Sábado, 20 Outubro 2018

Entenda a crise na Argentina

Written by  Published in Últimas notícias Sábado, 12 Maio 2018 21:00
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O Brasil se encontra na linha de frente da crise capitalista na América Latina junto com a Argentina, mas também no mundo. Os Estados Unidos têm sofrido uma série de derrotas na Europa, no Oriente Médio, na Ásia, na China etc. Por esse motivo têm apertado mais a região; passaram a controlá-la com mais força, tendo tornado quase inviáveis os governos de “frente popular”. Essa política tem levado à implosão de governos do  PT no Brasil, de Humala no Peru, da Frente Ampla no Uruguai, o governo de Rafael Correa no Equador e assim sucessivamente. Ao mesmo tempo tem levado à imposição de uma série de governos da direita “neoliberal” clássica, não abertamente golpista, como aconteceu no Brasil, na Argentina, no Chile, no Peru etc. Esses governos continuam aplicando a política “neoliberal” porque foi a única política que ficou em pé depois do colapso econômico de 2008, perante a impossibilidade do grande capital de impor uma política alternativa, diferentemente do que aconteceu na década de 1980, quando as chamadas políticas neokeynesianas foram substituídas pelas políticas “neoliberais” em escala mundial como políticas hegemônicas.

 

Macri: o governo possível e não ideal do imperialismo

 

Maurício Macri era considerado como o governo "ideal" para o imperialismo, para muitos agrupamentos da esquerda e também da direita. Supostamente, Macri iria estabilizar o regime e aplicar grandes ataques contra os trabalhadores. De fato, Macri começou o governo com muita força, reduziu vários subsídios às tarifas públicas. No primeiro mês, ele governou por decreto e conseguiu um grande trunfo quando conseguiu agrupar toda a ala dos partidos burgueses, inclusive o peronismo e o kirchnerismo, por trás dessa política. Pagou US$ 7 bilhões no processo dos fundos abutres para levar novamente a Argentina ao mercado especulativo mundial. Fez enormes concessões para o capital especulativo. O resultado disso foi que nos seis primeiros meses de governo gerou mais de 1,5 milhão de pobres, num país de 40 milhões de habitantes. E agora a nova onda de políticas “neoliberais” na Argentina a faliu.

A análise política deve ser feita considerando a luta entre as classes sociais e as frações de classe, num prazo mais longo, avaliando de onde veem, onde estão e para onde vão os fenômenos sociais; avaliando todos os elementos em concatenação e em evolução e, principalmente, na luta gerada a partir das próprias contradições internas.

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Nos últimos dias, aconteceu na Argentina, uma enorme desvalorização do peso que pulou de 20/dólar para mais de 23/dólar. Para estabilizar a economia, o governo argentino pediu ao FMI (Fundo Monetário Internacional) o empréstimo de US$ 30 bilhões, após ter torrado na estabilização do peso US$ 5 bilhões, inicialmente, e, depois, mais US$ 0,5 bilhão. Por enquanto, o peso foi estabilizado em 10% a mais do valor anterior, em 22 pesos por dólar. Mas a situação é catastrófica nesse momento porque o déficit comercial só cresce e há a bomba relógio do endividamento público, principalmente a especulação com as Lebacs (Letras do Banco Central) que, nos últimos três anos, têm provocado um endividamento de mais de US$ 60 bilhões a taxas usurárias.

Quando Macri assumiu o governo havia um superávit comercial de US$ 1 bilhão deixado por Cristina Kirchner. Agora o déficit comercial subiu para aproximadamente US$ 10 bilhões, dos quais US$ 8 bilhões são com o Brasil. A dívida pública argentina supera os US$ 300 bilhões. Para estabilizar o peso, o governo Macri disparou a taxa de juros em 40%. O déficit de contas correntes argentinas no ano passado, foi de US$ 30 bilhões, que seria a diferença entre tudo que entra e tudo que sai no Brasil. O déficit público já está em 3,2% do PIB ou US$ 12 bilhões e as chamadas reservas soberanas caíram de US$ 65 bilhões para US$ 55 bilhões. A pobreza oficial está em 26%.

O FMI aceitou estabelecer negociações para o empréstimo de US$ 30 bilhões, mas sem ter estabelecido qualquer prioridade e ainda tendo retirado do País seus diretores. O problema é como a política do FMI fracassou mais uma vez apesar de estar sendo levada à risca? E como ela fracassou quando no governo há elementos ainda mais qualificadamente entreguistas que os próprios diretores do FMI? A política do imperialismo não é torrar US$ 30 bilhões para estabilizar uma política que se demonstrou falida, mas forçar o governo a aplicar um novo “Rodrigazo”, uma nova versão do brutal ataque contra os trabalhadores que aconteceu na década de 1970. O governo Macri se encontra numa encruzilhada: se aplica o ataque que o imperialismo impõe, implodiria a direita agrupada em torno ao macrismo nas eleições gerais de 2019. E ainda existe a possibilidade do governo cair antes, acelerando as tendências revolucionárias. Se continua atuando na base do “gradualismo”, a Argentina pode quebrar.

Na Argentina, assim como em escala mundial, inclusive no Brasil, o imperialismo impõe avançar para governos de cunho bonapartistas, ditaduras burocrático policiais, com os militares cada vez mais cumprindo um papel de primeira ordem, que tenham a possibilidade de impor os ataques contra as massas que o grande capital exige e de conter os protestos que, inevitavelmente, virão.

 

Imagens emprestadas de Telesur, 9 de maio de 2018

Read 160 times Last modified on Sexta, 18 Maio 2018 19:28

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