Segunda, 20 Agosto 2018
Por Mario Medina
 
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Gostaríamos de pensar que o Brasil está prestes a entrar numa onda de mobilização social, de aguçada consciência de classe, onde os trabalhadores sairão às ruas sedentos por justiça social e dispostos a se insurgir no mínimo movimento anti-popular deste governo golpista. 
Já pensaram?! Um Brasil às portas de sua revolução social, pra desbaratar de vez esse teatro do horror em que se transformou. Um Brasil prestes a surgir para o futuro, para acertar as contas com a distribuição de renda, para conhecer o progresso, educar suas massas, levar qualidade de vida às suas famílias, apresentar um futuro promissor às suas crianças, oferecer a seus jovens um justo ideal no qual consumir seu trabalho e sua energia. Mas infelizmente não são essas as perspectivas, e temos que, com os pés no chão, analisar friamente os fatos e prognosticar com realismo os dias que virão. 
Seria ótimo traçar um perfil da revolução brasileira, mas temos, por motivos óbvios, que nos ver primeiro com o processo de contra-revolução por assim dizer, este dos últimos meses e anos, de duro cenário de contra-reformas imposto pelo capital em vista da crise mundial do capitalismo que diminui suas taxas de lucro.
Em vista do que temos assistido em termos de retrocessos sociais, comparando o desenvolvimento dos fatos ocorridos em terras brasileiras com a atual definição geoestratégica mundial, podemos imaginar o seguinte cenário:
Será praticamente impossível haver uma chapa nacional-desenvolvimentista eleita em alguma das próximas eleições presidenciais. A influência americana foi reestabelecida, o golpe é reflexo direto disso, e a direita mais neoliberaloide está destinada a ficar na gerência de turno do estado pelo próximo período, num estado que vai aderir ainda mais à escalada repressiva e truculenta. 
O braço do estado vai pesar sobre a população. Sobretudo nas periferias. Processo de recolonização da economia e da política brasileira com consequências duríssimas de estado policial. Tudo pra garantir o Brasil como pólo de superexploração de força de trabalho barata e como plataforma de rentismo para a farra do capital especulativo. 
Teremos um cenário de desindustrialização se acentuando, com o país fadado a se resignar com seu posto de mero exportador de commodities, como está sendo deliberado pelo imperialismo para continuar a ser na divisão internacional do trabalho. 
O Brasil como possível futura potência mundial renuncia às suas ambições para voltar à órbita estadunidense. Com algum capital chinês também, é verdade, mas muito longe de ser uma economia com vistas a intercambiar mais de igual pra igual com as potências mundiais, sejam elas dos Brics ou mais aliadas à Otan. O negócio aqui é exportar soja, gado e minério de ferro. Para acabar com qualquer pretensão de sustentabilidade.
O Brasil fadado a se tornar uma Colômbia da vida, um México, num emaranhado de cartéis do crime organizado assumindo posições no estado; um país mergulhado em sangue, convulso em meio à violência e à miséria. 
Para superar a atual condição e o lamentável prognóstico a que tal condição nos remete, seria necessário um imediato levante de massas, com poderosas greves gerais a paralisar produção e circulação de produtos, levando o povo às ruas em um processo semelhante ao de 2013, só que num movimento genuíno da classe trabalhadora, e não como as jornadas de então foram posteriormente remodeladas, capitaneadas pela direita que tinha interesse em não mexer nas estruturas de poder estabelecidas.
Somente um tal movimento de massas teria condições objetivas de frear o andamento da política brasileira tal como o delineamos por aqui. E tal movimento, além de uma natural disposição ao enfrentamento com o poder econômico e seu regime por parte das massas, requereria uma direção capaz de centralizar politicamente suas forças. 
Ou seja, tanto objetivamente,  tendo em vista que o descontentamento político ainda não resultou em aberta revolta social, quanto politicamente falando, no que tange à influência programática de um partido revolucionário capaz de falar a essas mesmas massas e dirigi-las à tomada de iniciativas contundentes, estamos impedidos de nos preocupar com a construção do socialismo para ter de falar aonde a contra-revolução está nos levando agora. 
Mas as tensões dialéticas é que movem a história. Passaremos da contra revolução à revolução. A história não acabou. Às vezes dá-se um passo atrás para em seguida dar dois passos a frente. Construir um processo grande de emancipação passa por ter paciência e perseverança em cada pequeno passo, com firmeza e dignidade.

Nacional

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