Quarta, 21 Novembro 2018

A crise das camadas médias

Published in Market Data Segunda, 13 Novembro 2017 22:00
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Neste momento, o fascismo não tem uma base social forte no Brasil. O MBL e o "Vem Pra Rua" são movimentos bastante artificiais que se encontram semi congelados. Mas há também o movimento dos evangélicos que cresceu muito, e uma camada crescente da pequena burguesia que está pedindo o golpe militar. Em cima da pressão da extrema direita, do imperialismo, pode crescer a base de apoio golpista nessas camadas médias da população.

Com a forte campanha contra a corrupção, a base da massa do golpismo tem crescido e tende a aumentar em cima da crise do PSDB e do PT, que são os partidos pequeno burgueses por excelência. A política desses partidos foi tolerada pelo imperialismo, mas se tornou cara e frágil para aplicar os ataques contra as massas que a crise do grande capital impõe. O imperialismo busca varrer o regime que foi colocado em pé com a Constituição de 1988; foi isso o que tentou por meio das eleições indiretas e com as delações da JSB, mas fracassou.

A intervenção militar neste momento, implicaria na imposição de uma saída bonapartista: os militares entrariam, limpariam o regime de "corruptos", permitiriam somente dois ou três partidos, como Castelo Branco fez em 1964, e a partir daí imporiam um regime mais duro, mais controlado, encabeçado por “corruptos” mais estreitamente ligado ao imperialismo.

Para onde vão as camadas médias da população?

A chave da crise política, portanto, se encontra na resposta a essa pergunta: Para onde vão as camadas médias da população? Por trás da crise política, há uma crise social insolúvel que conduz ao enfrentamento entre a burguesia e os trabalhadores.

Os setores superiores das camadas médias da pequena burguesia são diretamente ligados ao imperialismo, e, no geral, são abertamente golpistas.

Os setores intermediários das camadas médias tendem a buscar uma saída democrática. Mas, devido ao moralismo da pequeno burguesia, são muito influenciados pela campanha da anti corrupção da extrema direita, principalmente conforme a crise se aprofunda e os partidos pequeno burgueses mais importantes não conseguem dar mais respostas que a da retórica parlamentar oportunista. Em primeiro lugar o PT e todos os grupos da Frente Popular, envolvendo aqui também o PSDB. A crise parlamentar, do regime político de conjunto, determina que a esquerda democrática brasileira se encontre em crise terminal.

As alas inferiores da pequeno burguesia podem ir à esquerda, mas a esquerda revolucionária, nesse momento, está muito fraca como reflexo da crise do movimento operário que se encontra paralisado. Há a crise terminal do PT, que é visto como um partido super paralisado, inclusive porque, além da campanha, o dinheiro que destinava à educação, para programas culturais etc., basicamente acabou. No desespero, esses setores também podem se converter em base de massa para o golpe, em cima da campanha de “combate à corrupção”.

A única maneira para conter a contrarrevolução, a virada da pequena burguesia à direita, passa pela entrada em movimento da classe operária, pela revolução operária mundial.

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