Quarta, 21 Fevereiro 2018

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O que mostrou o ataque do Judiciário à UFMG?

Segunda, 18 Dezembro 2017 00:00

liberdade de pensamento

O recente acontecimento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou a verdadeira política do golpe de Estado a partir do Judiciário. A evolução das engrenagens golpistas transformaram os órgãos intermediários numa espécie de pitbull que uma vez soltos, não conseguem mais ser controlados; uma amostra de como o próprio “Estado de exceção” evolui.

Se bem que o Supremo Tribunal Federal (STF)  se encontra em uma guerra fratricida interna e a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, se encontra basicamente paralisada, os componentes principais do Judiciário estão atuando de maneira cada vez mais golpista e truculenta como, por exemplo, pode ser observado em relação ao Ministério Público Federal (MPF), à Advocacia Geral da União (AGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU)  e à Controladoria Geral da União (CGU).

O fato que aconteceu na UFMG retoma o acontecimento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); demonstra o avanço da truculência do Judiciário, com o STF , o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)  e o Conselho Nacional do Ministério Público  (CNMP) totalmente coniventes com a truculência do MPF. Isso fica muito claro em toda a política da cúpula do Judiciário em relação aos pitbulls que se encontram numa verdadeira caça às bruxas. Ficou claro novamente na decisão de Raquel Dodge de arquivar a investigação contra o governador do Paraná, Roberto Richa, e do deputado federal Fernando Francischini pelo massacre do dia 24 de abril de 2015, quando 213 professores resultaram feridos pela truculência da Polícia Militar do Paraná.

O MPF encontra-se controlado por vários grupos políticos que atuam em cima de denúncias falsas com o CNPM totalmente paralisado. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro chegou ao cúmulo de denunciar Dilma Roussef, Graça Forster, ex-presidenta da Petrobrás, e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo congelamento dos preços dos combustíveis em 2014, que teria sido praticado para influenciar as eleições. Embora possa ser condenável, em termos jurídicos, isso não tem o menor fundamento.

Houve as conduções coercitivas que aconteceram contra funcionários do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a denúncia contra Lula sobre os caças da Saab, que é outra denúncia absurda porque o que Lula fez fundamentalmente foi garantir que os caças suecos pudessem deixar tecnologia no Brasil.

Todas as movimentações automaticamente fortalecem, a partir do próprio Judiciário, o desenvolvimento do golpismo rumo à ditadura policial burocrática bonapartista. Quem alimenta essas movimentações serão os primeiros a serem afetados, como ficou muito claro no golpe de 1964.
 

"Esperança Equilibrista" a serviço de quem?

O caso da UFMG foi muito grave porque a operação denominada "Esperança Equilibrista" tinha como objetivo apurar supostos desvios de R$ 4 milhões de reais na construção do Memorial da Anistia Política do Brasil, que foi uma obra financiada pelo Ministério da Justiça e executada pela própria UFMG. Em cima desses indícios, ainda sem provas, encaminhadas conduções coercitivas de cinco integrantes da cúpula da UFMG, incluindo o próprio reitor, em cima de um problema que seria, nesse estágio das investigações, meramente administrativo. Dentre os crimes que estão sendo imputados, há, por exemplo, os alunos não terem ganhado bolsas. Poderiam ser crimes, mas isso precisaria ser provado. Outro dos crimes gravíssimos seria um suposto desvio de recursos na construção desse Memorial da Anistia, mas nada que não pudesse ser investigado administrativamente. Houve escutas contra o reitor e a própria fundação que controla as bolsas (FUNDEP). Tudo isso indica que se trata de um golpe de caça às bruxas, além de ataques contra o próprio governador do Estado de Minas Gerais, Fernando Pimentel, que se encontra também no eixo dos ataques da extrema-direita.

A reação do novo diretor da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, foi abrir um inquérito menor, isolado, contra a delegada responsável pelo caso. Raquel Dodge nem sequer se manifestou, assim como também não o fizeram o Conselho Nacional do Ministério Público nem o Conselho Nacional de Justiça.  Por que a condução coercitiva? Por que não uma avaliação administrativa do problema e a partir daí tirar o encaminhamento jurídico?

O caso da UFMG lembra a pressão contra o reitor da UFSC, Luis Carlos Cancellier, que acabou levando-o ao suicídio. Nesse caso, uma mera convocação de testemunhas, movimentou 120 policiais de todo o País, viajando para Santa Catarina, recebendo diárias às expensas do Tesouro Nacional. Um “verdadeiro jogo”, onde o que está em pauta não é nenhuma “luta contra a corrupção”, mas o fortalecimento do golpe de Estado no Brasil a partir do próprio Judiciário.

Qual é a culpa dos acadêmicos no cartório?

Podemos observar, por outro lado, que as univesidade têm se tornado verdadeiras ilhas em relação à sociedade. Professores e pesquisadores sempre em busca de bater metas de produtividade (publique ou pereça), notoriamente irrelevantes, e a própria nota oficial da reitoria dizendo-se “disposta a colaborar com as investigações”, demonstram o alto grau de subserviência a que chegou a universidade. Apesar das bravatas do atual reitor Jaime Ramirez, de que “a UFMG nunca se curvará ao arbítrio”. Memória curta ou encadeamento natural do processo, o campus da UFMG foi invadido no mês que antecedeu a Copa pelo o Exército, na gestão de Clélio Campolina e Heloísa Gurgel Starling, durante a Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil. As Forças Armadas abusaram e lambuzaram-se em repressão às manifestações, no governo Dilma Roussef naquele momento.

Não passam de fanfarrice as respostas à condução coercitiva e a presença ostensiva da Polícia Federal dentros dos Campi. Estes mesmo intelectuais, imersos em seus mundinhos, não conseguem ir muito além de notinhas, abaixo-assinados e articulação de candidaturas para criar uma bancada parlamentar acadêmica. Não perceberam que estamos há muito tempo em um Estado de Excessão e, por inocência ou escárnio, abraçam-se e fazem procissão com velas.

Tá ruim e vai piorar

Domingo, 26 Novembro 2017 00:00

bandei


As políticas que estão em andamento são altamente recessivas, principalmente por causa da sangria aplicada pela especulação financeira. De acordo com os últimos índices que foram publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em uma pesquisa chamada PNAD, o desemprego seria de 12,4 % dos trabalhadores, ou 13,5 milhões. Esses índices são muito manipulados. O IBGE, por exemplo, somente considera 11 grandes cidades e não considera os desempregados que não procuraram emprego nos últimos 30 dias para fazer a pesquisa. Mas há outro índice do próprio IBGE que considera também o subemprego que acumula 26.8 milhões trabalhadores.

De acordo com os próprios números do IBGE, haveria uma força total de trabalho de 64,5 milhões de trabalhadores, dos quais 38,2 % estão desempregados. Ou seja, o desemprego não é de 12,5 %, é de mais de 38 %. Mas na realidade, o volume da mão de obra no Brasil não é de 64,5 milhões de trabalhadores, mas em torno de 120 milhões. Desses 120 milhões, a esmagadora maioria são trabalhadores. Consideranto que existem apenas 33 milhões de trabalhadores com Carteira de Trabalho assinada e que desses, a metade ganha um salário mínimo (e salário mínimo não é salário), qual seria o desemprego real no Brasil? 70 %? 80 %?

Se trata de desemprego estrutural e crônico, onde os desempregados passam a cumprir um papel na sociedade cada vez mais crítico e explosivo, seja como combustível de protestos sociais ou como base do fascismo. Os números da pobreza também são alarmantes. As mulheres representam 65 % do total dos desempregados.

A reforma trabalhista gera empregos?

A nova CLT da “reforma” trabalhista irá aumentar o número de empregos? A massa salarial irá aumentar? É evidente que a massa salarial não irá aumentar porque o objetivo do imperialismo é reduzi-la para poder repatriar mais recursos para os monopólios, as chamadas multinacionais. Os salários serão achatados de uma maneira absurda. No Brasil, está se repetindo o modelo colocado em escala mundial, de baratear a mão de obra para converter o País num outro ponto de fornecimento de matérias-primas manufaturadas para os Estados Unidos, dado que, na China, o custo de produção aumentou muito devido a que o salário dos chineses subiu de US$ 30 na década de 80 para US$ 400 dólares.

Essa política foi no México a partir de 2007, na tentativa de migrar manufaturas a partir da China, onde os salários hoje superam os US$ 400. Mas o México, a partir dos esgotamento dos mecanismos de contenção do colapso capitalista de 2008, em 2012,  também está em crise. As chamadas maquiladoras mexicanas, as manufaturas, enfrentam crise porque o mercado de consumo norte americano, para onde vai 80 % das exportações, está cada vez mais se encolhendo.

As leis do capitalismo estão se acirrando. As empresas para enfrentar a crise são obrigadas a entrar com tecnologia e a reduzir o volume de mão de obra utilizada nos processos de produção, o que aumenta a composição orgânica do capital. Os computadores e os robôs não geram lucro; o lucro é gerado pela mão de obra. Há um problema estrutural do capitalismo que só piora. Um dos países onde a robótica está sendo colocada com maior intensidade é a China, o que coloca a crise da locomotiva do desenvolvimento capitalista mundial.

A tentativa de alavancar o Brasil como um grande fornecedor de matérias-primas e de produtos manufaturados baratos acarreta o problema da saturação do mercado mundial. A crise atual é uma crise de superprodução. Tentar aumentar a produção de mercadorias, num mercado super saturado e onde, cada vez mais, a massa salarial diminui e, portanto, o consumo cai, equivale a dar um tiro no próprio pé. Ou seja, o capitalismo não está conseguindo ultrapassar os próprios processos envolvidos na crise capitalista mundial.

O parasitismo financeiro às alturas

A crise no regime político no Brasil, e também no mundo, é generalizada por conta da crise econômica. No caso do Brasil nós temos que o grosso do PMDB está preso ou pressionado por acusações muito duras da extrema direita, a começar pelo Rio de Janeiro onde todo o PMDB, menos o governador, Pezão, e Eduardo Paes, se encontra preso ou acusado de corrupção. Por trás da crise política se encontra a tentativa do imperialismo de varrer o regime político atual e endurece-lo para aplicar uma política muito mais dura contra os trabalhadores.

O grau do parasitismo do capitalismo atual pode ser ilustrada com um simples exemplo. Um grande burguês que possua US$ 1 bilhão tem a possibilidade de lucrar de 5% a 10% na especulação financeira; abrindo uma fábrica lucraria de 1% a 2,5 %. O primeiro caso lhe geraria um lucro diário de US$ 137 mil; nenhum ser humano consegue gastar essa quantia. Então o que os bilionários fazem, principalmente as 150 grandes famílias que dominam o mundo é voltar a reinvestir os rendimentos  na especulação financeira. Se trata de uma bola de neve: a riqueza atrai a riqueza e a pobreza gera pobreza.

O capitalismo se encontra na fase terminal. A única saída capitalista colocada só pode ser a clássica desde 1847, que é a destruição das forças produtivas em grande escala. Para isso, a política de endurecimento do regime político passa pela militarização da sociedade e o direcionamento para uma grande guerra, que só pode ser uma guerra mundial e nuclear.

O Racismo como Fenômeno Histórico

Domingo, 19 Novembro 2017 00:00

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O racismo, como todos os fenômenos sociais, tem o surgimento em determinada etapa do desenvolvimento da humanidade, quando a sociedade foi dividida em classes sociais antagônicas.

O capitalismo mercantil, que surgiu das entranhas da Idade Média, teve, no processo de desenvolvimento, que recorrer a formas de acumulação primitiva como meio de criar as condições objetivas e subjetivas (racismo) favoráveis à reprodutibilidade da nascente sociedade burguesa. O racismo, portanto, é um produto do modo de produção capitalista.

A crise profunda do feudalismo, marcada sobretudo pela sua baixa produtividade, contradições recrudescidas e permeadas pelo parasitismo oligárquico, levou aos levantes e revoltas camponesas. O surgimento de uma classe de mercadores desenvolveu e intensificou suas atividades comerciais que confrontava os interesses feudais; ela criou condições favoráveis à expansão mercantilista portuguesa, espanhola e holandesa em busca de matéria prima nos continentes Americano e Africano entre os séculos XVI e XVIII. Estes fatores objetivos foram determinantes para a consolidação da Revolução Industrial do Século XVIII e posterior a consolidação do modo de produção capitalista industrial. Esses fatores estiveram na base material do racismo moderno, que surgiu deste contexto histórico.

O racismo moderno tem sua gênese no seio da sociedade de classes; mais precisamente nos primórdios do capitalismo originário. Tornou-se instrumental para as classes escravagistas e  ideologia funcional para a sustentação de tal estrutura econômica e social. A escravidão negra na América foi uma necessidade devido à impossibilidade de impor o trabalho assalariado em condições de abundância de terras. Desta maneira, o capitalismo da América esteve baseado numa espécie de “frankestein”: orientado ao mercado mundial, mas se valendo de mão de obra escrava. É justamente a busca do lucro a qualquer custo o que explica a grau de exploração dos escravos negros que impulsionaram a acumulação primitiva capitalista. Essa é a base da ideologia racista e da campanha que a burguesia imperialista impulsiona nesse sentido.

O Racismo como produto do Capital

Após a queda de Constantinopla e o fechamento do Estreito dos Dardanelos, o capitalismo mercantil necessitava de forma imperiosa garantir fontes de matéria-prima barata e posteriormente mão de obra adequada às necessidades recém expansivas do capitalismo primitivo. É nesse contexto que surgiram às navegações colônias nos continentes americanos e africanos. Ao se depararem com uma fonte inesgotável de recursos naturais para servir de matéria prima, o capitalismo mercantil necessitava também de força de trabalho para concretizar seu empreendimento mercantilista. Devido às dificuldades para escravizar as populações originárias na America Latina, a dinâmica expansiva do capital o obrigou a recorrer ao continente africano em busca de mais mão de obra.

A exploração do homem pelo homem não se dá somente por formas diretas através da coerção brutal. Existe nestas mediações a necessidade das formas de coerção moral; nesse contexto, como máscara ideológica e arma cultural contra os escravizados, surge o racismo como meio psicológico e cultural auxiliar dos escravagistas para perpetuar a dominação e privilégios de classe. Basta lembrar-mos da pseudo cientificidade  positivista das teorias eugênicas do fim do século XIX e posteriormente  das concepções culturalistas modernizadoras propagandeadas pelos serviçais do imperialismo contra os povos colonizados. Portanto, longe de ser um fenômeno a-histórico, fora do tempo e do espaço, o racismo é produto da sociedade de classes.

O racismo moderno está umbilicalmente ligado ao capitalismo primitivo. O nascimento da sociedade de classes no continente Americano e a expansão e generalização da mercantilização da escravidão de seres humanos em grande parte de países Africanos, está inserido no marco dos primeiros passos dados pela jovem burguesia nascente. Este processo por sua vez, que foi caracterizado pela extrema violência dos colonizadores, tornou-se decisivo para o auge da Revolução Industrial que teve na Inglaterra o coração. A colonização e escravidão transformaram-se em grandes alavancas para todo o processo conhecido como acumulação primitiva que acontecia em parte da Europa ocidental e foi o vetor decisivo para o fortalecimento e internacionalização do mercado capitalista. De acordo com Marx:

Os diferentes momentos da acumulação primitiva repartem-se então, mais ou menos em ordem cronológica, a saber, pela Espanha, Portugal, Holanda, França e Inglaterra. Na Inglaterra, em fins do século XVII, são resumidos sistematicamente no sistema colonial, no sistema da dívida pública, no moderno sistema tributário e no sistema protecionista. Esses métodos baseiam-se, em parte, na mais brutal violência, por exemplo, o sistema colonial. Todos, porém, utilizaram o poder do Estado, a violência concentrada e organizada da sociedade, para converter artificialmente o processo de transformação do modo feudal de produção em capitalista e para abreviar a transição. A violência é a parteira de toda velha sociedade que está prenhe de uma nova. Ela mesma é uma potência econômica...”(Karl Marx, “O Capital” volume I).

O capitalismo vinha ao mundo, expandindo suas fronteiras, zonas de influência e submetendo outros modos de produção a ferro e fogo, bem distante dos mitos propagandísticos mercantilistas liberais, das éticas ascéticas e da suposta meritocracia dos homens de negócio. A escravização pela cor da pele esteve na base de toda a divisão social do trabalho; o escravo negro ocupava o lugar mais baixo da pirâmide social. Tornou-se fundamental a elaboração de teorias para justificar a “necessidade” da escravidão pela inferioridade racial do negro. Marx e Engels nos dizem que a ideologia dominante de uma época, é a ideologia da classe social dominante.

A ideologia racista, que mais tarde ganhou uma aparência “científica” por meio das “teorias” da eugenia e das supostas “raças superiores” brancas na Europa e dos Estados Unidos, bem como as tentativas de embranquecimento da população brasileira, não têm passado de ideologias funcionais à dominação e perpetuação dos interes materiais das classes dominantes. Essa política é mantida hoje mediante outras formas para este mesmo conteúdo. O utilitarismo do racismo para as classes dominantes se concretiza, e sua eficácia se dá, pelo fato de permitir a divisão e heterogeneização das classes sociais exploradas. O forte ataque contra a autoestima das vítimas do racismo busca limitar a resistência contra a opressão.

Manifestações  Socioeconômicas e Culturais do Racismo

59109b9a92a5fe17683a9913f75661d6 cale zumbaComo produto da sociedade de classes, o racismo tem se recrudescido. Todos os dados sociais e econômicos, dão conta de que no Brasil, por exemplo, a população negra continua sendo a principal vítima do racismo histórico.

Alguns dados referentes a situação socioeconômica da população negra brasileira:

“Os trabalhadores pretos e pardos são os que mais sofrem com o desemprego no Brasil. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE em fevereiro de 2017, dos 12,3 milhões de desempregados (oficiais), cerca de 64% são pardos e pretos.

A média nacional (oficial) de desemprego ficou em 12%, entre brancos estava em 9,5%. Porém, entre negros a média subia para 14,4% e entre pardos, para 14,1%. O salário da população negra também é inferior, pois a média salarial nacional é de R$ 2.043, já a dos brancos é de R$ 2.660, dos pardos R $1.480 e dos negros, R$ 1.461.

As mulheres negras em particular, são as maiores vitimas do racismo estrutural capitalista. Segundo dados do Dossiê Violência Contra as Mulheres, divulgado pela Agência Patrícia Galvão, as mulheres negras são 59,4% das vítimas de violência doméstica; 62,8% das vítimas da mortalidade materna; 65,9% das vítimas de violência obstétrica; 68,8% das mulheres mortas por agressão; tem duas vezes mais chances de serem assassinadas que as mulheres brancas. No que diz respeito à situação econômica, a mulher negra se encontra abaixo no ranking salarial do País: dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2016, apontaram que a mulher negra ganha em média 40% menos que um homem branco, além de estar submetida a empregos mais precários.

Já a juventude negra das periferias, passa atualmente por um verdadeiro processo de extermínio no país, levado adiante pelas polícias militares e grupos de extermínio, fato que tem ganhado contornos “malthusianos” de um verdadeiro holocausto urbano.

A pesquisa ‘Participação, Democracia e Racismo’, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [Ipea], a cada três assassinatos no País, duas vítimas são negras. A possibilidade de o negro ser vítima de homicídio no Brasil seria maior em grupos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes. A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. Os negros também são maiores vítimas de agressão por parte de polícia. A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que em 2009, 6,5% dos negros que sofreram agressões tiveram como agressores policiais ou seguranças privados (que muitas vezes são policiais trabalhando nos horários de folga), contra 3,7% dos brancos.

É evidente a falácia defendida sobretudo por intelectuais que defendem os interesses do imperialismo, como Gilberto Freyre, acerca de uma suposta e imaginária “democracia racial” (Gilberto Freyre, “Casa Grande e Senzala”), que fora muito combatida por Florestan Fernandes em seu conhecido livro “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”.

No âmbito da cultura, o racismo diariamente tem sido repassado no imaginário coletivo por todo o complexo da indústria cultural de massa, principalmente pelas programações da televisão, por meio das novelas, comediantes e programas de auditório. A população negra tem sido estereotipada e estigmatizada simbolicamente, mediante os padrões de beleza importados da Europa. Também na indústria da moda é flagrante o racismo naturalizado no País há séculos. As modelos negras são praticamente inexistentes, e os padrões massificados e idealizados são sempre a branca e o branco com traços europeus. Um forte ataque contra a autoestima da população negra, foi a publicação do IPEA de 2011 que apontou que 97 milhões de pessoas seriam negras enquanto as que se declararam brancas eram 91 milhões.

Cotas Raciais: Solução ou Paliativo?

Muita discussão tem se dado em torno da política de cotas para a população negra no Brasil, como forma de reparação histórica. A política revolucionária não nega o caráter reparatista das cotas, mas o considera limitado e longe de ser a solução pelos graves danos sócio-econômicos e culturais infringidas a população negra historicamente.


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Nenhum dado ou pesquisa teórica ou empírica, tem dado mostras de que a situação de desvantagem imposta historicamente à população negra será revertida significativamente por meio de ações afirmativas. Todo o passado histórico, assim como os dados do presente, demonstra o caráter estrutural e classista do racismo brasileiro. Para além das ilusões propagandeadas pela burguesia sobre uma suposta “democracia racial” imperante, que naturaliza o massacre histórico e a opressão perpetuada pela elite até hoje semicolonial brasileira contra os negros no Brasil, presenciamos na atualidade a combinação dialética das velhas com as novas formas de exploração e opressão contra a população afrodescendente. Essa realidade histórica nada mais é que uma das consequências do caráter semicolonial e dependente de nossa economia, imposta de fora pelo capital estrangeiro mediante a divisão mundial do trabalho.

Respondemos pela afirmativa acerca do caráter paliativo da política de cotas. Mas a situação de desvantagem histórica de séculos de opressão sobre a população negra, só pode ter resolução por meio de políticas estruturais, que ataquem de forma concreta a raiz histórica do problema.

O marxismo mediante a teoria da revolução permanente, elaborada por Leon Trotsky, nos mostra com comprovações empíricas históricas por meio das revoluções socialistas do século passado, que somente a ditadura do proletariado, em aliança com o campesinato e os demais setores oprimidos da sociedade, particularmente os negros, pode ser a única alternativa de representa a solução real do problema do racismo e da superexploração e opressão desumana da população negra devido a que quebra a base material do racismo.

 

 

Só a revolução socialista, a destruição do capitalismo, porá fim ao racismo e toda forma de exploração e opressão!

Como colocar em pé a classe operária?

Terça, 14 Novembro 2017 00:00

movimento

 

A primeira consideração, antes de responder à pergunta, é que a classe operária existe e que somente ela tem o papel histórico de expropriar a burguesia dos meios de produção e de livrar a humanidade da exploração do homem pelo homem. Se a classe operária não existisse, não haveria quem gerasse valor; robôs e computadores não geram valor, eles são amortizados. Sem a classe operária não existiriam os capitalistas e a burguesia, e vice-versa.

A mobilização da classe operária não acontecerá por causa da sapiência de intelectuais burgueses. Ela acontecerá em cima dos ataques do grande capital. A hipótese de uma rápida desmoralização da classe operária e da imposição de regimes fascistas em escala mundial existe, principalmente se estourarem explosões isoladas com o fortalecimento do anarquismo junto com o fascismo e a contrarrevolução. Mas essa hipótese é menos provável que a abertura de um período pré-revolucionário em escala mundial devido à crise estrutural do capital e que hoje há uma classe operária nova, uma classe operária que nunca foi sindicalizada, em grande parte nunca viu política nenhuma, não gosta de política, não viu o estalinismo e que as organizações operárias são muito fracas. Portanto, o mais provável é que haja um ascenso no próximo período, espontâneo, da classe operária mundial. Quanto tempo irá durar? Quão intenso será? Da movimentação espontânea, surgirão novos chefes? A esquerda atual integrada ao regime será varrida do mapa? São algumas perguntas que encontrarão a resposta no próximo período.

O papel dos revolucionários marxistas

O nosso papel como revolucionários é mostrar o caminho, dirigir a classe operária, ganhar a maioria dela para a revolução. Mas isso somente é possível com a derrota da esquerda oportunista e da burocracia contrarrevolucionária, que somente podem ser derrotadas pela classe operária em movimento.

Os revolucionários marxistas devem se agrupar na defesa do programa revolucionário e se preparar para o ascenso operário mundial desde já, que deverá ser retomado a partir da experiência dos anos de 1980. Do levante operário, que deverá ser espontâneo, poderão surgir novos dirigentes e, a partir deles, poderá ser reconstruída uma nova direção revolucionária. Os sindicatos deverão ser retomados em parte como aconteceu na década de 1980, por exemplo. Entre 1981 e 1983 foram retomados 1.500 sindicatos dos pelegos da Ditadura Militar, o que levou à fundação da CUT, que, na época, tinha vários componentes “soviéticos” (conselhos de trabalhadores) que ultrapassavam o sindicalismo. A falência do sindicalismo burocrático e estatal da atualidade colocará a formação de organismos mais amplos que o sindicato, que agrupem os trabalhadores como um todo, que são os “soviets”, as comissões de base da época da CUT.

Nós precisamos, como revolucionários, elaborar uma política certa para o movimento de massas, que se expresse em palavras de ordem concretas e corretas. A confiança na direção assim como a aliança da classe operária com as camadas médias da população, deve ser forjada na luta. Essa luta deve ser direcionada em cima de palavras de ordem claras, explicadas por meio de uma imprensa. Por isso, é preciso colocar em pé e fortalecer uma organização de combate operária como um agrupamento de agitação e propaganda, que agite a mobilização operária revolucionária de maneira paciente e cotidiana, conforme Lenin orientou.

É necessário colocar em pé uma organização revolucionária operária com muita clareza, determinada e de combate. Há uma avenida aberta devido à fraqueza da esquerda oportunista e da burocracia, principalmente da burocracia sindical, que funcionam intrinsicamente ligados ao estado burguês. Esses aparatos tendem facilmente a serem ultrapassados por um grande ascenso. Não há saída eleitoral para a crise. Todas as saídas reais são extra parlamentares.

Sobre a greve econômica e luta política

As greves econômicas são muito difíceis de acontecer quando a recessão e o desemprego estão muito altos devido aos sacrifícios envolvidos em relação aos poucos resultados que podem ser obtidos num período abertamente recessivo.

As greves econômicas podem até voltar se acontecer um certo ascenso da economia. Mas hoje a tendência é o avanço a um novo colapso capitalista mundial. Na época do imperialismo o que é a norma são as crises; os ascensos econômicos são cada vez mais a exceção, o oposto da época liberal do Século XIX.

Somente a luta revolucionária pode conter os ataques do capital, com muita pressão do movimento de massas, superando as ilusões no Judiciário e no Estado burguês. As massas, no Brasil, já deram várias amostras de que elas respondem a um chamado, quando elas estão motivadas como, por exemplo, foi o que aconteceu em março e abril de 2017. Elas esperam, nesse momento, que os sindicatos e os partidos da Frente Popular as chamem.

As massas querem lutar, mas elas não sabem como fazer. O nosso papel, como revolucionários, é impulsionar o chamado à mobilização por meio de palavras de ordem. O nosso programa, nesse sentido, não deve ser letra morta; ele deve apontar a saída e deve se esforçar para orientar os trabalhadores.

A crise das camadas médias

Terça, 14 Novembro 2017 00:00

criseclm

 

Neste momento, o fascismo não tem uma base social forte no Brasil. O MBL e o "Vem Pra Rua" são movimentos bastante artificiais que se encontram semi congelados. Mas há também o movimento dos evangélicos que cresceu muito, e uma camada crescente da pequena burguesia que está pedindo o golpe militar. Em cima da pressão da extrema direita, do imperialismo, pode crescer a base de apoio golpista nessas camadas médias da população.

Com a forte campanha contra a corrupção, a base da massa do golpismo tem crescido e tende a aumentar em cima da crise do PSDB e do PT, que são os partidos pequeno burgueses por excelência. A política desses partidos foi tolerada pelo imperialismo, mas se tornou cara e frágil para aplicar os ataques contra as massas que a crise do grande capital impõe. O imperialismo busca varrer o regime que foi colocado em pé com a Constituição de 1988; foi isso o que tentou por meio das eleições indiretas e com as delações da JSB, mas fracassou.

A intervenção militar neste momento, implicaria na imposição de uma saída bonapartista: os militares entrariam, limpariam o regime de "corruptos", permitiriam somente dois ou três partidos, como Castelo Branco fez em 1964, e a partir daí imporiam um regime mais duro, mais controlado, encabeçado por “corruptos” mais estreitamente ligado ao imperialismo.

Para onde vão as camadas médias da população?

A chave da crise política, portanto, se encontra na resposta a essa pergunta: Para onde vão as camadas médias da população? Por trás da crise política, há uma crise social insolúvel que conduz ao enfrentamento entre a burguesia e os trabalhadores.

Os setores superiores das camadas médias da pequena burguesia são diretamente ligados ao imperialismo, e, no geral, são abertamente golpistas.

Os setores intermediários das camadas médias tendem a buscar uma saída democrática. Mas, devido ao moralismo da pequeno burguesia, são muito influenciados pela campanha da anti corrupção da extrema direita, principalmente conforme a crise se aprofunda e os partidos pequeno burgueses mais importantes não conseguem dar mais respostas que a da retórica parlamentar oportunista. Em primeiro lugar o PT e todos os grupos da Frente Popular, envolvendo aqui também o PSDB. A crise parlamentar, do regime político de conjunto, determina que a esquerda democrática brasileira se encontre em crise terminal.

As alas inferiores da pequeno burguesia podem ir à esquerda, mas a esquerda revolucionária, nesse momento, está muito fraca como reflexo da crise do movimento operário que se encontra paralisado. Há a crise terminal do PT, que é visto como um partido super paralisado, inclusive porque, além da campanha, o dinheiro que destinava à educação, para programas culturais etc., basicamente acabou. No desespero, esses setores também podem se converter em base de massa para o golpe, em cima da campanha de “combate à corrupção”.

A única maneira para conter a contrarrevolução, a virada da pequena burguesia à direita, passa pela entrada em movimento da classe operária, pela revolução operária mundial.

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Prefeito de Belo Horizonte quer penalizar educadores, crianças e mulheres.   Diante do enorme déficit de vagas para atender às crianças da capital mineira na educação infantil, o prefeito encontrou...

São Paulo: O sucateamento da educação pública

30 Novembro 2017
São Paulo: O sucateamento da educação pública

Por Salomão Ximenes, Fernando Cássio e Silvio Carneiro (Professores da UFABC e pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade) A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) abriu...

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