Sábado, 15 Dezembro 2018

Esquerda dá verniz democrático às eleições golpistas

Written by  Published in Nacional Quinta, 19 Julho 2018 07:40
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Qual é a relação entre o golpe de Estado em curso no país e as eleições marcadas para o mês de outubro? Temos que entender que esses dois eventos não são contraditórios. Não é que haja um momento de democracia dentro do golpe e nem que as eleições democráticas confirmem que não existe golpe. Em primeiro lugar as eleições não são democráticas e em segundo, a relação que existe entre eleições e golpe é que as eleições servem para legitimar o golpe. Esta é a forma correta de fazer análise, colocando as eleições como parte fundamental do golpe.
E tudo isso é um escárnio. Como se a extrema-direita dissesse: derrubamos um governo legitimamente eleito com a desculpa de “pedaladas fiscais”, desmantelamos a indústria nacional, avançamos nas privatizações , aprovamos a reforma trabalhista, implantamos um Estado de exceção coordenado pelo Poder Judiciário, encarceramos e tiramos do páreo o candidato do PT que certamente venceria as eleições, temos um plano de eleger um elemento de direita para aprofundar a entrega do país, controlamos a grande mídia, mas vamos para as eleições porque eleições é a festa da democracia.

O pior é que todo mundo vai para as eleições como se elas fossem a última tábua de salvação. E a esquerda, que cabe aqui na nossa crítica, cai de cabeça nessa lorota. Se entrega de corpo e alma fazendo, assim, o jogo da direita. Pois a participação da esquerda legitima o processo, dá aparência de democrática para uma eleição golpista. 

Não que seja uma esquerda ingênua, que está sendo ludibriada pela direita. Mas, sim, essa é a essência da esquerda: sustentar o regime burguês integrando-o organicamente como sua ala mais democrática. E é uma questão de sobrevivência política e até existencial pois é daí que tiram o seu ganha-pão e os seus privilégios: de parasitar as instituições do Estado burguês. Por isso é caracterizada como uma esquerda burocrática, integrada ao regime burguês e traidora da luta da classe trabalhadora.
A esquerda se presta a tanto, apesar de ser um processo eleitoral viciado, totalmente manipulado e controlado pela direita, porque tem a mesma estratégia dos diferentes partidos do regime, ou seja, estão no desespero para eleger o máximo de deputados para ter o mínimo poder de barganha na próxima legislatura. Também para escapar da cláusula de barreira, que será mais apertada no próximo período, e para poder colocar as mãos no dinheiro do fundo partidário e do financiamento das campanhas eleitorais.

O próximo governo de direita será o mais entreguista da História do Brasil

Assim, a esquerda faz o jogo da direita fornecendo um atestado de democrático ao golpe e fortalecendo o mesmo uma vez que essas eleições são peça chave para fazer avançar o processo golpista na medida em que o próximo passo é eleger um presidente da república de direita.
E o próximo presidente será mais submisso ao imperialismo norte americano do que qualquer outro. Será um entreguista de primeira, que virá para terminar o serviço que Michel Temer começou. Vai aplicar os planos dos EUA para o Brasil fazendo como que um laboratório experimental dessa política para depois expandi-la para o resto da América Latina.
Será a política do aperto contra os trabalhadores e da repressão sem medida, porque pela situação da crise mundial os americanos são obrigados a saquear o máximo de mais valia dos países da periferia para equilibrar a taxa de lucro dos monopólios.
E o que nos espera, além de mais arrocho salarial e desemprego, é mais repressão e criminalização dos movimentos sociais. O novo governo, com o respaldo das urnas, terá moral até de decretar intervenção militar em todo o país para enfrentar a resistência dos trabalhadores que certamente acontecerá.

Não apresentar os candidatos e chamar o voto nulo

Se essa esquerda não fosse tão eleitoreira, tão integrada ao regime burguês, deveria deixar de apresentar candidatos e chamar o voto nulo em função de serem eleições golpistas. E assim, enfraquecer sobremaneira o futuro governo golpista e preparar o movimento de massas para resistir aos ataques ao seu nível de vida e aos seus direitos conquistados através de longos anos de luta.
Porém, alguns companheiros honestos, de luta, mas ingênuos, acham que não se pode chamar o voto nulo. Porque, dizem, temos que votar na esquerda para derrotar a direita.
Mas que esquerda que vai derrotar a direita nas eleições? O PT, com Haddad, tem 1%; o PSOL, com Boulos, tem 1%; o PCdoB, com Manuela, tem 0%; o PSTU, com Vera, tem 0%.
Estão esperando o milagre da transferência de votos de Lula para um candidato do PT? Convenhamos! O PT e o PCdoB foram governo nos últimos mandatos. Governaram para a burguesia, numa gestão de direita em que “nunca antes os banqueiros tiveram tanto lucro” e iludiram o povo com a esmola de bolsa família e assemelhados!
Alguém acredita que é possível reeditar essa Frente Popular na conjuntura atual de crise total da economia, não só no país, mas em todo o mundo? Numa conjuntura, depois de 2008, onde não há mais superávit da balança comercial em função dos altos rendimentos das commodities (grãos, minérios, petróleo, etc.) e sim uma baita recessão? Nem o imperialismo acredita e nem ele vai deixar isso acontecer. Por isso o golpe e a prisão de Lula!
Ou alguém acredita que Ciro Gomes (PDT) ou Marina Silva (Rede) são de esquerda? O Ciro está disputando com Alckmin o apoio do Centrão, que é o grupo dos partidos políticos mais fisiológicos da direita golpista. A Marina vai sair com uma chapa puro sangue com o vice da Rede, mas além de ser ligada ao banco Itaú, à Natura e apoiar Aécio Neves em 2014, defende um programa ultrarreacionário.
O mais correto é não apresentar os candidatos e chamar o voto nulo para ir desconstruindo desde já o futuro governo golpista e preparando desde já as lutas dos trabalhadores, que certamente serão muitas no próximo período.

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