Sábado, 22 Setembro 2018

Os revolucionários devem chamar o voto nulo nas eleições golpistas!

Published in Market Data Quarta, 05 Setembro 2018 00:00
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Por Florisvaldo Lopes

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Em primeiro lugar, temos de entender que a eleição chamada para o dia 7 de outubro de 2018 não é uma eleição que acontece dentro do Estado mínimo democrático.  Trata-se de uma eleição que ocorre dentro de um Estado de exceção devido ao golpe parlamentar dado em 2016 que depôs a presidenta Dilma Rousseff e que avança a cada dia mais, sendo que hoje vivemos o golpe do Judiciário no país.

Essa situação de golpes sucessivos  simplesmente será “legalizada” com as eleições ou então, se encaminhará para um golpe mais duro, dependendo de como será o resultado, se o imperialismo, principalmente o norte-americano, vai conseguir impor um governo que garanta a gerência do Estado e que venha a atacar ainda mais os direitos trabalhistas e sociais da classe explorada, para garantir os lucros dos seus monopólios.

Se não houver luta dos explorados, o golpe se concretiza. Mesmo que quem vencer as eleições sejam aqueles que, demagogicamente, prometem rever os ataques aos explorados, porque ainda que tentem desobedecer às ordens do imperialismo monopolista, esse golpe poderá avançar, inclusive para um golpe militar.

Se a única força que o imperialismo teme, a força operária, não entrar em luta para garantir a manutenção de seus direitos, não serão os burocratas reformistas, sejam burocratas sindicais ou de partidos pequenos burgueses, que impulsionarão essa luta.

Dentro dessa conjuntura, os verdadeiros revolucionários têm a obrigação de defender o voto nulo nessa eleição, além de denunciar aos trabalhadores as traições dos partidos pequenos burgueses reformistas que estão cada vez mais integrados ao regime parlamentar.

Devem denunciar tanto os reformistas da esquerda pequena burguesa quanto os oportunistas que se dizem “revolucionários”, mas que, na prática, servem à burguesia.  Essas forças oportunistas são os maiores traidores da classe operária, pois estão iludindo os trabalhadores, para que esses não evoluam em sua consciência de classe.

Nesse momento, os verdadeiros revolucionários devem ser firmes na denúncia e falar a verdade aos explorados, doa a quem doer. Sobre esse tema Lenin, no livro "Marxismo e Reformismo", de 1913, ensina:

A burguesia liberal, dando reformas com uma das mãos, retira-as sempre com a outra, reduze-as a nada, utiliza-as para subjugar os operários, para os dividir em diversos grupos, para perpetuar a escravidão assalariada dos trabalhadores. Por isso o reformismo, mesmo quando é inteiramente sincero, transforma-se de facto num instrumento de corrupção burguesa e enfraquecimento dos operários. A experiência de todos os países mostra que, confiando nos reformistas, os operários foram sempre enganados.

“Porém, se os operários assimilaram a doutrina de Marx, isto é, tomaram consciência da inevitabilidade da escravidão assalariada enquanto se conservar a dominação do capital, então não se deixarão enganar por nenhuma reforma burguesa. Compreendendo que, conservando-se o capitalismo, as reformas não podem ser nem sólidas nem sérias, os operários lutam por melhorias e utilizam as melhorias para continuarem uma luta mais tenaz contra a escravidão assalariada. Os reformistas procuram dividir e enganar os operários com esmolas afastá-los da sua luta de classe. Os operários, conscientes da falsidade do reformismo, utilizam as reformas para desenvolver e alargar a sua luta de classe.

“Quanto mais forte é a influência dos reformistas sobre os operários tanto mais fracos são os operários, tanto mais dependentes da burguesia, tanto mais fácil é para a burguesia reduzir as reformas a nada por meio de diversos subterfúgios. Quanto mais independente e profundo, quanto mais amplo pelos seus objetivos for o movimento operário, quanto mais livre ele for da estreiteza do reformismo, tanto melhor os operários conseguirão consolidar e utilizar as melhorias isoladas.

“Existem reformistas em todos os países, pois por toda a parte a burguesia procura de um modo ou de outro corromper os operários e fazer deles escravos satisfeitos, que renunciem à ideia de suprimir a escravidão.”

No nosso caso sobre as eleições golpistas e o parlamento, vamos ver novamente o que Lenin tem a dizer no livro "Devemos nós boicotar a Duma Estatal?", de 1906:

O que um boicote ativo da Duma significa? O boicote significa que nos recusamos a tomar parte nas eleições. Não temos o desejo de eleger tanto deputados, eleitores ou delegados para a Duma. Um boicote ativo não significa meramente mantermos-nos fora das eleições, mas expressa que faremos um extenso uso dos encontros eleitorais para a agitação e organização dos Social-Democratas (...)

“Por que nos recusamos a tomar parte nas eleições? Porque ao participar das eleições nós devemos involuntariamente promover o credo do povo na Duma  e enfraquecer a efetividade de nossa luta contra esta forma travestida de representação popular”.

Fazendo um paralelo da escrita de Lênin com as nossas eleições golpistas, fica claro porque os verdadeiros revolucionários devem chamar os trabalhadores a anular seu voto para não legitimar o processo golpista e um futuro governo o qual, devido à crise, vai nos escravizar, ou seja, vai continuar cortando nossos direitos trabalhistas e sociais.

Também fica claro o oportunismo dos partidos que se dizem “revolucionários”, esses que em vez de aproveitar as eleições golpistas para conscientizar os operários na necessidade da tomada do poder, ou seja, da derrubada dos exploradores, fazem exatamente a mesma política contrarrevolucionária dos partidos pequenos burgueses de conciliação de classes.

Pior ainda, traem os operários, pois mantém a linha oportunista de que eleições são “normais”, dentro de um regime democrático “normal”. Ou seja, lançam candidatos com o falso pretexto de que tem que usar as eleições para divulgar a política socialista.

Claro que, além disso ser uma mentira, pois o objetivo em muitos casos é justificar como o fundo partidário foi usado, é a maior traição, pois atrasa em muito a consciência dos escravos assalariados. Sem falar que essa eleição está totalmente controlada pela burguesia e que um candidato desses partidos oportunistas só tem o tempo necessário para falar seu nome e número na imprensa burguesa.

Se realmente as candidaturas fossem para divulgar a política socialista, isso não poderia ser feito sem ser candidato?  Mas esses demagogos transferem a culpa aos operários, dizendo: “lancemos candidaturas nas eleições para aproveitar, pois é um momento que o povo discute política”. Aqui repetimos a pergunta: se é isso não podemos levar a política socialista ao povo sem ser candidato?

Na verdade, esses “revolucionários” de meia tigela usam a mesma ideologia da elite que prega que o ser humano deve respeitar outro ser humano só pelo fato dele ter um título, um diploma, etc. Usando essa mesma tática, porém disfarçada, os oportunistas acham que como candidato é mais fácil conversar com o povo.

Voto nulo nas eleições golpistas controladas pelo imperialismo!
Organizar os explorados para a luta nas ruas contra os golpistas!
Pela criação do partido operário revolucionário e socialista!

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