Segunda, 18 Junho 2018

Revolução Cubana [P. 2]

Written by  Published in Teoria Segunda, 23 Outubro 2017 22:00
Rate this item
(1 Vote)

baia dos porcos

 

Em 1961, aconteceu a invasão promovida pelo presidente John Kennedy, com a CIA à cabeça, a chamada Invasão da Baía dos Porcos. Os Estados Unidos, por meio de mercenários cubanos e de outros países latino americanos, tentaram criar uma cabeça de ponte na praia da Baía dos Porcos e a partir daí, invadir Cuba. Mas a radicalização da Revolução foi tanta que foram mobilizadas mais de 1 milhão de pessoas. Dessa maneira, a invasão foi totalmente derrotada e os prisioneiros foram trocados por remédios. A desmoralização do imperialismo foi gigantesca.

A partir da invasão fracassada, se acelerou a aproximação de Cuba com a União Soviética. Logo em seguida, em 1962, aconteceu a crise dos mísseis. Os soviéticos tinham colocado mísseis nucleares em Cuba, apontados para os Estados Unidos. No ápice da crise, houve uma negociação entre o governo de Nikita Khruschev  e o governo de Kennedy para que os mísseis soviéticos fossem retirados de Cuba em troca da retirada dos mísseis que os norte americanos tinham estacionado na Turquia. Apesar da atuação decidida do governo cubano durante a crise, que chegou a levantar a possibilidade de que Cuba fosse varrida do mapa no lugar da capitulação ao imperialismo, a partir daí, aconteceu a capitulação do governo de Fidel Castro à burocracia soviética. A ala direita do regime, encabeçada por Che Guevara, manteve e acelerou a política de internacionalizar a Revolução Cubana, rejeitando a submissão à burocracia soviética dentro do contexto do impulso da luta anti-imperialista, promovida a partir, principalmente, da guerra no Vietnã.

 

As etapas da Revolução Cubana

 

A Revolução Cubana passou por várias etapas. Logo a seguir do triunfo da Revolução, em 1959, se instaurou um governo de “frente popular”, de conciliação de classes, que foi encabeçado pelo juiz Urrutia. Devido à radicalização das massas, esse governo foi substituído por um governo colegiado dos dirigentes do exército guerrilheiro encabeçado pelo  Movimento 26 de Julho, que deu lugar a um bonapartismo de origem revolucionário, onde se destacou a figura de Fidel Castro, mas que também contou com influência muito grande de outros dirigentes revolucionários como Camilo Cienfuegos e o próprio Che Guevara. Esse bonapartismo acabou se transformando num bonapartismo mais clássico, encabeçado por Fidel Castro com a burocratização da Revolução, principalmente por causa da influência da burocracia soviética. No chamado Período Especial, no início da década de 1990, com a queda da União Soviética, se instaura um regime bonapartista tradicional, com a continuidade do próprio Fidel, mas muito mais centralizado; o governo cubano começa a segurar mais as rédeas, em cima da crise econômica fenomenal que se abateu sobre o regime e a pressão da direita cubana e do imperialismo para derrocar o governo. Pouco depois, com a abertura do regime, principalmente ao imperialismo europeu, deu lugar a um regime mais coletivo, apoiado nas Forças Armadas e encabeçado pelo irmão de Fidel Castro, Raul Castro. A renúncia de Raul Castro está dando lugar a um regime mais "a la chinesa", onde o governo cubano está tentando aplicar em Cuba o modelo chinês.

 

O esgotamento da Revolução Cubana

 

O esgotamento da Revolução Cubana aconteceu com o fracasso do foquismo, na década de 1960, que basicamente levou ao chão as experiências promovidas por Che Guevara e os seus seguidores e também teve o fracasso da OLAS, Organização Latino Americana de Solidariedade, onde todas as experiências guerrilheiras na América Latina e em outros países fracassam. O enquadramento da burocracia cubana à burocracia soviética acelerou, com a adoção de políticas amplamente conciliadoras que acabaram se aprofundando devido também à dependência econômica de Cuba à União Soviética, a qual se acelerou na década de 1970. Cuba passou a depender de uma ajuda aproximada do equivalente a U$ 2 bilhões de dólares anuais dos soviéticos, ao mesmo tempo em que a pressão da crise econômica mundial apertava a União Soviética. O governo encabeçado por Leonid Brejnev (1964-1982) tentou conter a crise direcionando a economia da União Soviética à produção de petróleo e gás, assim como à contração de empréstimos financeiros dos bancos imperialistas para fechar as contas públicas.

Em 1965, aconteceu um fato muito importante que foi o grande levante popular na República Dominicana, onde a capital, Santo Domingo, caiu em poder dos revolucionários. Mas essa revolução foi esmagada a ferro e fogo pelos Estados Unidos, que invadiram o País com 40 mil mariners que, a partir daí e da ditadura militar brasileira de 1964, acabaram implantando ditaduras militares em toda a América Latina.

A direitização da burocracia cubana ficou muito clara quando Fidel Castro viajou ao Chile, em 1971, validando o apoio total ao governo de Allende, que era um socialista apoiado pelo PC chileno que tentava aplicar a política oficial soviética da “via pacífica ao socialismo”. Fidel Castro foi ao Chile para fortalecer essa política e tentar conter as tendências de esquerda que haviam se formado, principalmente em cima dos comitês operários, denominados "cordones industriais” e a tentativa de armar à população. Portanto, se tratou de uma política de contenção da revolução. Salvador Allende estava tentando aplicar uma segunda etapa do fracasso que tinha acontecido em 1965, na Indonésia, com Sukharno, que era o primeiro ministro na época, que também tinha tentado aplicar a política da via pacífica ao socialismo, que acabou levando a um massacre de 500 mil pessoas. Essa mesma política acabou sendo depois retomada, posteriormente, também, por Hugo Chaves, Rafael Correa, Evo Morales e os chamados evangelistas do “Socialismo do século XXI”.

O regime cubano, também, se manifestou contra o chamado "Caracazo" em 1989, que aconteceu na Venezuela, e que deu lugar a uma tentativa de insurreição parcial e derrotada, em 1992, encabeçada por Hugo Chávez, também na Venezuela. A condenação aos movimentos revolucionários se acentuou a partir de 1971, por imposição da burocracia soviética, que colocou no centro da sua política a defesa da democracia burguesa e a aliança com setores um pouco mais à esquerda da burguesia latino-americana para tentar manter a sobrevivência do regime cubano.

Desde o início da década de 1990, dentro do contexto da política mundial aplicada pela burocracia soviética, e, depois, dentro do contexto da própria sobrevivência do governo cubano, que fez acordos com o governo Obama, o governo cubano desapareceu há tempos do cenário político como fator revolucionário. Hoje o que há em Cuba é um país extremamente pobre, muito pressionado pelo imperialismo norte-americano, que tenta de qualquer maneira sobreviver e, para isso, tenta aplicar como modelo, a política chinesa.

A Revolução Cubana teve uma enorme influência sobre a América Latina e sobre todo o mundo. Foi a primeira revolução triunfante na América Latina após a Segunda Guerra Mundial; aconteceu nas próprias barbas do imperialismo, a pouco mais de 100 quilômetros de Miami. Como todo processo revolucionário, teve um ascenso, uma estabilização e uma decadência e ocaso. Hoje já se encontra em franca situação terminal.

A experiência cubana demostrou que: 1) os grupos pequeno burgueses radicalizados são muito inconsequentes e têm muitas deficiências para levar o processo revolucionário em frente; 2) para poder levar esse processo revolucionário em frente, é necessário um partido operário revolucionário que o dirija com a perspectiva, que o próprio Che Guevara tinha colocado, da internacionalização da revolução. A revolução é um processo mundial, que se ficar limitada às fronteiras nacionais, inevitavelmente será derrotada.

Read 121 times Last modified on Terça, 24 Outubro 2017 17:59

Nacional

Estava cheia de si e dormiu

14 Junho 2018
Estava cheia de si e dormiu

 A situação nacional ainda está marcada pela ressaca do movimento dos caminhoneiros. Aumentou o desgaste do governo Temer e este só se mantém no cargo devido a que estamos a...

Ciro Gomes com o pé na lama

14 Junho 2018
Ciro Gomes com o pé na lama

A crise política no Brasil dispara como reflexo da crise econômica. Os candidatos da direita e da esquerda integrada ao regime estão inviabilizados e os votos brancos e nulos dispararam....

Os caminhoneiros e a guerra híbrida

09 Junho 2018
Os caminhoneiros e a guerra híbrida

O ponto central do balanço é se essa greve foi uma greve em si, se foi motivada pela base, ou se ela foi um lockout patronal. Verificamos que a grande...

Bate continência aqui e mantenha o respeito

09 Junho 2018
Bate continência aqui e mantenha o respeito

Reunião de militares candidatos em Brasília, dia 8 de maio de 2018 Apareceram nos últimos dias a revelação dos telegramas secretos dos EUA, documentos da CIA, onde se relatam a...

A política de terra arrasada para a Petrobras

03 Junho 2018
 A política de terra arrasada para a Petrobras

  A política que tem sido aplicada na Petrobras é uma política de terra arrasada que basicamente passa pela política imposta pelo imperialismo de entregar a empresa para os monopólios...

Gazeta Revolucionária [pdf]

Saiba Mais

Massacre ao povo palestino (parte...

A Intifada palestina     Intifada significa revolta, ou literalmente...

Massacre ao povo palestino (parte...

A criação do Estado de Israel Não foi da noite...

Massacre ao povo palestino (parte...

Sionismo praticando a necropolítica em Gaza     A propósito,...

Massacre ao povo palestino (parte...

Nakba, 70 anos de assassinatos No dia 14 de maio...

A economia vai de mal...

  A inflação no Brasil teria caído para 3%, segundo...