Quarta, 12 Dezembro 2018

Tá ruim e vai piorar

Published in Market Data Sábado, 25 Novembro 2017 22:00
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bandei


As políticas que estão em andamento são altamente recessivas, principalmente por causa da sangria aplicada pela especulação financeira. De acordo com os últimos índices que foram publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em uma pesquisa chamada PNAD, o desemprego seria de 12,4 % dos trabalhadores, ou 13,5 milhões. Esses índices são muito manipulados. O IBGE, por exemplo, somente considera 11 grandes cidades e não considera os desempregados que não procuraram emprego nos últimos 30 dias para fazer a pesquisa. Mas há outro índice do próprio IBGE que considera também o subemprego que acumula 26.8 milhões trabalhadores.

De acordo com os próprios números do IBGE, haveria uma força total de trabalho de 64,5 milhões de trabalhadores, dos quais 38,2 % estão desempregados. Ou seja, o desemprego não é de 12,5 %, é de mais de 38 %. Mas na realidade, o volume da mão de obra no Brasil não é de 64,5 milhões de trabalhadores, mas em torno de 120 milhões. Desses 120 milhões, a esmagadora maioria são trabalhadores. Consideranto que existem apenas 33 milhões de trabalhadores com Carteira de Trabalho assinada e que desses, a metade ganha um salário mínimo (e salário mínimo não é salário), qual seria o desemprego real no Brasil? 70 %? 80 %?

Se trata de desemprego estrutural e crônico, onde os desempregados passam a cumprir um papel na sociedade cada vez mais crítico e explosivo, seja como combustível de protestos sociais ou como base do fascismo. Os números da pobreza também são alarmantes. As mulheres representam 65 % do total dos desempregados.

A reforma trabalhista gera empregos?

A nova CLT da “reforma” trabalhista irá aumentar o número de empregos? A massa salarial irá aumentar? É evidente que a massa salarial não irá aumentar porque o objetivo do imperialismo é reduzi-la para poder repatriar mais recursos para os monopólios, as chamadas multinacionais. Os salários serão achatados de uma maneira absurda. No Brasil, está se repetindo o modelo colocado em escala mundial, de baratear a mão de obra para converter o País num outro ponto de fornecimento de matérias-primas manufaturadas para os Estados Unidos, dado que, na China, o custo de produção aumentou muito devido a que o salário dos chineses subiu de US$ 30 na década de 80 para US$ 400 dólares.

Essa política foi no México a partir de 2007, na tentativa de migrar manufaturas a partir da China, onde os salários hoje superam os US$ 400. Mas o México, a partir dos esgotamento dos mecanismos de contenção do colapso capitalista de 2008, em 2012,  também está em crise. As chamadas maquiladoras mexicanas, as manufaturas, enfrentam crise porque o mercado de consumo norte americano, para onde vai 80 % das exportações, está cada vez mais se encolhendo.

As leis do capitalismo estão se acirrando. As empresas para enfrentar a crise são obrigadas a entrar com tecnologia e a reduzir o volume de mão de obra utilizada nos processos de produção, o que aumenta a composição orgânica do capital. Os computadores e os robôs não geram lucro; o lucro é gerado pela mão de obra. Há um problema estrutural do capitalismo que só piora. Um dos países onde a robótica está sendo colocada com maior intensidade é a China, o que coloca a crise da locomotiva do desenvolvimento capitalista mundial.

A tentativa de alavancar o Brasil como um grande fornecedor de matérias-primas e de produtos manufaturados baratos acarreta o problema da saturação do mercado mundial. A crise atual é uma crise de superprodução. Tentar aumentar a produção de mercadorias, num mercado super saturado e onde, cada vez mais, a massa salarial diminui e, portanto, o consumo cai, equivale a dar um tiro no próprio pé. Ou seja, o capitalismo não está conseguindo ultrapassar os próprios processos envolvidos na crise capitalista mundial.

O parasitismo financeiro às alturas

A crise no regime político no Brasil, e também no mundo, é generalizada por conta da crise econômica. No caso do Brasil nós temos que o grosso do PMDB está preso ou pressionado por acusações muito duras da extrema direita, a começar pelo Rio de Janeiro onde todo o PMDB, menos o governador, Pezão, e Eduardo Paes, se encontra preso ou acusado de corrupção. Por trás da crise política se encontra a tentativa do imperialismo de varrer o regime político atual e endurece-lo para aplicar uma política muito mais dura contra os trabalhadores.

O grau do parasitismo do capitalismo atual pode ser ilustrada com um simples exemplo. Um grande burguês que possua US$ 1 bilhão tem a possibilidade de lucrar de 5% a 10% na especulação financeira; abrindo uma fábrica lucraria de 1% a 2,5 %. O primeiro caso lhe geraria um lucro diário de US$ 137 mil; nenhum ser humano consegue gastar essa quantia. Então o que os bilionários fazem, principalmente as 150 grandes famílias que dominam o mundo é voltar a reinvestir os rendimentos  na especulação financeira. Se trata de uma bola de neve: a riqueza atrai a riqueza e a pobreza gera pobreza.

O capitalismo se encontra na fase terminal. A única saída capitalista colocada só pode ser a clássica desde 1847, que é a destruição das forças produtivas em grande escala. Para isso, a política de endurecimento do regime político passa pela militarização da sociedade e o direcionamento para uma grande guerra, que só pode ser uma guerra mundial e nuclear.

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