Sábado, 22 Setembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

(Resposta à Resposta da maioria dos membros do CC da LPS
ao documento enviado pelo Companheiro Alejandro sobre o
que seria a caracterização às “duas políticas” da LPS)

Considerando que a resposta da maioria à Carta ao CC do companheiro Alejandro Acosta apenas abordou pouquíssimos dos 29 pontos colocados na discussão, e mesmo assim sob um ponto de vista estritamente burocrático sindical, vimos por meio deste documento reposicionar novamente o debate se dê em termos políticos e programáticos. Isso, apesar da evidente negativa da direção da LPS em debater o que importa de verdade, mas de justificar, como meros apologistas, o controle burocrático dos sindicatos que controlam e das alianças espúrias para manter esse controle.

O documento foi assinado por Pedro Paulo de Abreu Pinheiro (Pepê), em 04 de setembro de 2017.

01. Quem é o bonapartista? 
02. Sobre o I Pleno do CC 5
03. O que significa seguir o Que Fazer? de Vladimir I. Lenin 
04. Qual socialismo? 
05. Como construir o partido? 
06. Quem deve ser militante?
07. Conhecimento teórico ou política?
08. O que é entrismo?
09. Tudo não passaria de um jogo de intrigas
10. Aplicar o programa sem quebrar a base material?
11. Sobre a “manipulação” das atas
12. A “frente popular”
13. É possível um sindicato ser revolucionário?
14. O Sindados é um sindicato revolucionário?
15. Sintect-MG é um sindicato revolucionário?
16. Acordos com a burocracia para ganhar cargos
17. Acabou a luta de classes?
18. Finanças

 

01. Quem é o bonapartista?

Posição do Pepê (pela LPS)
De acordo com o documento escrito por Pepe “a política do companheiro Al [Alejandro] não era Leninista 100%”, mas, sim, ultra esquerdista e bonapartista.”
“o principal representante da política bonapartista dentro da LPS é o próprio companheiro Al, que se porta não como membro dirigente do partido, mas como o “dono” da Organização”.

Resposta de Alejandro Acosta
Essa colocação revela o caráter hiper burocrático do Pepê e da direção da LPS, além do uso a esmo das categorias marxistas.
Considerar que Alejandro seria bonapartista é um erro político absurdo porque Alejandro não tem base material. No melhor dos casos, ele poderia ser caraterizado como autoritário ou algo parecido, mas nunca como bonapartista, dado que para aplicar uma política de cunho bonapartista é preciso dispor de base material para controlar as pessoas, a base, a militância.
E quem dispõe de base material para controlar os militantes? Por um acaso não seria quem controla os caixas dos sindicatos? Não seria quem aplica uma política de contratações e profissionalização burocrática que esteve na base das nossas divergências?
O bonapartismo sempre existiu na LPS a partir do tratamento da maioria dos militantes como funcionários de quem controla o dinheiro, que é justamente PP e um punhadinho de outras pessoas.
Por outra parte, a política firme de Alejandro possibilitou a estabilização das reuniões que em agosto de 2016 estavam praticamente desmanteladas. E foi uma verdadeira batalha campal para impor a disciplina nas reuniões como política, dado a brutal influência da burocracia sindical nos métodos da LPS. E nunca esquecer que na primeira reunião da Coordenação Nacional da qual Alejandro participou em agosto de 2016, o caos era tão grande que Robson (que tinha faltado em três das últimas cinco reuniões) pediu para sair da coordenação da LPS porque tinha muito trabalho sindical para fazer.
Para a burocracia, não há análise política em cima da luta de classes. É uma espécie de confraria, neste caso conseguida com favores materiais para manter os próprios interesses.

Posição do Pepê (pela LPS)
“Somente nesse exemplo, podemos identificar quatro diferentes métodos stalinistas/ultra esquerdistas: covardia política (uma vez que o companheiro adota “duas caras” nas reuniões, a depender de quem participa do fórum); desrespeito ao centralismo democrático; bonapartismo e ausência de autocrítica.”

Resposta de Alejandro Acosta
O documento de Pepe/ LPS, sob o ponto de vista do marxismo, é um verdadeiro lixo político. Tudo seria um problema de método ou questões pessoais; conspirações de Alejandro e outros militantes contra os revolucionários da LPS, que na realidade não passam de burocratas sindicais. Não há uma única palavra em relação às duas políticas denunciadas na Carta ao CC (escrita por Alejandro), nada em relação à luta de classes, nada em relação à caraterização da situação política, à construção do partido revolucionário e à luta pela revolução operária. Tudo é burocratismo do mais puro, uma construção própria da burocracia sindical acostumada com os acordos de bastidores e trapaças entre as correntes sindicais burocratizadas.

02. Sobre o I Pleno do CC

Posição do Pepê (pela LPS)
“Al [Alejandro] colocou os documentos que ele escreveu na internet, para todos lerem, no mesmo instante em que repassava para análise e modificações por parte da direção da Organização, criando uma situação incômoda, sendo ele criticado em reunião por tal conduta arbitrária. Al, aos poucos, inviabilizou a realização do jornal da LPS Sindical e as reuniões daqueles sindicalistas, o que inviabilizou a existência da própria LPS Sindical.”

Resposta de Alejandro Acosta
1) Para a burocracia, os problemas políticos se relacionam com conspirações. E a política deveria ser colocada a serviço do sindicalismo burocratizado.
Os documentos do I Pleno do CC foram escritos por Alejandro e publicados. Por que? Porque a política revolucionária deve ser feita para as massas e não para uma confraria burocrática. E justamente a partir do I Pleno do CC foi quando as divergências se avolumaram. A burocracia queria continuar aprovando por unanimidade todos os documentos que Alejandro escrevia, mas sem aplicar absolutamente nada, dando continuidade ao trabalho sindical burocrático, que se relaciona com os próprios interesses materiais que está na base da burocracia.
Na revisão realizada pela ala burocrática do documento, o documento foi literalmente capado. A escandalosa “revisão” chegou a tirar até que a LPS segue do Materialismo Histórico. Ou seja, as concordâncias teóricas e programáticas quando foram levadas à prática se tornaram em discordâncias abismais. Elas se acentuaram com a perda do imposto sindical que levou a ala burocrática à tentativa de manter os recursos e o controle dos aparatos a qualquer custo.
2) Um dos métodos mais clássicos da burocracia é a terceirização do oportunismo. Conforme decidido no I Congresso da LPS, Alejandro não era o responsável pela LPS Sindical, mas PP e os sindicalistas, principalmente Robson (Correios), Rosane (Sindados) e Cleide (Sindibel).
3) Havia um período pré-congressual aberto para o II Congresso da LPS que deveria ter acontecido em outubro e que a ala burocrática implodiu. Os documentos deviam ser amplamente discutidos pela militância. A política da LPS devia ser exposta aos trabalhadores. Os erros deviam ser determinados, auto criticados com firmeza, estabelecendo mecanismos para corrigi-los.
A ala burocrática queria que o documento do I Pleno do CC fosse discutido apenas no CC. Mesmo assim, após o documento ter sido enviado por e-mail e avisado que seria enviado para os militantes (o que era a norma estabelecida) ninguém se manifestou. Esse seria apenas um problema de método. Mas as divergências de método encobrem divergências políticas profundas.

03. O que significa seguir o Que Fazer? de Vladimir I. Lenin

Posição do Pepê (pela LPS)
“Impugnamos suas [de Alejandro] críticas, da maneira como estão colocadas, de que não seguimos o modelo leninista de partido, expresso no livro “O Que Fazer?” de Lenin, nem as deliberações do I Congresso da LPS (programa, política e organizativo).
Sujeitos a erros e descumprimentos de resoluções e deliberações do Partido. Todavia, isso não descredencia as nossas convicções e engajamento na luta pelo socialismo, apenas expõe o nível de maturidade e de debilidade dos militantes da LPS (tanto os que eram da antiga Luta Popular e Sindical quando os da antiga Gazeta Operária) e nos debates, avaliações, cursos de formação e desenvolvimento dos trabalhados, vamos corrigindo e aprimorando.”

Resposta de Alejandro Acosta
De acordo com a burocracia, os erros não são programáticos, apenas quantitativos. Não é preciso quebrar com a base material desses erros e do oportunismo.
Devido ao caráter pequeno burguês da burocracia, ela só está preocupada em salvar os próprios privilégios. Para ela a luta de classes não existe. Não há uma brutal pressão da burguesia contra os sindicatos que foram atrelados ao estado desde o Estado Novo de Getúlio Vargas.
Seguir o Que Fazer? de Lenin implica em romper com o sindicalismo burocrático e, portanto, com a base material do sindicalismo. É preciso colocar no centro da organização revolucionária a atuação para a construção de uma organização de agitação e propaganda.
O Programa e todos os documentos do I Congresso da LPS foram escritos por Alejandro Acosta. Agora, segundo essa burocracia direitizada, resulta que Alejandro seria contra o que ele mesmo escreveu, que seria defendido por ela. O que isso seria se não um golpe burocrático para consumo interno, dos militantes desavisados?

04. Qual socialismo?

Posição do Pepê (pela LPS)
“naturalmente, a pressão e a influência do movimento sindical atual (burocrático e atrasado). Entretanto, estes militantes têm desenvolvido uma luta férrea contra a burocracia sindical; contra a frente popular, encabeçada pelo PT; contra o Estado capitalista e suas instituições. Justamente por isso criamos a LPS (e depois aceitamos a fusão com a Gazeta Operária), com o compromisso de defendermos o programa marxista, ou seja: a luta pelo socialismo.”

Resposta de Alejandro Acosta
Não é possível lutar contra a frente popular sendo sindicalistas burocratizados e sem quebrar a base material da burocracia. Reforçamos que o sindicalismo no Brasil é um sindicalismo estatal, atrelado aos órgãos do estado, como o Ministério do Trabalho e a Secretaria da Fazenda.
A burocracias não fala uma única palavra sobre a luta de classes, a burguesia, a classe operária, o imperialismo etc. É tudo um problema de boas intenções, embora que na prática, essas boas intenções não passem da tentativa de manter um certo verniz demagógico com o objetivo de manter o controle burocrático dos aparatos.
O socialismo da LPS não passa de um “socialismo sindical”, o que portanto, não tem nada de socialismo e tem tudo de burocratismo sindical.

05. Como construir o partido?

Posição do Pepê (pela LPS)
“a fase da construção da LPS, em relação ao Partido Bolchevique, está num período ainda anterior ao da constituição do “grupo central” que viria a ser o partido bolchevique que, a partir de 1903, graças à sua férrea disciplina e orientação política, embasada no “O Que Fazer?”, conseguiu organizar-se e dirigir a revolução russa a partir do segundo semestre de 1917.
Nesse sentido, o companheiro Al, que se diz um revolucionário marxista “puro sangue”, esquece-se de uma premissa básica do marxismo que é o etapismo”

Resposta de Alejandro Acosta
1) A LPS não está no período anterior a 1903 em que havia grupos políticos marxistas locais, mas encampa o economicismo (o sindicalismo) ao pê da letra que foi o principal alvo da crítica realizada por Lenin no Que Fazer?. E o sindicalismo de hoje no Brasil, em 2017, não é o sindicalismo militante que Lenin criticou, mas o sindicalismo hiper burocrático moribundo porque ele faz parte da política de conciliação de classes da “frente popular” encabeçada pelo PT.
2) Alejandro não se acha “marxista puro sangue”. Ele simplesmente defendeu que fosse aplicada a política leninista na prática e que a Organização não seja uma fachada para uma política sindical, mas uma organização de agitação e propaganda conforme orientado por Lenin.

Posição do Pepê (pela LPS)
“Nos encontramos, ainda, dando os primeiros passos na constituição do que queremos seja o Partido Operário Revolucionário e não será a aprovação de um conjunto de resoluções ou oito aprovações de defesa do programa da LPS que vai garantir a disciplina e os acertos deste “coletivo”. Mas, sim, a seriedade e a verdadeira vontade de construirmos o partido, no atual processo da luta de classes, baseado nos ensinamentos dos teóricos marxistas, seja corrigindo os erros, sobretudo dos quadros dirigentes, avaliando nossas debilidades, interferindo junto às amplas massas, nos formando teoricamente, depurando a militância, etc.”

Resposta de Alejandro Acosta
É óbvio que a mera aprovação de um programa revolucionário era o primeiro passo. Era preciso, uma vez tendo sido aprovado, aplica-lo. E foi justamente neste ponto, em cima da direitização generalizada do regime político e da “frente popular” que a ala burocrática da LPS foi para cima da ala revolucionária, até expulsa-la devido ao aumento dos riscos em relação ao controle dos aparatos sindicais.
A burocracia da LPS não fala uma única palavra sobre a pressão material da burocracia que é alimentada a partir do Estado. Nada sobre a construção do partido revolucionário a partir do CC, que não pode ser realizada por sindicalistas, mas por marxistas. O problema para esta burocracia não seria que o partido enfrenta uma brutal pressão da burguesia, e principalmente da pequeno-burguesia na sua construção, mas seria apenas um problema quantitativo: que os sindicalistas (sem abandonarem a própria política “economicista”, sindicalista burocrática) iriam supostamente evoluindo quantitativamente aos poucos. Isso somente poderia funcionar no mundo de Alice. Mas para a burocracia o que está escrito não passa de mera demagogia. A teoria é uma coisa, a prática outra. E afinal de contas, o verdadeiro interesse passa pelo controle burocrático dos aparatos.

06. Quem deve ser militante?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Como fica claro, o maior provedor dessa política “contrarrevolucionária”, de enfraquecimento das fronteiras entre militantes e simpatizantes, responsável por uma “clara penetração oportunista nas fileiras do partido” foi aquele que se autodenomina “revolucionário leninista”.

Resposta de Alejandro Acosta
Para a ala burocrático sindical, o problema da dissolução dos militantes no meio dos simpatizantes seriam os métodos de Alejandro. Em primeiro lugar, essa política oportunista era praticada muito antes da fusão com o antigo Gazeta Operária, em agosto de 2016.
Para a ala burocrático sindical, essa política podre estaria NO CAMINHO correto e deveria ser mantida, aperfeiçoada. Nada de luta de classes. Nada de pressão do imperialismo e da frente popular. Mera fachada política para um trabalho burocrático sindical.
O CC era, e continua, composto por pessoas que além de não serem marxistas, nem sequer eram, nem são, dirigentes. No CC, havia até simpatizantes e na I Conferência da LPS (realizada em Brasília em julho de 2016), até José Rodrigues (o principal dirigente do Sintect-PI, que é membro do PCB) foi convidado pessoalmente por Pepe para fazer parte da Coordenação Nacional, simplesmente por tratar-se de um dirigente sindical.
Nos núcleos (células), se misturam militantes com simpatizantes sob a alegação de que é isso o possível devido ao nosso estado embrionário. Não se trata de uma debilidade, mas de uma política que busca manter a LPS como uma fachada para a política sindical.

07. Conhecimento teórico ou política?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Todo militante deve ser verdadeiramente revolucionário, isto é, ser sério, convicto da necessidade de lutar defendendo o programa e a política da organização à qual decidiu militar. Isto significa vestir a camisa da organização. Entretanto, o seu conhecimento não evoluirá como num passe de mágica.”

Resposta de Alejandro Acosta
Não se trata do “conhecimento” de militantes individuais o que determina o caráter de classe de uma determinada organização, mas do caminho que deve ser seguido, sobre como a Organização deve se organizar, qual política deve seguir, conforme orientado na Carta ao CC de Alejandro Acosta.
A formação deve ser precedida por colocar em prática a política revolucionária, à qual deve ser subordinada. E a formação teórica, política e ideológica não pode acontecer (de maneira revolucionária) sem quebrar a base da burocracia sindical.

08. O que é entrismo?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Entretanto, a política ultra esquerdista, os métodos bonapartistas e o descumprimento das deliberações da própria direção sem sequer fazer autocrítica, com “entrismo e sabotagens”, praticados pelo companheiro Al são a antítese do “O Que Fazer?”, do programa e da política aprovadas à LPS.”
A política sindical não “entende” pelo próprio caráter pequeno burguês que o partido é a materialização do Programa. A partir do I Pleno do CC as divergências se avolumaram conforme a “ala sindical” da LPS evoluiu rapidamente à direita assim que a frente popular se passou com mala e cuia a apoiar o governo Temer, foi aprovada a reforma trabalhista e o movimento de massas entrou em refluxo mais uma vez por causa da traição do PT em primeiro lugar, e o aumento da recessão
“Entretanto, o debate que se coloca é apenas um jogo de intrigas, que tem por objetivo jogar um companheiro contra o outro e fortalecer o “grupo” de Al (novamente a questão do entrismo).”

Resposta de Alejandro Acosta
A direção burocrática da LPS agora acusa Alejandro Acosta e outros militantes de terem praticado “entrismo” na LPS. O que realmente aconteceu?
Em certa medida, houve um “entrismo” dado que os militantes do antigo Gazeta Operária entraram na LPS para aplicar o programa e a política do Gazeta Operária e não o programa e a política oportunistas e sindical da LPS. E o objetivo não era torná-lo letra morta, mas aplicá-lo na prática.
Conforme descrito na Carta ao CC, de Alejandro Acosta, o objetivo era empurrar a LPS como um todo para a esquerda, o que implicava em primeiro lugar dotar a Organizar de um programa revolucionário como a teoria e política que deviam guiar as ações práticas.
O período pré-congressual da LPS foi aberto no início de julho de 2017, o que coincidiu com o I Pleno do CC e com a direitização generalizada da política de frente popular do PT, à qual a burocracia da LPS se encontra intrinsicamente vinculada. A partir deste momento, a ala revolucionária da LPS passou a divulgar os materiais e documentos, e a discuti-los com os militantes. A ala burocrática se opôs, cancelou o II Congresso e tentou fechar a atuação ao âmbito do CC.
A partir de julho de 2017, as duas políticas ficaram cada vez mais claras: uma política que manobrou e continua manobrando para manter o controle dos sindicatos como seus donos e, portanto, os próprios privilégios. A outra política, a política revolucionária, não podia aceitar esses controles burocráticos sob pena de morrer politicamente. Portanto, mais de um “entrismo” foi colocada a política de “saidismo” organizado da LPS, pois conforme orientou Leon Trotsky, uma vez perdidas as posições organizativas é preciso defender o programa revolucionário.
O caso de entrismo clássico que a LPS enfrentou aconteceu com a Fração Trotskista IV Internacional, que tem alguns militantes na Paraíba e no Maranhão. Esses militantes foram incorporados na época anterior à fusão da LPS com a Gazeta Operária. E o processo de expulsão foi encabeçado pelo próprio Alejandro Acosta por causa da negativa desses militantes de participarem dos debates do I Congresso da LPS, com o compromisso posterior de dissolverem a fração após o mesmo.

Posição do Pepê (pela LPS)
“o companheiro Al sabotou a última reunião do CC ampliado. Em seguida, abandonou as reuniões do FIQ com alguns militantes. Com outros, entretanto, ele usou o FIQ para difamar os companheiros PP e Rob ou para cooptá-los para sua política. Ao companheiro JE, orientou-o a se aposentar, pois ele “era sério, honesto e não iria se vender” à direção dos Correios (como se outros da diretoria do sindicato estivessem vendidos). À companheira IL, disse que tudo indicava que Rob e PP estavam metidos em falcatruas; que o sindicato estava todo burocratizado e não ia dar em nada; que ela era a mais séria do sindicato e deveria fazer uma carta de renúncia da diretoria e deveria militar com ele para fazer um trabalho na base do sindicato, etc.”

Resposta de Alejandro Acosta
Para a burocracia tudo é golpe e conspiração. E as duas políticas colocadas, conforme a Carta ao CC? Nem uma palavra, o que é normal já que a burocracia não discute programa nem política porque ela própria não tem programa nem política. No atual estágio do sindicalismo burocrático, ela segue uma política movimentistas e imediatista.

09. Tudo não passaria de um jogo de intrigas

Posição do Pepê (pela LPS)
“Por fim, o que está colocado é que a política do companheiro Al é uma traição aberta aos interesses da classe operária, pois tem por objeto impedir o crescimento da Organização que, justamente no último período, vem tendo maior visibilidade e começa a ser um fator de referência aos trabalhadores e a movimentos organizados mais à esquerda. O abandono do trabalho com as massas para se tornar apenas um militante “virtual”, uma prática já colocada em curso por Al, é a demonstração cabal do que é ser contrarrevolucionário, burocrata cristalizado e antileninista.”
“A íntegra do documento de Al revela muito mais uma ação no sentido de desestruturar e acabar com a Luta pelo Socialismo do que a manifestação de divergências que possam ser debatidas, refletidas e superadas pelo grupo. Talvez seja por esta razão, que da leitura do seu documento, tenhamos tido a conclusão de tratar-se de um documento de ruptura por parte desse militante.”

Resposta de Alejandro Acosta
1) A cereja do bolo. Vamos nos livrar de Alejandro e continuaremos construindo “o partido revolucionário”. Isso procede? O que havia antes da ida de Alejandro e de outros militantes a MG? O que ele defendeu e o que a ala burocrático sindical defendeu?
2) E o que a LPS tem a dizer sobre as 29 divergências documentadas na Carta ao CC de Alejandro, além de um monte de lixo burocrático? A única concordância com o documento do Pepê, é que se trata de uma pérola porque é uma das raras vezes em que a burocracia sindical enfrenta um debate de maneira documentada.
A burocracia per si é hiper ignorante em política por causa do próprio pragmatismo da atividade sindical burocrática ligada ao estado burguês tupiniquim. Não tem programa nem política, além da busca por defender os próprios privilégios a qualquer custo, o que lhe é imposto pela própria situação de classe, como uma camada pequeno burguesa que atua contra os trabalhadores, principalmente em períodos de refluxo.
3) O trabalho “de massas” da LPS na prática, não passa de trabalho sindical burocratizado. Os militantes não têm contatos políticos, eles têm “amigos”, inclusive porque não têm política, além do sindicalismo burocrático.

Posição do Pepê (pela LPS)
“O fato é que independente da permanência do companheiro Al no nosso coletivo, este dará continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo antes da sua chegada.”
“Temos plena consciência das nossas limitações e este é um ponto relevante para avançarmos, porque somos militantes sérios e trabalhamos para a construção do partido revolucionário.”

Resposta de Alejandro Acosta
Essas duas frases (inegáveis porque foram escrita por Pepe e não tiradas de uma ata) são duas pérolas preciosas do burocratismo.
“dar continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo antes da sua chegada” significa dar continuidade ao trabalho sindical burocrático que, neste momento, devido à situação política atual só poderá ser muito mais burocratizado que o anterior. E mais desesperado em manter os privilégios.
“somos militantes sérios e trabalhamos para a construção do partido revolucionário” Como discurso está ótimo. Mas com qual política? Com uma política hiper burocrática, sindical ou com uma política revolucionária? E o que se entende por política revolucionária? As 29 divergências expressas na Carta de Alejandro Acosta ao CC decantam no sentido prático, o que implica a aplicação do programa revolucionário marxista, além das palavras.
Alejandro dotou a LPS de um Programa, o que somente pode acontecer por meio de muita luta. A crise começou a ficar insustentável a partir do I Pleno do CC por conta da virada da ala burocrática sindical, pelos motivos materiais já esclarecidos. E não esquecer que não há prática revolucionária sem teoria revolucionária, e vice versa. Agora, a questão colocada é se o Programa será papel morto. Até o próprio entendimento do que é o Programa revela a direitização burocrática da LPS.
O Programa reflete a razão de ser da Organização, mas ele se desenvolve com a evolução da situação política.

10. Aplicar o programa sem quebrar a base material?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Outra coisa é analisar as debilidades, a dificuldade que toda a militância está passando em se disciplinar e procurar executar adequadamente as resoluções e demais deliberações aprovadas, tanto no Congresso quanto nos demais órgãos do Partido. Isto só demonstra que toda a Organização deve se preocupar em se avaliar melhor, tirar conclusões, bem como encaminhamentos para evoluir em sua perspectiva marxista/leninista.”

Resposta de Alejandro Acosta
Além da óbvia demagogia burocrática, o problema da seriedade e da disciplina implica em primeiro lugar em quebrar a base material da burocracia, conforme orientado na Carta ao CC de Alejandro Acosta, para aplicar a política revolucionária, onde se detalha em 29 pontos justamente como quebrar a base material da burocracia e aplicar a política revolucionária, o Programa da própria LPS, que foi escrito por Alejandro e aprovado por unanimidade. A impossibilidade da LPS se posicionar sobre esses 29 pontos demostra o caráter intrinsicamente sindical burocrático dessa Organização que busca manter a atuação sindical burocratizada e fazer apenas algumas mudanças quantitativas para salvar o controle burocrático dos aparatos que sustentam os privilégios da minoria que os controla, em primeiro lugar. O restante dos “militantes” aparecem como meros serviçais submissos.

Posição do Pepê (pela LPS)
“Al acusa a LPS “de contenção da política revolucionária em todas as frentes”. Essa é mais uma repetição do desespero ultra esquerdista do companheiro, de queimar etapas do próprio desenvolvimento político da militância. Ao invés desta deplorável lamentação, Al deveria ter apoiado o plano de finanças apresentado pelo companheiro PP, pois, o plano, sim, colocaria à prova os que pretendem conter a política revolucionária, na prática.”

Resposta de Alejandro Acosta
Para a burocracia da LPS, a solução para tornar a Organização numa organização revolucionária não passa por quebrar a política oportunista para aplicar a política revolucionária, mas seria manter a estrutura atual aplicando o plano de arrecadação financeira proposto por Pepe. Esse plano basicamente mantinha toda a estrutura, todos os contratados e liberados pelos sindicatos e pela LPS, sem seguir os critérios leninistas de profissionalização, conforme descrito na Carta ao CC de Alejandro Acosta.
Em resumo, a burocracia, devido ao seu caráter pequeno burguês, não consegue largar o osso, os próprios privilégios. Isso é normal devido ao caráter material da luta de classes.

Posição do Pepê (pela LPS)
“Estranhamente, na semana em que o plano foi formalmente apresentado em reunião do CC ampliado para que fosse colocado em prática, quando a Organização poderia dar um importante salto à esquerda, e poderíamos comprovar, na prática, o real interesse de quem de fato estaria disposto a construir o Partido, foi o exato momento em que o companheiro Al resolveu sabotar a discussão e estabelecer uma crise que, ao que parece, usa para justificar uma possível ruptura com a Organização. Isso nos deixa “um pé atrás” sobre as verdadeiras pretensões do companheiro, já que ele apresenta esse embate no momento em que a Organização estava se encaminhando para uma nova etapa de desenvolvimento.”

Resposta de Alejandro Acosta
Uma nova etapa no desenvolvimento da LPS em cima do plano de finanças de Pepe? Além de ridículo, o otimismo se tornou absurdo. Numa organização em que os gastos são assumidos fundamentalmente pelos sindicatos e onde o nível de desmoralização dos militantes é enorme, como seria possível aumentar a arrecadação e ainda mantê-la?
E o problema mais importante: mesmo se a arrecadação for aumentada, o que fazer com a estrutura burocrática da LPS estruturada em cima de funcionários controlados, de maneira bonapartista, por quem controla o caixa dos sindicatos?
A pressão da burguesia penetra por meio das estruturas burocráticas e implode qualquer organização revolucionária real que não aplique políticas revolucionárias para combatê-la. E o que dizer da LPS burocratizada então, que está a anos luz de ser algo parecido com uma organização revolucionária?

11. Sobre a “manipulação” das atas

Posição do Pepê (pela LPS)
“Mais uma vez, antes de fazer a consideração sobre os pontos, é preciso criticar os métodos stalinistas adotados pelo companheiro Al durante a elaboração desse documento e das “atas” das reuniões. Em diversos pontos foram apresentadas o que seriam as supostas transcrições de falas.”

Resposta de Alejandro Acosta
1) Novamente a manipulação burocrática das categorias marxistas por uma burocracia que não entende nada de marxismo, que é pragmática e movimentistas e que visa defender os próprios privilégios por cima de tudo. Métodos estalinistas aplicados por quem não tem base material de controle dos militantes contra quem tem a base material? Não seria no mínimo ridículo se isso acontecesse. Quer dizer que o princípio marxista de que a força material não seria mais o fator determinante?
2) Além disso, essas colocações não passam dos conhecidos métodos falsificadores da burocracia. Todas as atas sempre foram enviadas para os participantes, podendo ser questionadas. Nunca foram. E se há algo que somente o companheiro Alejandro fez com muito cuidado e detalhamento foram as atas. Elas nunca foram questionadas. Mas agora nesse documento, que é um verdadeiro hino ao sindicalismo burocrático, tudo o que estava escrito nas atas aparece claramente e escrito pelo sindicalista mor, o próprio Pepe. Nesse documento, tudo o fundamental que aparecia nas atas “questionadas”, agora é escrito em primeira mão, como uma espécie de Credo da política sindical burocrática. Conforme Marx disse no Dezoito Brumário de Luís Bonaparte, a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda vez como farsa.
3) E por último, de acordo com a burocracia não haveria uma política que luta contra outra política, mas um lunático que atrapalha “gente que quer fazer”. Onde há algo de marxismo nessa baboseira? E a análise de classes? E o caráter material da burocracia desapareceu?

12. A “frente popular”

Posição do Pepê (pela LPS)
“primeira calúnia: que a LPS “manteve a política sindical burocrática, fortemente influenciada pela política de conciliação de classes, de ‘frente popular’, encabeçada pelo PT” – essa acusação se repete diversas vezes ao longo do documento. A questão é: quais são as fundamentações para tal acusação? Quais foram os conchavos que a LPS fez com a frente popular? Quais foram os documentos escritos pela Organização onde essa conciliação de classe ocorreu? Em quais ações concretas a LPS ficou a reboque da mesma política do PT? Em quais datas ocorreram tais fatos? Por que Al não debateu tais assuntos exigindo o fim de tal politicagem e/ou medidas punitivas que dessem fim a tais comportamentos? Onde estão as atas e documentos demonstrando que esses fatos existiram e que foram duramente contestados pela “Ala Revolucionária Puro Sangue”? Sem responder a tais questões, sem documentar, exemplificar e fundamentar tais acusações, elas não passam de intrigas, seguindo os moldes da política stalinista. Pior: se admitirmos que Al está correto, então ele é o principal responsável por deixar a Organização nesse caminho, pois era um dos mais importantes coordenadores da LPS, sendo o seu núcleo o dos Correios, e era o responsável pelo FIQ, em BH, com as principais militantes sindicais das áreas de processamento de dados e servidores municipais.”

Resposta de Alejandro Acosta
1) A política da LPS sempre esteve intrinsicamente ligada à política da “frente popular” encabeçada pelo PT, apesar de algumas viradas à esquerda durante alguns períodos. Onde mais essa política aparece, agora já convertida em doutrina, é na política dos acordos com a burocracia sindical frentepopulista (PT e PCdoB principalmente) de “cada um no seu próprio feudo” em relação aos sindicatos. Nos Correios, no Sindados e no Sindibel essa é a política predominante. Também apareceu no apoio à Aget nos Correios e nos acordos, abertos ou camuflados, com a Empresa.
2) Igualzinho à burocracia: “apresente provas” das traições contra os trabalhadores que eu faço; embora que neste caso também há provas por toneladas. Mas o problema nem sequer seria isso, mas um problema objetivo.
A LPS é composta por sindicalistas, antes da fusão com o Gazeta Operária nem sequer tinha um Programa, o sindicalismo burocrático que no Brasil é atrelado diretamente ao Estado, construído durante o governo de Getúlio Vargas.
A burocracia sindical é pragmática e movimentista. Como poderia a LPS nessas condições aplicar uma politica diferente? Estaria fora da luta de classes. Mas também é óbvio que a antiga direção do Gazeta Operária errou na sua avaliação sobre a LPS, conforme escrito na Carta ao CC escrita por Alejandro Acosta.

3) Alejandro não conseguiu controlar as alavancas do Sintect-MG (Correios) e dos sindicatos, que nunca saíram do controle do sindicalismo burocrático, e muito menos as finanças dos Sindicatos. Inclusive porque a ala sindical é contra a política expressada na Carta e a tem sabotado abertamente. São duas políticas. A política revolucionária passa por quebrar a base material do burocratismo ao que a ala burocrática opôs (como é natural) ferrenha resistência.

Em agosto, quando começou a ser aberto o controle financeiro (as planilhas) do Sintect-MG, se abriu um verdadeiro pandemônio entre a Diretoria Executiva. Mas esse processo foi rapidamente abortado.
4) A política de profissionalização deve estar a serviço da construção do partido revolucionário a partir do CC, combater o burocratismo etc. As explicações da burocracia nada explicam sobre a construção do partido revolucionário. É tudo mera demagogia para justificar o status quo, a manutenção dos privilégios atuais. Puro burocratismo.

13. É possível um sindicato ser revolucionário?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Travestido de leninista, o companheiro é, na verdade, totalmente contrário à existência de sindicatos. Se escondendo detrás da análise de Trotsky que os sindicatos estão num “período de decadência” (o que é verdade) Al conclui que todos os militantes da LPS têm que abandonar os próprios sindicatos que dirigem e que têm que atuar somente em oposições, sem sequer explicar o propósito de se ter oposição, já que não é para ganhar a direção do sindicato e dirigi-lo com uma política leninista (que necessariamente leva em conta as questões econômicas dos trabalhadores e, portanto, da ação sindical revolucionária, obviamente ligada à luta pela destruição do capitalismo e pela emancipação da classe trabalhadora enquanto classe). Nessa miopia orienta os militantes a destituir todo o trabalho administrativo do sindicato; terceirizar todo o trabalho jurídico; deixar de realizar qualquer atividade sistemática nos locais de trabalho (ir apenas a três ou quatro setores “mais importantes” e apenas com o objetivo de ganhar um ou outro trabalhador para militar no partido); não participar das comissões de trabalhadores legalizadas pelos patrões; não fazer atuações de cunho cultural; distanciar-se de todo trabalhador religioso e reacionário das bases sindicais, etc.” “Resumindo: para este companheiro, os sindicalistas militantes da LPS devem realizar tão somente as atividades políticas do partido dentro do sindicato e nas bases sindicais. Com esta lógica, o companheiro Al procura inviabilizar que o sindicato realize o seu objetivo primeiro, que é a questão econômica, a qual deve ser utilizada pelo militante revolucionário como meio para se chegar à questão da política marxista/leninista no movimento sindical, incluindo aí o aparelho sindical, e conscientizar a classe operária pela disputa do poder político. Ou seja, ganhar a pessoa através do que ela compreende (da sua necessidade) e trazê-la para a luta política, contra o capitalismo, esclarecendo-a com firmeza e paciência. Míope, burocrático e alérgico às massas, o companheiro Al se afasta e procura afastar os militantes da LPS dos trabalhadores e de suas diversas atividades, para que esses trabalhadores fiquem entregues a uma disputa, apenas, entre sindicalistas totalmente comprometidos com os patrões e com os próprios esquemas patronais, isto é, à sua própria sorte.”

Resposta de Alejandro Acosta
1) A burocracia da LPS produz um fogo de artifício para evitar a discussão política em cima dos 29 pontos da Carta ao CC. Ali em nenhum momento se fala em abandonar os sindicatos, mas em realizar o trabalho revolucionário nos sindicatos. Inclusive explicando passo a passo como esse trabalho deve ser feito e como o Sintect-MG devia estruturar a base para se converter num sindicato revolucionário.
2) Aqui como no documento como um todo não há uma análise, mas uma verborragia reiterada para mascarar a realidade e defender os próprios interesses materiais. É um lixo burocrático sindical de ponta a ponta que não responde a nenhuma das 29 divergências políticas pontuadas. E nos poucos casos em que o faz, isso é realizado contaminado pelo cretinismo burocrático sindical, que na citação acima fica muito claro.

14. O Sindados é um sindicato revolucionário?

Posição do Pepê (pela LPS)
“a caracterização de que o Sindados é semi cartorial é, no mínimo, ridícula, principalmente partindo de um dirigente partidário que tem usado a sede do Sindados para a maioria de suas atividades políticas (ele mesmo critica que a LPS utiliza muito o aparelho da entidade e que é necessária a “independência da LPS dos seus sindicatos”); que vê regularmente o sindicato emprestar sua sede, seus veículos, som, etc. para as mais variadas atividades da LPS e das diversas lutas e movimentos sociais como sem teto, sem-terra etc. Ele é a maior testemunha de que, no terreno sindical, embora com dificuldades, o Sindados tem procurado formar seus diretores para uma política socialista, tendo, com isto, ganhado vários deles para a LPS; e realizado trabalho de base, sobretudo no último período, em dezenas de empresas da categoria levantando a bandeira do socialismo; que o próprio Al, quando coordenador do FIQ da companheira RM, ficou assombrado com a quantidade demasiada de responsabilidades desempenhadas por ela nas questões administrativas e econômicas do sindicato; que, do ponto de vista da luta econômica, o Sindados é um dos sindicatos da região com maior quantidade de ganhos, inclusive judiciais, referentes à recuperação de direitos financeiros para sua base, sindicalizada e não sindicalizada; etc.”

Resposta de Alejandro Acosta
Aqui está o coração das diferenças entre as duas políticas e agora escrito com todas as letras pela ala sindicalista burocrática. É preciso manter a política burocrática sindical, com a defesa dos aparatos etc.
Não há uma única palavra sobre as colocações da Carta em relação à politica revolucionária nos sindicatos. Em resumo a política leninista não se aplica nos sindicatos, ou deve ser mantida a política burocrática com algumas melhorias quantitativas, mas sem quebrar a base material da própria burocracia. Acabou a luta de classes, a influência material sobre a formação do burocratismo etc.
Qual foi o trabalho de base que o Sindados tem feito nas últimas décadas? Qual a organização efetiva dos trabalhadores? E a questão do controle e da abertura das contas financeiras? E a paralisia das OLTs? E a paralisia e ultra bonapartismo da diretoria?
É preciso ser um burocrata empedernido para considerar que o acúmulo de tarefas burocráticas ou o empréstimo do local, que em boa medida serve como um verniz para uma política burocrática, são métricas para avaliar o caráter de classe e a política seguida pela direção (burocratizada) de um sindicato (burocratizado), no Brasil e em 2017.

15. Sintect-MG é um sindicato revolucionário?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Sintect-MG, também é utilizado pelo companheiro Al como exemplo do que deveria ser um sindicalismo revolucionário. Como pode a burocracia sindical à direita da LPS ser modelo de sindicalismo revolucionário? E pior, as medidas que são apresentadas como o modelo de sindicato revolucionário não foram “obras” do companheiro Al. Todo esse plano foi articulado pelo companheiro PP, resultado do acúmulo de discussão do coletivo”

Resposta de Alejandro Acosta
1) Os métodos da burocracia ao quadrado ou ao cubo. O bonapartista não seria que tem a base material, seriam os outros. Quem quer manter tudo como está, apenas com mudanças quantitativas seria o revolucionário marxista?
E quais seriam os componentes do plano “articulado pelo companheiro PP”? Seria o plano apresentado na Carta ao CC escrito por Alejandro Acosta? Se sim, o que acontecerá com os assalariados que constam na folha de pagamento e que não trabalham no Sindicato? E os três diretores liberados para “gerenciar” o Sindicato, sendo que no plano bastaria um? E o maior jurídico da Fentect, com um volume enorme de ações individuais e que é repudiado pelos trabalhadores?
2) Tinha sido aprovado que Robson iria alavancar o trabalho do Correios em SP, o que nunca aconteceu, e que representa uma traição aberta aos trabalhadores (para o sindicalismo revolucionário) dado que o Correios é uma categoria nacional. Há aqui, nesta pseudo política revolucionária do Sintect MG, os acordos com Divisa e Ronaldão (sindicatos do RJ e SP) que estão na base do estranho fato de nas últimas eleições não ter havido oposição e do Sintect MG respeitar os feudos deles.

16. Acordos com a burocracia para ganhar cargos

Posição do Pepê (pela LPS)
“Sobre a participação no Sindibel (Sindicato dos Servidores Municipais de Belo Horizonte). Quando Al informa que a LPS sofre pressão em consequência da “política de acordos com a burocracia sindical para obter a participação em diretorias oportunistas”, é preciso, primeiro, “lembra-lo” de sua participação na linha de frente dessa eleição, que ele agora chama de “acordos com a burocracia sindical”. Al não só concordou com a formação da Chapa do Sindibel, como aprovou a constituição da mesma, em reunião realizada no auditório do Sindados/MG, na qual participou como palestrante e defendeu a composição da Chapa pela LPS”

Resposta de Alejandro Acosta
Só golpe. Resulta que Alejandro, que tinha acabado de chegar em BH estaria na linha de frente de todos os conchavos com a burocracia.
Quem direcionou a atuação na categoria para ficar paralisada durante meses, até conseguir as vagas? Quem abandonou o “apoio” aos militantes nessa categoria após as vagas terem sido conseguidas em conchavos com a burocracia que controla o Sindibel?
Mas o que está colocado aqui é a política para o Sindibel e todos os sindicatos: a política atual (burocrático sindical) deve ser mantida com mudanças quantitativas? Ou deve ser aplicada a política leninista a partir da quebra, ou a luta por quebrar, a base material da burocracia, principalmente do controle das finanças por um único indivíduo?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Será que o companheiro não está “indignado” devido ao fato de ter tentado cooptar a companheira para a sua “Ala Revolucionária Puro Sangue”, como tentou fazer com todos com os quais realizou o FIQ, e, ao receber uma negativa da companheira, resolveu se vingar, tentando descredenciar o trabalho sério (mesmo com debilidades) do núcleo de servidores, envolvendo-os num mar de intrigas?”

Resposta de Alejandro Acosta
Para a burocracia sindical, não há luta política para impor uma política revolucionária. Tudo não passaria de intrigas palacianas, o que aliás é típico de todas as burocracias.

Posição do Pepê (pela LPS)
“Seguindo a política de Al que o núcleo de servidores deve tão somente encontrar um “ativista” fantástico e ganha-lo para se incorporar ao núcleo da LPS e “deixar pra lá” a “massa ignorante” que só pensa em salário e melhores condições de trabalho, nosso objetivo político não encontrará guarida para penetrar nas mentes atrasadas dos trabalhadores e da população usuária. Finalmente, chegaremos à conclusão de que é um erro atuar nos sindicatos e manteremos a política de distanciamento das massas defendida por Al. Assim, deixaremos a superintendente, o prefeito e seus lacaios explorarem e oprimirem cada vez mais os trabalhadores, convencendo-os de que “a vida de trabalhador é assim mesmo”. Será mesmo que a política do companheiro Al é a mesma defendida por Marx, Lenin, Trotsky, Rosa Luxemburgo e outros revolucionários marxistas? Acreditamos que não!”

Resposta de Alejandro Acosta
O burocratismo sindical está tão na medula que fica até difícil deixar de criticar cada palavra desse parágrafo que é um verdadeiro poema para o cretinismo sindical. É absoluta a discordância com Carta ao CC escrita por Alejandro Acosta, com o documento do I Pleno do CC e com os Eixos Programáticos, que dizem exatamente o oposto a esse lixo burocrático sindical. E nem falar sobre o Que Fazer? de Lenin que o grosso dele foi escrito contra o “economicismo”, o sindicalismo (militante) da época, que estava a anos luz do sindicalismo hiper burocrático atual.

17. Acabou a luta de classes?

Posição do Pepê (pela LPS)
“Salta aos olhos que o companheiro tenha identificado que a Organização é uma burocracia à direita, imutável, após mais de um ano de militância em conjunto. A conclusão que se chega é que, ao fazer tal caracterização, o companheiro conseguiu um pretexto para se colocar abruptamente fora da LPS.
O documento acusa a LPS de ser uma “burocracia frágil, que visa se manter no controle dos aparatos manobrando em cima de várias pressões”. Trata-se de acusações vazias, táticas de entrismo, apenas para gerar confusões no meio da militância e ver quem ele pode “levar” com ele. Quais seriam as várias “manobras” feitas por nós para nos mantermos no controle dos aparatos? Por outro lado, nenhum dos membros do CC está apegado a quaisquer privilégios, exceto o próprio Al cuja vida é um segredo que, por mais que perguntemos, ele teima em levar para o túmulo.”

Resposta de Alejandro Acosta
Pretexto, sem qualquer caraterização política, como toda burocracia direciona as discussões para questões pessoais, para caracterizações de cunho moral que representam um abismo de qualquer caracterização marxista. A qual classe social pertence a burocracia?
E qual seria a caraterização de classe da LPS considerando o atrelamento aos sindicatos?
Tudo é golpe. Além do golpe de atribuir aos outros o próprio oportunismo. Típico da burocracia

18. Finanças

Posição do Pepê (pela LPS)
“Ainda sobre a questão da profissionalização, o nosso maior problema é com o nosso maior crítico: o companheiro Al. Para um militante que critica tanto a contratação da companheira SS, que ele aprovou, no mínimo deveria esclarecer, honestamente, para todo o CC (e demais militantes) quem é que o financia.”

Resposta de Alejandro Acosta
Continua a política burocrática de chamar o adversário do que ele próprio é. Alejandro nunca teve absolutamente nenhum problema em determinar origem de recursos, inclusive nos 13 meses que compartilhou a mesma moradia com outros militantes, como Florisvaldo Lopes. E a questão central seria que Alejandro não dependeu do controle financeiro (e portanto, político) da ala burocrática ou que esta burocracia se vale dos aparatos sindicais (principalmente das finanças) para controlar a Organização para vantagens próprias? Se o problema fosse de provas não deveríamos começar pela abertura da contabilidade dos sindicatos, de maneira ampla, pelo menos às suas diretorias?
Qual é afinal o papel dos fatores materiais, em primeiro lugar das finanças, no controle burocrático dos aparatos e na formação e consolidação da burocracia? E qual deve ser a política revolucionária para quebrar o burocratismo: discursinhos moles ou quebrar o controle financeiro dos sindicatos pela burocracia?

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