexicana, a Venevisión do Grupo Cisneros venezuelano, etc., estão perdendo audiência para o YouTube e a Netflix.

Há uma clara intensão do imperialismo de controlar diretamente essas redes de televisão nos vários países e por isso o interesse no futebol que tem índices muito altos de audiência suplantando os programas de auditório, novelas e filmes. Tem muito dinheiro envolvido aí porque audiência implica em publicidade, em vender o espaço publicitário na TV a um custo muito mais alto. Como tem muito dinheiro envolvido o imperialismo, principalmente o norte americano, quer controlar melhor esse negócio, mais de perto, porque é de onde vem parte do dinheiro para estabilizar a taxa de lucros.

A partir daí o imperialismo promoveu uma campanha para tentar impedir que a Rússia fosse a sede da Copa do Mundo nesse ano e propôs que o Qatar o fosse em 2022. Essa política não conseguiu avançar, mas por outro lado  deu início enormes contra a rede Globo e outras redes de TV com o propósito de desestabilizá-las financeiramente e comprá-las.  Não por acaso os dirigentes da Globo, a família Marinho, repassaram dessa empresa para seus próprios bolsos o equivalente a R$ 4 ou R$ 5 bilhões nos últimos dois anos, que é uma movimentação impossível de acontecer em uma empresa em expansão.

entardecer

Nesse momento a classe operária está paralisada no Brasil e no mundo. Por quê?

Em primeiro lugar, os trabalhadores devido à crise capitalista, estão com medo de perder seu emprego e, assim, não conseguir seu sustento e da sua família. Mas a grande pressão vem do grande número de desempregados, no Brasil os dados oficiais apontam para cerca de 14 milhões, mas isso é falso dado os critérios usados nas pesquisas, na realidade o número é muito maior. Se por um lado camuflar esses números é para minorar o tamanho da crise e por outro lado para servir como fator de pressão para que aqueles que estão empregados e subempregados não saiam para a luta. Assim, a existência de trabalhadores desempregados sempre foi importante para os capitalistas conforme Marx explicou em O Capital. Esse exército industrial de reserva é força de trabalho que excede às necessidades da produção e serve como fator de pressão sobre a força de trabalho necessariamente usada, ou seja, em caso de insubmissão qualquer trabalhador poderá ser substituído. O pleno emprego nunca existiu de fato no capitalismo e nem a tão propalada liberdade de escolha sobre qual trabalho escolher.

A burocracia sindical joga a culpa de não ter luta no próprio trabalhador. Uma grande mentira, na medida em que esta burocracia mesmo é que faz todos os tipos de manobras para que ela não ocorra, basta ver nos sindicatos o trabalho de base que é feito, a maioria dos diretores sindicais sequer vai aos locais de trabalho distribuir um boletim, pagam para alguém fazer isso, quando tem boletim. Não se dão ao trabalho de discutir pacientemente com os trabalhadores e de estar junto com eles no cotidiano, preferem deixar que o patrão e os meios de comunicação façam o discurso único do capital. O discurso do individualismo, do empreendedorismo, da colaboração de classes e do sucesso pelo esforço. De fato a própria vida prática da maioria dos dirigentes sindicais é um exemplo negativo para os trabalhadores, esses dirigentes mudam seu modo de vida ao não terem mais que ir ao local de trabalho e viver sob a disciplina do capital, prosperam às custas do trabalhadores usando o dinheiro do aparato sindical, passam de explorados à parasitas.

É sobre bases materiais que podemos entender a traição das direções burocráticas. Em grande parte essa burocracia é proveniente da aristocracia operária que se tornaram pequenos burgueses que, pelo seu caráter de classe tende a se aproximar cada vez mais da classe burguesa. A base material da burocracia sindical, portanto, se assenta sobre os próprios privilégios oferecidos pelo aparato. É nesse sentido que os elementos mais burocráticos vão buscando autonomia em relação aos trabalhadores e desqualificando os militantes mais combativos, buscando fazer deles meros serviçais sem qualidades.

Trotsky no livro Classe, Partido e Direção, de 1940, escreve: “A falsidade histórica consiste em descarregar a responsabilidade da derrota das massas espanholas sobre as próprias massas e não nos partidos que paralisaram ou ingenuamente esmagaram o movimento revolucionário das massas". Não é nova a mania dos burocratas de dizerem que os trabalhadores não querem lutar, que eles é que são os culpados da situação em que se encontram, etc. Para manter seus privilégios, a burocracia canaliza toda a revolta dos trabalhadores para o voto nas eleições, para garantir cargos no Estado burguês. Hoje toda a burocracia faz parte da frente popular a qual é um muro de contenção entre os trabalhadores e a burguesia patronal junto com o Estado.

A traição da burocracia se torna mais evidente na medida quem os ataques sobre os trabalhadores aumentam. No Brasil tivemos a “reforma” trabalhista com enorme retirada de direitos, os funcionários públicos, principalmente os da educação e da saúde, têm seus salários atrasados, a população das periferias são violentamente agredidas pelas milícias e pelas forças de repressão, os morados de favelas recebem balas de fuzil ao invés de escolas, hospitais e saneamento básico. Toda uma enorme pressão para retirar tudo que seja aplicação em áreas sociais para recuperar a taxa de lucros dos grandes capitalistas, principalmente os do capital especulativo. Tudo isso é feito sob o consentimento tácito da burocracia sindical, inclusive de setores que se dizem revolucionários, que no fundo estão atolados até o pescoço no regime democrático burguês, fazendo campanha eleitoral para o partido A ou B.

A reação dos trabalhadores provavelmente será violenta no sentido de destruir essas contenções. Sempre foi assim. Um movimento vigoroso destruirá toda essa geringonça formada por uma diversidade de centrais sindicais, 14 no Brasil! Cada uma cuidando dos seus próprios feudos, mantendo uma unidade de propósito: a manutenção dos próprios privilégios. A rebelião das bases vai surgir na medida em que a crise capitalista se aprofundar, no momento em que não será mais possível suportar as condições de vida sob a escassez para a grande maioria e a abundância para a minoria.

A unidade dos trabalhadores a partir dos locais de trabalho e dos locais de moradia será o primeiro passo para enfrentar a miséria em que estão sendo jogados, atropelar a burocracia sindical e o reformismo generalizados das direções partidárias e dos movimentos sociais cooptados integrados ao regime. Nos sindicatos a tendência é de surgimento de novas oposições ou a criação de novas organizações controladas pelos trabalhadores completamente por fora desses aparatos. Com a crise capitalista e os ataques aos direitos dos trabalhadores vai inegavelmente acontecer no futuro um movimento parecido com o de 2013. Um movimento que começou com as reivindicações contra o aumento da passagem dos transportes feitas pelos estudantes, que é um fator que quase sempre precede o movimento operário, mas que foi rapidamente infiltrado pela extrema direita. A esquerda no geral ficou tão perdida como ficou agora no movimento recente dos caminhoneiros. Ocorreram também movimentos dos secundaristas com a ocupação de escolas e outros movimentos de jovens que foram abortados também pela traição da burocracia da esquerda.

Nesse momento as atenções da burguesia e da esquerda integrada ao regime se concentram nas eleições golpistas, mas a própria direita está em crise porque todo candidato que ela põe no cenário acaba sendo queimado na medida em que surgem dúvidas se ele será o melhor para aplicar todos os planos do imperialismo. Enquanto o movimento dos trabalhadores se mantiver paralisado será possível à burocracia caminhar nas pequenas e grandes manobras, privilegiando as disputas jurídicas e eleitorais. Aos revolucionários cabe estudar muito bem a situação e apontar aos trabalhadores que a saída não se dará com esta esquerda decadente mas com a sua própria organização.

A luta de classes

Segunda, 21 Maio 2018 21:00

luta de classes

 

No Manifesto Comunista, escrito em 1848, Marx e Engels distinguem as classes sociais fundamentais no capitalismo: a burguesia e o proletariado.  O Manifesto afirma que a burguesia produz seus próprios coveiros que são os proletários, portanto a luta do proletariado começa no início de sua própria existência. Além desta separação antagônica das duas classes sociais fundamentais encontramos no capitalismo uma série de frações da classe dominante.

Dentro da própria burguesia temos a burguesia industrial, a burguesia comercial, a burguesia do setor de serviços, a burguesia imperialista, a burguesia local dos países atrasados, etc. Como o objetivo no capitalismo é se apropriar de uma parte da riqueza social estes setores entram em disputa, em luta, principalmente porque, conforme a crise vai aumentando, o bolo vai se reduzindo.

Os grandes capitalistas personificam o grande capital e a luta se torna cada vez mais acirrada. As disputas entre as frações da classe burguesa se fundam em interesses materiais concretos, Marx desenvolveu isso claramente no Dezoito de Brumário e no Luta de Classes na França.

Nesse momento, no mundo inteiro, vemos acirrar a luta entre as frações da burguesia e a classe operária, que se encontra semiparalisada desde a década de 1980 no Brasil e no mundo. Essa semiparalisia se manifesta, ainda que não haja uma derrota física e cabal do movimento de massas e sua vanguarda, no caráter das lutas que são nitidamente de resistência e que isoladas tendem a se esvair sem dar o salto qualitativo para a unificação. Isso devido à aplicação das políticas neoliberais e ao giro à direita das direções do movimento de massas que traíram e traem descaradamente todas as lutas.  

O movimento operário nos países ocidentais, que sempre tinha sido a vanguarda da classe operária mundial, foi esvaziado devido à queda da União Soviética, a traição da esquerda e da burocracia sindical, em primeiro lugar, além da burocracia dos movimentos sociais, que acabou se integrando ao regime com mala e cuia.

A queda das burocracias na União Soviética foi um rompimento nos entraves impostos pelas direções stalinistas, mas esse fenômeno foi capitalizado pela burguesia imperialista em razão da não existência de um partido revolucionário que levasse as massas a uma revolução política, tomando o poder. O impacto foi tamanho que mesmo no Ocidente, muitos partidos ligados ao stalinismo mudaram de nome ou se integraram de vez à social democracia.

Outros, como na América Latina, se apegaram ao castrismo em sua política de pacificação do movimento de massas. Por sua vez a social democracia foi sendo levada cada vez mais à direita na medida em que o capitalismo foi aprofundando sua crise, mas teve um certo fôlego na composição dos seus aparatos quando ganhou quadros dirigentes oriundos do stalisnismo.

Com a queda do aparato stalisnista internacional e com duas décadas de neoliberalismo criou-se uma enorme confusão na consciência dos trabalhadores. O imperialismo aproveitou para fazer uma campanha de repetição incessante sobre o “fracasso do socialismo” e a “vitória do capitalismo”. Ocorre que nem um nem outro foi vitorioso, porque o capitalismo levou milhões de pessoas no mundo inteiro à miséria quase que absoluta e o socialismo não chegou a triunfar porque as diversas revoluções no século XX foram abortadas pela traição de suas direções.

Ainda estamos numa situação de semiparalisia devido a esses dois fenômenos: o enfraquecimento da indústria nos países ocidentais com transferência das linhas de produção para os países asiáticos e, ao mesmo tempo, a incorporação da burocracia política e social ao regime burguês, principalmente ao imperialismo.

Mas a base social dessa política acabou sendo muito afetada com a crise capitalista de 2008 onde as políticas neoliberais colapsaram. Porém, o imperialismo não foi capaz de criar uma alternativa a não ser aplicar mais neoliberalismo devido ao alto grau de crise em que se encontra todo o sistema econômico.

Nessa conjuntura, os trabalhadores encontram-se divididos claramente em três alas ou grupos fundamentais, quais sejam: uma ala revolucionária, uma ala contrarrevolucionária e uma ala "confusa". Com a semiparalisia da classe, é normal que o peso da ala revolucionária seja bem pequeno, em torno de 5 a 10%, enquanto outra parcela minoritária se coloca numa postura contrarrevolucionária ao lado do grande capital ou pressionada pelos setores comprados da burocracia sindical e partidária. A grande maioria, cerca 80%, é composta de trabalhadores completamente indecisos, temerosos e sem saber o que fazer diante da crise, em geral não têm confiança nas direções dos movimentos organizados.

Conforme a crise aumenta e as contradições de classe vão avançando, uma parte considerável de indecisos, de centro, começa a ser empurrada para a ala que está em movimento, a ala dos ativistas revolucionários, como aconteceu várias vezes na história onde o grosso dos trabalhadores tende a se juntar aos movimentos nos momentos de pico.

Temos um exemplo clássico que foi o maio francês de 1968, que está completando 50 anos agora, quando na França cerca de 30 milhões de trabalhadores dos quais 11 milhões eram operários, impulsionados pelo movimento estudantil, que faz parte das camadas médias da população, chamaram uma greve geral que durou duas semanas e ocuparam todas as principais fábricas francesas. Ou seja, o grau de radicalização do movimento operário foi enorme. Não era só 10% da classe operária mobilizada, provavelmente era 80% ou mais. E o percentual de contrarrevolucionários tinha diminuído muito.

Isso não ocorre a todo momento porque a história sempre acontece por meio de ciclos, conforme Hegel afirmou e Marx desenvolveu, por meio de espirais que voltam ao mesmo lugar, mas em um estágio superior.

Tivemos outros exemplos como o "cordobazo" na Argentina em 1969, que foi uma situação muito parecida e influenciada também pela crise de 67 e pelo maio francês. As grandes greves operárias, no Brasil, na década de 1980 foi a mesma coisa. Há uma pressão muito grande do capital e a classe operária vai para a luta, se organiza de formas diferentes e supera o período anterior.

Esses movimentos foram todos derrotados porque o grande capital ainda mantinha um centro contrarrevolucionário que era os Estados Unidos e que, em termos de configuração social e de conformação econômica, era muito forte porque vinha de um movimento ultraconservador e contrarrevolucionário, o macartismo da década de 50 e parte da década de 60.

A luta de classes evolui e a tendência é que no próximo período a classe operária entre em movimento. Quando afirmamos isso, normalmente tem muitas pessoas que olham com desconfiança. Mas o que acontece é que a classe operária não vai ser colocada em movimento pela esquerda atual, inclusive porque a esquerda que aí está encontra-se em estágio avançado de decadência, já em fase moribunda, completamente integrada ao regime. Ela vai ser colocada em movimento pela pressão e ataques do grande capital. Devido a crise, o grande capital é obrigado a atacar os trabalhadores e esses ataques acabam gerando, em algum momento, uma reação como sempre aconteceu na história.

É necessário deixar o alerta de que a democracia burguesa é a ditadura do capital sobre o trabalho, não há reino de liberdade para os trabalhadores se não se tornarem livres da exploração, da apropriação privada do que produzem, do fim da propriedade privada dos meios de produção. A ditadura do proletariado é a única forma de se alcançar a liberdade e a emancipação da classe trabalhadora. Por isso é necessário que os trabalhadores criem suas próprias organizações livres de burocratas e aproveitadores e avancem na construção do partido operário revolucionário como instrumento para a tomada do poder.

Entenda a crise na Argentina

Sábado, 12 Maio 2018 21:00

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O Brasil se encontra na linha de frente da crise capitalista na América Latina junto com a Argentina, mas também no mundo. Os Estados Unidos têm sofrido uma série de derrotas na Europa, no Oriente Médio, na Ásia, na China etc. Por esse motivo têm apertado mais a região; passaram a controlá-la com mais força, tendo tornado quase inviáveis os governos de “frente popular”. Essa política tem levado à implosão de governos do  PT no Brasil, de Humala no Peru, da Frente Ampla no Uruguai, o governo de Rafael Correa no Equador e assim sucessivamente. Ao mesmo tempo tem levado à imposição de uma série de governos da direita “neoliberal” clássica, não abertamente golpista, como aconteceu no Brasil, na Argentina, no Chile, no Peru etc. Esses governos continuam aplicando a política “neoliberal” porque foi a única política que ficou em pé depois do colapso econômico de 2008, perante a impossibilidade do grande capital de impor uma política alternativa, diferentemente do que aconteceu na década de 1980, quando as chamadas políticas neokeynesianas foram substituídas pelas políticas “neoliberais” em escala mundial como políticas hegemônicas.

 

Macri: o governo possível e não ideal do imperialismo

 

Maurício Macri era considerado como o governo "ideal" para o imperialismo, para muitos agrupamentos da esquerda e também da direita. Supostamente, Macri iria estabilizar o regime e aplicar grandes ataques contra os trabalhadores. De fato, Macri começou o governo com muita força, reduziu vários subsídios às tarifas públicas. No primeiro mês, ele governou por decreto e conseguiu um grande trunfo quando conseguiu agrupar toda a ala dos partidos burgueses, inclusive o peronismo e o kirchnerismo, por trás dessa política. Pagou US$ 7 bilhões no processo dos fundos abutres para levar novamente a Argentina ao mercado especulativo mundial. Fez enormes concessões para o capital especulativo. O resultado disso foi que nos seis primeiros meses de governo gerou mais de 1,5 milhão de pobres, num país de 40 milhões de habitantes. E agora a nova onda de políticas “neoliberais” na Argentina a faliu.

A análise política deve ser feita considerando a luta entre as classes sociais e as frações de classe, num prazo mais longo, avaliando de onde veem, onde estão e para onde vão os fenômenos sociais; avaliando todos os elementos em concatenação e em evolução e, principalmente, na luta gerada a partir das próprias contradições internas.

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Nos últimos dias, aconteceu na Argentina, uma enorme desvalorização do peso que pulou de 20/dólar para mais de 23/dólar. Para estabilizar a economia, o governo argentino pediu ao FMI (Fundo Monetário Internacional) o empréstimo de US$ 30 bilhões, após ter torrado na estabilização do peso US$ 5 bilhões, inicialmente, e, depois, mais US$ 0,5 bilhão. Por enquanto, o peso foi estabilizado em 10% a mais do valor anterior, em 22 pesos por dólar. Mas a situação é catastrófica nesse momento porque o déficit comercial só cresce e há a bomba relógio do endividamento público, principalmente a especulação com as Lebacs (Letras do Banco Central) que, nos últimos três anos, têm provocado um endividamento de mais de US$ 60 bilhões a taxas usurárias.

Quando Macri assumiu o governo havia um superávit comercial de US$ 1 bilhão deixado por Cristina Kirchner. Agora o déficit comercial subiu para aproximadamente US$ 10 bilhões, dos quais US$ 8 bilhões são com o Brasil. A dívida pública argentina supera os US$ 300 bilhões. Para estabilizar o peso, o governo Macri disparou a taxa de juros em 40%. O déficit de contas correntes argentinas no ano passado, foi de US$ 30 bilhões, que seria a diferença entre tudo que entra e tudo que sai no Brasil. O déficit público já está em 3,2% do PIB ou US$ 12 bilhões e as chamadas reservas soberanas caíram de US$ 65 bilhões para US$ 55 bilhões. A pobreza oficial está em 26%.

O FMI aceitou estabelecer negociações para o empréstimo de US$ 30 bilhões, mas sem ter estabelecido qualquer prioridade e ainda tendo retirado do País seus diretores. O problema é como a política do FMI fracassou mais uma vez apesar de estar sendo levada à risca? E como ela fracassou quando no governo há elementos ainda mais qualificadamente entreguistas que os próprios diretores do FMI? A política do imperialismo não é torrar US$ 30 bilhões para estabilizar uma política que se demonstrou falida, mas forçar o governo a aplicar um novo “Rodrigazo”, uma nova versão do brutal ataque contra os trabalhadores que aconteceu na década de 1970. O governo Macri se encontra numa encruzilhada: se aplica o ataque que o imperialismo impõe, implodiria a direita agrupada em torno ao macrismo nas eleições gerais de 2019. E ainda existe a possibilidade do governo cair antes, acelerando as tendências revolucionárias. Se continua atuando na base do “gradualismo”, a Argentina pode quebrar.

Na Argentina, assim como em escala mundial, inclusive no Brasil, o imperialismo impõe avançar para governos de cunho bonapartistas, ditaduras burocrático policiais, com os militares cada vez mais cumprindo um papel de primeira ordem, que tenham a possibilidade de impor os ataques contra as massas que o grande capital exige e de conter os protestos que, inevitavelmente, virão.

 

Imagens emprestadas de Telesur, 9 de maio de 2018

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