Domingo, 16 Dezembro 2018

O efeito colateral na esquerda

Published in Global Economy Quarta, 14 Fevereiro 2018 22:00
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O movimento de massas está paralisado no Brasil e mesmo no mundo. Não há manifestações, não há greves; só há ataques de uma parte em relação à outra, só um lado bate no outro. E do outro lado temos uma esquerda politicamente, totalmente corrupta. Não no sentido somente burguês da palavra que significa roubar dinheiro, apesar de que também é isso, mas principalmente corrupta no sentido de traição dos trabalhadores.

Qual é a política da esquerda integrada ao regime? Manter o seu lugar ao sol no regime burguês; ela busca cargos nos sindicatos, nos parlamentos, nas empresas estatais e faz acordos com a burguesia. A política dos trabalhadores é exatamente outra. Há que se romper com essa política traidora. Mas como fazer, sendo que os trabalhadores estão paralisados? Na realidade, o “destravamento” do movimento revolucionário passa pelo ascenso operário.

Devido ao grau de crise que há em todo o mundo, se não houver um ascenso operário, teremos que virar religiosos, evangélicos fanáticos e dizer que não há mudança qualitativa e que só há ação de um lado e não há reação do outro. Isso seria um fato histórico sem igual nos últimos 12 mil anos de civilização humana. Seria muito estranho de ser assim. Estamos em uma situação de enorme turbulência, mas ela está controlada, como se a sociedade estivesse montada em cima de uma nata grossa. Só que uma nata grossa que em algum momento deve se arrebentar, como aconteceu em 2008, mas com muito maior força.
 

Para onde vai a esquerda?

A esquerda atual se divide em dois grandes grupos, principalmente no Brasil, e está com os dias contados também porque ela está atrelada ao regime, ela se integrou junto com o neoliberalismo ao regime burguês.

A esquerda comprada, o PT e os demais partidos da frente popular, no Brasil e nos demais países do mundo, tende a ser totalmente ultrapassada pelo ascenso operário. Por que? Porque é uma esquerda que já não tem mais militância. O PT tem militante, mesmo, no movimento operário, de base, com grande autoridade dos trabalhadores que não seja um pelego vinculado à empresa? Não tem mais isso. Em várias categorias onde o PT fez chefes, por exemplo nas estatais, o PT é odiado literalmente. Inclusive nos sindicatos. Quem é mais ou menos "amado" por falta de alternativas é o Lula, não o PT. Nos movimentos sociais, o PT é um pouco mais forte, mas com uma série de ressalvas, com tendência à queda.

Num novo ascenso operário, semelhante, por exemplo, ao que aconteceu entre 1978 a 1987, mais ou menos, em categorias de ponta, o PT tende a se complicar e muito. E, inclusive, tende a rachar em mil pedaços. No último congresso do partido, que aconteceu no mês de julho do ano passado, ele não rachou em dois grupos, um deles encabeçado por senador Lindberg, porque Lula interveio pessoalmente e fez uma manobra, impondo a senadora Gleisi Hoffman como presidente. Senão teria rachado ali mesmo. E isso sem ascenso operário, apenas por causa da pressão da direita.

A esquerda integrada ao regime político, num ascenso operário, tende a ser ultrapassada e a morrer. O PT vai desaparecer sem dúvida. O PSTU e o PSOL também.

A esquerda contemplativa, não diretamente incorporada ao regime, também tende a desaparecer, inclusive nós mesmos. Por que? Porque se trata de uma esquerda que está desvinculada do movimento operário. Esse é o grande problema. Não há um partido operário revolucionário, não há sindicatos revolucionários organizados na base, não há um movimento de massas forte. Essas tarefas somente podem ser resolvidas a partir de um novo ascenso, a partir do surgimento de novas lideranças. Essa caracterização pode ser considerada espontaneísta, mas o fato é que essa esquerda atual não tem absolutamente nenhuma condição de liderar nada; é uma esquerda comprada pela burguesia ou pequenos grupelhos desligados do movimento de massas, que é quase inexistente. Esses grupos pequenos no geral têm um comportamento de tipo “hippie”. Uma espécie de lumpesinato intelectual, uma loucura mórbida. A maioria desses militantes acha que simplesmente pelo fato de publicar matéria na Internet estão mudando o mundo. O que é um absurdo, porque o mundo se muda na prática, não na conversa, no discurso.

A crise capitalista, o ascenso operário e a esquerda

A saída para a crise atual da esquerda e do movimento operário só pode ser um grande ascenso operário. Esse grande ascenso deverá acontecer em algum momento, em cima do aprofundamento da crise capitalista, dos crescentes ataques aos trabalhadores e de alguma “loucura” que a burguesia possa vir a fazer em algum lugar do mundo, como, por exemplo, uma guerra. A burguesia fez a guerra do Iraque e do Afeganistão, o que acelerou a crise de 2008, que gerou uma enorme desestabilização no Oriente Médio, no norte da África e no Sahel, que é a região localizada ao sul do Deserto do Saara. No próximo período, vai acontecer inevitavelmente um outro colapso capitalista e ainda veremos para onde a situação política se desenvolverá. O grande ponto passa pela entrada em cena da classe operária.

A candidatura Lula, que está inviabilizada, é uma candidatura da esquerda burguesa que está inviabilizada pelo imperialismo. A política do PT é uma política hiper calhorda, integrada ao regime, que busca fazer acordos com a direita e o imperialismo, para isso tem como papel principal conter o movimento de massas. Essa esquerda toda, em algum momento no futuro, em cima de uma grande crise, que gerará um ascenso no movimento operário, tende a ser ultrapassada com relativa facilidade, pois é uma esquerda que não tem força na base e que está integrada ao regime, principalmente aos aparatos do estado burguês. E os outros grupos pequenos, nos quais nos incluímos, também tendem a ser ultrapassados porque fazem parte de uma esquerda que não tem penetração real, força de base nenhuma.

Provavelmente, uma parte, tanto da esquerda oportunista quanto da esquerda contemplativa, em grande medida, deverão se desintegrar em ruptura, dando lugar a novos agrupamentos de tipo centristas e até alguns revolucionários, dependendo da força do movimento de massas. Isso seria o mais normal.

O papel do PT na destruição da esquerda atual é enorme. Ele é responsável pela paralisia geral, também. Da mesma maneira que os demais agrupamentos de frente popular são responsáveis comuns.

Então, o que pode fazer nesse momento o que restou da esquerda revolucionária no Brasil? Inevitavelmente, seria preciso continuar com a análise política. Nós do Gazeta Revolucionária, também temos feito um grande esforço para tentar nos vincular ao movimento operário. Mas temos enfrentado enormes dificuldades devido à paralisia e até ao hippismo e lumpesinato de certos militantes que têm se aproximado de nós. Mas a solução para a crise da esquerda só pode ser uma, que é, necessariamente, o ascenso do movimento operário que virá inevitavelmente em cima do aprofundamento da crise capitalista mundial.

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