Quinta, 22 Fevereiro 2018

Por que se fortalece a carta do golpe militar?

Written by  Published in Últimas notícias Sexta, 20 Outubro 2017 00:00
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vilasboas

 

No atual contexto político e dada a atual correlação de forças, tanto em escala nacional como mundial, o grande capital, que é controlado pelo pequeno punhado de famílias que domina o mundo, preciso, com enorme urgência, conter a queda da taxa de lucros. De acordo com a edição do dia 28 de janeiro de 2017, a taxa média de lucros dos monopólios caiu 25% no mundo, nos últimos cinco anos. E no Brasil, a queda teria sido de 32% desde 2015.

O grande capital nunca admitirá a própria implosão. Os grandes capitalistas que personificam o grande capital, atuam como instrumentos cegos a serviço dos lucros e como encarnação das leis e do movimento do capital, são capazes de matar a própria mãe antes de abrir mão do seu caráter de classe, dos próprios privilégios. O mercado mundial ficou totalmente dividido no início do século passado. Novas divisões, somente foram possíveis por meio de sangrentas guerras mundiais. Somente na Segunda Guerra Mundial foram mais de 80 milhões de mortos e a destruição de forças produtivas foi gigantesca. De fato, essa é a única “saída” que o grande capital tem para o acelerado aprofundamento da crise capitalista mundial, principalmente após o colapso capitalista mundial de 2008, quando as políticas neoliberais colapsaram, os partidos da direita neoliberal racharam, da mesma maneira que a socialdemocracia tinha se enfraquecido após o colapso capitalista de 1974. A militarização da sociedade tem como objetivo conter o ascenso do movimento operário, direcionando a produção para a indústria de guerra. E não se produção armas simplesmente para serem estocadas, principalmente após os estoques terem ultrapassados limites. Mas uma guerra em larga escala também colocar o acirramento das contradições de classe numa escala gigantesca, como pode ser visto com as guerras mundiais e todas as demais guerras importantes que tem acontecido pelo menos nos últimos dois séculos.

O golpe militar no Brasil 

O regime político brasileiro se encontra muito desmoralizado. A direita não consegue emplacar um candidato viável para as eleições de 2018. Lula continua como líder disparado, mas não representa uma saída para a crise devido aos altos custos envolvidos na aplicação da sua política de cooptação do movimento sindical e dos movimentos sociais.

Fernando Henrique Cardoso anunciou o apoio à candidatura do governador do Estado de São Paulo Geraldo Alkmin. Mas se trata de uma liderança regional e até bastante apagada. João Dória não passa de fogo de palha, principalmente quando começarem a aparecer os vínculos com o lobby entre os grandes empresários e os políticos promovido pela sua empresa, a Lide.

Marina Silva, Ciro Gomes e Haddad enfrentam enorme dificuldades para emplacar.

Jair Bolsonaro aparece mais como uma caricatura da extrema direita, mais como um termômetro do crescimento da extrema direita que um candidato que possa se viabilizar repetindo a “proeza” (imposta por setores fundamentais do grande capital) nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump.

Luciano Huck aparece como um "outsider" (um eventual candidato que corre por fora) que poderia se tornar numa alternativa para direitizar ainda mais o regime. Mas, mesmo assim, o regime politico como um todo continuaria em grande medida sob a influencia dos grandes partidos atuais (PMDB, PSDB, PSD, PT e PP). O imperialismo precisa acabar com isso, colocar em pé um regime mais duro e mais firme que tenha condições de aumentar sensivelmente os ataques contra os trabalhadores (e conter a inevitável reação com muita dureza) para salvar os lucros do grande capital em crise.

O Judiciário também está se desmoralizando, conforme ficou claro no caso do afastamento do Senador Aécio Neves. A nova PGR (Procuradora Geral da República), Raquel Dodge, não está conseguindo avançar na "moralização" do regime; lembrar que "corrupto" é quem a classe dominante quer que o seja, dado que no capitalismo tudo é corrupto; principalmente em países neo-coloniais como o Brasil. Por esse motivo, cada vez mais, se coloca a carta do golpe militar, a serviço da política do imperialismo. Uma repetição do golpe militar de 1964 (que foi uma tragédia) agora como uma farsa. Se desenvolve de uma maneira muito parecida com o golpe de 1852 na França que Marx descreveu de maneira magistral no livro O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte: o golpe, assim como absolutamente tudo na vida e na sociedade, se desenvolve a partir das lutas de contrários, da crise interna, e não a partir de uma "mão santa" que aparece do exterior.

Read 179 times Last modified on Terça, 31 Outubro 2017 19:37

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