Segunda, 21 Maio 2018

A Crise Capitalista e a Intervenção militar

Written by  Published in Últimas notícias Quinta, 08 Março 2018 00:00
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trumpgranad


O que a imprensa burguesa no geral, em cima da campanha a favor da intervenção militar, e uma boa parte da esquerda têm dito, é que a intervenção militar teria como objetivo resolver o problema da segurança pública no Rio de Janeiro, para começar, e depois estender isso como um modelo para outros Estados e o Brasil como um todo. Em outras palavras, seria o avanço no sentido de endurecer o regime no sentido bonapartista, por fora do parlamento, com os militares no poder, ou num papel muito maior que o atual, no primeiro plano da política nacional.

Por fora da propaganda e das aparências o que deve ser analisado é o que realmente está por trás das movimentações políticas. Conforme Karl Marx disse, se a aparência e a essência coincidissem, não seria necessária a ciência, a análise de absolutamente nada, principalmente quando os instrumentos de propaganda da imprensa são dominados pelo grande capital.

Qual o objetivo por trás da intervenção militar no Rio de Janeiro? É preciso fazer uma avaliação profunda, ampla, que se relaciona com a evolução da situação política mundial, que tem por trás, como pano de fundo, o aprofundamento da crise capitalista mundial. Portanto, para avaliar a intervenção militar e, de fato, qualquer fato político importante, precisa ser avaliada a crise capitalista mundial.

O aprofundamento da crise capitalista mundial

A América Latina é dominada pelos Estados Unidos. Então como avaliar a América Latina sem avaliar a crise do imperialismo norte-americano? Há até os blogueiros, analistas dos mais sérios que existem no Brasil, que ignoram o conceito de imperialismo.

Para avaliar a situação no Brasil o que nós temos de ver em primeiro lugar é que houve nos últimos anos, principalmente a partir de 2008, uma crise enorme do capital internacional, de quem domina o mundo; das 148 maiores empresas que, por sua vez, controlam as 1.100 empresas maiores, que por sua vez controlam as 30 mil empresas maiores e, dessa maneira, dominam o mundo.

Num artigo da Revista The Economist, que é um dos grandes observatórios do imperialismo mundial, do dia 28 de janeiro de 2017, foi dito que a taxa média de lucro mundial tinha caído nos últimos cinco anos, de 2012 a 2017, 25 %. Isso é muito crítico porque quando estourou a crise capitalista mundial de 2008, o capital internacional se valeu de recursos públicos para não quebrar. Empresas quebradas, de maneira maciça, significam capitalismo falido. Por meio de grandes repasses de recursos públicos, as grandes empresas continuaram funcionando, mas ao custo do endividamento maciço. Essa política começou a engasgar a partir de 2012 e, por isso, a taxa de lucro mundial começou a cair de maneira violenta. No Brasil, essa queda dos lucros foi ainda muito maior. A partir de 2015 para cá, a taxa de lucro despencou de maneira acelerada, acima de 30 %.
 

A intervenção militar dá continuidade ao golpe de Estado

A intervenção militar dá continuidade ao golpe de Estado, que é um processo. Houve um golpe de Estado parlamentar contra acristo presidente Dilma Rousseff em 2016, que se fechou no mês de agosto. As pedaladas fiscal também são feitas por todos os presidentes, todos os governadores e até os prefeitos, pelo menos os das principais cidades. Michel Temer mais do que pedalada fiscal faz "cavaladas" fiscais. O déficit público no Brasil tem batido recordes. A grande imprensa sobre isso não fala nada.

O Judiciário, por meio da Lava Jato e outros mecanismos, passou a dominar o Poder Legislativo e o Poder Executivo, implantando uma ditadura do Judiciário no Brasil. Essa política avança a passos largos, inclusive, como ficou bem claro no Rio de Janeiro, para aplicar um golpe militar aberto. O que o imperialismo impõe que seja aplicado neste momento no Brasil, e no mundo inteiro, é regimes de cunho bonapartista, ditaduras burocráticas policiais, com o Exército em primeiro plano, ainda não para aplicar um golpe de Estado tipo nazista, como foi com Médici aqui no Brasil, eliminando todas as liberdades democráticas. Eles vão eliminar ainda mais liberdades democráticas, de maneira relativamente gradual como o fez Castelo Branco em 1964, avançando para cima do regime político, tirando alguns políticos e deixando outros e preparando o regime, principalmente, para enfrentar o inevitável ascenso popular e operário que acontecerá em cima dos crescentes ataques. O imperialismo precisa endurecer os ataques e ainda resistir aos protestos que, inevitavelmente, virão como consequência da tentativa de repassar o peso da crise para as massas.

O imperialismo norte-americano está acabando com as empresas nacionais. Está liquidando com a Odebrecht, com as construtoras; tenta se apoderar da Petrobras a troco de pinga seguindo o modelo do que fez no México com a Pemex (Petroleos Mexicanos); indo para cima do setor elétrico que também tenta leva-lo por quantidades absurdamente irrisórias, algo assim como R$ 20 bilhões, sendo que apenas a Usina de Belo Monte, uma das 170, vale três vezes isso. Essa política é ridiculamente escandalosa e, por trás, há as grandes empresas, conforme se tem visto até nas próprias movimentações da Operação Lava Jato.

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