Quinta, 22 Fevereiro 2018

A esquerda está fraca? (Parte 3)

Written by  Published in Últimas notícias Quinta, 09 Novembro 2017 00:00
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A saída da crise é extraparlamentar

A saída da crise, portanto, não passa por métodos de conciliação de classe parlamentares e sim por métodos extraparlamentares.  A extrema direita não consegue impor mais os ataques dos quais precisa para conter a queda da taxa de lucros por meio do regime político atual que foi imposto pelo neoliberalismo. Precisa avançar para o endurecimento do regime, para impor regimes cada vez mais bonapartistas, baseados na ditadura burocrático policial.

Conforme a crise aumenta não há lugar para pequenas reformas e concessões. O PT dessa maneira, acaba se convertendo em instrumento direto do Estado e da engrenagem de desenvolvimento do próprio golpe.

O Estado tem dono, que é a burguesia imperialista. O imperialismo impõe, por necessidade de recuperar a taxa de lucros, enormes golpes sobre os trabalhadores. O regime político atual, que foi colocado em pé a partir da Constituição de 1988, encontra-se desmoralizado, o que se acentuou com a campanha anticorrupção, e tende a desaparecer. Isso significa que existe uma crise de confiança das camadas médias da população e de parte dos trabalhadores, nos seus partidos e nas suas direções. Em primeiro lugar, nos dois partidos que têm uma certa influencia de massas entre as classes médias, o PT e o PSDB.

A crise do regime político neoliberal se acentuou com a crise econômica de 2008.  A crise política se tornou generalizada por causa do aperto do imperialismo, que se vê obrigado, cada vez mais, a colocar em cena a extrema direita.

Temer está sendo preservado por falta de uma alternativa mais dura que não desestabilize o regime político. Mas ele se encontra na situação de um zumbi, de um morto-vivo. Todos os partido integrados ao regime, desde o PT até o PSDB e todos os outros, estão enfraquecidos e rachados.

A crise terminal do PMDB

O grupo principal do PMDB foi colocado totalmente contra as cordas e ainda enfrenta rachas com outros grupos, como o do Renan Calheiros, do José Sarney, da senadora Kátia Abreu, do senador Roberto Requião etc. O déficit público gigantesco do Governo Federal, provocado pela roubalheira financeira, já bate no teto da meta, R$ 159 bilhões. Para fechar as contas públicas, o governo Temer busca aumentar os repasses dos bancos públicos.

Com os novos vazamentos que surgiram nestes dias, dos chamados Paradise Papers, entrou de cheio na crise o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Eles se viram envolvidos em corrupção conforme os vazamentos de uma consultoria que tem sede nas Bermudas e uma empresa de Singapura.

O capitalismo referenda uma frase muito conhecida de um grande escritor burguês, Honoré de Balzac, “por trás de toda fortuna há um crime”, no conto A Estalagem Vermelha. Também remete à chamada acumulação primitiva do capital, descrita no Livro 1 de O Capital, de Karl Marx, onde ele mostrou como o capitalismo moderno surgiu a partir do saque aberto e truculento dos camponeses.

A crise terminal do PSDB

No PSDB, a crise também está a mil por hora. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alkmin, está sendo alavancado como candidato a presidente. Mas ele é um político regional e fraco. A visão de que Alkmin poderia ser o predestinado a vencer as eleições e impor um regime mais duro ultrapassa o Alkmin atual, como um dos cabeças do PSDB. O imperialismo impõe a substituição do regime atual, desde o PT até o PSDB, para dar lugar a um regime próximo do bipartidário. Algo parecido com o que os militares fizeram com Castelo Branco fez em 1964.

Dentro do PSDB, há um grupo chamado “Esquerda pra Valer” que tem certa intimidade com o PT, mas que apoia Alkmin. A extrema direita do PSDB está se esfacelando e indo para o Partido Novo e outros partidos da extrema direita.

Em dezembro, os quatro ministros do PSDB no governo Temer deverão abandona-lo. Mas como irão superar o desgaste aberto?

A candidatura Dória Jr. se encontra muito envolvida no lobby que a empresa dele, a LIDE, tem feito entre os grandes empresários e políticos. A política dele à frente da Prefeitura da cidade de São Paulo tem sido errática o que o tem enfraquecido.

A candidatura Aécio Neves se encontra contra as cordas devido à pressão da extrema direita; e se trata de um dos tucanos mais próximos a FHC.

A candidatura do senador José Serra, que está tentando se candidatar ao governo do Estado de São Paulo ou mesmo à presidência da República, tem pés de barro. Ele somente não caiu porque ainda está blindado. Mas se ele entrar em cena de maneira mais incisiva existem muitas denuncias contra ele que podem aparecer. Por trás de Serra está o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, que é do PSD o que torna a eventual escalada da crise de Serra em uma crise multipartidária.

E junto com o enfraquecimento dos partidos políticos, há o desgaste generalizado do regime político de conjunto, inclusive do Judiciário. Os generais já avisaram: “se o Judiciário não moralizar o regime”, se não tirar os “corruptos” de cena, eles o farão. E obviamente, no lugar, colocarão os corruptos mais ligados ao imperialismo.

Cada vez fica mais claro, que, no próximo período, está colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia e os trabalhadores, entre a revolução e a contrarrevolução.

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