Quarta, 21 Novembro 2018

Direita, volver!

Written by  Published in Teoria Domingo, 04 Novembro 2018 01:00
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dejoelhos


Existe uma crise muito grande que atinge todas as áreas da sociedade cuja origem é a crise econômica, a crise capitalista, a crise de superprodução. O que provoca uma luta desesperada dos grandes monopólios internacionais para repor suas taxas de lucro. Isso é o que explica a tendência em vários países de um giro à direita do regime político, gradual num primeiro momento, mas de forma acelerada na medida que a crise econômica se aprofunda.  

É isso que está acontecendo no Brasil. No PT, o grupo mais a direita tomou conta do Partido, o grupo do Haddad, “Mensagem ao Partido”, que fez uma campanha eleitoral colocando panos quentes nas feridas e não metendo o dedo nelas. Haddad e seu grupo se apresentou como os educados, os polidos, sem atacar as questões centrais como, por exemplo, a destruição dos direitos dos trabalhadores, a venda das estatais, do pré-sal, o fim dos serviços públicos, etc.

Então, dentro da própria campanha de Haddad houve uma direitização, inclusive com o abandono da figura de Lula que foi na verdade quem lhe deu a maioria dos votos. Isso foi assimilado por grande parte da militância como uma saída vantajosa para angariar votos. Só que não. Não foi possível com esta estratégia vencer o bolsonarismo.

Mas qual seria o sentido também de vencer a direita com um programa de direita? Com a concordância de Haddad à Operação Lava Jato e com sua declaração de que Lula ficaria preso até que a Justiça resolvesse? São questões que todos os militantes devem procurar responder.

Haddad e o PT legalizam as eleições golpistas

Confirmada a derrota para Bolsonaro, Haddad virou o grande defensor da democracia, sem denunciar como estas eleições não foram nada democráticas, como foram controladas nos mínimos detalhes.

No seu pronunciamento após a derrota nos apresentou, dentre outras maravilhas, estas doces palavras: “Nós temos que fazer uma profissão de fé e que nós vamos continuar a nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres deste país para retecer um programa de nação que há de sensibilizar mentes e corações deste país. Daqui a quatro anos nós teremos uma nova eleição, nós temos que garantir as instituições. Nós não vamos sair das nossas profissões, dos nossos ofícios, mas não vamos deixar de exercer a nossa cidadania. Nós vamos estar o tempo inteiro exercendo essa cidadania, e talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora.”

Esse é o verdadeiro discursinho picolé de chuchu. Um discurso vazio. Não aponta nenhuma alternativa de luta, nada. Sequer falou do principal líder do PT preso, que vai apodrecer na cadeia se depender da turma do Haddad e da composição que vai formando o governo Bolsonaro, com o juiz de primeira instância como superministro da Justiça e segurança pública.

Haddad disse aos jornalistas que o procuraram no dia 29 de outubro na frente de sua casa: “Acabou né gente, eu vou voltar a dar aulas”. Depois de entregar a vitória ao ultradireitista, ele lava as mãos e vai cuidar da sua vidinha particular, é um homem comum que não tem responsabilidade, sabendo que os trabalhadores vão pagar caríssimo com está sua atitude de sujeito bem-comportado, professor universitário e responsável.

No Twitter (vamos grifar isso) ele escreveu: Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor.” Ele deseja boa sorte ao carrasco. É mole? Ele fala como se estivéssemos nos melhores dos mundos possíveis. Coisa típica da esquerda meia-boca. E não é falta de política, não. Ele e este grupo que dominou o PT quer mesmo um lugar de coadjuvante no governo bolsonarista (bonapartista!) como oposição tolerável para dar a aparência de um governo legítimo.

Toda a esquerda se revelou golpista

Uma esquerda de salão, dos encontros, dos milhares de seminários, das palestras sobre cidadania, democracia, desigualdades sociais, estatísticas da violência, taxa de homicídios, feminicídios, bullying, empoderamento (Empowerment) da mulher, opção sexual das abelhas, etc. Nada de como enfrentar de fato o capitalismo e a democracia, que nada mais é que uma ditadura ferrenha dos detentores do capital.  

Para essa esquerda meia-boca (half-baked) a classe trabalhadora sequer existe, são todos empreendedores, que podem ser seus cabos eleitorais investindo em um carguinho em tempos de eleições.

Ciro Gomes, que também quer ser o grande líder da oposição, lavou as mãos e viajou para Europa. Sua campanha só não foi mais ridícula porque ele tem mais impostação de voz, com um programa bem à direita e com a proposta de tirar o povo do SPC e do Serasa. Ele se saiu bastante desgastado (o PT deu uma forcinha, evidente) com seu apoio à Lava Jato, como afirmou mais de uma vez, e após perder a disputa pelo Centrão para o PSDB.

Ciro também parabenizou Bolsonaro pela vitória, declarando nas redes sociais: "Que execute o honroso mandato que a maioria dos brasileiros e brasileiras lhe outorgou dentro das regras da Constituição Federal e do estrito respeito às normas do Estado Democrático de Direito".

A sensação é de Ciro Gomes ainda esteja na Europa ou talvez em outro planeta. Não reconhece que temos um golpe em andamento no Brasil em que os militares estão assumindo o controle do país por meio de uma eleição pra lá de controlada. E nem de longe coloca que os militares podem assumir diretamente a qualquer momento, fazer uma Constituição por decreto, governarem por Atos Institucionais, etc.

A disputa pela liderança da oposição

PC do B, PDT e PSB, como legítimos representantes de um oportunismo mais vulgar, vêm discutindo fazer um bloco parlamentar de oposição. Mesmo depois sair como vice na chapa do PT, o PC do B procura esses partidos que não têm qualquer raiz em movimentos sociais, são agrupamentos fisiológicos, para fazer uma oposição parlamentar. Essa articulação causou ciuminhos no PT que reclama a liderança da oposição. Quando você pensa que o oportunismo tem cura ele se multiplica como câncer.

E por fim, agora está vindo à tona que Lula apoia Haddad para ser o líder do PT na oposição, nessa frente com tucanos, peemedebistas, sarneistas, malufistas, etc. Entre parêntesis, até Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do Mensalão, algoz de José Dirceu, José Genuíno e João Paulo Cunha, declarou em voz suave o seu apoio a Haddad.

Depois da reunião da executiva nacional do PT, no dia 31 de outubro, a senadora Gleissi Hoffman, presidente do partido, confirmou que “Haddad é Lula” e que será o grande articulador de uma frente de oposição. Haddad é Lula! (Querem continuar com o espetáculo).

Na Coletiva, a senadora falou que o partido é contra a Reforma da Previdência, mas não falou nada de organizar a luta dos trabalhadores, a ênfase continuou sendo a via Jurídica, de montar um batalhão de advogados para defender quem for agredido fisicamente, nada de comitês de autodefesa dos trabalhadores.

E essa frente democrática ampla que o PT quer montar, com piquenique, bolo na praça, guarda-chuvas coloridos, balões com gás hélio, vai resolver alguma coisa contra uma direita cada vez mais agressiva?

Só a luta pode barrar os ataques do governo Bolsonaro

Só existe uma forma de barrar os ataques da direita, a mobilização das massas de trabalhadores na cidade e no campo. Os ataques aos trabalhadores vão se aprofundar, o governo Bolsonaro será de muita crise, eles não têm este poder todo que muitas vezes vemos alguns lhe darem. Por isso no próximo período a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e o golpe militar!” estará no grito de protesto dos trabalhadores.

Então, é necessário um “Plano de Lutas contra os ataques”, e não um plano jurídico como quer o PT. Deve ser organizada uma “Plenária Nacional dos Trabalhadores” e não uma frente parlamentar com oportunistas liderados pelo Haddad, picolé chuchu com água. E devemos exigir o “Fim das imposições do imperialismo no Brasil e na América Latina”, “Contra a privatização das nossas estatais” e “Contra a Reforma da Previdência”. Só com um plano de luta para mobilizar é que é possível combater a direita.

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