Sábado, 18 Agosto 2018

O futebol e alienação

Published in Market Data Quarta, 20 Junho 2018 00:00
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Existe uma visão levada principalmente pela esquerda pequeno burguesa de que o futebol seria um esporte de alienados. Essa teoria da alienação está muito em voga na universidade e coloca como tese principal que a classe operária, dos trabalhadores como um todo, principalmente dos trabalhadores manuais, são um bando de idiotas totais, são alienados, gostam de aspectos "culturais" de alienados. Por exemplo, eles gostam de música sertaneja, gostam de novela, um trabalhador gosta de futebol, de música caipira, etc. Para essa visão acadêmica os espertos do pedaço seriam a classe média e a esquerda pequeno burguesa que gostam de Rockn'roll, Jazz, Bossa Nova, Blues, de filme Cult, etc.

Como pretendemos fazer uma análise objetiva principalmente orientada para essa questão do futebol, devemos colocar, pensar, em primeiro lugar, o que está por trás dessas considerações e qual é o significado em relação ao mundo real, o mundo material. A sociedade capitalista está dividida em três grandes classes sociais que seriam: primeiro os detentores dos meios de produção, que são os capitalistas e seus representantes ideológicos e políticos, portanto, a burguesia como um todo; do outro lado, temos a classe operária que é quem trabalha para os detentores do capital e que participa do processo produtivo; e as camadas médias. Dentre essas está a pequena burguesia, a intelectualidade no geral, principalmente a que representa em alguma medida os interesses da classe capitalista, a intelectualidade pequeno burguesa e a burguesia propriamente dita.

Nesse sentido a pequena burguesia expressa em termos ideológicos e políticos a maneira de pensar do pequeno produtor, do pequeno padeiro, do pequeno comerciante. Se destaca em primeiro lugar o individualismo, ele é o dono da padaria, do comércio, ele é o dono de seu cérebro e seria o superinteligente enquanto que os trabalhadores, que são seus empregados, são idiotas totais. Aqui, no caso da classe operária com intelectualidade pequeno burguesa, ocorre a mesma coisa. O trabalhador se encontra submetido ao processo de produção capitalista onde ele produz bens materiais ou serviços.

O pequeno burguês intelectual não participa do processo de geração de valor, participa de atividades intelectuais sem agregar valor e tem uma visão de distanciamento do processo produtivo. Ele se distancia da realidade material e começa a “viajar na maionese”. Em outras palavras, ele tem uma tendência enorme a se tornar idealista.

O trabalhador no geral e a classe operária em particular são muito práticos, querem resolver os problemas materiais. Obviamente que na hora que fazem isso acabam fazendo dentro do contexto em que se encontram e a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante.

Em linhas gerais podemos verificar que todas as classes personificam os fenômenos envolvidos com a classe social a que pertencem. O capitalista é um ser ultra alienado porque ele é a personificação do capital, conforme Marx explicou justamente no célebre livro que foi a sua obra-prima, O Capital. Ele vai fazer de tudo para não quebrar o processo de giro do capital e para obter lucros, portanto. Mais alienado que isso é impossível. Se tiver de matar 1 milhão de pessoas para obter lucros ele vai matar. Como já tivemos amostras disso em todas as guerras que têm acontecido nos últimos 200 anos.

No caso dos trabalhadores, da classe operária, também personificam o processo produtivo mas isso não significa que a classe operária, apesar de trabalhar de maneira social no geral, ela vai ser a representação biológica          automática a isso porque nós vivemos na sociedade capitalista. A classe operária também vai personificar o processo de produção operária junto com a pressão exercida pela sociedade capitalista. A pequena burguesia é exatamente a mesma coisa.

Em resumo e em cima dessa explicação teórica o que nós temos é que toda classe social expressa as relações sociais de produção nas quais ela se encontra inserida e o futebol é um esporte de massas que se encontra cooptado, como tudo no capitalismo e como tudo que o capitalista toca, para obter lucro. Não por acaso Marx já dizia no O Manifesto Comunista e no O Capital que o capitalismo é uma sociedade de produção de mercadorias. Tudo é mercadoria no capitalismo e por quê o futebol não seria também? O futebol é mercadoria, o amor é mercadoria, sexo é mercadoria. Estão até querendo vender a água da chuva. É absolutamente normal porque vivemos numa sociedade capitalista.

Como revolucionários não podemos cair no mote de que o trabalhador é alienado e que o pequeno burguês intelectual, que ouve rock, não seria. Este é até mais alienado que o operário porque, normalmente, não é uma pessoa prática, é uma pessoa idealista, distanciada do processo real de produção, a menos que seja um intelectual revolucionário, isso seria muito diferente.

Colocado isso vemos que o futebol é um grande evento de massas em países sul americanos como Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, México, e em praticamente todo o mundo. É um esporte de massas em que a classe operária participa e, além disso, é um esporte coletivo. Para os revolucionários não existe nenhum motivo para rejeitar o futebol assim como não existe motivo para rejeitar nenhum esporte nem, inclusive, expressão cultural nenhuma.

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