Segunda, 24 Setembro 2018

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A Atualidade de Trotsky

Quinta, 13 Setembro 2018 00:00

trotsky1940


Por Florisvaldo Lopes

O que estamos presenciando neste momento no Brasil é praticamente o que Leon Trotsky alertava aos trabalhadores da Índia, em 1939, no texto "Carta Aberta aos Trabalhadores da Índia".

Temos que estudar esse documento, pois ele nos dará luz para entendermos melhor o momento que vivemos em nosso país,

Se trocarmos os nomes Índia por Brasil, imperialismo britânico por americano, Japão e França por China e Rússia, Guerra por golpe, política de Gandhi por política petista, veremos que este texto é atualíssimo e ajuda no entendimento de como deve ser uma prática realmente revolucionária


Carta Aberta aos
Trabalhadores da Índia

Leon Trotsky

25 de julho de 1939

Escrito: 25 de julho de 1939.

Fonte: Obras, Tomo 21

Fonte da presente transcrição: A Verdade - Nº 26, Revista Teórica da IV Internacional, Edições O Trabalho- Novembro de 2000
Transcrição para a web: Alexandre Linares para o Marxist Internet Archive
HTML por Alexandre Linares para o Marxist Internet Archive.

Caros amigos,

Acontecimentos gigantescos e terríveis se aproximam com uma força implacável. A humanidade vive na expectativa da guerra, que envolverá naturalmente os países coloniais e pesará no seu destino. Os agentes do governo britânico apresentam as coisas como se a guerra vá ser travada em nome dos princípios da "democracia", a qual deveria ser salva do fascismo. Todos os povos deveriam alinhar-se com os governos "pacíficos" e "democráticos" para repelir os agressores fascistas. Então, a "democracia" será salva e a paz estabelecida para sempre. Este evangelho se baseia numa deliberada mentira. Se o governo britânico está realmente interessado no crescimento da democracia, ele teria uma ocasião muito simples para demonstrá-lo, que seria a de dar a liberdade completa para a Índia. O direito à independência nacional é um dos direitos democráticos elementares, mas, na realidade, o governo de Londres está pronto a ceder todas as democracias do mundo em troca de um décimo de suas colônias.

Se o povo indiano não quiser continuar eternamente escravo, ele deve denunciar e rejeitar esses falsos pregadores que afirmam que o fascismo é o único inimigo do povo. Hitler e Mussolini são, sem qualquer dúvida, os piores inimigos dos trabalhadores e dos oprimidos. São carrascos sanguinários que merecem o maior ódio por parte dos trabalhadores e oprimidos do mundo. Mas, eles são, sobretudo, os inimigos do povo alemão e italiano, sobre as costas dos quais estão sentados. As classes e povos oprimidos devem sempre - como nos ensinaram Marx, Engels, Lenin e Liebknecht - buscar seu inimigo principal no seu próprio país, na forma de seus próprios exploradores e opressores. Na Índia, este inimigo é antes de tudo a burguesia inglesa. A derrota do imperialismo inglês seria um golpe terrível para todos os opressores, inclusive os ditadores fascistas. Os imperialismos se diferenciam uns dos outros pela forma - não na sua essência. O imperialismo alemão, desprovido de colônias, se veste com a terrível máscara do fascismo, com seus dentes de sabre na frente. O imperialismo britânico, porque possui imensas colônias, dissimula seus dentes de sabre por trás da máscara da democracia. Mas esta democracia só existe para o centro metropolitano, para 45 milhões de almas ou, de forma mais exata, para a burguesia dominante neste centro. A Índia está privada não só da democracia, mas do direito elementar à independência nacional. A democracia imperialista é esta democracia dos escravistas que se alimentam do sangue das colônias. O que a Índia quer é uma democracia para si, e não se tornar pastagem dos escravistas.

Os que querem acabar com o fascismo, com a reação e com todas as formas de opressão, devem derrotar o imperialismo. Não há outro caminho. Mas esta tarefa não pode ser cumprida com métodos pacíficos, negociações e promessas. Somente uma luta audaciosa e determinada do povo pela emancipação econômica e nacional poderá libertar a Índia.

A burguesia indiana é incapaz de levar uma luta revolucionária. Ela é ligada em demasia ao imperialismo britânico, ela depende dele. Ela teme pelos seus próprios bens. Ela tem medo das massas. Ela busca um compromisso a qualquer custo com o imperialismo e engana as massas com esperanças de reformas vindas de cima. O chefe e profeta desta burguesia é Gandhi: chefe fabricado e falso profeta! Gandhi e seus compadres desenvolveram a teoria que a situação da Índia vai melhorar sem parar, que suas liberdades vão ampliar-se, que a Índia vai tornar-se, pouco a pouco, um "dominion" na via de reformas pacíficas. Mais tarde, talvez, obtenha a independência. Esta perspectiva é radicalmente falsa. As classes imperialistas só podem fazer concessões no período ascendente do capitalismo, época em que os exploradores podiam contar com o crescimento contínuo de seus lucros. Hoje, esta questão nem mesmo se coloca. O imperialismo mundial está em seu declínio. As condições de todas as nações imperialistas se tornam cada dia mais difíceis, enquanto que as contradições entre elas não deixam de agravar-se. Armamentos monstruosos devoram uma parcela cada vez mais importante das rendas nacionais. Os imperialistas não podem mais fazer concessões sérias, seja para suas próprias massas laboriosas, seja para suas colônias. Eles estão obrigados, pelo contrário, a recorrer a uma exploração ainda mais bestial. É exatamente nisso que se expressa a agonia mortal do capitalismo. Para conservar suas colônias, seus mercados e concessões, contra a Alemanha, a Itália e o Japão, o governo de Londres está pronto a destruir milhões de homens. Não poderíamos ter, sem perder a cabeça, a menor esperança que esta oligarquia financeira rapaz e selvagem vai libertar a Índia por sua própria vontade?

É verdade que um governo do pretenso Partido Trabalhista pode tomar o lugar de um governo conservador. Mas isso não mudará nada. O Partido Trabalhista - como testemunham todo o seu passado e seu programa atual - não se diferencia em nada dos "tories" (conservadores, NDT) na questão colonial. O Partido Trabalhista expressa, na realidade, não os interesses da classe operária, mas apenas os interesses da burocracia e da aristocracia operária britânicas. É a esta camada que a burguesia pode jogar migalhas, graças ao fato que ela explora impiedosamente as colônias e a própria Índia. A burocracia operária britânica - tanto no Partido Trabalhista, como nos sindicatos - está diretamente interessada na exploração das colônias. Ela não deseja, nem de longe, a emancipação da Índia. Esses senhores - o major Attlee, sir Walter Crivine e companhia - estão prontos para a qualquer instante denunciar o movimento revolucionário do povo indiano como uma "traição", a apresentá-lo como uma ajuda a Hitler e Mussolini e a recorrer a medidas militares para liquidá-lo.

A política atual da Internacional Comunista não vai melhor. Há vinte anos, é certo, a 3ª Internacional, a Internacional Comunista, foi fundada como uma autêntica organização revolucionária. Uma de suas tarefas mais importantes era a liberação dos povos coloniais. Hoje em dia, não restam desse programa senão lembranças. Os dirigentes da IC, há muito tempo, tornaram-se simples instrumentos da burocracia de Moscou, que sufocou as massas operárias soviéticas e se transformou numa nova aristocracia. Nas fileiras dos partidos comunistas dos diferentes países - inclusive a Índia - há incontestavelmente muitos operários, estudantes, etc, honestos; mas não são eles que determinam a política do Comintern. A decisão pertence ao Krêmlin, que não está guiado pelos interesses dos oprimidos, mas por aqueles da nova aristocracia que o ocupa.

Em favor de uma aliança com os governos imperialistas, Stalin e sua camarilha abandonaram completamente o programa revolucionário da emancipação das colônias. No último congresso do partido, em março, em Mosco u, isto foi abertamente reconhecido por Manuilsky, um dos dirigentes do Comintern, que declarou:

"os comunistas (...) exigem dos governos imperialistas das "democracias burguesas" que eles decretem uma melhoria imediata (sic) e radical (!) das condições de vida das massas laboriosas nas colônias e que outorguem amplos direitos e liberdades democráticas às colônias" (Pravda nº 70, 12 de março de 1939).

Em outras palavras, no que diz respeito às colônias da Inglaterra e da França, o Comintern passou para a posição de Gandhi e da burguesia colonial conciliadora em geral. O Comintern abandonou completamente a luta revolucionária pela independência da Índia. Ele pede ("de joelhos") ao imperialismo britânico que outorgue "liberdades democráticas" à Índia. As palavras "melhoria imediata e radical das condições de vida" ressoam de maneira particularmente falsa e cínica. O capitalismo moderno - declinante, gangrenado, decomposto - está cada vez mais obrigado a agravar a situação dos operários no próprio centro metropolitano. Como ele poderia melhorar a dos trabalhadores das colônias, os quais ele é obrigado a espremer todo o suco para manter seu próprio equilíbrio? A melhoria das condições das massas laboriosas nas colônias só é possível na via da derrubada total do imperialismo.

Mas a IC foi ainda mais longe na via da traição. Os comunistas, segundo Manuilsky, "subordinam a realização desse direito à secessão (...) aos interesses da vitória contra o fascismo". Em outras palavras, no caso de uma guerra entre a Inglaterra e a França pelas colônias, o povo indiano deveria apoiar seus atuais escravistas, os imperialistas britânicos. O que quer dizer que ele deveria derramar sangue, não pela sua própria emancipação, mas para preservar o reino da City sobre a Índia. E esses canalhas que não valem um tostão furado ainda ousam citar Marx e Lenin! Seu mestre, de fato, não é outro senão Stalin, o chefe da nova aristocracia burocrática, o carrasco do Partido Bolchevique, o estrangulador de operários e camponeses.

No caso em que a burguesia indiana seja obrigada a dar, nem que seja, um pequeno passo na via da luta contra a dominação arbitrária da Grã-Bretanha, o proletariado apoiaria naturalmente essa iniciativa. Mas o faria com seus próprios métodos: reuniões de massa, palavras de ordem corajosas, greves, manifestações e ações de combate mais decisivas, em função da relação de forças e das circunstâncias. É exatamente para poder fazer isso, que o proletariado deve ter suas mãos livres. Para o proletariado é indispensável uma total independência diante da burguesia, sobretudo para poder influenciar os camponeses, a massa predominante da população da Índia. Somente o proletariado pode avançar um programa revolucionário agrário corajoso, levantar e reunir as dezenas de milhões de camponeses e conduzi-los à luta contra os opressores indígenas e o imperialismo britânico. A aliança dos operários e camponeses é a única aliança honesta e segura que pode garantir a vitória final da revolução indiana.

Os stalinistas escondem sua política de submissão aos imperialismos britânico, francês e americano, com a fórmula da Frente Popular. Que zombaria para o povo! A "Frente Popular" não passa de um novo nome para a velha política de colaboração de classe, de aliança do proletariado com a burguesia. Em qualquer aliança similar, a direção acaba inevitavelmente nas mãos da direita, isto é, da classe dominante. A burguesia indiana, como já indicamos, quer uma boa negociação, não a luta. A aliança com a burguesia leva o proletariado a renunciar à luta contra o imperialismo. A política da coalizão implica patinar, contemporizar, alimentar falsas esperanças e engajar-se em manobras e intrigas vãs. O resultado dessa política é o aparecimento da desilusão nas massas trabalhadoras, enquanto os camponeses viram as costas ao proletariado e recaem na sua apatia. A revolução alemã, a revolução austríaca, a revolução chinesa e a revolução espanhola foram todas derrotadas como resultado de uma política de coalizão. É o mesmo perigo que hoje ameaça também a revolução indiana, quando os stalinistas opõem a ela, sob o disfarce de "Frente Popular", uma política de subordinação do proletariado à burguesia. Isso significa, na ação, a rejeição do programa agrário revolucionário, do armamento do proletariado, da luta pelo poder, a rejeição da revolução.

Todas as questões dos tempos de paz conservam plena força nos tempos de guerra, mas elas terão uma expressão mais aguda. Em primeiro lugar, a exploração das colônias será intensificada de modo importante. Não apenas as metrópoles vão arrancar das colônias produtos alimentares e matérias primas, mas vão também mobilizar um grande número de escravos coloniais, que vão morrer pelos seus mestres nos campos de batalha. Enquanto isso, a burguesia colonial enfiará seu focinho nas encomendas de guerra, renunciando naturalmente à oposição em nome do patriotismo e dos lucros. Gandhi já está preparando o terreno para esta política. Esses senhores vão continuar a rufar tambores: "Devemos esperar pacientemente o fim da guerra, então Londres vai nos agradecer por nossa ajuda."

De fato, os imperialistas vão dobrar e triplicar a exploração dos trabalhadores nos seus países e sobretudo nas colônias, para restaurar seu país depois da carnificina e as destruições da guerra. Nessas condições nem se coloca a questão de novas reformas sociais nas metrópoles, ou de outorga de liberdade às colônias. Cadeias duplas de escravidão, eis o que será a inevitável consequência da guerra, se as massas da Índia seguirem a política de Gandhi, dos stalinistas e seus amigos.

A guerra, contudo, pode trazer à Índia e outras colônias não uma escravidão redobrada, mas uma liberdade total. A condição para tanto é uma política revolucionária justa. O povo indiano deve separar o seu destino, desde o começo, do destino do imperialismo britânico. Os opressores e os oprimidos estão em lados opostos das trincheiras. Nenhuma ajuda para os escravistas. É preciso, ao contrário, utilizar as dificuldades criadas pela onda da guerra para dar um golpe mortal em todas as classes dirigentes.

É por isso que as classes oprimidas e os povos de todos os países devem passar à ação, independentemente do fato dos senhores imperialistas usarem uma máscara democrática ou fascista.

Para realizar uma tal política é necessário um partido revolucionário, baseado na vanguarda do proletariado. Ele não existe ainda na Índia. A 4ª Internacional oferece a este partido o seu programa, sua experiência e sua colaboração. As condições de base para este partido são: independência completa diante da democracia imperialista, independência completa diante das 2ª e 3ª Internacionais, e independência completa diante da burguesia nacional indiana.

Existem já seções da 4ª Internacional em países coloniais e semi-coloniais, e elas progridem de modo substancial. O primeiro lugar entre elas pertence, sem dúvida, à nossa seção na Indochina francesa, que leva uma luta irreconciliável contra "o imperialismo francês e as mistificações da Frente Popular". "Os dirigentes stalinistas, escreve o jornal dos operários de Saigon, A Luta, de 7 de abril de 1939, deram mais um passo no caminho da traição. Tirando suas máscaras de revolucionários, tornaram-se os campeões do imperialismo e falam abertamente contra a emancipação dos povos coloniais oprimidos." Por causa de sua corajosa política revolucionária, os proletários de Saigon, membros da 4ª Internacional, obtiveram uma brilhante vitória contra o bloco do partido governante com os stalinistas nas eleições de abril último para o conselho colonial.

É exatamente a mesma política que devem ter os operários avançados da Índia britânica. É preciso abandonar todas as falsas esperanças e falsos amigos. É preciso depositar nossas esperanças apenas em nós mesmos, em nossas próprias forças revolucionárias. A luta pela independência nacional, pela república indiana independente, está indissoluvelmente ligada à revolução agrária, à nacionalização dos bancos e trustes, ao lado de outras medidas econômicas para elevar o nível de vida do país e a transformar as massas laboriosas donas de seu destino. Somente o proletariado, aliado ao campesinato, é capaz de cumprir estas tarefas. Na sua primeira etapa o partido revolucionário terá nas suas fileiras apenas uma pequena minoria. Mas, ao contrário dos outros partidos, ele prestará claramente contas da situação e marchará sem medo para seu grande objetivo. É indispensável criar grupos operários sob a bandeira da 4ª Internacional em todos os centros e cidades industriais. Neles, apenas os intelectuais que tenham passado totalmente para o lado do proletariado podem ser admitidos. Os marxistas operários revolucionários, totalmente alheios ao sectarismo que se dobra sobre si próprio, devem participar ativamente no trabalho dos sindicatos, das sociedades de educação, do Partido Socialista do Congresso e, em geral, em todas as organizações de massa. Eles continuam em toda a parte na extrema-esquerda, em toda a parte dão o exemplo de coragem na ação, em toda a parte, de forma paciente e camarada, explicam seu programa aos operários e camponeses, aos intelectuais revolucionários. Acontecimentos iminentes virão em auxílio dos bolcheviques-leninistas indianos, revelando às massas a justeza de nossa rota. O partido crescerá rapidamente e será temperado pelo fogo. Permitam-me expressar minha firme esperança que a luta revolucionária pela emancipação da Índia se desenvolverá sob a bandeira da 4ª Internacional.

 

Por Florisvaldo Lopes

nuloconfirma

Em primeiro lugar, temos de entender que a eleição chamada para o dia 7 de outubro de 2018 não é uma eleição que acontece dentro do Estado mínimo democrático.  Trata-se de uma eleição que ocorre dentro de um Estado de exceção devido ao golpe parlamentar dado em 2016 que depôs a presidenta Dilma Rousseff e que avança a cada dia mais, sendo que hoje vivemos o golpe do Judiciário no país.

Essa situação de golpes sucessivos  simplesmente será “legalizada” com as eleições ou então, se encaminhará para um golpe mais duro, dependendo de como será o resultado, se o imperialismo, principalmente o norte-americano, vai conseguir impor um governo que garanta a gerência do Estado e que venha a atacar ainda mais os direitos trabalhistas e sociais da classe explorada, para garantir os lucros dos seus monopólios.

Se não houver luta dos explorados, o golpe se concretiza. Mesmo que quem vencer as eleições sejam aqueles que, demagogicamente, prometem rever os ataques aos explorados, porque ainda que tentem desobedecer às ordens do imperialismo monopolista, esse golpe poderá avançar, inclusive para um golpe militar.

Se a única força que o imperialismo teme, a força operária, não entrar em luta para garantir a manutenção de seus direitos, não serão os burocratas reformistas, sejam burocratas sindicais ou de partidos pequenos burgueses, que impulsionarão essa luta.

Dentro dessa conjuntura, os verdadeiros revolucionários têm a obrigação de defender o voto nulo nessa eleição, além de denunciar aos trabalhadores as traições dos partidos pequenos burgueses reformistas que estão cada vez mais integrados ao regime parlamentar.

Devem denunciar tanto os reformistas da esquerda pequena burguesa quanto os oportunistas que se dizem “revolucionários”, mas que, na prática, servem à burguesia.  Essas forças oportunistas são os maiores traidores da classe operária, pois estão iludindo os trabalhadores, para que esses não evoluam em sua consciência de classe.

Nesse momento, os verdadeiros revolucionários devem ser firmes na denúncia e falar a verdade aos explorados, doa a quem doer. Sobre esse tema Lenin, no livro "Marxismo e Reformismo", de 1913, ensina:

A burguesia liberal, dando reformas com uma das mãos, retira-as sempre com a outra, reduze-as a nada, utiliza-as para subjugar os operários, para os dividir em diversos grupos, para perpetuar a escravidão assalariada dos trabalhadores. Por isso o reformismo, mesmo quando é inteiramente sincero, transforma-se de facto num instrumento de corrupção burguesa e enfraquecimento dos operários. A experiência de todos os países mostra que, confiando nos reformistas, os operários foram sempre enganados.

“Porém, se os operários assimilaram a doutrina de Marx, isto é, tomaram consciência da inevitabilidade da escravidão assalariada enquanto se conservar a dominação do capital, então não se deixarão enganar por nenhuma reforma burguesa. Compreendendo que, conservando-se o capitalismo, as reformas não podem ser nem sólidas nem sérias, os operários lutam por melhorias e utilizam as melhorias para continuarem uma luta mais tenaz contra a escravidão assalariada. Os reformistas procuram dividir e enganar os operários com esmolas afastá-los da sua luta de classe. Os operários, conscientes da falsidade do reformismo, utilizam as reformas para desenvolver e alargar a sua luta de classe.

“Quanto mais forte é a influência dos reformistas sobre os operários tanto mais fracos são os operários, tanto mais dependentes da burguesia, tanto mais fácil é para a burguesia reduzir as reformas a nada por meio de diversos subterfúgios. Quanto mais independente e profundo, quanto mais amplo pelos seus objetivos for o movimento operário, quanto mais livre ele for da estreiteza do reformismo, tanto melhor os operários conseguirão consolidar e utilizar as melhorias isoladas.

“Existem reformistas em todos os países, pois por toda a parte a burguesia procura de um modo ou de outro corromper os operários e fazer deles escravos satisfeitos, que renunciem à ideia de suprimir a escravidão.”

No nosso caso sobre as eleições golpistas e o parlamento, vamos ver novamente o que Lenin tem a dizer no livro "Devemos nós boicotar a Duma Estatal?", de 1906:

O que um boicote ativo da Duma significa? O boicote significa que nos recusamos a tomar parte nas eleições. Não temos o desejo de eleger tanto deputados, eleitores ou delegados para a Duma. Um boicote ativo não significa meramente mantermos-nos fora das eleições, mas expressa que faremos um extenso uso dos encontros eleitorais para a agitação e organização dos Social-Democratas (...)

“Por que nos recusamos a tomar parte nas eleições? Porque ao participar das eleições nós devemos involuntariamente promover o credo do povo na Duma  e enfraquecer a efetividade de nossa luta contra esta forma travestida de representação popular”.

Fazendo um paralelo da escrita de Lênin com as nossas eleições golpistas, fica claro porque os verdadeiros revolucionários devem chamar os trabalhadores a anular seu voto para não legitimar o processo golpista e um futuro governo o qual, devido à crise, vai nos escravizar, ou seja, vai continuar cortando nossos direitos trabalhistas e sociais.

Também fica claro o oportunismo dos partidos que se dizem “revolucionários”, esses que em vez de aproveitar as eleições golpistas para conscientizar os operários na necessidade da tomada do poder, ou seja, da derrubada dos exploradores, fazem exatamente a mesma política contrarrevolucionária dos partidos pequenos burgueses de conciliação de classes.

Pior ainda, traem os operários, pois mantém a linha oportunista de que eleições são “normais”, dentro de um regime democrático “normal”. Ou seja, lançam candidatos com o falso pretexto de que tem que usar as eleições para divulgar a política socialista.

Claro que, além disso ser uma mentira, pois o objetivo em muitos casos é justificar como o fundo partidário foi usado, é a maior traição, pois atrasa em muito a consciência dos escravos assalariados. Sem falar que essa eleição está totalmente controlada pela burguesia e que um candidato desses partidos oportunistas só tem o tempo necessário para falar seu nome e número na imprensa burguesa.

Se realmente as candidaturas fossem para divulgar a política socialista, isso não poderia ser feito sem ser candidato?  Mas esses demagogos transferem a culpa aos operários, dizendo: “lancemos candidaturas nas eleições para aproveitar, pois é um momento que o povo discute política”. Aqui repetimos a pergunta: se é isso não podemos levar a política socialista ao povo sem ser candidato?

Na verdade, esses “revolucionários” de meia tigela usam a mesma ideologia da elite que prega que o ser humano deve respeitar outro ser humano só pelo fato dele ter um título, um diploma, etc. Usando essa mesma tática, porém disfarçada, os oportunistas acham que como candidato é mais fácil conversar com o povo.

Voto nulo nas eleições golpistas controladas pelo imperialismo!
Organizar os explorados para a luta nas ruas contra os golpistas!
Pela criação do partido operário revolucionário e socialista!

ornitorrinco

Seria importante, neste momento, que a esquerda pudesse evitar fazer a repetição da história como tragédia, as lições do golpe de estado na França em 1851 tão bem descrito por Marx em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, seria uma ótima leitura para tal. O que temos encontrado são elaborações obscuras que não trabalham com as contradições do real, ora exagera nas forças da burguesia, do imperialismo, da direita, ora exagera na paralisia e refluxo do movimento operário ou no seu ascenso. Existem enormes contradições que se aprofundam conforme aprofunda a crise do capitalismo principalmente no centro do imperialismo e das principais potências mundiais. Existe uma tendência principal que é a de endurecimento dos regimes políticos no mundo inteiro para impor governos capazes de infligir a retirada de direitos dos trabalhadores e impor o crescimento da mais-valia absoluta para repor ou estabilizar a taxa de lucros. Muitas explicações se perdem nas firulas da superestrutura e perdem a noção de predominância da infraestrutura econômica e o ponto de vista da totalidade. Por outra parte isso não pode deixar que percamos a compreensão da luta de classes como intermediação entre as determinações da infraestrutura sobre as formas de pensar.

As eleições são a saída para a classe operária? A eleição de outubro em particular é a saída pra o Brasil? Essa é uma eleição diferente de todas que aconteceram na história do Brasil, ela é bastante atípica. Ela acontece em um processo de golpe de Estado, que se iniciou antes da derrubada de Dilma Rousseff sob o argumento das pedaladas fiscais. A “normalidade” da democracia burguesa foi rompida, passando por vários fatos irregulares até a prisão do ex-presidente Lula que era o principal candidato das eleições de outubro, estando a frente de todas as pesquisas.

Há um processo de avanço do golpe, ao qual o próprio Partido dos Trabalhadores (PT) está envolvido, não apenas como vítima, mas também como ator coadjuvante, dentro de um planejamento em que passa a incluir as eleições como forma de justificar o golpismo, em um processo completamente controlado pela direita, em última instância pelo imperialismo, que vai descartando todos os candidatos que não combinam de forma completamente adequada com os interesses imediatos dos grandes monopólios, até que sobre aquele que toda a máquina eleitoral possa investir.

No Prólogo ao O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, Hebert Marcuse coloca a necessidade de justificar o golpismo nestes termos: “O Estado autoritário necessita de uma base democrática de massas; o líder deve ser eleito pelo povo, e ele o é. O direito ao sufrágio universal, que a burguesia nega de facto e depois também de iure, torna-se a arma do Poder Executivo autoritário contra os grupos renitentes da burguesia”.

Neste texto, Marx mostra como naquele momento os partidos socialistas, dirigidos pela pequena burguesia escolhem a via eleitoral para consolidarem o golpe: “O caráter peculiar da social-democracia se resumia aos seguintes termos: reivindicavam-se instituições republicanas democráticas, não como meio de suprimir dois extremos, o capital e o trabalho assalariado, mas como meio de atenuar a sua contradição e transformá-la em harmonia. Quaisquer que sejam as medidas propostas para alcançar esse propósito, por mais que ele seja ornado com concepções mais ou menos revolucionárias, o teor permanece o mesmo. Esse teor é a modificação da sociedade pela via democrática, desde que seja uma modificação dentro dos limites da pequena-burguesia. Basta não cultivar a ideia estreita de que a pequena-burguesia tenha pretendido, por princípio, impor um interesse egoísta de classe. A social-democracia acredita, antes, que as condições específicas da sua libertação constituem as condições gerais, as únicas nas quais a sociedade moderna pode ser salva e a luta de classes evitada”.

A escolha da social democracia

O movimento socialista, aquele mais identificado com a Segunda Internacional e com Eduard Bernstein, na Alemanha, fez uma opção estratégica pelo reformismo e por participar do jogo eleitoral como possibilidade de se obter ganhos para a classe trabalhadora num processo que julgavam que o capitalismo ainda não estaria maduro o suficiente para ser destruído, ou seja, que era possível fazer reformas e torná-lo de uma certa forma mais humano. Para Bernstein o único caminho possível ao socialismo seria as reformas através da via parlamentar, pela via pacífica, a democracia para ele teria valor universal na medida em que ela atingiria todas as classes. Rosa Luxemburgo responde com vigor às fontes liberais de Bernstein em Reforma ou Revolução?, escrito em 1889: A revolução é o ato fundador da história de classes, a legislação é a continuidade do vegetarismo político da sociedade. O trabalho da reforma legal não tem, em si, uma força motriz própria, independentemente da revolução; em cada período histórico ele apenas se movimenta sobre a linha, e pelo tempo em que permanece o efeito do pontapé que lhe foi dado na última resolução ou, dito de maneira concreta, apenas no quadro da forma social que foi colocada no mundo pela última transformação. (...) Uma revolução social e uma reforma legal não são fatores diferentes por sua duração, mas pela sua essência (Luxemburgo, 2011, vol. 1, p. 68-69).

 Do ponto de vista do reformismo a busca da evolução a partir da matriz liberal não se constituiu em um erro já que a opção feita se coadunava com as realizações, principalmente dentro dos países imperialistas, com a estratégia de se chegar ao socialismo pela conquista do Estado pela via eleitoral. Mas não se trataria simplesmente disso, segundo Kautsky o socialismo seria uma consequência inevitável (natural) do desenvolvimento do capitalismo. Essa postura da social democracia e do reformismo em geral ajuda a explicar, se não é a chave, para a recuperação do capitalismo depois de crises profundas. Dessa conjectura busca-se ou espera-se alcançar o socialismo através das instituições existentes, faz-se alianças com a classe burguesa ou com algumas de suas frações e põe-se todo o peso nas reformas. Esqueceram que as reformas não são cumulativas nem irreversíveis? Uma condição ainda mais desoladora é aquela em que, ao optar pela via eleitoral, a social democracia ficou incapaz de organizar a classe trabalhadora, criando o embuste de que a luta pelo socialismo poderia causar desinvestimentos e perdas para os trabalhadores sob o risco de que os objetivos pudessem não ser alcançados.

A social democracia diante da possibilidade de participar ou não da via eleitoral, escolheu participar, sob o cálculo de que não paralisaria a atividade política revolucionária. O resultado tem sido até agora catastrófico, sob o pretexto de melhorar a vida dos operários a burocracia dirigente mudou seu modo de vida e não pensou noutra coisa a não ser nos seus próprios interesses que coincidiam cada vez mais com os interesses burgueses.

Participar das eleições nunca foi um bicho de sete cabeças para os revolucionários, a solução resume-se a uma operação simples, enquanto a burguesia organiza as eleições para legitimar o seu poder político e econômico, os socialistas deveriam aproveitar a oportunidade para fazer propaganda e agitação sobre o programa revolucionário. Se possível eleger parlamentares para denunciar o sistema, nunca para governar o Estado burguês, sem ilusões nas possibilidades de estabelecer um novo sistema social e modo de produção pela via eleitoral, pois a classe dominante, caso os socialistas conseguissem maioria, não respeitaria as regras do jogo e usaria a força das armas. É isso, mas não é só isso, a questão central está na concepção que se tem sobre o Estado, sobre a própria democracia e sobre o socialismo. O Estado capitalista deve ser destruído ou reformado? A democracia tem valor universal ou é a ditadura de uma minoria, a burguesia sobre os trabalhadores? O socialismo será uma consequência natural do liberalismo ou se estabelecerá por meio de uma revolução violenta que expropriará a propriedade privada dos meios de produção?

Lênin, em Esquerdismo: doença infantil do comunismo, prevendo um avanço do ultraesquerdismo, negando a importância das reformas, o que iria de encontro às teses anarquistas, escreve: “Vosso dever consiste em não descer ao nível das massas, ao nível dos setores atrasados da classe. Isso não se discute. Tendes a obrigação de dizer-lhes a amarga verdade: dizer-lhes que seus preconceitos democrático-burgueses e parlamentares não passam disso: preconceitos. Ao mesmo tempo, porém, deveis observar com serenidade o estado real de consciência e de preparo de toda a classe (e não apenas de sua vanguarda comunista), de toda a massa trabalhadora (e não apenas de seus elementos avançados)”. Logo em seguida completa Lênin, para ficar bem entendido, ele está escrevendo em 1920:  “...poderíamos assegurar sem, vacilar que o parlamentarismo na Alemanha ainda não caducou politicamente, que a participação nas eleições parlamentares e na luta através da tribuna parlamentar são obrigatórias para o partido do proletariado revolucionário, precisamente para educar os setores atrasados de sua classe, precisamente para despertar e instruir a massa aldeã inculta, oprimida e ignorante. Enquanto não tenhais força para dissolver o parlamento burguês e qualquer outra organização reacionária, vossa obrigação é atuar no seio dessas instituições, precisamente porque ainda há nelas operários embrutecidos pelo clero e pela vida nos rincões: mais afastados do campo. Do contrário, correi o risco de vos converter em simples charlatães”.

A posição de Lênin é clara e cristalina, os revolucionários devem participar das eleições para denunciar a farsa da democracia burguesa. É impossível a tomada do poder por meio das eleições. O ultraesquerdismo é essencialmente uma atitude de intelectuais pequenos burgueses que acham que sua vontade pode se impor enquanto realidade objetiva. Os revolucionários deveriam destruir as ilusões criadas pelas eleições na classe trabalhadora, a melhor forma de fazer isso seria participando delas. Mas suponhamos, coisa que nunca aconteceu, que os revolucionários tivessem uma esmagadora vitória eleitoral, a burguesia respeitaria a sua própria ordem democrática? A burguesia não tomaria outros caminhos para manter o poder e seus interesses? Foi o que aconteceu em 1851 na França como descrito por Marx, é o que aconteceu várias na história em todos os lugares do mundo onde quer que os interesses da burguesia foram minimamente ameaçados. Na América Latina tivemos mais períodos de ditaduras que de “democracia”.  Para Lênin a participação nas eleições era sobretudo uma questão tática. Estratégico era a tomada do poder pelo proletariado.

Os socialistas alemães entraram, a princípio, na política eleitoral com escrúpulos, para usá-la como propaganda, tal como Marx havia colocado em 1850 em A luta de classes na França: “E se o direito de voto universal não tivesse proporcionado nenhum outro ganho além de permitir-nos contar todos a cada três anos; de, junto com o aumento regularmente constatado e inesperadamente rápido do número de votos, aumentar na mesma proporção a certeza da vitória dos trabalhadores assim como o susto dos adversários, e assim tornar-se o nosso melhor meio de propaganda; de instruir-nos com exatidão sobre as nossas próprias forças, assim como sobre as de todos os partidos adversários, e de, por essa via, fornecemos um parâmetro inigualável para dar à nossa ação a proporção correta – preservar-nos tanto do temor inoportuno quanto do destemor inoportuno –, se esse fosse o único ganho que tivéssemos obtido do direito de voto, já teria valido a pena. Mas ele trouxe muito mais que isso. Durante a campanha eleitoral, ele nos forneceu um meio sem igual para entrar em contato com as massas populares onde elas ainda estão distantes de nós e obrigar todos os partidos a defender-se diante de todo o povo dos nossos ataques às suas opiniões e ações; e, além disso, ele colocou à disposição dos nossos representantes uma tribuna no Parlamento, do alto da qual podiam dirigir a palavra tanto a seus adversários no Parlamento como às massas do lado de fora com muito mais autoridade e liberdade do que quando falam para a imprensa ou em reuniões”. A abstenção nunca esteve de fato colocada como opção viável para os partidos socialistas porque, de fato, sempre foi uma oportunidade para se tirar proveito para divulgar o programa revolucionário, fazer propaganda e agitação. A participação em governos da burguesia foi no final do século XIX e início do século XX alvo de intenso debate dos mais polêmicos, como foi o caso da formação do primeiro governo trabalhista na Inglaterra, em 1924, e foi abonada sob o pretexto para adquirir experiência para o socialismo. 

“Cretinismo parlamentar”

No caso do Partido dos Trabalhadores, no Brasil, faz tempo que deixou completamente a campanha contra o golpe, simplesmente agem como se não estivéssemos em meio ao golpismo ou em um Estado de exceção, mesmo com Lula preso. Estão em plena campanha eleitoral como se nada estivesse acontecendo. Os trabalhadores sofreram o maior golpe da história com a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional, a retirada de direitos foi enorme mesmo que ainda incompleta para o imperialismo, que exige a retirada de tudo, férias, descanso semanal remunerado, hora de almoço, etc. Para completar precisam acabar com a aposentadoria, cortando a Previdência Social. Se isso não é golpe do que pode ser chamado? O problema central é que o PT e a CUT ao invés de organizar a luta dos trabalhadores fez a opção de fazer a luta jurídica e eleitoral alienando todo o conhecimento histórico sobre as estratégias da burguesia e do imperialismo.

No Brasil, desde o fim da ditadura militar temos eleições de dois em dois anos, portanto, não seria por falta de eleições que os problemas deixariam de ser revolvidos, mas continua o “cretinismo parlamentar” por parte de amplo setor da esquerda que nada vê além do “estado democrático de direito”. O agravante para o PT, PC do B e PSOL é que mesmo sob a ditadura do STF esses partidos continuam vivendo a fantasia de uma democracia, uma verdadeira armadilha para ofuscar o processo golpista. Assumiram o Programa de Gotha dos lassaleanos e evitam falar da ditadura do proletariado como se fosse um pecado capital. Essas coisas se tornaram muito atrasadas e antiquadas para esses partidos o que é até normal para quem nega até mesmo a existência do proletariado.

No capitalismo a propriedade dos meios de produção é privada e está nas mãos de uma pequena minoria, esses proprietários é que organizam a produção, se apropriam do excedente e fazem o reinvestimento. Os trabalhadores, que vendem a força de trabalho, estão alienados dos meios de produção e não podem decidir nem mesmo a forma como produzir. Então a democracia burguesa se apresenta como uma oportunidade de decidirem sobre a alocação de recursos e de uma certa forma de se apropriarem de uma parte do excedente em geral. Esse embuste encontra eco na realidade concreta do trabalhador que precisa sobreviver, daí não ser muito difícil para os reformistas se sustentarem politicamente por amplos períodos e mesmo terem uma justificativa plausível para se integrarem ao regime, estas operações se dão no registro do senso comum. As derrotas em lutas diretas sempre contaram pontos importantes para os reformistas na opção pela via parlamentar, essas derrotas continuam importantes. É preciso provar que a luta econômica exige direitos políticos e que estes só podem ser conquistados pela vitória eleitoral. O resultado político pode ser conseguido com uma massa de gente desorganizada e o mais comum é a perda da identidade de classe e o aparecimento de todos os tipos de oportunismos. A participação se dá de forma representativa, são pessoas eleitas que representarão os eleitores o que acarreta em desmobilização das massas e no aburguesamento destes representantes. É assim no parlamento e nos sindicatos. Enfim, é nestes termos que tem sido colocada a questão da participação na política eleitoral.

Ao participar do jogo democrático os representantes dos trabalhadores abriram alianças com a pequena burguesia e passaram a defender as regras do jogo quando este estivesse em perigo. Mesmo em situações revolucionárias viram-se “obrigados” a manter as regras, lutar por elas, impedir a militância direta, tornarem-se completamente contrarrevolucionários porque a democracia representativa tornou-se o meio e o objetivo, a própria forma da futura sociedade socialista. Qualquer tipo de uso da violência seria um pecado capital e a democracia seria o suficiente para atingir o socialismo. Mas podem as classes dominantes serem “vencidas em seu próprio jogo”? O cálculo da social democracia é ingênuo: sendo os assalariados a maioria os socialistas venceriam as eleições. A revolução estava ali nas urnas e ela não deveria vir antes que o sistema estivesse suficientemente amadurecido. Tudo ia muito bem na medida em que as cadeiras dos socialistas no parlamento aumentavam. Evidente que com o passar dos anos esse cálculo virou coisa de calhordas. Para uma vitória eleitoral os partidos ligados ao movimento operário buscaram o apoio em membros de outras classes comprometendo o programa revolucionário.

A emancipação da classe operária

As revoluções burguesas se apresentaram como uma luta pela emancipação da humanidade quando na verdade era uma luta somente pela emancipação da burguesia. O proletariado é a única classe que pode lutar pela emancipação da humanidade porque não tem nada a perder além dos seus grilhões e é capaz de organizar e viabilizar o processo produtivo quando as relações capitalistas forem abolidas. É verdade que os operários competem entre si dentro do sistema capitalista, alguns aceitam trabalhar por salários menores e até mais tempo tomando o lugar de outro, o interesse de classe não corresponde obrigatoriamente ao interesse de cada operário individualmente, por isso a necessidade de ser organizarem em associações, sindicatos e em partido, com o propósito de empreender a luta geral contra os capitalistas.

O construção do partido revolucionário é certamente o principal desafio para os socialistas e a participação nas eleições é uma questão tática para fazer aquilo que Marx escreveu em As lutas de classes na França: “durante a campanha eleitoral, ele nos forneceu um meio sem igual para entrar em contato com as massas populares onde elas ainda estão distantes de nós e obrigar todos os partidos a defender-se diante de todo o povo dos nossos ataques às suas opiniões e ações; e, além disso, ele colocou à disposição dos nossos representantes uma tribuna no Parlamento, do alto da qual podiam dirigir a palavra tanto a seus adversários no Parlamento como às massas do lado de fora com muito mais autoridade e liberdade do que quando falam para a imprensa ou em reuniões. De que serviam ao governo e à burguesia a sua Lei Contra os Socialistas, se a campanha eleitoral e os discursos socialistas no Parlamento a violavam continuamente?” A tentação é inferir daí que a estratégia da revolução socialista seja a atividade parlamentar. A emancipação da classe operária não poderia ser tarefa dos próprios operários se tivesse que ser alcançada por meio das eleições e mais, o “cretinismo parlamentar” passaria a trabalhar contra a revolução socialista. A busca de aliados tornou-se uma necessidade na prática eleitoral da social democracia.

O PT no Brasil, fundado no início da década de 1980, não obstante a intensa luta interna, à medida que ganhava cargos no parlamento municipal, estadual, federal e em algumas prefeituras,  foi se tornando um partido da ordem, chefiado por estes novos elementos da pequena burguesia que ocupavam cargos no aparato do Estado burguês. Substituiu o debate nas bases pelo alvará dos parlamentares e às suas necessidades de se perpetuarem enquanto agentes portadores de interesses particulares e burgueses. À frente do aparato partidário e para atingir os fins eleitorais abriram as portas para todos os tipos de alianças, inclusive com o que havia de mais atrasado na política brasileira. Tornou-se um partido de massas, mas foi perdendo seu caráter de classe, dando lugar a conceitos ambíguos como “povo”, “consumidores” e “cidadãos”. A consequência é que os operários perderam em muito sua identidade de classe para atuarem como indivíduos que compartilham interesses que pertencem também à outras classes, inclusive os de interesse da burguesia, passando a se identificar como nordestinos, sulistas, evangélicos, negros, etc. O próprio partido passou a operar dentro desse novo registro, já não era mais um partido de operários, mas de elementos dos mais diversos grupos e classes. A eleição de Lula à presidência foi o coroamento deste processo e um salto qualitativo na integração ao sistema, inclusive com a permissão do imperialismo norte-americano.

Passados quase 20 anos, depois da derrocada das políticas neoliberais, da política de frente popular, uma crise avassaladora atinge o capitalismo no mundo todo e o Brasil. A crise econômica iniciada em 2008 não permite mais que sejam realizados governo populistas ao mesmo tempo em que se garante os grandes lucros ao capital, inclusive ao capital financeiro. Diante destas incoerências é que o imperialismo, comandado pelos grandes monopólios mundiais foi levado a aplicar mais neoliberalismo que implica em retirada de direitos trabalhistas, conquistas sociais e privatizações. A burguesia vai tentar tirar água da pedra, vai fazer de tudo para salvar seus lucros, declarou uma verdadeira guerra aos trabalhadores e não existe espaço para negociações, para meios termos, para conciliação. A classe trabalhadora terá que se levantar e construir novas organizações, um partido revolucionário em que não caberá a atual esquerda, na medida em que ela irá cada vez mais à direita para salvar seus próprios privilégios. É necessário organizar um programa político que não passa pela disputa eleitoral completamente controlada neste momento em que estamos em um verdadeiro Estado de exceção com o Judiciário à frente e com os militares na espreita. Lançar candidatos e disputar as eleições de outubro é legitimar este processo de golpe contra os trabalhadores em que o PT é uma das engrenagens.

O futebol e alienação

Quarta, 20 Junho 2018 00:00

fut 

Existe uma visão levada principalmente pela esquerda pequeno burguesa de que o futebol seria um esporte de alienados. Essa teoria da alienação está muito em voga na universidade e coloca como tese principal que a classe operária, dos trabalhadores como um todo, principalmente dos trabalhadores manuais, são um bando de idiotas totais, são alienados, gostam de aspectos "culturais" de alienados. Por exemplo, eles gostam de música sertaneja, gostam de novela, um trabalhador gosta de futebol, de música caipira, etc. Para essa visão acadêmica os espertos do pedaço seriam a classe média e a esquerda pequeno burguesa que gostam de Rockn'roll, Jazz, Bossa Nova, Blues, de filme Cult, etc.

Como pretendemos fazer uma análise objetiva principalmente orientada para essa questão do futebol, devemos colocar, pensar, em primeiro lugar, o que está por trás dessas considerações e qual é o significado em relação ao mundo real, o mundo material. A sociedade capitalista está dividida em três grandes classes sociais que seriam: primeiro os detentores dos meios de produção, que são os capitalistas e seus representantes ideológicos e políticos, portanto, a burguesia como um todo; do outro lado, temos a classe operária que é quem trabalha para os detentores do capital e que participa do processo produtivo; e as camadas médias. Dentre essas está a pequena burguesia, a intelectualidade no geral, principalmente a que representa em alguma medida os interesses da classe capitalista, a intelectualidade pequeno burguesa e a burguesia propriamente dita.

Nesse sentido a pequena burguesia expressa em termos ideológicos e políticos a maneira de pensar do pequeno produtor, do pequeno padeiro, do pequeno comerciante. Se destaca em primeiro lugar o individualismo, ele é o dono da padaria, do comércio, ele é o dono de seu cérebro e seria o superinteligente enquanto que os trabalhadores, que são seus empregados, são idiotas totais. Aqui, no caso da classe operária com intelectualidade pequeno burguesa, ocorre a mesma coisa. O trabalhador se encontra submetido ao processo de produção capitalista onde ele produz bens materiais ou serviços.

O pequeno burguês intelectual não participa do processo de geração de valor, participa de atividades intelectuais sem agregar valor e tem uma visão de distanciamento do processo produtivo. Ele se distancia da realidade material e começa a “viajar na maionese”. Em outras palavras, ele tem uma tendência enorme a se tornar idealista.

O trabalhador no geral e a classe operária em particular são muito práticos, querem resolver os problemas materiais. Obviamente que na hora que fazem isso acabam fazendo dentro do contexto em que se encontram e a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante.

Em linhas gerais podemos verificar que todas as classes personificam os fenômenos envolvidos com a classe social a que pertencem. O capitalista é um ser ultra alienado porque ele é a personificação do capital, conforme Marx explicou justamente no célebre livro que foi a sua obra-prima, O Capital. Ele vai fazer de tudo para não quebrar o processo de giro do capital e para obter lucros, portanto. Mais alienado que isso é impossível. Se tiver de matar 1 milhão de pessoas para obter lucros ele vai matar. Como já tivemos amostras disso em todas as guerras que têm acontecido nos últimos 200 anos.

No caso dos trabalhadores, da classe operária, também personificam o processo produtivo mas isso não significa que a classe operária, apesar de trabalhar de maneira social no geral, ela vai ser a representação biológica          automática a isso porque nós vivemos na sociedade capitalista. A classe operária também vai personificar o processo de produção operária junto com a pressão exercida pela sociedade capitalista. A pequena burguesia é exatamente a mesma coisa.

Em resumo e em cima dessa explicação teórica o que nós temos é que toda classe social expressa as relações sociais de produção nas quais ela se encontra inserida e o futebol é um esporte de massas que se encontra cooptado, como tudo no capitalismo e como tudo que o capitalista toca, para obter lucro. Não por acaso Marx já dizia no O Manifesto Comunista e no O Capital que o capitalismo é uma sociedade de produção de mercadorias. Tudo é mercadoria no capitalismo e por quê o futebol não seria também? O futebol é mercadoria, o amor é mercadoria, sexo é mercadoria. Estão até querendo vender a água da chuva. É absolutamente normal porque vivemos numa sociedade capitalista.

Como revolucionários não podemos cair no mote de que o trabalhador é alienado e que o pequeno burguês intelectual, que ouve rock, não seria. Este é até mais alienado que o operário porque, normalmente, não é uma pessoa prática, é uma pessoa idealista, distanciada do processo real de produção, a menos que seja um intelectual revolucionário, isso seria muito diferente.

Colocado isso vemos que o futebol é um grande evento de massas em países sul americanos como Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, México, e em praticamente todo o mundo. É um esporte de massas em que a classe operária participa e, além disso, é um esporte coletivo. Para os revolucionários não existe nenhum motivo para rejeitar o futebol assim como não existe motivo para rejeitar nenhum esporte nem, inclusive, expressão cultural nenhuma.

A luta da classe operária

Quinta, 24 Maio 2018 21:00

classeoper 

O marxismo explicou a luta da classe operária em alguns documentos como o Manifesto do Partido Comunista, em primeiríssimo lugar, e que depois foram desenvolvidos nos documentos de Lenin, nas lutas dos bolcheviques, nos documentos da III Internacional, nas elaborações de Trotsky sobre as frentes populares e o fascismo.

A frase inicial do Manifesto do Partido Comunista "Um fantasma assola a Europa" continua totalmente vigente. Nesse momento a classe operária mundial está paralisada, mas até quando? Com o bolo da riqueza social cada vez mais se reduzindo, cada vez mais tendo essa política monetária que é uma loucura, como Trump está fazendo no Oriente Médio, por exemplo, e que vai se generalizar por desespero e por falta de alternativas. Com todos esses ataques contra si a classe operária tende a entrar em movimento.

TESES

Tese 0 - O marxismo, suas teses fundamentais, seu método de análise principalmente, continua totalmente vigente porque o capitalismo continua existindo. A etapa, atual que é a etapa do domínio do grande capital, as crises predominam e as guerras são cada vez mais abertas, de contrarrevoluções, portanto, o que leva a revoluções.

Tese 1- Para o próximo período está colocado um grande colapso capitalista.

Tese 2- O grande capital irá colocar em marcha o fascismo inevitavelmente, mas para o período imediato está colocado em escala mundial a instalação de governos de cunho bonapartista, ditaduras burocráticas policiais com os militares cada vez mais na linha de frente.

Perante o medo da revolução mundial a burguesia vai tentar levantar o fascismo a partir, principalmente, das camadas médias desesperadas. Só que a crise do capital é tão grande que temos de ver até que ponto vai conseguir colocar movimentos fascistas em massa nas ruas e ainda conseguir controlar a situação nos principais países, em escala mundial.

Precisamos ver o que poderia acontecer com a ditadura militar sangrenta ou os movimentos bonapartistas no próximo período. E a classe operária que irá entrar em movimento em cima da crise do capital será que não vai lutar como sempre fez para retomar os sindicatos? Pela formação de partidos políticos próprios mesmo que sejam operários centristas? Será que não irão surgir novas frentes populares de esquerda, por meio das quais o imperialismo vai tentar conter a revolução?

Tese 3- O papel dos revolucionários é sempre lutar pela independência da classe operária de todos os setores da burguesia e, inclusive, dos setores pequeno burgueses da política de frente popular que no Brasil é encabeçada pelo PT.

Tese 4- Para o próximo período está colocado o enfrentamento entre a burguesia e a classe operária mundial.

Há uma série de questões políticas que estão em aberto e que precisaríamos trabalhar no próximo período, conforme o desenvolvimento da situação política mundial continua a avançar.

O que foi colocado por Trotsky no Programa de Transição de 1938, é a política que deve mobilizar a classe operária neste momento e a política para apontar a  direção quando ela der indícios de que vai entrar em movimento.

Hoje podemos dizer é que as duas estratégias fundamentais da classe operária continuam vigentes e que são a luta pela revolução operária, pela tomada do poder por meio de uma revolução de massas dirigida pela classe operária, e para que isso se viabilize é necessária a construção do partido operário revolucionário. Esses são os dois objetivos estratégicos da classe operária mundial e que, segundo o grande capital, estariam enterrados. Temos de ver se, em cima de um grande ascenso de massas no próximo período, está realmente enterrado.

Nacional

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