Segunda, 20 Agosto 2018

Por Mario Medina    


cartaovermelho

Vai ser uma instigante saga essa candidatura do PT. Os caras vão ter que correr contra o tempo pra transferir os votos do Lula pro Haddad. Com menos tempo de TV, a campanha fica meio comprometida. E vão ter que tentar encaixar o Haddad nos debates. Além de fazer a campanha toda com Lula preso e impedido de gravar programas. Tem que ver se eles vão conseguir transparecer toda essa maracutaia midiática de perseguição ao partido. Aí pode ser que consigam ir ao segundo turno.

O cerco tá bem fechado pro PT. Mas os caras insistem nos recursos judiciais, nas dobradinhas com as oligarquias golpistas, nas alianças com as figuras mais que oportunistas do centrão, etc. Uma estratégia eleitoreira falida em meio à  circunstâncias as mais hostis. Tudo pra manter seu filão no parlamento ultra-degradado da política institucional brasileira. O PT não cansa de lutar contra a realidade.

Quem perde com isso é o povo, ludibriado pra acreditar numa política que não tem mais espaço dentro do contexto de crise sistêmica do capital. As elites seguirão impiedosas na aplicação das austeridades. O povo que se vire sem emprego, sem renda, nas desventuras da informalidade, comendo o pão que o diabo amassou dentro das novas regras trabalhistas impostas pelo golpismo, na inadimplência, na miséria, com tarifas insustentáveis, salário mínimo estagnado, etc. O Brasil foi entregue aos abutres. Virou plataforma de mão de obra barata para os patrões e lucros fáceis àqueles que vivem de juros e rentismo. Os magnatas tem a grande imprensa à sua disposição, judiciário servil e forças armadas dispostas a intervir sempre que necessário.

O jogo tá armado, o pessoal tá em campo, mas o resultado já foi decidido pelos donos do poder. E eles não permitirão nada fora de uma margem previamente estabelecida para o ganho da banca.

O PT tá disponível aos senhores da situação se assim for do agrado destes. O PT, a despeito de ser rejeitado para a gestão de turno do capital, tá numa situação cômoda à medida que mantém a hegemonia do aparato burocrático dos sindicatos e segue elegendo bancadas parlamentares Brasil afora. O PT tá cumprindo seu velho papel de esquerda do regime burguês estabelecido. É um papel necessário ao habitual andamento do regime, pra contrabalançar com as direitas na polarização político-ideológica aceita pelo sistema.

Como dito no início do artigo, é um jogo político que pode ser ou parecer instigante, mas que já tem seus horizontes bem delimitados. Por isso a opção dos comunistas em não se envolver com o circo armado mas, pelo contrário, apontar aos trabalhadores as saídas extra-institucionais, que são as saídas determinantes na luta de classes. Nem a candidatura do PSTU, que fala em revolução socialista, tá a serviço da emancipação política dos trabalhadores. Aliás, o PSTU ao longo dos anos já deu mostras suficientes do lado que está. Diante do golpe e da avacalhação que se tornou essa eleição, pra presidente a gente vai de voto nulo.

Por Mário Medina

 neymar
 

O futebol brasileiro carece de objetividade, né. Fato. Não adianta ter um futebol habilidoso, bonito, envolvente, se na hora da finalização não se acerta o gol. Em geral, pra fazer gol, o jogador precisa bater a bola com força e no canto do goleiro, como o atacante belga De Bruyne fez no segundo gol contra o time do Brasil.
Neymar e Coutinho tem uma boa técnica pro arremate de fora da área, mas não chutavam pro gol. Coutinho chegou a acertar uma pancada no meio do gol, defesa fácil pra Courtois. No final do jogo Neymar finalizou bem de fora da área, e com um pouco mais de esforço o goleiro dos caras foi buscar. William, que também acerta bons chutes a meia distância, não entrou muito inspirado e teve que sair pra substituição.
Aliás, por falar em substituição, Tite não teve a felicidade de trocar as peças certas. Meteu em campo pra jogar desde o início um cara como o Fernandinho, remanescente dos 7 x 1, e foi previsível e nada criativo na hora em que precisava virar o placar pra continuar na copa.
O time do cara é bom, o esquema não é retranqueiro, tirando um ou outro o nível técnico é altíssimo, etc, mas, porra, por que não manda os caras chutarem com força pro gol? Por que não manda os caras arrematarem logo ao invés de ficarem tentando furar a retranca adversária enquanto corre o tempo pra eliminação? Será que esses caras não treinam finalização?! Não é possível!
O futebol brasileiro é muito bonito de se ver, é admirável, no melhor estilo sul-americano de criação no meio de campo, com dribles, ginga, elegância de movimentos. Só precisa de um mínimo de disciplina tática e de objetividade. Se não for assim, aí a gente vai ter que se acostumar a perder pra times europeus de muito menor expressão mas que jogam com inteligência e razão. Nosso estilo de jogo expressa uma filosofia, uma estética, faz parte da nossa singularidade e encanta o mundo todo porque realmente é de uma beleza incrível; mas precisa ser mais assertivo pra sobreviver a tempos pragmáticos. Tem horas em que é preciso bater pro gol, tem horas em que é preciso bater forte, bater no canto. Nosso problema, além da falta de pulso e visão de Tite, é não ter atacantes do calibre de outrora. Romário e Ronaldo fazem falta nessas horas. Outras seleções, com elencos limitados e muito inferiores a esse de agora, tinham centroavantes que metiam gol porque desbravavam as defesas adversárias de modo arrojado, porque não temiam enfiar um bico na hora de fazer um gol. Poderia ficar aqui citando vários jogadores.
O Gabriel Jesus precisa alisar menos a bola e acertar mais o gol. O menino é brilhante, corre, se esforça, mas tem que chutar pro gol, porra! Com esse Jesus aí a gente fica sem salvação.
Vamos ver se agora o pessoal fica mais esperto com o desmonte que os golpistas estão nos impondo. Em política a gente anda alisando muito a bola também. Tem que entrar duro metendo a bicuda na canela, com greve geral os caraio! Me perdoem as palavras pouco amenas e um tantinho virulentas. A luta de classes está comendo solta. É preciso agir como um operário de fábrica nessas horas. Sem firúlas, mas com firmeza.

Por Mario Medina
 
classe slide
 
Gostaríamos de pensar que o Brasil está prestes a entrar numa onda de mobilização social, de aguçada consciência de classe, onde os trabalhadores sairão às ruas sedentos por justiça social e dispostos a se insurgir no mínimo movimento anti-popular deste governo golpista. 
Já pensaram?! Um Brasil às portas de sua revolução social, pra desbaratar de vez esse teatro do horror em que se transformou. Um Brasil prestes a surgir para o futuro, para acertar as contas com a distribuição de renda, para conhecer o progresso, educar suas massas, levar qualidade de vida às suas famílias, apresentar um futuro promissor às suas crianças, oferecer a seus jovens um justo ideal no qual consumir seu trabalho e sua energia. Mas infelizmente não são essas as perspectivas, e temos que, com os pés no chão, analisar friamente os fatos e prognosticar com realismo os dias que virão. 
Seria ótimo traçar um perfil da revolução brasileira, mas temos, por motivos óbvios, que nos ver primeiro com o processo de contra-revolução por assim dizer, este dos últimos meses e anos, de duro cenário de contra-reformas imposto pelo capital em vista da crise mundial do capitalismo que diminui suas taxas de lucro.
Em vista do que temos assistido em termos de retrocessos sociais, comparando o desenvolvimento dos fatos ocorridos em terras brasileiras com a atual definição geoestratégica mundial, podemos imaginar o seguinte cenário:
Será praticamente impossível haver uma chapa nacional-desenvolvimentista eleita em alguma das próximas eleições presidenciais. A influência americana foi reestabelecida, o golpe é reflexo direto disso, e a direita mais neoliberaloide está destinada a ficar na gerência de turno do estado pelo próximo período, num estado que vai aderir ainda mais à escalada repressiva e truculenta. 
O braço do estado vai pesar sobre a população. Sobretudo nas periferias. Processo de recolonização da economia e da política brasileira com consequências duríssimas de estado policial. Tudo pra garantir o Brasil como pólo de superexploração de força de trabalho barata e como plataforma de rentismo para a farra do capital especulativo. 
Teremos um cenário de desindustrialização se acentuando, com o país fadado a se resignar com seu posto de mero exportador de commodities, como está sendo deliberado pelo imperialismo para continuar a ser na divisão internacional do trabalho. 
O Brasil como possível futura potência mundial renuncia às suas ambições para voltar à órbita estadunidense. Com algum capital chinês também, é verdade, mas muito longe de ser uma economia com vistas a intercambiar mais de igual pra igual com as potências mundiais, sejam elas dos Brics ou mais aliadas à Otan. O negócio aqui é exportar soja, gado e minério de ferro. Para acabar com qualquer pretensão de sustentabilidade.
O Brasil fadado a se tornar uma Colômbia da vida, um México, num emaranhado de cartéis do crime organizado assumindo posições no estado; um país mergulhado em sangue, convulso em meio à violência e à miséria. 
Para superar a atual condição e o lamentável prognóstico a que tal condição nos remete, seria necessário um imediato levante de massas, com poderosas greves gerais a paralisar produção e circulação de produtos, levando o povo às ruas em um processo semelhante ao de 2013, só que num movimento genuíno da classe trabalhadora, e não como as jornadas de então foram posteriormente remodeladas, capitaneadas pela direita que tinha interesse em não mexer nas estruturas de poder estabelecidas.
Somente um tal movimento de massas teria condições objetivas de frear o andamento da política brasileira tal como o delineamos por aqui. E tal movimento, além de uma natural disposição ao enfrentamento com o poder econômico e seu regime por parte das massas, requereria uma direção capaz de centralizar politicamente suas forças. 
Ou seja, tanto objetivamente,  tendo em vista que o descontentamento político ainda não resultou em aberta revolta social, quanto politicamente falando, no que tange à influência programática de um partido revolucionário capaz de falar a essas mesmas massas e dirigi-las à tomada de iniciativas contundentes, estamos impedidos de nos preocupar com a construção do socialismo para ter de falar aonde a contra-revolução está nos levando agora. 
Mas as tensões dialéticas é que movem a história. Passaremos da contra revolução à revolução. A história não acabou. Às vezes dá-se um passo atrás para em seguida dar dois passos a frente. Construir um processo grande de emancipação passa por ter paciência e perseverança em cada pequeno passo, com firmeza e dignidade.

process

por Mario Medina

Ontem fui no cinema ver o filme do golpe. "O Processo" , da Maria Augusta Ramos. O nome não é à toa. Faz referência ao célebre romance do Kafka. O impeachment da Dilma foi praticamente uma peça kafkiana, e isso o documentário aponta com sobriedade. Não é um filme imparcial; não é um filme pra coxinhas. É um filme pra mostrar mesmo toda a sacanagem que foi o processo. A diretora focou seu trabalho no acompanhamento da bancada petista do senado, enquanto tramitava ali o indecoroso pedido de impeachment defendido pela advogada Janaina Pascoal. Aliás, esta senhora também foi filmada em sua estada pelos corredores do senado federal ao longo das arguições. A diretora Maria Augusta Ramos optou por esse enfoque: bancada petista versus Janaina Pascoal na votação do impeachment no senado. O filme só foge disso pra contextualizar em forma de legenda algumas movimentações vindas da câmara e pra mostrar a reação de manifestantes pró e contra golpe na esplanada dos ministérios; além do início do filme, que é um resumo de imagens da famosa tarde de votação do impeachment na câmara, comandada pelo bandido Eduardo Cunha. O filme começa assim: uma espécie de panorâmica da esplanada e logo em seguida o referido show de horrores no congresso. Evidente que, como assinalei acima, o filme não é imparcial. A edição do vasto material coletado converge para duas horas e meia de filme em que o telespectador é colocado diante do ardiloso plano executado por Cunha, PSDB e Janaina Pascoal para afastar ilegimamente a presidente Dilma. O filme desnuda toda essa maquinação. Fica claro o jogo de cartas marcadas no congresso, fica cristalino o cinismo de Janaina Pascoal. Chega a ser risível de tanta hipocrisia que é exposta da parte dos que comandaram o processo do golpe.
Fiz questão de ver o filme no cinema porque queria notar a reação do público. Tá ok que o filme tende a ficar restrito a um circuito alternativo; eu mesmo fui numa sessão na avenida Paulista, em um cinema frequentado por público mais ilustrado; mas queria ver a reação das pessoas. E não deu outra, a reação é de comicidade diante de tanta patifaria e cara de pau. As cenas da advogada Janaina são de longe as mais hilariantes. O cinema veio abaixo em risadas com uma cena da advogada tomando um Toddynho. A semiótica da cena não podia ser mais pertinente. Janaina Pascoal atuou como uma criança mimada, por pura birra. Maria Augusta fez questão de mostrar a ligação de Janaina à bancada evangélica, aos interesses conservadores; mostrando suas motivações ideológicas e sua paixão partidária. Mas Janaina começou tudo, é verdade, e é importante dizer, recebendo 45 mil reais do PSDB pra elaborar a peça acusatória.
Quer dizer, o impeachment foi mesmo um golpe deslavado, um golpe jurídico-parlamentar, com apoio midiático, pra sacar do poder por motivações políticas e econômicas uma presidente que já não era mais a primeira opção do mercado. Eduardo Cunha fez questão de acelerar ao máximo todo o trâmite, em retaliação pelo PT não tê-lo salvado da comissão de ética da câmara, que posteriormente o afastaria de suas funções na condução da casa por envolvimento em corrupção pesada. Ou seja, o processo todo é uma desmoralização completa.
O filme é bom mesmo. Eu recomendo. Fica meio arrastado lá pela metade, com tantas discussões de cunho burocrático que ao telespectador realmente não faz muito sentido. Digamos que é a forma burocrática contida na coisa. O que é determinante mesmo é o conteúdo político. Mas é um registro histórico. Bom pra ver como estamos imersos em jogos de aparência.

Obs 1: Interessante notar o brilhantismo da defesa de José Eduardo Cardoso. Praticamente impecável.

Obs 2: A senadora Gleisi Hoffman é uma gracinha. (Comentário meramente estético. As companheiras certamente ficarão com o charme cinquentão do Zé Eduardo Cardoso...rs)

 

Por Mário Medina

tacao

 
O Tacão de Ferro, de Jack London, é um livro que impressiona. Muito bom realmente. Trata-se de um romance, uma espécie de ficção sociológica em que o autor se vale do gênero literário para expor conceitos do marxismo e defender a tese de que nenhuma ilusão pacifista ou reformista seria capaz de impedir que o capitalismo enveredasse por regimes de violência em seus períodos de crise. E Jack London faz isso com maestria, prognosticando o socialismo reformista do início do século XX como falsa alternativa aos trabalhadores e prevendo o surgimento do fascismo como módulo político funcional às elites.
O Tacão de Ferro é uma expressão criada pelo autor para designar esse endurecimento do regime político. Trata-se da história de Ernest Everhard (o nome não é a toa), operário intelectual, líder do partido socialista, e posteriormente eleito deputado, que faz amizade com um professor universitário progressista e acaba por se envolver com sua filha, que por sua vez adere aos ideais de seu amado e escreve o livro como modo de reconhecer e engrandecer o trabalho de Everhard. É um livro escrito na primeira pessoa, com notas de rodapé de um editor do futuro, que escreve setecentos anos depois dos acontecimentos relatados no manuscrito. É um livro instigante, violento sobretudo da metade até o final, assumindo ares de distopia, mas que antecipa e prevê muito do que realmente aconteceria no trágico século XX.
O Tacão de Ferro foi publicado em 1907, tido à época como pessimista, acabou por se revelar uma profecia acertada do que viria a ser o sistema capitalista das décadas posteriores. O livro tem erros; na edição da Boitempo, com tradução de Afonso Teixeira Filho, há um posfácio de Trotsky no qual o mesmo reconhece haver erros, mas é de fato um clássico da literatura e merece ser propagado, tanto por sua riqueza estilística quanto pela tese extremamente atual da agonia do capitalismo como modo de produção caduco e fadado à barbárie.
O livro é extremamente atual porque aponta para o regime de barbárie social e violência política do imperialismo e porque coloca a questão da burocracia sindical como elemento importante do status quo; uma casta à parte é formada, dando origem a uma aristocracia operária, traidora, odiada pelos trabalhadores. O que tem tudo a ver com o peleguismo chapa branca do qual temos insistentemente falado como sendo um dos elos podres do regime político a ser ultrapassado pelo conjunto dos trabalhadores.
Outra característica interessante da obra é a hipérbole como elemento de narrativa, o que fez London chegar ao extremo de descrever essa aristocracia operária como elemento completamente apartado da massa de trabalhadores, vivendo em bairros separados, com escolas específicas para seus filhos, etc. De igual modo London hiperboliza o quadro social do lumpem-proletariado, chamado no livro de "povo do abismo", uma massa de miseráveis, extremamente violenta e ignorante, também apartada do convívio comum e que tinha sua funcionalidade social: barbarizar e servir de massa de manobra aos interesses do Tacão de Ferro.

Nacional

A Ditadura do Judiciário e a libertação de Lula

03 Agosto 2018
A Ditadura do Judiciário e a libertação de Lula

O golpe de Estado no Brasil, capitaneado pelo Poder Judiciário, avança de vento em popa. Com a aproximação do prazo final para inscrições de candidatos ao cargo de Presidente da...

Devorados pelo Judiciário

20 Julho 2018
Devorados pelo Judiciário

A ilusão da esquerda nas instituições do Estado burguês fica manifesta com a postura quase que religiosa de confiança na Justiça burguesa. Porém, esse crédito na isenção dos julgadores brasileiros...

Esquerda dá verniz democrático às eleições golpistas

19 Julho 2018
Esquerda dá verniz democrático às eleições golpistas

Qual é a relação entre o golpe de Estado em curso no país e as eleições marcadas para o mês de outubro? Temos que entender que esses dois eventos não...

O judiciário golpista e a liberdade de Lula

18 Julho 2018
O judiciário golpista e a liberdade de Lula

No domingo, dia 8 de julho, fomos surpreendidos com o ato de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que funciona como segunda instância da "República de...

Luta operária e sindical no Brasil - Parte II

13 Julho 2018
Luta operária e sindical no Brasil  - Parte II

Para entender qual deve ser a tendência da burocracia para o futuro dos sindicatos devemos analisar dialeticamente o sindicalismo no Brasil. A ditadura Vargas do Estado Novo nos anos 40...

Gazeta Revolucionária [pdf]

Saiba Mais

Massacre ao povo palestino (parte...

A Intifada palestina     Intifada significa revolta, ou literalmente...

Massacre ao povo palestino (parte...

A criação do Estado de Israel Não foi da noite...

Massacre ao povo palestino (parte...

Sionismo praticando a necropolítica em Gaza     A propósito,...

Massacre ao povo palestino (parte...

Nakba, 70 anos de assassinatos No dia 14 de maio...