Quarta, 21 Novembro 2018

Dia da Consciência Negra para Lutar

Written by  Published in Teoria Sexta, 17 Novembro 2017 22:00
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O Dia nacional da Consciência Negra, foi oficializado, no dia 20 de novembro, pelo Governo, em 2011. A data referencia a morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, em 1695.

Apesar dos movimentos sociais terem sido mediatizados pelos governos do PT por meio de repasses de recursos públicos e a cooptação das lideranças aos aparatos do estado, a comemoração é importante porque provoca a reflexão sobre a luta do povo negro contra os colonizadores brancos que dominaram o Brasil na época da Colônia e das condições em que se encontram hoje. Após a Lei Áurea, os escravos negros foram formalmente libertados porque já não eram mais lucrativos. Por causa do esgotamento da cana de açúcar no mercado mundial e a substituição pelo café, que implica em processos industriais mais sofisticados, se fazia necessário a substituição da mão de obra escrava por mão de obra qualificada. A burguesia semi-colonial não iria investir na formação dos negros ex escravos. Começou a importação de mão de obra qualificada, os imigrantes.

A população negra brasileira, que representa a maioria da população brasileira, apesar das manipulações da direita, deve encampar o Dia da Consciência Negra, como um dia de luta contra a super exploração dos trabalhadores negros, contra a discriminação; muito além da tentativa de transformar a data numa mera celebração festiva.

Mas a luta do povo negro, assim como a de todos os explorados somente pode ser vitoriosa se for vinculada à luta de todos os explorados pelo capital, a luta da classe operária mundial, a classe que tem como tarefa histórica a derrubada do capitalismo, e com ela acabar com a exploração do homem pelo homem e construir a sociedade socialista. A burguesia busca dividir os explorados aplicando a conhecida política de “divide e vencerás”.

Zumbi dos Palmares: um ícone da luta do povo negro no Brasil

O Quilombo dos Palmares representou um dos mais importantes acontecimentos da história do Brasil que teve como eixo a resistência dos escravos negros contra os estado colonial escravagista.

Os mocambos ou quilombos, na região da Serra da Barriga (entre Alagoas e Pernambuco),  começaram em 1580, com os escravos que fugiam dos senhores de engenhos de Pernambuco e Bahia. Rapidamente, os quilombos ocuparam territórios do Cabo de Santo Agostinho às margens do Rio São Francisco. O auge aconteceu durante as Invasões Holandesas, que provocou o enfraquecimento dos controles do sistema colonial. Em Palmares, houve muitos núcleos de povoamento. O mais importante centro político foi Macaco; Subupira foi o centro militar; outros importantes centros foram Zumbi e Tabocas. Por volta do ano de 1670, aproximadamente 20.000 negros e indígenas habitaram o Quilombo.

Com a derrota dos Holandeses, os portugueses passaram a direcionar ataques cada vez mais organizados e violentos contra Palmares. O objetivo imediato era capturar negros para serem vendidos como escravos e para os capitães do mato receberam as recompensas. Mas o objetivo principal era a destruição total de Palmares porque representava uma estrutura de dualidade de poder em relação à Coroa Portuguesa., que ameaçava colocar em xeque o sistema colonial escravagista.

A luta dos quilombolas mostrou a potencialização da forças dos negros explorados por meio da organização política. Nenhuma classe dominante, que sempre representa uma minoria da população, tem condições de enfrentar os explorados quando eles se unem. Por esse motivo, a burguesia se esforça hoje para dividir a luta dos trabalhadores a qualquer custo.

As lideranças que surgiram da luta de Palmares
    

Ganga Zumba era o herdeiro de uma das variadas realezas que existiam em Angola. Ele assumiu o trono de Janga Angolana (Palmares para os Quilombolas) tornando-se o principal chefe político de Palmares; ele presidiu o conselho de chefes dos mocambos do Quilombo. Até 1677, Zumba conseguiu rechaçar várias campanhas dos portugueses.

Em 1677, o Governador de Pernambuco ofereceu um tratado de paz em troca de terras improdutivas, localizadas no Vale do Cocaú, para os  habitantes nascidos na Janga Angolana. A maioria dos quilombolas rejeitou a proposta. Mas o aumento da pressão dos portugueses provocou rachas internos e Ganga Zumba acabou sendo envenenado. Ganga Zona, seu irmão, foi o novo líder máximo; ele era favorável ao acordo com os portugueses. Os portugueses ao invés de cumprir com o acordo, atacaram os negros que saíram de Palmares e os rescravizaram. Zumbi destronou Ganga Zona, que era seu tio, e assumiu a liderança, derrotando os portugueses.  

Zumbi tinha nascido em Palmares, aproximadamente em 1655. Durante sua infância, num dos ataques dos portugueses, ele foi levado e doado ao Padre Antônio Melo, quem lhe ensinou português e latim, tendo mudado seu nome para Francisco.

Aos 15 anos de idade, Zumbi fugiu e voltou a Palmares.

Após a queda de Ganga Zona, Zumbi mudou a política militar do Quilombo da mera resistência para guerra de guerrilhas. O Quilombo funcionava como uma verdadeira fortaleza, guardada por centenas de guerreiros. Zumbi passou a assaltar carregamentos portugueses e a atacar engenhos.

O Governador da Capitania de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, não conseguia controlar os quilombolas de Palmares. Ele acabou contratando os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo. Em Janeiro de 1694, à frente de uma força militar de seis mil homens, bem suprida e organizada, e com guias negros que tinham sido quilombolas marcharam contra Palmares.

No dia 20 de Novembro de 1695, Zumbi foi capturado e morto. A sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública, em Recife, na busca por amedrontar os demais escravos negros. As sucessivas tentativas para reorganizar Palmares enfrentaram vários problemas e este acabou sendo destruído por completo, em 1710.

O exemplo de Palmares mostra que os acordos com os exploradores. requerem cuidados mais do que redobrados porque esses não medem esforços para controlar a situação a qualquer custo para manter os privilégios.

O exemplo de Palmares, assim como os das mais de 70 revoltas e revoluções que aconteceram na história do Brasil mostram que os exploradores quando dão com uma mão é para logo tirar com a outra.

Palmares foi extinto, mas a luta do povo negro no Brasil continua, assim como sua exploração. Para a burguesia a vida dos negros, assim como a de todos os trabalhadores, não passa de uma mera mercadoria. Mas os negros representam o setor dos trabalhadores mais explorado e a maioria da classe operária brasileira.

Se os trabalhadores continuarem desunidos, conforme a burguesia quer, é impossível acabar com a exploração.

Pelo fim da discriminação dos negros!
Pelo fim das perseguições e morte dos povos explorados na periferia!
Pela unidade de todos os trabalhadores na luta contra o capital!
Por um governo operário e camponês!        

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