Domingo, 16 Dezembro 2018

Há 50 anos da morte de Che Guevara Featured

Terça, 10 Outubro 2017 21:00
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Hoje, são inúmeras as manifestações em homenagem a Che Guevara pelas mais variadas matizes da esquerda. Não é para menos, pois ele é o revolucionário mais conhecido e uma referência para a esquerda e para a juventude em todo o mundo. Foi um dos comandantes da revolução cubana e um de seus principais dirigentes até seu assassinato, na Bolívia, em 9 de outubro de 1967.

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928 na cidade de Rosário, Argentina, filho de Ernesto Lynch e Célia de la Serna y Llosa. Viveu a infância e a adolescência em Córdoba e posteriormente em Buenos Aires. Formou-se em medicina em 1953. Tinha um espírito aventureiro e era fascinado por viagens, o que o levou, entre outras, em 1951, a  percorrer vários países da América Latina, cerca de dez mil quilômetros, junto com seu parceiro Alberto Granado Jiménez, numa motocicleta Norton de 500 cc. Nessa viagem, pode observar a situação de miséria e exploração em que viviam os povos latinoamericanos e avançar na consciência política da necessidade de empreender uma luta antiimperialista em toda a América Latina.

Depois de formado médico, empreendeu outras viagens. Foi a La Paz, na Bolívia, onde ainda se respirava a revolução operária encabeçada pelos mineiros em 1952, ainda que derrotada. Depois, em 1953, vai a Guatemala, num contexto de luta antiimperialista e posterior queda do governo nacionalista por forças norte-americanas, onde participou da resistência ao golpe. Em razão da perseguição política do novo regime, vai para o México, onde, em 1954, entra em contato com Fidel Castro e o Movimento 26 de Julho.

 

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Em 1956, com Fidel Castro e outros 72 militantes parte no iate Granma rumo a Cuba com o objetivo de derrubar o governo pró-imperialista de Fulgêncio Batista. No desembarque são emboscados pelas forças do regime e o massacre é grande. Apenas 12 sobreviventes. Estes se instalam nas montanhas da Sierra Maestra, onde se fortalecem como organização guerrilheira e, no início de 1959, lançam um assalto ao regime dando início à Revolução vitoriosa em Cuba.

Em 1961, Che Guevara assume o Ministério da Indústria. No mesmo ano há uma tentativa de invasão da Baia dos Porcos, patrocinada pela CIA, que fracassa. Cuba supera, também, a “crise dos mísseis” em 1962 e avança na consolidação de um Estado Operário, ainda que bourocrático. Por força da dinâmica da luta de classes, por pressão do imperialismo e pressão das massas revolucionárias, o Movimento 26 de julho se vê obrigado a expropriar a burguesia e o latifúndio e planificar a economia.

As concepções revolucionárias e as convicções políticas de Che Guevara evoluem com o desenvolvimento da situação da luta de classes. A base de sua visão é a estratégia foquista, que considera o campesinato como sujeito social da revolução, que esta deve avançar do campo para a cidade sendo dirigida por uma organização militar conformada num exército guerrilheiro, desprezando o movimento de massas e sendo indiferente à conjuntura de avanço ou retrocesso das lutas operárias. Mesmo assim vislumbra-se um avanço político que infelizmente é interrompido com seu assassinato.

 

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Che Guevara era um dos  poucos comunistas que compunham o Movimento 26 de julho, desde o México, pois a organização de Fidel não passava de um grupo pequeno burguês com intenções  democráticas burguesas e que teve que dar um passo além de sua vontade por pura pressão da realidade.

Não podemos perder de vista a situação política mundial da época. Situação pós segunda grande guerra, em plena guerra fria, com o mundo dividido entre leste e oeste, onde estava valendo o acordo de coexistência pacífica entre EUA e URSS. Nessa conjuntura acontece a vitória da revolução chinesa, que levou ao conflito sino-soviético. Fidel se alinhou com Moscou na doutrina do socialismo em um só país, o que dilatava a diferença com a concepção guerrilheirista para toda a América Latina de Guevara.

Che defendeu a centralização e a planificação da economia nacional como forma de desenvolver a economia de conjunto em benefício do país e dos trabalhadores. Nesse sentido combateu concepções que davam autonomia para as empresas de ter como objetivo central o lucro, como uma empresa capitalista.

 

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É clara e louvável a intenção antiimperialista e internacionalista de Che. Ele considerava que havia um só processo revolucionário em toda a América latina, uma vez que tinha a compreensão de que o imperialismo norte-americano aplicava uma política contra-revolucionária no conjunto do continente. E coerente com essa visão, propunha como resposta uma luta das forças populares unificadas, também, a nível continental, já que seria difícil conquistar e consolidar uma vitória em um só país.

Em relação à guerra do Vietnã, defendia o apoio total e irrestrito aos guerrilheiros vietnamiatas, que considerava a vanguarda da revolução mundial naquele momento. Denunciava o imperialismo norte-americano como injusto agressor. Mas também denunciava a URSS e a China como traidoras por não envidarem apoio total ao Vietnã do Norte, deixando-o isolado e correndo grande perigo.

Outra crítica que fazia à URSS era sobre a política econômica, em relação ao intercâmbio de mercadoria com os outros países socialistas mais atrasados. Denunciava que a URSS promovia preços semelhantes aos do mercado mundial, proporcionando uma exploração comercial de tipo capitalista dos demais países socialistas, que forneciam matéria prima barata em troca de bens industrializados que tinham um valor bem mais alto.

Essas criticas à burocracia soviética, principalmente, se chocava com a concepção stalinista de socialismo em um só país e com a doutrina de coexistência pacífica com o capitalismo imperialista. Os soviéticos viam Che Guevara como um adepto ao modelo socialista chinês. No contexto da guerra fria, na disputa entre China maoista e URSS stalinista pelo controle do movimento comunista internacional, Fidel Castro estava alinhado com o Kremlin. E a pressaõ sobre Che era muito grande.

 

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Na prática, Che Guevara foi enxotado de Cuba por pressaõ dos soviéticos. Abandonou os cargos que ocupava no Estado cubano e vai combater no interior da África, no Congo, onde participa de alguns combates em 1965. Em 1966 chega à Bolívia para impulsionar um foco guerrilheiro. Mas foi traído pelo Partido Comunista Boliviano que, seguindo ordens do Kremlin, orientou Che a instalar-se em uma zona de idioma desconhecido deste e com mentalidade ultra conservadora, com um pequeno grupo de bolivianos, com armas obsoletas e sem contato com a população. A História ainda há de esclarecer, também, o papel de Fidel Castro na saída às pressas de Che de Cuba e na sua condução à armadilha boliviana.

Em 8 de outubro de 1967, durante um combate no vilarejo de La Higuera, Guevara é ferido e capturado com vida pelo exército boliviano que era treinado e assessorado pela CIA. Em 9 de outubro, Che Guevara é executado dentro de uma escola onde se encontrava amarrado no chão. O carrasco foi o sargento Mario Teran, cumprindo ordem direta do presidente da Bolívia, o ditador general René Barrientos.

 

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Após a execução os assassinos cortaram suas mãos e ocultaram seu corpo. Guevara foi enterrado junto com outros sete guerrilheiros em uma cova anônima ao lado da pista do aeroporto de Vallegrande. Após 30 anos de sigilo absoluto, em 1997, um general reformado do exército boliviano revelou o local onde estava o corpo de Che e seus companheiros. Hoje seus restos mortais encontram-se  em um mausoléu na cidade de Santa Clara província de Villa Clara, Cuba.

Aos 50 anos de sua morte, rendemos homenagem ao grande revolucionário, herói e mártir da Revolução Socialista Internacional.

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