Quarta, 21 Novembro 2018

Ao entardecer todas as burocracias são pardas

Written by  Published in Últimas notícias Sexta, 15 Junho 2018 00:00
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entardecer

Nesse momento a classe operária está paralisada no Brasil e no mundo. Por quê?

Em primeiro lugar, os trabalhadores devido à crise capitalista, estão com medo de perder seu emprego e, assim, não conseguir seu sustento e da sua família. Mas a grande pressão vem do grande número de desempregados, no Brasil os dados oficiais apontam para cerca de 14 milhões, mas isso é falso dado os critérios usados nas pesquisas, na realidade o número é muito maior. Se por um lado camuflar esses números é para minorar o tamanho da crise e por outro lado para servir como fator de pressão para que aqueles que estão empregados e subempregados não saiam para a luta. Assim, a existência de trabalhadores desempregados sempre foi importante para os capitalistas conforme Marx explicou em O Capital. Esse exército industrial de reserva é força de trabalho que excede às necessidades da produção e serve como fator de pressão sobre a força de trabalho necessariamente usada, ou seja, em caso de insubmissão qualquer trabalhador poderá ser substituído. O pleno emprego nunca existiu de fato no capitalismo e nem a tão propalada liberdade de escolha sobre qual trabalho escolher.

A burocracia sindical joga a culpa de não ter luta no próprio trabalhador. Uma grande mentira, na medida em que esta burocracia mesmo é que faz todos os tipos de manobras para que ela não ocorra, basta ver nos sindicatos o trabalho de base que é feito, a maioria dos diretores sindicais sequer vai aos locais de trabalho distribuir um boletim, pagam para alguém fazer isso, quando tem boletim. Não se dão ao trabalho de discutir pacientemente com os trabalhadores e de estar junto com eles no cotidiano, preferem deixar que o patrão e os meios de comunicação façam o discurso único do capital. O discurso do individualismo, do empreendedorismo, da colaboração de classes e do sucesso pelo esforço. De fato a própria vida prática da maioria dos dirigentes sindicais é um exemplo negativo para os trabalhadores, esses dirigentes mudam seu modo de vida ao não terem mais que ir ao local de trabalho e viver sob a disciplina do capital, prosperam às custas do trabalhadores usando o dinheiro do aparato sindical, passam de explorados à parasitas.

É sobre bases materiais que podemos entender a traição das direções burocráticas. Em grande parte essa burocracia é proveniente da aristocracia operária que se tornaram pequenos burgueses que, pelo seu caráter de classe tende a se aproximar cada vez mais da classe burguesa. A base material da burocracia sindical, portanto, se assenta sobre os próprios privilégios oferecidos pelo aparato. É nesse sentido que os elementos mais burocráticos vão buscando autonomia em relação aos trabalhadores e desqualificando os militantes mais combativos, buscando fazer deles meros serviçais sem qualidades.

Trotsky no livro Classe, Partido e Direção, de 1940, escreve: “A falsidade histórica consiste em descarregar a responsabilidade da derrota das massas espanholas sobre as próprias massas e não nos partidos que paralisaram ou ingenuamente esmagaram o movimento revolucionário das massas". Não é nova a mania dos burocratas de dizerem que os trabalhadores não querem lutar, que eles é que são os culpados da situação em que se encontram, etc. Para manter seus privilégios, a burocracia canaliza toda a revolta dos trabalhadores para o voto nas eleições, para garantir cargos no Estado burguês. Hoje toda a burocracia faz parte da frente popular a qual é um muro de contenção entre os trabalhadores e a burguesia patronal junto com o Estado.

A traição da burocracia se torna mais evidente na medida quem os ataques sobre os trabalhadores aumentam. No Brasil tivemos a “reforma” trabalhista com enorme retirada de direitos, os funcionários públicos, principalmente os da educação e da saúde, têm seus salários atrasados, a população das periferias são violentamente agredidas pelas milícias e pelas forças de repressão, os morados de favelas recebem balas de fuzil ao invés de escolas, hospitais e saneamento básico. Toda uma enorme pressão para retirar tudo que seja aplicação em áreas sociais para recuperar a taxa de lucros dos grandes capitalistas, principalmente os do capital especulativo. Tudo isso é feito sob o consentimento tácito da burocracia sindical, inclusive de setores que se dizem revolucionários, que no fundo estão atolados até o pescoço no regime democrático burguês, fazendo campanha eleitoral para o partido A ou B.

A reação dos trabalhadores provavelmente será violenta no sentido de destruir essas contenções. Sempre foi assim. Um movimento vigoroso destruirá toda essa geringonça formada por uma diversidade de centrais sindicais, 14 no Brasil! Cada uma cuidando dos seus próprios feudos, mantendo uma unidade de propósito: a manutenção dos próprios privilégios. A rebelião das bases vai surgir na medida em que a crise capitalista se aprofundar, no momento em que não será mais possível suportar as condições de vida sob a escassez para a grande maioria e a abundância para a minoria.

A unidade dos trabalhadores a partir dos locais de trabalho e dos locais de moradia será o primeiro passo para enfrentar a miséria em que estão sendo jogados, atropelar a burocracia sindical e o reformismo generalizados das direções partidárias e dos movimentos sociais cooptados integrados ao regime. Nos sindicatos a tendência é de surgimento de novas oposições ou a criação de novas organizações controladas pelos trabalhadores completamente por fora desses aparatos. Com a crise capitalista e os ataques aos direitos dos trabalhadores vai inegavelmente acontecer no futuro um movimento parecido com o de 2013. Um movimento que começou com as reivindicações contra o aumento da passagem dos transportes feitas pelos estudantes, que é um fator que quase sempre precede o movimento operário, mas que foi rapidamente infiltrado pela extrema direita. A esquerda no geral ficou tão perdida como ficou agora no movimento recente dos caminhoneiros. Ocorreram também movimentos dos secundaristas com a ocupação de escolas e outros movimentos de jovens que foram abortados também pela traição da burocracia da esquerda.

Nesse momento as atenções da burguesia e da esquerda integrada ao regime se concentram nas eleições golpistas, mas a própria direita está em crise porque todo candidato que ela põe no cenário acaba sendo queimado na medida em que surgem dúvidas se ele será o melhor para aplicar todos os planos do imperialismo. Enquanto o movimento dos trabalhadores se mantiver paralisado será possível à burocracia caminhar nas pequenas e grandes manobras, privilegiando as disputas jurídicas e eleitorais. Aos revolucionários cabe estudar muito bem a situação e apontar aos trabalhadores que a saída não se dará com esta esquerda decadente mas com a sua própria organização.

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