Quarta, 18 Julho 2018

A esquerda está fraca? (Parte 2)

Written by  Published in Últimas notícias Quarta, 08 Novembro 2017 22:00
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revbichos


A esquerda burguesa tem se enfraquecido muito, como um todo, em escala mundial. A socialdemocracia começou a implodir na década de 1970, por causa da crise capital mundial aberta em 1974, com a crise mundial do petróleo; hoje está em frangalhos, não passa de uma sombra do que já foi.

No Brasil, o PT está muito fraco conforme ficou claro no congresso que aconteceu em julho. Lula foi obrigado a fazer mil manobras para impedir a divisão do Partido. Ele impôs Gleisi Hoffman como presidente do Partido para barrar a candidatura de Lindbergh Farias, pois a vitória deste teria levado à derrocada do “campo majoritário”, a Articulação, agora rebatizada como CNB. Nas eleições municipais de outubro, o PT obteve pouco mais de 200 prefeituras, após ter se aliada em massa com a direita golpista; foram cerca de 400 prefeituras a menos.

A política de frente popular é uma política de conciliação de classes realizada por partidos que tem base eleitoral na classe operária. Essa política se consolidou, em 2002, com a entrada do latifundiário do PSB, José Paulo Bisol, como vice na chapa presidencial encabeçada por Lula. A vitória de 2002, além da aliança com vários partidos burgueses, teve o próprio FHC como principal cabo eleitoral. Muito significativa foi a visita aos Estados Unidos por Lula e a cúpula tucana para pedir a benção para o presidente norte-americano George Bush Jr, sob juras de manter todos os “acordos” impostos pelo imperialismo.

Durante os governos do PT a integração da esquerda burguesa e pequeno burguesa ao aparato do estado foi praticamente absoluta. Mais de 150 mil sindicalistas foram cooptados por meio de cargos de chefias. O dinheiro jorrou desde os ministérios e secretarias para os movimentos sociais. A “reforma agrária” foi paralisada enquanto a cúpula do MST se especializava em extrair dinheiro do estado.

A fase terminal da esquerda integrada ao regime

A esquerda burguesa dentro da frente popular tem uma relação de amor com a democracia burguesa, uma confiança total nela. O PT, como partido, não pensa em revolução. Os agrupamentos que funcionam como penduricalhos também não, além de ficarem a reboque da política de frente popular.

Na recente viagem de Lula ao Nordeste, ele se reuniiu com Renan Calheiros, José Sarney, Kátia Abreu, Eunício de Oliveira e com vários outros elementos da direita. Essa é a política denominada de “frente ampla”, uma política de capitulação aberta à direita, ou seja, uma crise de fase terminal. Lula disse em várias entrevistas que não é possível para fazer outra coisa “porque se eu ganhar como eu vou governar?”. Em outras palavras, o PT é um partido estritamente parlamentar. Devido ao desenvolvimento do golpe, a base material das “reformas” assistencialistas que o PT fez está desaparecendo.

A possibilidade do PT vencer as eleições de 2018 são muito remotas porque o grande capital o considera como uma política muito cara e ainda com um pode de contenção das massas cada vez menor, principalmente, por causa da “ressaca” que sucedeu aos 12 anos de governo. Quase não tem militantes de base mais e o repúdio nas principais categorias de trabalhadores é grande. Com o aperto da extrema direita, o PT tem se desgastado muito e com o ascenso de massas que inevitavelmente acontecerá no próximo período, o PT tende a desaparecer assim como acontecer com toda a esquerda burguesa e pequeno burguesa mundial. Foi isso o que sempre aconteceu em todas as situação de grande crise. Foi isso o que aconteceu após o golpe de estado de 1964, com um partido operário enorme, de massas, o PCB.

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