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Revolução Cubana [P. 1] Featured

Written by  Published in Teoria Segunda, 23 Outubro 2017 22:00
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Qual foi o caráter da Revolução Cubana?

 

 

Fulgencio batista 300x214Cuba foi o último país a se tornar independente da Espanha na década de 1890, no período emancipatório que começa próximo a 1810 e vai até a década de 1820, em cima da pressão das invasões napoleônicas, principalmente a invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha. Sob essa influência é que acontece a Revolução em Cuba como um resumo das contradições que tinham se acumulado desde aquela época.

Quando os Estados Unidos derrotam a Espanha na década de 1890, eles implementaram logo a seguir, a chamada Emenda Platt, que tinha como premissa a “América Para Os Americanos”, que queria dizer que surgia um novo imperialismo que tinha de dominar a América toda. Com isso, Cuba se converte num protetorado, até com tropas dos Estados Unidos, durante o período, e isso acaba levando à Revolução Cubana de 1933, que é muito importante e pouca gente fala nela, pois aparece no marco da crise mundial de 1929. Foi uma revolução muito radical, derrotou a ditadura, liquidou o Exército e criou a Central Operária de Cuba. A classe operária atuou como uma força importante, teve uma autonomia relativa, mas ela ficou muito presa à influência do Partido Comunista Cubano, que estava muito influenciado, naquele momento, pelas políticas do chamado Terceiro Período do estalinismo, uma política ultraesquerdista que caracterizou a direção pequeno burguesa revolucionária da época, que liderou essa revolução, como semi fascista. Isso aconteceu apesar de que logo a seguir, em cima da mudança de política que veio depois com as Frentes Populares, o estalinismo em Cuba fez um governo de frente popular, de conciliação de classes aberta, com o futuro ditador Fulgencio Batista.

 

A Revolução Cubana como um produto do acúmulo da crise

 

fidelcEm cima do acúmulo de fatos, aconteceu a Revolução Cubana de 1959 a 1962. Por isso, é compreensível quando Fidel Castro se apresentou como o continuador de José Martí, que foi o herói da independência contra a Espanha e também um poeta muito importante cubano. Ele queria dizer que houve uma continuidade das lutas anteriores e que ele aparecia como um resumo dessas contradições como um todo. Um fato muito importante envolvendo o próprio Fidel Castro foi o assalto ao Quartel Moncada em 1953, na Província de Oriente, em Cuba. Fracassou, vários insurretos morreram, Fidel Castro foi preso. Mas logo depois, um juiz, José Urrutia, acabou libertando Fidel Castro e outros sob a alegação de que qualquer insurreição contra uma ditadura não deveria ser punida. O mesmo Urrutia acabaria se convertendo no primeiro presidente de Cuba, logo após o triunfo da Revolução em 1059.

Fidel Castro foi para o México, rapidamente, onde formou um grupo de exilados para voltar a Cuba para lutar contra a ditadura. Eles compraram um iate para realizar a travessia, mas já estavam infiltrados pelos serviços de inteligência cubanos com a ajuda da CIA.

Quando os futuros guerrilheiros desembarcam em Cuba, eles acabaram sendo massacrados; somente sobraram 12 futuros guerrilheiros vivo. Eles se movimentaram para Sierra Maestra. O grande ponto aqui foi a influência do movimento de massas.

 

As massas e a Revolução

 

Existia uma situação de ampla putrefação do regime, com as contradições sociais que aumentaram de uma maneira muito exagerada. O governo estava caindo aos pedaços. O movimento guerrilheiro acabou crescendo. Uma força importantíssima, fundamental, desse processo foi a classe operária cubana, principalmente dos engenhos açucareiros e do proletariado rural.

moncadaA revolução acabou adquirindo um caráter de massas. Isso ficou muito claro a partir de 1957 com as greves que aconteceram em Oriente, na região oriental do País, onde está localizado justamente o proletariado açucareiro e rural, depois do assassinato do ativista Frank País, um militante que fazia a conexão entre a guerrilha e o movimento urbano.

Em abril de 1958 aconteceu uma Greve Geral que teve ampla adesão e, de fato, se converteu numa greve revolucionária com ampla participação principalmente no Oriente. Por último, houve a Greve Geral política e revolucionária de janeiro de 1959 que levou, inclusive, à constituição de milícias operárias.

Com isso, há uma situação importante que é o Movimento 26 de Julho, que era um grupo pequeno burguês radical que acabou neutralizando o estalinismo. O Partido Comunista Cubano, que na época chamava PSP, tinha muita força, dominava o movimento operário, controlava os sindicatos e estava integrado à ditadura de Batista; era um dos maiores partidos comunistas da América Latina junto com o Partido Comunista Brasileiro e o Partido Comunista do Uruguai. Fidel Castro nunca tinha se auto intitulado como marxista; ele era um democrata burguês ou pequeno burguês radicalizado contra a ditadura, um anti imperialista, etc., assim como o era o Movimento 26 de Julho.

 

O imperialismo e a Revolução Cubana nos momentos iniciais

 

Quando a Revolução Cubana triunfou, a direção da Revolução procurou fazer um governo de Frente Popular. Fidel Castro viajou aos Estados Unidos. Ele, ainda em Sierra Maestra, tinha sido entrevistado pelo Jornal The New York Times. Era uma pessoa muito influente e contava com o apoio dos setores liberais da burguesia e, inclusive, dos setores menos direitistas do imperialismo que estavam preocupados pela podridão da Ditadura de Batista que atuava muito próxima a elementos mafiosos procurados inclusive nos Estados Unidos. O próprio Urrutia, o juiz que tinha libertado Fidel Castro em 1954, se converteu no primeiro presidente de Cuba.

A dependência econômica do País aos Estados Unidos continuou principalmente na exportação do açúcar que continuou sendo o componente mais importante da economia cubana. Esse vínculo começou a ser cortado de maneira forte a partir de 1960. Um aspecto muito importante que deve ser avaliado com muito cuidado é a evolução da revolução entre 1959 até 1962, quando o governo cubano passou a se integrar ao chamado Bloco Soviético liderado pela União Soviética.

A Revolução de 1959 foi um produto da revolução nacional, anti colonial, que estava sendo adiada por 150 anos. Cuba foi o país que por último se tornou independente da Espanha. A revolução de 1959 também sofreu a influência direta da Revolução de 1930 a 1933, que teve uma forte participação da classe operária, e que foi derrotada; também teve influencia do golpe aplicado pelo imperialismo na Guatemala, em 1954, contra o presidente nacionalista Jacob Arbenz. Na época, o próprio governo nacionalista de Arbenz e o Partido Comunista da Guatemala, influenciado pela política soviética de alianças com o imperialismo, se negaram a armar os trabalhadores e, principalmente, a armar a classe operária.

 

A radicalização da Revolução Cubana

 

camilo cienfeugosAs expropriações que aconteceram em Cuba depois de 1959 foram, em grande medida, ditadas pela necessidade de adotar medidas contra a desagregação da economia. Por exemplo, houve uma forte pressão do movimento camponês pela realização da reforma (revolução) agrária que foi realizada imediatamente, inclusive, com a desapropriação de grandes empresas norte americanas. Um fato bastante importante foi a enorme marcha, que aconteceu após o triunfo da Revolução, em janeiro de 1959, das prostitutas de Havana que tinham ficado sem emprego porque Cuba, na época, funcionava como uma espécie de prostíbulo dos Estados Unidos. Nesse sentido, o regime foi pressionado pelo movimento de massas para a esquerda numa situação em que o País se encontrava controlado por grandes empresas norte americanas. Num certo momento, o governo se viu contra a parede e foi obrigado a adotar uma série de medidas contra empresas petrolíferas que não estavam mais refinando o petróleo e provocando a paralisia da economia por causa da falta de combustíveis.

A radicalização do movimento de massas levou o governo cubano à esquerda, imposto pela própria situação da mesma maneira que em outras situações revolucionárias isso acabou acontecendo como, por exemplo, com o chavismo a partir do golpe fracassado de 2002. Essa radicalização impôs o surgimento de comitês populares que tiveram muita força levando, inclusive, à instituição de comitês de julgamento de torturadores, nos quais Che Guevara teve um papel importante; mas ele acabou sendo ultrapassado e os torturadores mais ferozes foram fuzilados em cima da pressão popular.

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