Sexta, 19 Outubro 2018

As empresas nacionais são as mais “corruptas” do mundo?

Written by  Published in Economia Quinta, 19 Julho 2018 18:37
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empresasnacionais

No Brasil, a mídia golpista avança com uma campanha de que as empresas nacionais, a começar pela Odebrecht, são as mais corruptas do mundo. Qual a origem desta campanha e para que serve? Em primeiro lugar as investigações da Lava Jato avançaram em cima de informações ultra confidenciais obtidas a partir e-mails internos da Petrobras e da Odebrecht . Isso só poderia ter acontecido por meio de uma ação que partiu da Agência Nacional de Segurança (NSA) norte americana, conforme foi revelado por Edward Snowden, ex-agente da NSA e da CIA, que agora é refugiado político na Rússia. Esses organismos controlam todas as comunicações. Tudo é espionado, celulares, telefones, computadores, etc., e a informação só poderia ter vindo dai.

Uma operação orquestrada nos EUA para espoliar o Brasil

A Lava Jato se concretiza depois que Sergio Moro, juiz de primeira instância, passa uma temporada nos EUA e volta com essas informações. Já de início se revela uma operação suspeita uma vez que esse nível de classificação de informação deveria ter sido transmitido para uma instância superior, no caso o Supremo Tribunal Federal (STF).

Toda a ação da operação Lava Jato tem sido marcada pelo ataque virulento às empresas nacionais considerado-as como antro de corrupção e fonte de toda maldade. Mas às empresas multinacionais, nada acontece. Ainda que tenha ocorrido prisões de altos executivos de grandes multinacionais, como por exemplo a prisão do ex executivo da Philips Daurio Speranzini Jr., não acontece nada efetivamente.

A Trafigura Pte Ltd, que é uma grande multinacional que comercializa petróleo, entre outras commodities, envolvida em altíssima corrupção na África, também foi denunciada, mas não aconteceu nada e o brasileiro que era o operador dessas transações Mariano Marcondes Ferraz foi preso e em seguida solto depois de pagar uma fiança de R$ 3 milhões.

A Alstom, indústria de material ferroviário e de produção de energia, conhecida pela corrupção nas obras do metrô de São Paulo, também não sofreu nenhuma punição. Quando o chamado IBP, Instituto Brasileiro do Petróleo, formado pelas multinacionais do petróleo, comprou meio congresso em 2010 para barrar o projeto do Pré-Sal de Lula, isso também não foi investigado.

É óbvio que as empresas mais corruptas são as grandes multinacionais

Essa ideia de que as empresas nacionais são as mais corruptas do mundo é totalmente falsa. As empresas mais corruptas são aquelas que lidam com mais dinheiro, são as que controlam uma parte significativa do mercado mundial. São justamente as chamadas multinacionais ou os monopólios imperialistas.

A acusação de que a Odebrecht, as construtoras, a EMBRAER, a Eletronuclear, a Petrobras seriam as empresas mais corruptas faz parte de uma campanha que foi usada para desmantelar os governos de frente popular na América Latina e, também, para entregar as empresas nacionais de mão beijada para o grande capital.

Isso ficou muito claro num vídeo que apareceu na internet, onde o ex Vice-Procurador Geral Adjunto do Departamento de Justiça norte americano, Kenneth Blanco, num evento organizado pela Atlantic Council, organização de negócios que giram em torno da OTAN e que tinha presentes vários procuradores entre eles Rodrigo Janot do Brasil, confirma que os EUA ajudaram a Lava Jato na denúncia contra políticos brasileiros, envolvendo a Odebrecht, a Eletronuclear e empresas de outros países.

A política para o Brasil é a mesma que foi aplicada no México com a PEMEX, Petróleos Mexicanos, para entregar o petróleo para o grande capital de graça. O petróleo se transformou nesse momento num problema grave devido à alta volatilidade no Oriente Médio, devido ao aumento das contradições com a Rússia, com a China, etc.

Golpe de Estado para melhor saquear o país

A política do imperialismo é uma política de espoliação. Dentro desse contexto mais amplo devemos entender o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Não se trata de um problema jurídico. Nesse momento o Judiciário está à cabeça do golpe aplicando toda uma série de medidas contra o próprio arcabouço jurídico burguês porque a democracia em abstrato, por mais incrível que pareça, não existe. Está sempre a serviço de grupos ou de classes sociais.

As reações que temos de determinados elementos da burocracia estatal e principalmente do Judiciário são relativamente tímidas dentro do mar de reacionarismo geral. Além da ação do desembargador do TRF4 Rogério Favreto também tivemos uma reação nacionalista tímida do ministro do STF Ricardo Lewandowski, que tomou a iniciativa de suspender os grandes negócios que estão sendo armados em torno da privatização da Eletrobrás e da Petrobras.

Essa medida não barra as engrenagens da espoliação imperialista como um todo. É uma contenção, é uma pedra no sapato dentro da política do imperialismo, mas essa política continua como, por exemplo, recentemente a Boeing comprou 80% da EMBRAER, inclusive toda a parte militar. Está sendo entregue toda a base de lançamento de satélites de Alcântara. Tudo está sendo entregue para o imperialismo e a própria rede Globo está na sua mira, envolvendo os processos da FIFA contra as grandes emissoras de TV na América Latina.

Duas políticas para enfrentar o golpe

Aqui temos duas políticas. Uma é que basta usar os mecanismos do próprio Estado burguês para ter alguma reação contra o golpe. Essa é a política do PT, da frente popular e da esquerda oportunista. E temos a política revolucionária que é clara: é impossível enfrentar o imperialismo se não for por uma força que consiga derrotá-lo e que só pode ser a classe operária mobilizada. Sem mobilização não há nenhum enfrentamento.

O golpe continua avançando e, em algum momento, haverá um golpe muito mais duro. A tendência nesse momento é colocar em prática governos bonapartistas, por fora do parlamento, ditaduras burocrático-policiais, com o exército cada vez mais na linha de frente contra o ascenso de massas, para conter o ascenso porque a toda ação corresponde uma reação.

Em cima desses ataques haverá uma reação do movimento operário que deverá ser espontânea e isso fica cada vez mais perto, dado o grau de traição da burocracia sindical entre todas as burocracias. A classe operária se levantará em resposta aos ataques do capital, passará por cima da burocracia dirigente e protagonizará grandes batalhas.

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