Sábado, 18 Agosto 2018

Fordlândia, um lugar no futuro

Written by  Published in Últimas notícias Sábado, 21 Julho 2018 00:00
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Fordlândia fica às margens do rio Tapajós, no Estado do Pará, uma área de 14 568 km², dentro do município de Aveiro, concedida pelo governo estadual ao produtor rural Jorge Dumont Villares, em 1927, foi repassada ao fabricante de automóveis Henry Ford, pelo valor de aproximadamente R$ 3 milhões, em valores atuais. Ford queria ser autossuficiente na produção de látex para fabricação de pneus para seus automóveis e concorrer com a produção de borracha da Malásia, aumentando assim suas taxas de lucros. A área escolhida estava dentro de uma ampla região com seringueiras naturais, aproximadamente 10% da floresta da área foi derrubada e queimada para a construção da cidade que veio praticamente toda em dois grandes navios cargueiros dos Estados Unidos. O projeto deu errado e Fordlândia é hoje uma vila habitada por cerca de 1.200 habitantes.


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O projeto deu errado porque as terras não eram de boa cultura e faltava aos norte americanos o conhecimento necessário para o plantio e exploração do produto. Praticaram a monocultura, plantando mais de 3 milhões de seringueiras que eram atacadas por fungos. Quando iniciaram o projeto o ciclo da borracha, que durou de 1879 a 1912, no Brasil, já havia passado e era impossível concorrer com a produção inglesa e depois veio a fabricação de pneus a partir de derivados do petróleo, em 1945.

Diante do fracasso no primeiro local de plantio devido às pragas que infestaram as seringueiras, a empresa de Ford chegou a construir uma segunda vila mais ao norte, em Belterra, mas não foi adiante pelo mesmo motivo. No fim do ano de 1945, o governo brasileiro fechou um acordo com neto de Henry Ford, Henry Ford II, e comprou o acervo da empresa por aproximadamente US$ 250.000, assumindo também as obrigações trabalhistas com os operários que tinham sobrado além de receber seis escolas (quatro em Belterra e duas em Fordlândia); dois hospitais; estações de captação, tratamento e distribuição de água nas duas cidades; usinas de força; mais de 70 quilômetros de estradas; dois portos fluviais; estação de rádio e telefonia; duas mil casas para trabalhadores; trinta galpões; centros de análise de doenças e autópsias; duas unidades de beneficiamento de látex; vilas de casas para a administração; departamento de pesquisa e análise de solo; plantação de 1 900.000 seringueiras em Fordlândia e 3 200.000 em Belterra.

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Em 1930 houve uma revolta dos trabalhadores locais contra os chefes que fugiram para a floresta por medo de serem mortos, só alguns dias depois foram resgatados pelo exército brasileiro que fez também reestabelecer a ordem. Essa revolta ficou conhecida como quebra-panelas, um dos motivos alegados foi de que os trabalhadores eram obrigados a seguir a mesma dieta dos trabalhadores americanos, comer caça e farinha era proibido, mas isso foi apenas um dos aspectos, havia toda uma rígida disciplina que não era bem aceita pelos trabalhadores. Henry Ford,  que virou sinônimo de padronização, queria que os seus operários no mundo inteiro se alimentassem da mesma forma, para ele não importava a cultura ou os costumes da região, ele estava pagando e queria trabalhadores alinhados com a sua forma de organização do trabalho.

Ford, o neto, abandonou Fordlândia porque para o capital o que interessa única e exclusivamente são os lucros e, como diria Marx, não importa os sentimentos que se tenha, os métodos de acumulação não têm nada de idílico.

 

Veja o documentário de Marinho Andrade e Manuel Augusto:

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