Domingo, 22 Abril 2018

Como colocar em pé a classe operária?

Published in Market Data Terça, 14 Novembro 2017 00:00
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A primeira consideração, antes de responder à pergunta, é que a classe operária existe e que somente ela tem o papel histórico de expropriar a burguesia dos meios de produção e de livrar a humanidade da exploração do homem pelo homem. Se a classe operária não existisse, não haveria quem gerasse valor; robôs e computadores não geram valor, eles são amortizados. Sem a classe operária não existiriam os capitalistas e a burguesia, e vice-versa.

A mobilização da classe operária não acontecerá por causa da sapiência de intelectuais burgueses. Ela acontecerá em cima dos ataques do grande capital. A hipótese de uma rápida desmoralização da classe operária e da imposição de regimes fascistas em escala mundial existe, principalmente se estourarem explosões isoladas com o fortalecimento do anarquismo junto com o fascismo e a contrarrevolução. Mas essa hipótese é menos provável que a abertura de um período pré-revolucionário em escala mundial devido à crise estrutural do capital e que hoje há uma classe operária nova, uma classe operária que nunca foi sindicalizada, em grande parte nunca viu política nenhuma, não gosta de política, não viu o estalinismo e que as organizações operárias são muito fracas. Portanto, o mais provável é que haja um ascenso no próximo período, espontâneo, da classe operária mundial. Quanto tempo irá durar? Quão intenso será? Da movimentação espontânea, surgirão novos chefes? A esquerda atual integrada ao regime será varrida do mapa? São algumas perguntas que encontrarão a resposta no próximo período.

O papel dos revolucionários marxistas

O nosso papel como revolucionários é mostrar o caminho, dirigir a classe operária, ganhar a maioria dela para a revolução. Mas isso somente é possível com a derrota da esquerda oportunista e da burocracia contrarrevolucionária, que somente podem ser derrotadas pela classe operária em movimento.

Os revolucionários marxistas devem se agrupar na defesa do programa revolucionário e se preparar para o ascenso operário mundial desde já, que deverá ser retomado a partir da experiência dos anos de 1980. Do levante operário, que deverá ser espontâneo, poderão surgir novos dirigentes e, a partir deles, poderá ser reconstruída uma nova direção revolucionária. Os sindicatos deverão ser retomados em parte como aconteceu na década de 1980, por exemplo. Entre 1981 e 1983 foram retomados 1.500 sindicatos dos pelegos da Ditadura Militar, o que levou à fundação da CUT, que, na época, tinha vários componentes “soviéticos” (conselhos de trabalhadores) que ultrapassavam o sindicalismo. A falência do sindicalismo burocrático e estatal da atualidade colocará a formação de organismos mais amplos que o sindicato, que agrupem os trabalhadores como um todo, que são os “soviets”, as comissões de base da época da CUT.

Nós precisamos, como revolucionários, elaborar uma política certa para o movimento de massas, que se expresse em palavras de ordem concretas e corretas. A confiança na direção assim como a aliança da classe operária com as camadas médias da população, deve ser forjada na luta. Essa luta deve ser direcionada em cima de palavras de ordem claras, explicadas por meio de uma imprensa. Por isso, é preciso colocar em pé e fortalecer uma organização de combate operária como um agrupamento de agitação e propaganda, que agite a mobilização operária revolucionária de maneira paciente e cotidiana, conforme Lenin orientou.

É necessário colocar em pé uma organização revolucionária operária com muita clareza, determinada e de combate. Há uma avenida aberta devido à fraqueza da esquerda oportunista e da burocracia, principalmente da burocracia sindical, que funcionam intrinsicamente ligados ao estado burguês. Esses aparatos tendem facilmente a serem ultrapassados por um grande ascenso. Não há saída eleitoral para a crise. Todas as saídas reais são extra parlamentares.

Sobre a greve econômica e luta política

As greves econômicas são muito difíceis de acontecer quando a recessão e o desemprego estão muito altos devido aos sacrifícios envolvidos em relação aos poucos resultados que podem ser obtidos num período abertamente recessivo.

As greves econômicas podem até voltar se acontecer um certo ascenso da economia. Mas hoje a tendência é o avanço a um novo colapso capitalista mundial. Na época do imperialismo o que é a norma são as crises; os ascensos econômicos são cada vez mais a exceção, o oposto da época liberal do Século XIX.

Somente a luta revolucionária pode conter os ataques do capital, com muita pressão do movimento de massas, superando as ilusões no Judiciário e no Estado burguês. As massas, no Brasil, já deram várias amostras de que elas respondem a um chamado, quando elas estão motivadas como, por exemplo, foi o que aconteceu em março e abril de 2017. Elas esperam, nesse momento, que os sindicatos e os partidos da Frente Popular as chamem.

As massas querem lutar, mas elas não sabem como fazer. O nosso papel, como revolucionários, é impulsionar o chamado à mobilização por meio de palavras de ordem. O nosso programa, nesse sentido, não deve ser letra morta; ele deve apontar a saída e deve se esforçar para orientar os trabalhadores.

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