Segunda, 20 Agosto 2018

As contradições do PT com o imperialismo

Written by  Published in Últimas notícias Sábado, 14 Abril 2018 21:00
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bushlula

A política dos governos do PT gerou algumas contradições, embora  pequenas, com o imperialismo. O PT impulsionou, por exemplo, no setor militar, a construção do submarino nuclear e o desenvolvimento de uma política de defesa própria com a aquisição dos caças suecos SAAB que iriam permitir a importação de tecnologia militar para o Brasil. Também houveram acordos com o Irã, com a China e com a Rússia. As empresas brasileiras se expandiram na América Latina e na África. Foram construídos o Porto Mariel em Cuba e o submarino nuclear pela Odebrecht. Houve a tentativa de impulsionar a base de Alcântara, que agora está sendo entregue para os americanos, para a colocação em órbita de satélites. Havia, portanto, algumas coisas em que o PT estava aplicando uma política nacionalista relativamente tímida mas que, pelo tamanho do Brasil, eram bastante críticas para o imperialismo conforme a crise acelerou.

O imperialismo até tolerava essa situação por conta da necessidade de manter estabilizado o país que, com uma dimensão continental, se acha numa posição importantíssima na própria América como um todo. Manter a estabilidade implicava num custo. Nos governos Lula, 150.000 sindicalistas foram cooptados em cima de cargos de chefia nas empresas públicas e nos ministérios. Todo o movimento social foi cooptado com o repasse de dinheiro proveniente dos ministérios. O Movimento dos Sem Terra (MST) acabou paralisando por completo a reforma agrária.

O governo do PT, que também aplicou fortes programas sociais, manteve a estabilidade, conseguiu conter o movimento de massas com a crise aberta pelas políticas neoliberais mas, a partir da crise mundial de 2008, também entra em crise. Conforme Lula falou, a crise chega  ao Brasil como uma "marolinha" mas, logo a seguir, esta começa a se desenvolver no mundo inteiro. Em 2012 acaba fracassando a tentativa de contê-la através de enormes volumes de recursos repassados, principalmente, para o consumo, para manter a economia funcionando.

A queda dos governos do PT

A situação de alta crise no Brasil foi evoluindo até as eleições de 2014 porque a burguesia imperialista estava dividida. Barack Obama e Angela Merkel apoiaram a reeleição de Dilma e a maioria da burguesia nacional também porque tinham medo de que a substituição do governo do PT pudesse gerar uma desestabilização, num país extremamente importante na região e no mundo. Por isso acabaram apoiando a reeleição apesar dos movimentos de "Não vai haver copa", "Contra Dilma" etc. Em 2015, a crise acelerou ainda mais e a burguesia, como um todo, foi se unificando para depor Dilma Rousseff.

Por que Dilma acaba sendo deposta? Não se tratou de um problema moral. Ela foi deposta porque não estava mais conseguindo aplicar as políticas impostas pelo capital mundial. Da mesma maneira é o que tem acontecido, no último período, com todos os governos de frente popular que estão caindo um atrás do outro, ou sendo colocados contra as cordas.

Estamos vendo isso acontecer no Equador, com Rafael Correa, onde seu sucessor, Lenin Moreno, está se opondo a ele numa política bastante pró imperialista. A pressão contra a Venezuela, que é uma situação bastante sui generis é mais uma demonstração nesse sentido ao mesmo tempo que mostra o enorme temor do imperialismo em relação a uma explosão social no País, onde uma parte da população se armou após o golpe militar fracassado de 2002. Os acontecimentos no Chile, mostararam o governo da Concertación", que é um governo da esquerda pequeno burguesa e burguesa, ser vencido novamente pela direita encabeçada por Rafael Piñera. A Frente Ampla no Uruguai está sendo colocada totalmente contra as cordas com uma campanha idêntica à levada no Brasil contra a Petrobrás, com acusações sobre a empresa de petróleo uruguaia, ANCAP, pelo envolvimento com a corrupção de seu candidato para as eleições do próximo ano, Raúl Sendic. Este teria amplas possibilidades de vence-las porque apresenta as características típicas de um candidato burguês, como a juventude, só que aqui no caso, sendo de esquerda.

A esquerda burguesa é muito pressionada pelo imperialismo pela incapacidade de conter a crise e o movimento de massas, porque se tratam de frentes populares em uma situação de semi falência, o que é normal porque tudo na vida social nasce, cresce, se desenvolve e morre. Esses governos se encontram em situação falimentar. Obviamente existe um grande poder de contenção do movimento porque controlam os organismos de massa, como os sindicatos e movimentos sociais, que são organismos históricos que foram criados durante décadas e centenas de anos de luta e que, neste momento, se encontram atrelados totalmente ao Estado.

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