Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

A época em que vivemos é marcada pelo período neoliberal do sistema capitalista em decadência. O aprofundamento da exploração nas últimas décadas  é consequência, entre outros, mas determinantemente, pela abertura da economia chinesa ao mercado mundial, desde o final da década de 1970, e pela restauração capitalista na URSS e no leste Europeu, no final da década de 1980.

O desmantelamento do aparato burocrático stalinista em todo o mundo, não significou o fim da burocracia. Significou, sim, o seu deslocamento à direita, com maior integração ao regime e ao Estado burguês.

A desastrosa condução burocrática dos Estados Operários degenerados provocou a restauração do capitalismo e deu fôlego para a burguesia a nível mundial. Setores da burocracia stalinista, em vários Estados Operários extintos, se apropriaram de parte da economia estatizada e se transformaram diretamente em burgueses, outros criaram as mais diversas organizações criminosas, máfias de todo tipo, no afã de preservar a base material fonte de seus privilégios.

Trotsky, na “Revolução Traída”, define a burocracia como uma casta privilegiada que controla com unhas e dentes o aparato estatal, fonte dos privilégios dessa minoria. A burocracia cria e defende seus próprios privilégios, parasitando as instituições operárias. Esta é a sua razão de ser e seu modo de vida.

Também, nos Estados Burgueses, principalmente Europa e Estados Unidos, com o fim do estado de bem estar social, a social democracia, os PS’s e os PC’s vão à direita numa velocidade supersônica.

Nas semicolônias, especificamente na América Latina, após o fim da guerra fria, a direitização das direções reformistas levam à integração direta ao regime burguês e passam a defendê-lo como estratégico. O PT controlou parcelas do Estado burguês por 13 anos e provocou um retrocesso tal na mobilização e organização do movimento de massas que pariu uma conjuntura de golpe de Estado reacionário.

Também os sindicatos se tornaram refúgio de elementos que “querem se arrumar na vida”, arrivistas empedernidos. As centrais sindicais são o melhor exemplo. A CUT integrou o governo fornecendo quadros para o aparato estatal burguês, se afastando definitivamente das bases. E a “esquerda”, e até a “esquerda revolucionária”, seguiu por esse caminho criando centrais fantasmas, promovendo uma guerra fratricida de desfiliação do sindicato de uma central para se filiar a outra, estimulando a divisão do movimento operário em vez de criar condições para a unidade. Tudo isso com um único objetivo escuso: colocar a mão nos 10%, disponibilizados exclusivamente para as centrais sindicais, do dinheiro recolhido pela contribuição sindical. Os sindicatos ficavam com 60%.

Com a perda do controle de partes do aparato estatal após o golpe parlamentar do impeachment e com o fim do imposto sindical e considerando, também, que a contribuição assistencial não é uma saída viável, pois não é regulamentada e o STF entende que não cabe desconto assistencial de trabalhadores não sindicalizados, a burocracia fica pendurada no pincel.

A linha da burocracia, para salvar seus privilégios, passa a ser mais do mesmo: aprofundar a integração com os partidos burgueses na intenção de conquistar posições nos parlamentos e executivos (municipais, estaduais, federais), cargos no primeiro, segundo, terceiro escalão, o que for! E não é só o PT e o PCdoB que arquitetam conchavos com a direita. Rede e PSOL também não ficam para trás. Até o PCO já se bandeou de mala e cuia para compor com o setor mais de direita do PT.

A situação conjuntural do MM em que a direção traidora conseguiu barrar o ascenso que se pronunciou a partir do dia 8 de março de 2017, favoreceu um maior giro à direita das burocracias de todos os matizes.

Nos sindicatos o movimento é similar. Os setores mais de direita tentam um acordo com o governo golpista para que se edite uma medida provisória que regulamente a contribuição assistencial como compulsória também para os não sindicalizados. Inclusive em outros níveis de governo, estatais, etc., o conchavo é livre.

Os setores “mais de esquerda” se aproximam desses setores direitistas, promovendo todo tipo de acordo espúrio, à revelia da classe, demarcando territórios, apoiando-se mutuamente, independente de posição política, pois aqui se coloca em andamento  medidas extremas de sobrevivência material, física até. O desespero é total. E é um verdadeiro salve-se quem puder frenético.

E essa é a localização social e política da burocracia da LPS (Luta pelo Socialismo).  Nessa situação de crise, de aperto da burguesia no coração da burocracia, as finanças, era incompatível manter em seu seio um setor revolucionário, que militava no sentido de, exatamente, quebrar a base material da burocracia para jogar o conjunto da organização para a esquerda.

Esta é a verdade sobre a ruptura da LPS (Luta pelo Socialismo). O discurso contra o entrismo e a campanha de acusações pessoais promovida contra Alejandro Acosta e os militantes do anterior Gazeta Operária era apenas um subterfúgio para justificar a expulsão do “inconveniente” setor revolucionário.

Utilizar o termo “entrismo”, retirado do contexto em que foi pronunciado, para justificar uma campanha caluniosa de difamação é típico do mais perverso stalinismo. Pois qualquer pessoa minimamente esclarecida pode verificar que no contexto da troca de e-mails entre os companheiros Diana Maffei e Alejandro Acosta, não cabia a interpretação de que o Gazeta Operária estava fazendo entrismo na LPS (Luta pelo Socialismo).

Calúnias, subterfúgios, insinuações e ataques pessoais. Esses são os métodos da burocracia para evitar a discussão política e impedir ser desmascarada. Esses elementos são escória do movimento operário! Autênticas pulgas, piolhos, notórios parasitas indesejáveis da classe operária!

Ainda têm o desplante de enviar-nos dos seus jornais como que com a mesma rotina do período quando estávamos unificados. Por favor, se os senhores não têm para quem entregar o jornal, que não o editem! Mas nos reservamos o direito de não recebê-lo e exigimos que não gastem o dinheiro do sindicato, que é dos trabalhadores, enviando por Sedex um pacote de jornais para o nosso endereço.

Deixamos aqui o mais eloquente repúdio à burocracia contrarrevolucionária da LPS (Luta pelo Socialismo)! Na esperança e na certeza de que os trabalhadores entrarão em movimento no próximo período em resposta aos ataques inauditos promovidos pelo capital, veremos o conjunto da burocracia ser varrida do mapa!

ABAIXO A BUROCRACIA!
VIVA A LUTA DA CLASSE OPERÁRIA MUNDIAL!

Caxias do Sul, 29/09/2017.

Diana e Volmar.

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