Quarta, 21 Fevereiro 2018

Últimas notícias (10)

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vivamus QUIS grande NISL. Ultricies trabalhos de casa cerâmica ecológico e Libero. Clínica apenas o que foi crianças correndo. Mas pot futebol arco qualquer pessoa que tenha sido esterilizado bebida clínica. Indonésia Phasellus sollicitudin ante ullamcorper urna nec dolor consequat et volutpat.

Os algoritmos do Facebook

Quinta, 01 Fevereiro 2018 00:00

fcbk.fw


Você já foi censurado pelo Facebook? Foi suspenso de fazer postagens ou até mesmo comentários? Se afirmativo você caiu na malha fina do exército de moderadores pagos pelo Facebook, mas quem tomou a decisão das sanções foi um algoritmo. O algoritmo é uma espécie de robô, uma inteligência artificial, que não identifica emoções, piadas, figuras de linguagem, ironias ou metáforas. Mas ele é capaz de tolher ou colocar em destaque coisas sem a menor relevância para os seus posts: você já deve ter percebido que muitas vezes coloca uma opinião relevante e ela passa despercebida pela grande maioria, mas em outras vezes coloca algo completamente banal e isso tem um retorno que você não esperava? Pois é, o algoritmo do Facebook está trabalhando. Mas não é só o Facebook que opera dessa forma. Quem posta vídeos no Youtube sabe que se usar uma imagem ou música poderá ter seu vídeo suspenso em segundos, não porque tem um moderador vigiando-lhe, mas por causa de um algoritmo que identifica a autoria da música e impede que você a use em seu vídeo. É pura matemática? Sim e não, porque a matemática aí é controlada obedecendo a interesses determinados.

O algoritmo é uma ou diversas fórmulas para solucionar um problema ou fazer escolhas no sentido de alcançar um objetivo desejado. Por exemplo, fotos de pessoas nuas serão barradas imediatamente, ou  se aceitas, podem vir com restrições em que o usuário faz a opção de continuar informando, por exemplo, a idade determinada pelo algoritmo, que pode ser de 18 anos ou mais. Portanto, se você acha que encontra no Facebook tudo o que você quer, lembre-se de que ele é capaz de mostrar-lhe apenas o que ele “quer”. São quase dois milhões de pessoas no mundo recebendo o que é mais lucrativo para eles. Portanto, mais que uma questão de matemática temos aí uma questão política, em que ideologias e interesses comerciais são dirigidos.

É isso que o dono do Facebook, Mark Zuckerberg, resolveu fazer: chegará a você primeiro as postagens daqueles que você determinou como parentes, depois os amigos, depois amigos dos amigos. As postagens de páginas dedicadas ou fanpages não lhe chegarão tão facilmente. Tudo é, portanto, controlado em grande medida, e esse controle aumenta justamente no momento em que existe, pela identificação de pesquisas, um grande crescimento do acesso a notícias através das redes sociais. O Facebook estaria se tornando por demais politizado? Mas se a política tem sido a causa de grandes sofrimentos, não seria melhor retirá-la do grande público? As pessoas não seriam mais felizes curtindo receitas de bolo e a cor do vestido da festa de 15 anos? O admirável algoritmo novo do Facebook estaria apenas criando um lugar de piquenique muito mais prazeroso, em sua concepção, contudo, a inveja, a ira que subjaz a uma curtida ou elogio ele não pode medir.

 

Mas se você insistir

 

A Polícia Federal – uma instituição imparcial, neutra, apartidária, laica e tudo mais que inspira confiança – vai intervir juntamente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), numa força-tarefa, para atuar em relação aos “fake news” (notícias falsas) na “disputa” eleitoral de 2018. Reuniões com representantes do Google e do Facebook já estão acontecendo para estudar as formas mais eficazes de alcançar os objetivos desejados. E quais são eles? Aí a questão se complica. Numa sociedade dividida em classes, onde uma pequena minoria controla tudo e se beneficia de quase todos os recursos produzidos pelos trabalhadores não é difícil identificar (por evidências irrefutáveis) quais interesses serão protegidos.

Tanto a PF quanto o TSE têm acordo nos supostos benefícios que os cidadãos terão com a parceria, como por exemplo, na emissão de passaportes, que se dará de forma muito mais rápida já que estes dados serão repassados de uma instituição à outra. Mas a preocupação central é de que as falsas notícias podem prejudicar candidatos e até mesmo cidadãos comuns, sendo que o Brasil não tem uma legislação moderna sobre a questão. Mas qual país tem? As falsas notícias não nasceram com as redes sociais, haverá equidade num país onde as autoridades como a Justiça e a própria Polícia Federal fazem vazar gravações da Presidente da República?

O fato que salta aos olhos é que estamos em meio à maior crise econômica da história do capitalismo, tudo se desagrega à luz do dia e as grandes corporações vão fazer de tudo para manter o controle, noite e dia, das informações deixando vazar o que lhes é de interesse através de algoritmos e agentes, tentando cercar por todos os lados, não deixando brechas ou fissuras, monitorando para que o mundo pareça o melhor dos mundos possíveis. Sem utopias para que todos repitam sem remorsos que o capitalismo e sua excrescência, o neoliberalismo, são inevitáveis. Portanto, vai permanecer aquela sensação de que você é livre e pode realmente, através da sua liberdade de se expressar, influenciar o mundo com suas opiniões nas redes sociais. Pouca gente lê o que você publica e se quiser atingir um público maior tem que pagar. E mais, suas publicações não serão vistas de forma aleatória, o algoritmo está lá guiando tudo.

Não foi por acaso que o Facebook comprou o WhatsApp por 22 bilhões de dólares em 2014. Todo mundo paga no pacote de dados dos celulares ou na internet em casa, mas o mais valioso de tudo isso é a quantidade de informações, inclusive algumas muito íntimas, que o Facebook centraliza. Coleta todos os tipos de dados, quase tudo que os usuários fazem e publicam desapercebidamente. Só para se ter uma ideia do seu tamanho e como está se alastrando rapidamente, só em 2016 o Facebook arrecadou mais de 28 bilhões de dólares, 57% a mais que em 2015. Grande parte dessa receita vem de publicidade muito bem dirigida pelos algoritmos, não é por acaso que se você clica na propaganda de um tênis, ou simplesmente a deixa na tela por alguns instantes, essa propaganda ou outras similares vão aparecer para você daí por diante.

Marx, no Manifesto Comunista, de 1848, escreveu: “A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos”. E sarcasticamente mais à frente completa: “Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas em vossa sociedade a propriedade privada está abolida para nove décimos de seus membros. E é precisamente porque não existe para estes nove décimos que ela existe para vós. Acusai-nos, portanto, de querer abolir uma forma de propriedade que só pode existir com a condição de privar a imensa maioria da sociedade de toda propriedade.” Hoje é assim com os meios de comunicação de massas e com a propriedade em geral.

volksdit.fw

Os operários da Volkswagen de São Bernardo do Campo, torturados na Empresa durante a Ditadura Militar de 1964, realizaram protesto na porta da fábrica, na quinta-feira, dia 14 de dezembro.

Um dos candidatos à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo da Oposição Metalúrgica contra o pelego Joaquinzão, Lúcio Bellentani, esteve presente:

“(...) Fazia parte do grupo Lúcio Bellentani, que em 1972 foi abordado na linha de produção por agentes da ditadura. Ele alega ter sido torturado dentro da fábrica.

Hoje com 72 anos, ele e outros funcionários denunciaram a Montadora ao Ministério Público. ‘Queremos que eles se responsabilizem. Pedimos uma reparação coletiva, como a construção de um museu, e reparações individuais financeiras.” (Folha de S. Paulo, 15/12/2017).

A Empresa encomendou Relatório ao professor alemão Christopher Kopper, “contratado pela montadora após ex-funcionários relatarem à Comissão Nacional da Verdade casos de perseguição” (Idem).

O relatório concluiu:

“que houve cooperação entre a equipe de segurança industrial de sua filial brasileira e a ditadura militar no país. O texto afirma, porém, que não foram encontradas evidências claras de colaboração institucionalizada da empresa.” (Idem)

Tal relatório foi apresentado pelo CEO da Volks na América do Sul e no Brasil, Pablo Di Si, depois dos protestos do operários, sendo “uma placa em memória das vítimas da ditadura foi descerrada na fábrica.”

Acrescente-se que a Volkswagen deu guarida a criminosos nazistas, como “Franz Stang, ex-chefe de dois campos de extermínio na Polônia [Treblika e Sobibór] não só se tornou funcionário da montadora de São Bernardo do Campo, como montou um esquema de espionagem na fábrica em colaboração com o regime militar.” (UOL, 27/07/2017). Stangl foi preso e condenado em 22 de outubro de 1970 à prisão perpétua e morreu em 28 de junho de 1971 de parada cardíaca, na cidade de Düsseldorf.

A Volks deve pagar as indenizações aos operários torturados e aos perseguidos, até que seja totalmente expropriada pelos trabalhadores, num governo revolucionário operário e camponês.

A esquerda está fraca? (Parte 3)

Quinta, 09 Novembro 2017 00:00

cn2

A saída da crise é extraparlamentar

A saída da crise, portanto, não passa por métodos de conciliação de classe parlamentares e sim por métodos extraparlamentares.  A extrema direita não consegue impor mais os ataques dos quais precisa para conter a queda da taxa de lucros por meio do regime político atual que foi imposto pelo neoliberalismo. Precisa avançar para o endurecimento do regime, para impor regimes cada vez mais bonapartistas, baseados na ditadura burocrático policial.

Conforme a crise aumenta não há lugar para pequenas reformas e concessões. O PT dessa maneira, acaba se convertendo em instrumento direto do Estado e da engrenagem de desenvolvimento do próprio golpe.

O Estado tem dono, que é a burguesia imperialista. O imperialismo impõe, por necessidade de recuperar a taxa de lucros, enormes golpes sobre os trabalhadores. O regime político atual, que foi colocado em pé a partir da Constituição de 1988, encontra-se desmoralizado, o que se acentuou com a campanha anticorrupção, e tende a desaparecer. Isso significa que existe uma crise de confiança das camadas médias da população e de parte dos trabalhadores, nos seus partidos e nas suas direções. Em primeiro lugar, nos dois partidos que têm uma certa influencia de massas entre as classes médias, o PT e o PSDB.

A crise do regime político neoliberal se acentuou com a crise econômica de 2008.  A crise política se tornou generalizada por causa do aperto do imperialismo, que se vê obrigado, cada vez mais, a colocar em cena a extrema direita.

Temer está sendo preservado por falta de uma alternativa mais dura que não desestabilize o regime político. Mas ele se encontra na situação de um zumbi, de um morto-vivo. Todos os partido integrados ao regime, desde o PT até o PSDB e todos os outros, estão enfraquecidos e rachados.

A crise terminal do PMDB

O grupo principal do PMDB foi colocado totalmente contra as cordas e ainda enfrenta rachas com outros grupos, como o do Renan Calheiros, do José Sarney, da senadora Kátia Abreu, do senador Roberto Requião etc. O déficit público gigantesco do Governo Federal, provocado pela roubalheira financeira, já bate no teto da meta, R$ 159 bilhões. Para fechar as contas públicas, o governo Temer busca aumentar os repasses dos bancos públicos.

Com os novos vazamentos que surgiram nestes dias, dos chamados Paradise Papers, entrou de cheio na crise o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Eles se viram envolvidos em corrupção conforme os vazamentos de uma consultoria que tem sede nas Bermudas e uma empresa de Singapura.

O capitalismo referenda uma frase muito conhecida de um grande escritor burguês, Honoré de Balzac, “por trás de toda fortuna há um crime”, no conto A Estalagem Vermelha. Também remete à chamada acumulação primitiva do capital, descrita no Livro 1 de O Capital, de Karl Marx, onde ele mostrou como o capitalismo moderno surgiu a partir do saque aberto e truculento dos camponeses.

A crise terminal do PSDB

No PSDB, a crise também está a mil por hora. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alkmin, está sendo alavancado como candidato a presidente. Mas ele é um político regional e fraco. A visão de que Alkmin poderia ser o predestinado a vencer as eleições e impor um regime mais duro ultrapassa o Alkmin atual, como um dos cabeças do PSDB. O imperialismo impõe a substituição do regime atual, desde o PT até o PSDB, para dar lugar a um regime próximo do bipartidário. Algo parecido com o que os militares fizeram com Castelo Branco fez em 1964.

Dentro do PSDB, há um grupo chamado “Esquerda pra Valer” que tem certa intimidade com o PT, mas que apoia Alkmin. A extrema direita do PSDB está se esfacelando e indo para o Partido Novo e outros partidos da extrema direita.

Em dezembro, os quatro ministros do PSDB no governo Temer deverão abandona-lo. Mas como irão superar o desgaste aberto?

A candidatura Dória Jr. se encontra muito envolvida no lobby que a empresa dele, a LIDE, tem feito entre os grandes empresários e políticos. A política dele à frente da Prefeitura da cidade de São Paulo tem sido errática o que o tem enfraquecido.

A candidatura Aécio Neves se encontra contra as cordas devido à pressão da extrema direita; e se trata de um dos tucanos mais próximos a FHC.

A candidatura do senador José Serra, que está tentando se candidatar ao governo do Estado de São Paulo ou mesmo à presidência da República, tem pés de barro. Ele somente não caiu porque ainda está blindado. Mas se ele entrar em cena de maneira mais incisiva existem muitas denuncias contra ele que podem aparecer. Por trás de Serra está o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, que é do PSD o que torna a eventual escalada da crise de Serra em uma crise multipartidária.

E junto com o enfraquecimento dos partidos políticos, há o desgaste generalizado do regime político de conjunto, inclusive do Judiciário. Os generais já avisaram: “se o Judiciário não moralizar o regime”, se não tirar os “corruptos” de cena, eles o farão. E obviamente, no lugar, colocarão os corruptos mais ligados ao imperialismo.

Cada vez fica mais claro, que, no próximo período, está colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia e os trabalhadores, entre a revolução e a contrarrevolução.

A esquerda está fraca? (Parte 2)

Quinta, 09 Novembro 2017 00:00

revbichos


A esquerda burguesa tem se enfraquecido muito, como um todo, em escala mundial. A socialdemocracia começou a implodir na década de 1970, por causa da crise capital mundial aberta em 1974, com a crise mundial do petróleo; hoje está em frangalhos, não passa de uma sombra do que já foi.

No Brasil, o PT está muito fraco conforme ficou claro no congresso que aconteceu em julho. Lula foi obrigado a fazer mil manobras para impedir a divisão do Partido. Ele impôs Gleisi Hoffman como presidente do Partido para barrar a candidatura de Lindbergh Farias, pois a vitória deste teria levado à derrocada do “campo majoritário”, a Articulação, agora rebatizada como CNB. Nas eleições municipais de outubro, o PT obteve pouco mais de 200 prefeituras, após ter se aliada em massa com a direita golpista; foram cerca de 400 prefeituras a menos.

A política de frente popular é uma política de conciliação de classes realizada por partidos que tem base eleitoral na classe operária. Essa política se consolidou, em 2002, com a entrada do latifundiário do PSB, José Paulo Bisol, como vice na chapa presidencial encabeçada por Lula. A vitória de 2002, além da aliança com vários partidos burgueses, teve o próprio FHC como principal cabo eleitoral. Muito significativa foi a visita aos Estados Unidos por Lula e a cúpula tucana para pedir a benção para o presidente norte-americano George Bush Jr, sob juras de manter todos os “acordos” impostos pelo imperialismo.

Durante os governos do PT a integração da esquerda burguesa e pequeno burguesa ao aparato do estado foi praticamente absoluta. Mais de 150 mil sindicalistas foram cooptados por meio de cargos de chefias. O dinheiro jorrou desde os ministérios e secretarias para os movimentos sociais. A “reforma agrária” foi paralisada enquanto a cúpula do MST se especializava em extrair dinheiro do estado.

A fase terminal da esquerda integrada ao regime

A esquerda burguesa dentro da frente popular tem uma relação de amor com a democracia burguesa, uma confiança total nela. O PT, como partido, não pensa em revolução. Os agrupamentos que funcionam como penduricalhos também não, além de ficarem a reboque da política de frente popular.

Na recente viagem de Lula ao Nordeste, ele se reuniiu com Renan Calheiros, José Sarney, Kátia Abreu, Eunício de Oliveira e com vários outros elementos da direita. Essa é a política denominada de “frente ampla”, uma política de capitulação aberta à direita, ou seja, uma crise de fase terminal. Lula disse em várias entrevistas que não é possível para fazer outra coisa “porque se eu ganhar como eu vou governar?”. Em outras palavras, o PT é um partido estritamente parlamentar. Devido ao desenvolvimento do golpe, a base material das “reformas” assistencialistas que o PT fez está desaparecendo.

A possibilidade do PT vencer as eleições de 2018 são muito remotas porque o grande capital o considera como uma política muito cara e ainda com um pode de contenção das massas cada vez menor, principalmente, por causa da “ressaca” que sucedeu aos 12 anos de governo. Quase não tem militantes de base mais e o repúdio nas principais categorias de trabalhadores é grande. Com o aperto da extrema direita, o PT tem se desgastado muito e com o ascenso de massas que inevitavelmente acontecerá no próximo período, o PT tende a desaparecer assim como acontecer com toda a esquerda burguesa e pequeno burguesa mundial. Foi isso o que sempre aconteceu em todas as situação de grande crise. Foi isso o que aconteceu após o golpe de estado de 1964, com um partido operário enorme, de massas, o PCB.

chaplin


Uma tese bastante difundida é de que o movimento dos trabalhadores está paralisado porque a esquerda está fraca. Mas, na realidade, todos os setores políticos se encontram enfraquecidos devido à crise generalizada e à impossibilidade da burguesia colocar em pé uma política alternativa ao chamado “neoliberalismo”.

Todo o regime político está fraco, desde a esquerda burguesa, passando pelo centro até a própria extrema direita que avança, mas com muitas dificuldades. Existe uma divisão na própria burguesia imperialista que tem se acentuado com o aprofundamento da crise capitalista.

Avaliando as experiências do passado, temos os cem anos da Revolução Russa. A classe operária russa era extremamente fraca em 1917. O Partido Bolchevique apesar da clareza e combatividade era pequeno e além disso, havia o colapso da socialdemocracia que contava com partidos enormes; os mencheviques eram mais numerosos, mas os bolcheviques, em cima de uma política correta e firme ,conseguiram liderar a revolução e conduzi-la à tomada do poder. Anteriormente, em 1915, na Conferência de  Zimmerwald  e depois, em 1916, na Conferência Kienthal, havia-se iniciado a rearticulação internacional da esquerda revolucionária da socialdemocracia que era uma pequeníssima minoria dos militantes. O Partido Social-Democrata Alemão tinha mais de um milhão de filiados e, neste, apenas alguns milhares faziam parte da ala esquerda.

A esquerda revolucionária durante o stalinismo

O stalinismo tem a sua origem no enorme atraso e destruição generalizada na União Soviética, por causa da guerra, que acabou num enorme isolamento após a derrota das revoluções na Europa. O atraso, o fortalecimento da pequeno burguesia com a NEP (Nova Política Econômica), a desmobilização de milhões de soldados e oficiais do Exército Vermelho, assim como a pressão dos restos do czarismo deram lugar a uma nova camada social burocrática, que se colocou por cima das massas. Essa camada acabou colocando à frente, como o próprio líder um antigo revolucionário bolchevique, um prático com pouca visão teórica, Joseph Stalin. O stalinismo começou a controlar os aparatos do Partido e do estado entre os anos de 1922 e 1926. Nos processos de Moscou, que aconteceram na segunda metade da década de 1930, os dirigentes da Revolução de Outubro e os militantes da Oposição de Esquerda, liderada por Leon Trotsky, foram massacrados. O stalinismo acabou implodido por conta do desenvolvimento das próprias contradições internas.

A partir do controle do estado soviético, a burocracia soviética impôs uma política desastrosa para a classe operária mundial que acabou levando a derrotas muito importantes e deixando a esquerda revolucionária em situações extremamente difíceis. A aliança com a burocracia sindical inglesa levou à derrota do enorme movimento grevista de 1926. A Revolução Chinesa de 1926-1927 acabou sendo derrotada após o massacre de 5.000 comunistas na comuna de Canton, pelo Kuomintang, como produto da política estalinista que impunha a entrada do Partido Comunista Chinês no Kuomintang. Mais escandaloso ainda foi a subida de Hitler na Alemanha em 1933, onde existia um Partido Comunista com quase um milhão de membros, que não deu um único tiro. Pouco em seguida começou a intervenção na Espanha que levou à derrota da revolução por causa da política de frente popular, de conciliação de classes, com os governos dos Republicanos e Socialistas. A isso se somou em 1937 um verdadeiro golpe de estado na Catalunha, conduzido pela própria GPU (a antiga KGB) e que acabou esmagando a CNT (a anarquista Confederação Nacional dos Trabalhadores) e o POUM (o Partido Operário de Unificação Marxista), os órgãos de poder popular, as milícias operárias e camponesas, assim como as principais lideranças. Não por acaso, essa política abriu caminho à vitória do General Francisco Franco e dois anos mais tarde foi assinado o pacto Pacto Molotov-Ribbentrop entre a Alemanha nazista e a União Soviética. A confusão em relação ao caráter da União Soviética, entre a esquerda revolucionária, se generalizou apesar dos esforços de Leon Trotsky para orienta-la, principalmente no famoso livro “Em defesa do marxismo”.

Em 1935, o VII Congresso da Internacional Comunista tinha declarado que a luta, agora, era pela democracia, contra o fascismo, deixando de lado o princípio básico do marxismo, como reflexo da luta de classes, que coloca como contradição fundamental a luta entre a burguesia e o proletariado. Em cima dessa política, o stalinismo participou da frente popular francesa que incluía o Partido Socialista e o Partido Radical e que esmagou as tendências revolucionárias na França, que tinham se aberto com a greve geral de 1936.

Após a Segunda Guerra mundial, a frente única que existia entre o imperialismo e a União Soviética esmagou a revolução na França, onde a Resistência e uma parte importante da população tinha se armado. Na Itália, a classe operária tinha ocupado as principais fábricas. O Secretário Geral do Partido Comunista Italiano, Palmiro Togliatti, foi enviado diretamente de Moscou para acabar com as ocupações e desarmar a população; ele próprio entrou no governo encabeçado pelo ex general fascista Bodoglio, dentro da política que tinha sido estabelecida nas três famosas conferências que aconteceram no final da Guerra, principalmente na de Yalta. Em cima dessa política, foram esmagadas duas revoluções na Grécia (1944 e 1948) e um grande número de revoluções em vários países coloniais na África, na Ásia.

Um relato muito interessante que ilustra como era muito difícil de se militar naquela época é uma nota, de 1947, escrita pelo dirigente do POUM, Gorkin, exilado no México, com motivo da morte do revolucionário russo-belga Victor Serge. Gorkin conta que após o assassinato de Leon Trotsky, em 1940, houve uma enorme pressão do stalinismo a partir da própria embaixada da União Soviética para que Gorkin e Serge não conseguissem fazer palestras em absolutamente nenhum lugar. Ele relata que em um determinado momento, em 1943, eles conseguiram uma espécie de sala de cultura para discutir o andamento da Guerra; no meio da palestra,  aparecerem 200 militantes estalinistas armados para implodir a conferência. Portanto, os militantes revolucionários durante essas décadas enfrentaram mortes, ataques com todo tipo de violência, fortes pressões. Havia mecanismos de contenção da luta, amparados em aparatos ligados ao Estado soviético que naquele momento estava aliado principalmente com o imperialismo norte-americano. E ainda haveria vários outros exemplos das décadas seguintes.

Podemos dizer que a esquerda revolucionária sempre enfrentou enormes dificuldades, principalmente nos períodos de refluxo.

Nacional

Lula e o fim da esquerda atual

13 Fevereiro 2018
Lula e o fim da esquerda atual

A condenação de Lula recentemente pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal) dá continuidade à política do imperialismo para a América Latina iniciada em 2014. A política do PT, que é uma...

Contra as privatizações no Rio Grande do Sul

12 Fevereiro 2018
Contra as privatizações no Rio Grande do Sul

Na madrugada de 8 de fevereiro de 2018, a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou por 30 votos a 18 o Projeto de Lei Complementar 249/2017 que autoriza o Rio Grande do...

Todos são culpados até que se prove o contrário?

31 Janeiro 2018
Todos são culpados até que se prove o contrário?

Supremo Tribunal Federal: Prisão após condenação em 2º Grau?   No último período, a conjuntura nacional está fortemente marcada pelo avanço do Poder Judiciário sobre o regime político. O melhor...

Educação

Banco Mundial, gerente da educação brasileira

14 Fevereiro 2018
Banco Mundial, gerente da educação brasileira

A década de 1970 foi marcada pelo revés no modo de regulação capitalista, devido à crise do petróleo, a expressão da crise capitalista em geral. Ganharam força as propostas de...

Educação infantil na mira do prefeito de Belo Horizonte

18 Dezembro 2017
Educação infantil na mira do prefeito de Belo Horizonte

Prefeito de Belo Horizonte quer penalizar educadores, crianças e mulheres.   Diante do enorme déficit de vagas para atender às crianças da capital mineira na educação infantil, o prefeito encontrou...

São Paulo: O sucateamento da educação pública

30 Novembro 2017
São Paulo: O sucateamento da educação pública

Por Salomão Ximenes, Fernando Cássio e Silvio Carneiro (Professores da UFABC e pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade) A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) abriu...

Gazeta Revolucionária [pdf]

capa gr4

Saiba Mais

O efeito colateral na esquerda

O movimento de massas está paralisado no Brasil e mesmo...

A morte terceirizada no Carnaval...

No último Domingo dia 04/02 o jovem Lucas Antônio Lacerda...

Socialismo pequeno burguês e os...

Para quem pensa que a CIA (Agência Central de Inteligência...

RS: Abaixo o plano de...

  A política aplicada pelo governo de José Ivo Sartori...

Socialismo pequeno-burguês e "teoria das...

A crítica concreta e ideológica das teorias pequeno-burguesas representa um...