Sábado, 15 Dezembro 2018

Massacre ao povo palestino (parte 2)

Written by  Published in Global Economy Terça, 29 Maio 2018 21:00
Rate this item
(0 votes)

Sionismo praticando a necropolítica em Gaza

 

necrogaza

 

A propósito, necropolítica é um conceito usado por Achille Mbembe, um filósofo camaronês, que busca explicar as formas atuais de subjugação, seja de pequenos grupos ou territórios inteiros. O que se passa nas periferias das grandes cidades ou com a maior parte das populações na África ou na Faixa de Gaza, por exemplo, são temas da necropolítica. Não basta controlar, seria bom que não existissem, o que abre a possibilidade de justificar e institucionalizar a matança como a “solução final” nazista. A percepção da existência do outro como um atentado à minha própria vida, como uma ameaça mortal ou um perigo absoluto cuja eliminação reforçaria meu potencial de vida e de segurança, como diria Mbembe. Para o filósofo, a Faixa de Gaza apresenta características relacionadas com o funcionamento da formação específica do terror chamado “necropoder”: “há a dinâmica de fragmentação territorial, da proibição do acesso a certas zonas e da expansão das colônias.O objetivo deste processo é duplo: impossibilitar toda a mobilidade e realizar a segregação de acordo com o modelo de Estado do apartheid. Assim, os territórios ocupados são divididos em uma rede complexa com bordas interiores e limites, isoladas entre si [...] numa divisão plana do território e adotando o princípio da criação de limites transdimensionais dentro dele, a dispersão e a segmentação redefinem claramente a relação entre soberania e espaço.” Neste sentido a organização territorial que constitui a Faixa de Gaza criou múltiplas separações que constituem não apenas controle, vigilância e separação, mas também isolamento. Completando: isolamento para a morte. Nada de surpresas ao ver os treinadíssimos soldados israelenses atirando em pessoas como numa caça descontraída.

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, Mano Brown, o rapper e compositor dos Racionais MCs, falando diretamente do Capão Redondo, o bairro paulistano onde cresceu na época mais violenta, os anos 80, quando segundo ele “todo mundo era magro, franzino e perigoso”, mas tratava da única estratégia, a sobrevivência, porque nos “anos 80 por aqui havia um genocídio, muita gente boa ficou pelo caminho. Ser preto era muito perigoso, muito perigoso pô, você podia morrer sem saber nem porque de tanto era o preconceito e o medo que eles tinham de você [...] não existia nem as leis básica do ser humano, o barato era selvagem [...] hoje existe um pouco mais de consciência, de autoestima [...] naquela época a gente se sentia feio, esse lance de se sentir feio era foda, era isso que eles faziam com a gente [...] as pessoas não gostavam de si mesmo, tínhamos vergonha do nosso cabelo [...] socialmente eu sou realista, vejo como é e não brinco, como artista eu sonho [...] a mudança acontece de todo jeito, a natureza é viva”. “O crime organizado tá aí atuando há muito tempo, já está em Brasília [...] o cara não tem nada, ninguém dá valor pra ele, chega alguém e da um nome pra ele, uma sigla pra ele defender, te dá uma família, te dá proteção, te dá honra, te dá motivo pra viver [...] o PCC controlou os homicídios em São Paulo, agora eu posso ser morto por falar isso, o sistema é falho, o sistema depende da violência pra sobreviver é diferente do PCC onde violência faz eles perderem dinheiro, eles precisam da paz pra ganhar, o sistema precisa da guerra pra vender bala, vender arma, pra empregar mais gente na polícia, para fazer mais cadeia, para superfaturar mais, é isso o que gera tudo. O Bezerra da Silva ante de morrer me falou assim ‘Brown, cadeia é que nem show tem que tá lotada pra dar dinheiro”. “Estamos num momento de cegueira e ambição, tá todo mundo ambicioso tanto a esquerda como a direita, eles ficam numa guerra psicológica, ninguém acredita mais em ninguém não [...] a periferia tá perdida”. Não teria necessidade alguma de acrescentar mais alguma coisa sobre necropolítica, é bem assim como Mano Brown falou sem tirar nem por. Um Estado de exclusão total onde matar e morrer é questão de tempo, são seres descartáveis. Assim é em Gaza, assim é no Capão Redondo.

Read 444 times Last modified on Quarta, 30 Maio 2018 07:59

Gazeta Revolucionária [pdf]

 gr19 capa

Números Anteriores


AcordaTI 01capa  


 Acorda Vargem Grande 0 capa


Acorda Educador 0 capa