Sábado, 18 Agosto 2018

Massacre ao povo palestino (parte 4)

Written by  Published in Global Economy Segunda, 04 Junho 2018 21:00
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A Intifada palestina

 

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Intifada significa revolta, ou literalmente “sacudir”. O vocábulo começou a ser usado a partir da revolta palestina de 1987, quando em dezembro, começaram as revoltas espontâneas do povo palestino que usavam basicamente pedras e pedaços de madeira, contra as forças armadas de Israel, uma das mais bem aparelhadas do mundo e com um serviço secreto, o Mossad, que tem um alto orçamento e conta com a colaboração dos Estados Unidos. Foi o Mossad que sequestrou em Roma, em 1986, Mordechai Vanunu, e o levou para Israel onde foi condenado a 18 anos de prisão, sendo que 11 deles foram passados em uma solitária, acusado de deixar vazar informações sobre o programa nuclear israelense.

A Primeira Intifada Palestina foi de 1987 à 1993, e a faísca foi quando um caminhão dirigido por um israelense, no dia 8 de dezembro, em Gaza, bateu em duas caminhonetes lotadas de trabalhadores palestinos matando quatro deles. No funeral no dia seguinte teve início a revolta. Alguns membros do próprio governo de Israel já vinham alertando que a situação para os palestinos já estava se tornando insustentável devido ao forte controle e repressão a que estavam sendo submetidos. O saldo foi de 1.500 palestinos mortos em Gaza e Cisjordânia e dentre os mortos é interessante destacar que cerca de um quarto eram menores de 16 anos. Cerca 140.000 palestinos passaram pelas prisões de Israel, universidades foram fechadas, houve destruição de casas e deportação de militantes. A primeira Intifada terminou com o que ficou conhecido como Acordos de Oslo, que envolveram a assinatura de acordos sobre a autodeterminação dos palestinos, mas que viraram letra morta. O que de concreto saiu daí foi o reconhecimento da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) por Israel e vice-versa. Uma grande farsa que teve pernas curtas. Tanto os acordos de Oslo como os de Camp David não visavam resolver o problema do povo palestino mas conter os ataques dos países árabes vizinhos, tanto é que em 1994 foi feito um acordo de paz entre Israel e a Jordânia sem a participação dos palestinos.

Em novembro do ano 2000 uma nova revolta generalizada tomou conta de todos os territórios ocupados onde haviam palestinos que, com pedras e arremessos manuais, enfrentaram novamente as forças armadas de Israel até 2005. Neste mesmo ano Israel resolve sair da Faixa de Gaza, num plano conhecido como “desengajamento” para sitiar ali milhões de palestinos e submetê-los a todos os tipos de penúrias. Depois, em dezembro de 2008, o Hamas, uma organização considerada terrorista, de orientação sunita, que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, convocou uma nova ofensiva. No entanto, é sempre um conflito muito desigual dado o armamento que os israelenses detêm e o apoio que recebem dos países imperialistas que têm interesses econômicos na região. Ao contrário do que é informado não foi uma luta devido a questões culturais ou religiosas ou do bárbaro contra o moderno. A revolta começou no momento em que o líder israelense, Ariel Sharon, cercado por um grande esquema de segurança, fez uma visita à Mesquita Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, no dia 28 de setembro de 2.000, para iniciar uma reforma na esplanada em que está situada e proibiu a entrada de muçulmanos. Esta ficou conhecida como a Segunda Intifada. O saldo de mortos foi de cerca de 5 mil palestinos e mais de 50 mil feridos, muitos com mutilações para o resto da vida. Do lado israelense foram cerca de mil mortos. O Estado de Israel procurou destruir praticamente todos os setores de infraestrutura palestinos em ataques arrasadores por terra, água e ar.

A capital de fato de Israel desde 1948 tem sido Tel Aviv, apesar de que o governo israelense tem declarado, em várias ocasiões, ser Jerusalém a capital do país. Numa clara provocação o governo norte-americano de Donald Trump, no final de 2017, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e ordenou a transferência da embaixada para essa cidade, o que de fato foi feito em maio de 2018. Uma data bastante simbólica, pois foi no dia 14 de maio de 1948 que o  Estado de Israel foi fundado e que, desde então, os palestinos protestam nessa data contra o que chamam de Nakba, "Catástrofe"em árabe, desde que em foram expulsos de suas terras.

 Jerusalém é uma cidade considerada sagrada pelas três grandes religiões abraâmicas, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. A decisão de Donald Trump não é de espantar, os Estados Unidos e o capitalismo de uma forma geral encontram-se em uma enorme crise e as guerras localizadas para eles são uma garantia de lucros a curto prazo já que não existe saída possível no horizonte. Portanto, toda a violência do Estado de Israel contra os palestinos e do reconhecimento do governo dos Estados Unidos de Jerusalém como a capital dos judeus não tem nada a ver com qualquer profecia bíblica do Antigo Testamento relativa ao “povo escolhido por Deus”, perseguido por centenas de anos e que rejeitou Jesus Cristo, entre outros, mas sim com os interesses econômicos que estão envolvidos na conquista das terras e na comercialização de armamentos bélicos.

Toda a região próxima à Jerusalém é local de disputas antigas entre diversas nações poderosas, mas foi a partir dos anos de 1920 quando o império inglês controlava praticamente tudo é que começou um incentivo para que os judeus voltassem para a “terra prometida”. Jerusalém foi a capital do Mandato Britânico da Palestina até 1948. Com a fundação do Estado de Israel  e após a guerra a que deu origem, a parte leste de Jerusalém ficou sob domínio dos judeus e a parte oriental sob o controle da Jordânia. Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, o governo israelense invade a parte oriental e começa a fazer na região mais assentamentos, cometendo todos os tipos de atrocidades contra os palestinos, destruindo suas casas e plantações, e expulsando-os de suas terras numa verdadeira limpeza étnica. Israel nunca acatou nenhuma decisão de represália por parte das Organizações das Nações Unidas (ONU), muito menos a de devolução das terras roubadas dos palestinos. Parte deles que vivem em territórios ocupados são tratados como imigrantes de terceira classe e não têm direito a qualquer serviço público como saúde e educação.

Como Israel trata os prisioneiros palestinos

É bastante conhecido no mundo árabe a crueldade dos métodos de tortura a que os palestinos presos são submetidos, depois de passar por uma prisão israelense a pessoa vive pelo resto da vida com os fantasmas da tortura psicológica. Dentre as organizações de segurança interna uma das mais poderosas e cruéis é a Shin Bet ou General Security Services, em hebraico “Shabak”. Este agrupamento foi criado por David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel, que recrutou seus membros no grupo paramilitar Haganah, já famoso pelos métodos violentos que empregava antes mesmo da criação do Estado de Israel em 1948. Quando o Shin Bet prende alguém, o prisioneiro não tem direito à advogado ou à visitas durante 20 dias, é uma norma estabelecida por eles embora não esteja contida em nenhuma legislação. Por isso tem sido denunciada por grupos de direitos humanos do mundo inteiro, inclusive israelenses.

Não são raros os casos de árabes presos pela Shin Bet tentarem cometer suicídio, principalmente aqueles que já tiveram algum parente ou amigo que passaram pelas mãos dos seus torturadores. Em 1987, o Parlamento de Israel formou a Comissão Landau para verificar as práticas da Shin Bet e concluiu que os exageros deveriam ser evitados mas que algumas medidas moderadas de pressão física seriam necessárias.  Todos os palestinos que vivem nos territórios ocupados tem suas vidas completamente monitoradas por este Serviço que está acima de qualquer lei do próprio Estado de Israel. Mas não são somente os árabes, qualquer outro cidadão pode ser interrogado pela Shin Bet. Defensores de direitos humanos e ativistas políticos são seu alvo principal e são periodicamente presos por esses. Jihad Mughrabi, uma palestina detida, depois de ficar várias horas com mãos e pês amarados em uma cadeira, com venda nos olhos, ouviu a voz do torturador bem próximo de seu ouvindo dizendo que tinha uma surpresa para ela, tirou-lhe a venda e mandou olhar pelo buraco de uma fechadura e viu sua mãe sendo torturada, suplicando por água.

Apesar das Organizações das Nações Unidas já terem denunciado a Shin Bet por torturas, o governo de Israel, que não obedece a qualquer critério de legislação internacional, continua dando tratamento violento a mais de um milhão e meio de palestinos que têm cidadania israelense. Segundo a BBC News eles têm no Departamento para Assuntos Árabes, um destacamento especial para combater a Intifada popularmente conhecido como Marauders. Muitos de seus agentes são treinados durante anos para se passarem por palestinos e um dos testes é ir a um mercado árabe e conseguir conversar com diversas pessoas sem levantar suspeitas. Um dos mais severos métodos de interrogatório, regularmente praticado durante a intifada de 1988-92, deixa prisioneiros algemados esticados para trás sobre bancos, com sacos cobrindo a cabeça e música alta soando em seus ouvidos e que, mediante tortura, acabam confessando e confirmando as afirmações dos agentes sionistas. Funcionários do tribunal militar que tiveram acesso aos documentos do Shin Bet revelaram que diversos tipos de tortura são mencionados. Esses incluem olhos vendados por longos períodos, o que provoca uma perda de orientação, com cinco ou seis interrogadores em torno de um suspeito e gritando em seus ouvidos durante horas;  forçar um suspeito a ajoelhar-se contra uma parede com os joelhos dobrados; espancamentos; cócegas com uma pena no nariz ou na orelha; tapas; forçar um suspeito a ficar de pé durante horas amarrado com as mãos ao lado do corpo na postura “banana”. No entanto, esses métodos são novos e são considerados menos brutais do que os proibidos pelo Supremo Tribunal Militar israelense, entre os quais estão cobrir a cabeça com um saco por muitas horas, amarrações na posição “rã” e privação de "sono”.

 

torturaAtor israelense demonstra a posição conhecida como "banana", utilizada como método de interrogatório pelo Shin Bet, o serviço de segurança de Israel - Jaqueline Larma / AP Photo


Apesar de ter sido aprovado pelo Parlamento de Israel a proibição de torturas em  interrogatórios eles continuam na prática pois existem as exceções no caso de possíveis atentados em andamento, portanto, ninguém tem garantias sequer que as torturas tenham sido reduzidas, pois a qualquer questionamento pode-se alegar que um atentado está para ser realizado. Vale lembrar que apesar do alvo predileto ser os árabes, nem mesmo um judeu israelense está protegido contra a violência da Shin Bet. Em 1987, veio à luz que um oficial do exército israelense, Izzat Nafsu, foi torturado e passou 18 anos na prisão por ter confessado espionagem e repassado informações aos inimigos do Estado de Israel. Tais métodos contudo não conseguiram impedir o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzak Rabin em 1995 por um extremista de direita israelense.

Israel poderia ter se estabelecido em qualquer lugar, inclusive até na Argentina na América do Sul, que foi um dos lugares especulados, mas as terras palestinas foram as escolhidas porque tinham o álibi da “terra prometida”, conforme descrito na Bíblia. A causa palestina deve ser defendida por todos os socialistas do mundo como um direito à autodeterminação dos povos, contra o roubo de suas terras, contra a opressão e exploração a que são submetidos. É necessário denunciar Israel como um Estado semelhante ao do regime nazista, com utilização de  práticas de tortura e mesmo de exterminação. Só a revolução socialista mundial pode acabar de vez com o sofrimento do povo palestino e de todos os trabalhadores do mundo que são explorados e humilhados pela ditadura de uma minoria que só se importa com seus próprios lucros. 

 

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