Quarta, 21 Fevereiro 2018

ditadura1

Uma intervenção militar seria um passo arriscado, verdade, mas é uma das possibilidades inscritas na realidade brasileira, até porque há movimentações de milicos nesse sentido e até um ensaio geral na ocupação da Rocinha. Tudo depende da evolução dos acontecimentos nas próximas semanas. Raquel Dodge, a nova PGR (Procuradora Geral da República) está incumbida de "colocar ordem na casa". Uma intervenção militar desastrada jogaria o país em convulsão social. E a crise política em evidência não é tão incontornável que as forças armadas se sintam legitimadas para intervir. Os milicos não são tão obtusos assim. De nossa parte, temos que avaliar que os movimentos populares estão em crise; a classe operária, inerte; a burocracia sindical e os partidos políticos de esquerda, paralisados. Não haveria necessidade do exército entrar em cena pra controlar a situação para as elites. Só há contrarrevolução na medida em que há revolução. Um pólo move o outro. A reação não tem porquê arriscar uma manobra extrema. Seria atiçar um setor que está sob controle. De todo modo, a situação é crítica. Temer, a despeito de sua ilegitimidade, continua livre para aplicar uma agenda muito próxima da desejada pelo imperialismo, com um pacotaço de 57 privatizações de bens públicos. Só não avança por conta de sua impopularidade e por depender do congresso, que por sua vez se preocupa em se poupar para as próximas eleições. As centrais sindicais não se mobilizam pra parar o país e estancar a sangria. A CUT joga todo peso na defesa de Lula com a esperança de fazê-lo candidato ano que vem, quando, na verdade, até analistas políticos adaptados ao regime calculam que não haverá eleições. Faz todo sentido. O que nos faria pensar que os golpistas abririam mão do poder em meio ao ajuste que tocam para o Tio Sam? É ingenuidade desmedida acreditar que o processo possa ser revertido via eleição. As eleições, se ocorrerem, serão completamente manipuladas. É o único jeito de eleger um picareta com programa anti-povo para governar o país. Apesar da opinião pública já ser manipulada pelo monopólio da imprensa, e da maior empresa de telecomunicações do país fazer campanha aberta para o PSDB, o programa representado pelo impostor Aécio foi rejeitado nas urnas. Começou a ser aplicado logo em seguida por força das imposições do mercado e da capitulação petista; foi colocado em ação com o advento do golpe e da subida de Temer ao poder; e caminha para ser integralmente aplicado, seja por Rodrigo Maia, em eventual nova cassação, ou até pelos militares caso a conjuntura política exija. É um golpe permanente contra a população. Tudo para que a máfia de banqueiros e rentistas, dos milionários magnatas de dentro e fora do país recuperem a taxa de lucro que a crise lhes desfalcou. Soberania nacional agora é lenda. Vivemos em franca decadência, com desindustrialização, entrega dos patrimônios à rapinagem imperialista, descarada drenagem de recursos públicos para o pagamento da dívida, uma classe política vendida se locupletando na máquina pública e um judiciário servil aos interesses dos EUA. Uma intervenção militar aqui seria a cereja do bolo para aqueles que vivem de pilhar as riquezas nacionais e super-explorar o trabalho alheio. Mas não deixa de ser um risco com o qual devemos nos preocupar e ficar atentos. O Brasil já tá na miséria. E os donos do poder não estão preocupados com quem passa necessidade. Isso é importante notar: disputas entre frações burguesas pelo poder são apenas disputas de frações burguesas pelo poder. Ao povo trabalhador interessa suas reais condições de vida, de moradia, alimentação, etc. E só a luta política da classe trabalhadora, com organização e combatividade, pode conquistar melhorias na qualidade de vida. Isso nos remete à necessidade de pautar novamente e sempre as insígnas do Programa de Transição ao socialismo, com diminuição da jornada de trabalho e reajustes mensais de salários. A classe trabalhadora depende de vender sua força de trabalho, e tem o direito legítimo de valorizá-la, e de reivindicar uma qualidade de vida razoável para continuar a produzir. É inadmissível um quadro de desemprego como o atual; é inadmissível que os filhos da classe trabalhadora estejam submetidos à fome ou a outras formas de carência. A luta do momento é resistir às investidas de Temer e barrar qualquer privatização ou corte de gastos nos serviços públicos e programas sociais, ao mesmo passo que os riscos de eventuais retrocessos na participação política sejam veementemente repelidos. Tudo isso guarda relação com as objetivas condições de vida de nosso povo.

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