Segunda, 24 Setembro 2018

Manipulação imperialista: "Revoluções Coloridas"

Written by  Published in Últimas notícias Segunda, 09 Outubro 2017 21:00
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revocolor

 

A primeira questão para avaliar o que está acontecendo no Brasil, a queda do governo Temer e todos os problemas, é contextualizar a situação política. A conjuntura política deve ser avaliada de onde ele vem, para onde ele vai e em cima de quais fenômenos gerais ela está se desenvolvendo. É nesse sentido que vemos que o principal fator envolvido é a política do imperialismo colocada para manter o controle do mundo.

O imperialismo norte americano surge como a grande potência depois da 2ª Guerra Mundial. Esse domínio começou a enfraquecer a partir do ano de 1960 quando aconteceu o ressurgimento dos monopólios alemães, europeus, japoneses etc. A grande primeira crise depois da 2ª Guerra Mundial aconteceu em 1967. Sete anos depois, teve início a crise de 1974, a chamada crise mundial de petróleo que colocou a política de contenção das massas em xeque.

O capitalismo se desenvolve por uma série de leis internas. O próprio funcionamento desse sistema leva à crise, inevitavelmente. Por exemplo, a questão do lucro a qualquer custo, que gera a livre concorrência, e a questão da superprodução relativa imposta pela concorrência. As empresas, para manter a competividade, buscam colocar novas máquinas na produção, mais modernas no geral, já que podem quebrar se elas não o fizerem. Esse processo gera muito mais produção do que a população pode comprar porque, a superprodução. O baixo poder de compra da população também é uma consequência direta dessa política, já que por meio das máquinas são mandados embora trabalhadores, se reduzem os salários etc. Há toda uma série de contradições que leva à crise.

 

A gênese da crise capitalista atual

 

A crise mundial, que estourou como a crise do petróleo, também teve na base uma crise militar, que foi a Guerra do Vietnã. Os Estados Unidos chegaram a ter um milhão e 200 mil soldados e um milhão de mercenários. Os gastos foram enormes. Os mecanismos que tinham sido colocados em funcionamento explodiram, inclusive os acordos de Bretton Woods que tinham sido estabelecidos em 1944 e pelo qual os Estados Unidos se comprometiam a trocar o papel do dólar por ouro. Ou seja, os países não precisavam ter ouro como reservas, mas precisavam ter dólar. Esta é a chave, a gênese em médio prazo da crise atual. Indo mais longe, seria necessário analisar a Crise de 1929, que foi fechada com a 2ª Guerra Mundial.

O ponto fundamental do problema que estamos vendo hoje no Brasil está na crise mundial de 1974. Essa crise levou à revolução do Irã em 1979, no país mais forte do Oriente Médio, mais forte inclusive do que Israel, e o principal ponto por meio do qual os Estados Unidos controlavam a região. Além disso, aconteceu a Revolução em Portugal, em 1974, e a Revolução Sandinista, em 1979. A crise aumentou violentamente a inflação e o desemprego.

 

O “neoliberalismo” como tábua de salvação

 

Nos Estados Unidos, a inflação oficial chegou a mais de 20%, no ano 1980, o que para a principal potência do mundo é muito alta. Hoje, está em 2%. Esse período ficou marcado pelo auto desemprego, inflação elevada, greves super radicalizadas no mundo todo, inclusive no Brasil, etc. Para tentar manter a estabilidade, o imperialismo colocou em pé o “neoliberalismo” .

O que é o neoliberalismo? É uma política que implica em privatizar as empresas, entregá-las para o grande capital a troco de nada, como está sendo feito agora, e aplicar grandes ataques contra os trabalhadores. A base para isso foi a entrada de centenas de milhões de trabalhadores no mercado mundial, principalmente os chineses, que na época ganhavam U$$ 30 por mês, que equivale a R$ 100 hoje, sem direito nenhum. Isso deu um fôlego ao sistema capitalista mundial. Nos anos de 1990, a queda da União Soviética levou à entrada de outros milhões de trabalhadores que ganhavam salários baixíssimos.

 

Agressões militares de “baixa intensidade” por causa da crise

 

Com o acelerado enfraquecimento do imperialismo, foram elaboradas políticas para manter a dominação por meio de métodos militares que não precisassem de alocação de tropas.

Um ponto político fundamental é a doutrina de um conselheiro de Segurança Nacional norte-americano, Zbigniew Brzezinski, que foi conselheiro de vários governos, como o de Richard Nixon, Jimmy Carter e Ronald Reagan. Essa doutrina foi denominada "Grande Jogo de Xadrez" ou "The Grand Chessboard Game". Isso é muito importante para entender o problema no Brasil, pois essa doutrina está na base do que está acontecendo no País hoje.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos controlaram o mundo “na bala”. Uma superpotência controlou a Europa, o Japão, parte da Ásia etc. Nos anos de 1980, a crise tinha escalado. O imperialismo tinha sido vencido na Guerra do Vietnã por um bando de camponeses mortos de fome. A principal potência do mundo, que tinha jogado no Vietnã o dobro de bombas que foi jogado em todas as frentes da Segunda Guerra Mundial, tinha se desmoralizado por causa do enfraquecimento econômico. Abriu-se uma crise política enorme.

A tese era que ao colocar uns contra os outros facilitaria a dominação do mundo. Para confrontar o poderio da época, a União Soviética, seria necessário se aliar com a China, o que acabou estabelecendo a base material do “neoliberalismo”. Para conter o fortalecimento da Alemanha, fora do controle do imperialismo norte-americano, a política foi evitar que a Alemanha se aliasse com a Rússia.

Em 1989, foi imposto o chamado Consenso de Washington – uma série de políticas colocadas em pé pelo imperialismo norte-americano, organizadas por Brzezinski e Henry Kissinger; este tinha sido Secretário do Departamento de Estado de Richard Nixon e os grandes organizadores das ditaduras militares na América Latina. Os norte americanos fizeram, naquela época, o que Hitler não conseguiu fazer: ditaduras de cunho nazista em todo o mundo, inclusive no Brasil. Essas ditaduras caíram por causa da crise de 1974, que colocou a classe operária em movimento.

O Consenso de Washington buscava aplicar toda uma série de mecanismos ultraparasitários para salvar os lucros dos monopólios. Por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que está até hoje em vigor. O que é essa lei? Todo governo, nas três esferas, deve priorizar o pagamento do serviço da corrupta dívida pública. Mesmo que aconteça uma catástrofe ambiental, de saúde, por exemplo, a prioridade é pagar a dívida pública. A lei das patentes, que um negócio muito parasitário, surge a partir daí. A Organização Mundial do Comércio também. O objetivo era extrair recursos dos países, de maneira bem parasitária, sem trabalhar, sem nem sequer abrir uma fábrica.

 

As chamadas “revoluções coloridas”: agressão militar de baixo custo

 

Nos anos de 1980, começou a acontecer um fenômeno que foi apelidado como "revoluções coloridas", que aconteceram principalmente depois da queda do Muro de Berlim.

Os serviços de inteligência imperialistas, principalmente os norte-americanos, organizavam revoltas em vários países, como aconteceu com as repúblicas da ex-União Soviética, na Albânia, na Yugoslávia etc. O objetivo simular que eram as revoluções populares que estavam colocando no governo quem eles queriam. Normalmente, para fazer essas tais "revoluções coloridas", eles sempre usaram elementos do estudantado, da classe média. Na Albânia, esse “fenômeno” aconteceu em 1989; na Ucrânia, aconteceu três vezes e nas repúblicas da Ásia Central, várias vezes. No Tajiquistão, eles fizeram isso em 2010, mas os russos aplicaram uma "contra revolução colorida". Em 2007, tentaram fazer isso na Geórgia, que é uma república que fica localizada no sul da Rússia, no Cáucaso, e faz fronteira com a Armênia e com o Azerbaijão. Nos países árabes, após as revoltas populares na Tunísia, Egito e Síria, essa política foi acelerada e complementada com os “rebeldes moderados” que têm atuado como intermediários de potências estrangeiras para derrubar governos.

Trata-se de uma política de baixo custo, já que não é necessário mobilizar as tropas de intervenção. A partir de revolta simulada, se dá um golpe de Estado.

 

Mais crise, remix das agressões de “baixa intensidade”

 

Em 2001, o ataque às Torres Gêmeas na cidade de Nova Iorque colocou em evidência as feridas da crise do “neoliberalismo”, que tinha começado a explodir numa série de países nos anos anteriores, a exemplo da Venezuela, em 1989. O mesmo se deu no início da década de 1990, na Turquia e no México. Em 1997, foi a vez da crise dos “tigres asiáticos”, Malásia, Coreia do Sul, Filipinas, Indonésia etc. A crise estourou também na Argentina e começou a estourar no Brasil, onde quase explodiu no final do governo de Fernando Henrique Cardoso.

O “neoliberalismo”, como política, estava levando para uma crise gigantesca no início dos anos 2000. O imperialismo conseguiu segurar esse colapso por meio de uma série de políticas do governo de George Bush Jr. Ele começou a privatizar tudo, inclusive a CIA, a NSA e parte do Exército. Surgiu uma atualização desse “grande jogo de xadrez”, a chamada política “full spectrum dominance”, que significa o domínio total do espectro mundial. Era a dominação do mundo tanto por terra, quanto por mar, ar e ciber espaço. Portanto, para os Estados Unidos conseguir manter o controle se estabelece uma guerra total. Para sustentá-la foi incluída, integrada à política militar, a escalada das “revoluções coloridas”.

As agressões abertamente militares sofreram uma dura queda com a derrota militar de 2007, na Guerra do Iraque. No ano seguinte, aconteceu a explosão da crise mundial de 2008, que chegou ao Brasil em 2009.

No principal país da América Latina, a crise foi mais ou menos controlada, mas começou a explodir em 2012 e estoura efetivamente em 2015.

Com a crise de 2008, voltam à tona as “Revoluções Coloridas”, como método não militar de fazer a guerra. Parte dessas agressões de “baixa intensidade” foram tornadas públicas pelas delações de Bradley (hoje Chelsea) Manning, que vazou 250 mil documentos do Departamento de Estado; Edward Snowden, que vazou os segredos da brutal espionagem praticada pela NSA (Agência Nacional de Segurança norte-americana) em escala mundial; e várias outras delações vazadas pelo site Wikileaks.

No Brasil, essa política começou a ser feita, em 2013, quando a burguesia colocou em jogo as bandas fascistas na rua para conter as manifestações dos estudantes. Mas em 2014, escalou com a criação do MBL (Movimento Brasil Livre) e do “Vem pra rua”, organizações que correm por fora das instituições normais e que são apoiadas abertamente por organizações ligadas aos Estados Unidos. Além delas, há uma verdadeira miríade de ONG’s como, por exemplo, a USAid que já foi expulsa da Venezuela e da Bolívia porque pratica uma política abertamente golpista.

Essa é uma tática militar de guerrilha sem (ou com poucas) armas. Ela representa uma pressão militar disfarçada, que começou a ser colocada num novo patamar entre os anos de 2012 a 2015. O golpe de Estado da Ucrânia, em 2013, foi apresentado como uma revolução, que já não foi somente “colorida”; a cor estava bem elevada de tom. Foram movimentados os vários agrupamentos nazistas, inclusive os que tinham colaborado com Hitler na época da 2ª Guerra Mundial. O golpe de Estado na Tailândia, em 2014, foi organizado seguindo os mesmo moldes. No mesmo ano, foi a vez do Egito. Foi organizado um grupo estudantil do tipo “Vem Pra Rua”, chamado “Tamarrud”. Chegaram a criar uma enorme propaganda de que, supostamente, 17 milhões de manifestantes pediam a saída do presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana. No Egito, há mais ou menos 52 milhões de habitantes, dos quais a grande maioria é da religião muçulmana. A grande imprensa burguesa aderiu a essa campanha da mesma maneira que agora está aderindo à campanha para aplicar a terceira fase do golpe no Brasil, por meio de uma mobilização popular que deverá “derrubar” o governo Temer, exigindo “eleições gerais já” que abre a possibilidade de novas eleições gerais controladas pelos golpistas para destravar o tsunami de ataques contra a população.

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