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Para onde vai a crise do capitalismo?

Published in Market Data Segunda, 13 Novembro 2017 22:00
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detroitabando

 

A crise econômica, estrutural do capitalismo, leva ao endurecimento do regime político. As crescentes dificuldades para obter lucros da produção conduz ao aumento dos ataques contra as massas. A contenção do movimento de massas precisa avançar nos métodos de dominação na direção dos métodos da guerra civil.

Os ataques tendem a provocar o levante operário, como uma dualidade dialética em luta. A possibilidade de acontecer uma desmoralização generalizada da classe operária antes mesmo de entrar em movimento parece pouco provável por causa de que se trata de uma classe operária nova, em boa medida precarizada e localizada na Ásia, que não tem experiência em partidos políticos de esquerda nem em sindicatos. O

O imperialismo, conforme Vladimir Ilich Lenin definiu no seu célebre livro de 1916, O Imperialismo fase superior do capitalismo, é a fusão do capital industrial com o capital financeiro. Hoje, se expressa por meio desses 150 monopólios que controlam o mundo, das quais 28 são grandes grupos financeiros.

A saída imperialista para a crise somente pode passar pela militarização da sociedade levando para uma guerra de largas proporções. O grande capital ataca o capital nacional, conforme mostraram os ataques contra a Odebrecht e as demais empreiteiras, a Gol, a Embraer, os bancos públicos, o programa de energia nuclear, o submarino nuclear, a defesa etc.

O grande capital também se vê obrigado a atacar as camadas médias, a pequena burguesia, o que leva à possibilidade da pequena burguesia entrar em desespero por conta da crise econômica, o que é normal quando "os negócios não estão indo bem" etc. Esses setores, junto com o lumpen proletariado (os setores desclassificados), podem se tornar base dos movimentos de cunho fascistoides, principalmente quando não há  a direção da classe operária, conforme houve uma prévia em 2013, com as manifestações do passe-livre.

Qual é o papel da extrema direita?

A extrema direita na atual conjuntura, tende a ser impulsionada pelo grande capital como salvadora da pátria, como última arma para controlar a classe operária em movimento por meio dos métodos da guerra civil.

Neste momento, a classe operária se encontra paralisada, mas é preciso avaliar a situação política em movimento, nas transições de um estado a outro. O grande capital precisa fortalecer o regime político, que em geral, no mundo, se encontra em frangalhos.

Karl Marx explicou detalhadamente no livro “O XVIII Brumário de Luís Bonaparte” que o bonapartismo é uma ditadura burocrática policial que eleva um “salvador da pátria” contra as massas, por meio de mecanismos extraparlamentares. Um ponto fundamental é que o golpe evolui a partir da crise interna do regime político.

Leon Trotsky ao avaliar a crise política na França, na década de 1930, no livro "Aonde Vai A França?", explicava que, na época do imperialismo, a democracia burguesa tende a ser muito frágil devido a que os períodos de crise se transformam na regra enquanto os de crescimento na exceção. Na atual etapa política, com a crise de 2008 não tendo se fechado, a saída para a crise não será pelas eleições, mas por meio de mecanismos extraparlamentares.

No Brasil, o imperialismo busca controlar as eleições impedindo a candidatura Lula, impulsionando  a candidatura Bolsonaro e de “outsiders” como Luciano Huck, Armínio Fraga etc. em cima da “campanha contra a corrupção”. Mas o problema fundamental é a necessidade de mudar o regime político para colocá-lo em consonância com a crise estrutural do capitalismo. Uma eventual vitória eleitoral de Bolsonaro poderá colocar no governo vários ministros militares e, caso não consigam governar, poderiam ser criadas as condições para chamar uma intervenção militar direta, como Jânio Quadros fez em 1961. Há também a possibilidade de acontecer um golpe militar antes de 2018, como os próprios generais do Alto Comando do Exército já declararam, caso o Judiciário não consiga limpar o regime dos “corruptos”.

O endurecimento político se generalizou na América Latina. Houve três grandes manobras militares neste ano. Entre os dias 6 e 13 de novembro, aconteceram as AmazonLog17, na Amazônia brasileira, perto da fronteira com a Venezuela, com a participação de 19 países, lideradas pelos Estados Unidos. O objetivo é fortalecer a presença do imperialismo norte-americano na região devido ao interesse nas riquezas da Amazônia, mas, principalmente, ao temor da explosão de uma guerra civil na Venezuela que poderia rapidamente se alastrar a vários países da região. O grande capital continua se preparando para o inevitável acirramento da luta de classes que acontecerá no próximo período.

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