Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

Resposta da maioria dos membros do CC da LPS ao documento enviado pelo Companheiro Alejandro sobre o que seria a caracterização às “duas políticas” da LPS.

Em primeiro lugar, registramos que sobre o documento em discussão, foi entregue uma primeira cópia pelo companheiro Alejandro (doravante Al) ao companheiro PP, na reunião do Comitê Executivo – ampliado – do dia 18 de agosto de 2017. Tal cópia seria o “resultado” de um debate interno referente às “duas políticas existentes na LPS”: a adotada pelo companheiro Al (denominada por ele de revolucionária, leninista) e a adotada pela maioria dos membros do CC (os sindicalistas - denominada por ele de política burocrática sindical).

Contra a exposição das “duas políticas”, opôs-se o companheiro PP, caracterizando que “a política do companheiro Al não era Leninista 100%”, mas, sim, ultra esquerdista e bonapartista. Por isso, o debate deveria levar em conta, também, tal caracterização.

O companheiro Al ficou de enviar, internamente, ao CC uma “atualização” do seu documento, o que foi feito, por e-mail, no dia 20 de agosto de 2017, precedida de uma carta, informando que tal documento seria extensivo a todos os militantes e pré-militantes, em total afronta ao acordado na reunião do CE ampliado, adotando o método da “horizontalidade” que ele diz contestar.

A conduta do companheiro Al não nos causou surpresa, pois o mesmo não segue o centralismo democrático, buscando prevalecer sempre sua própria opinião sobre os demais, em desavença às diversas deliberações dos fóruns partidários. Entretanto, é necessário informar que existe sim alguém com duas políticas: esse é o companheiro Al, que adota uma política na presença do companheiro PP, não contestando as deliberações do CC, mas que age a seu bel-prazer quando PP está ausente.

Neste sentido, desde já, impugnamos suas críticas, da maneira como estão colocadas, de que não seguimos o modelo leninista de partido, expresso no livro “O Que Fazer?” de Lenin, nem as deliberações do I Congresso da LPS (programa, política e organizativo). Não nos furtamos em debater tais questões porque não concebemos o “O Que Fazer?” e o programa da LPS enquanto dogmas, mas, sim, como “guias” para organizarmos a ação política dos militantes do partido, estando nós, militantes, conforme o grau de desenvolvimento político/ideológico individual, sujeitos a erros e descumprimentos de resoluções e deliberações do Partido. Todavia, isso não descredencia as nossas convicções e engajamento na luta pelo socialismo, apenas expõe o nível de maturidade e de debilidade dos militantes da LPS (tanto os que eram da antiga Luta Popular e Sindical quanto os da antiga Gazeta Operária) e nos debates, avaliações, cursos de formação e desenvolvimento dos trabalhados, vamos corrigindo e aprimorando.

Não é segredo para nenhum militante da LPS que a maioria de seus dirigentes (e militantes) mora em MG e atua no movimento sindical sofrendo, naturalmente, a pressão e a influência do movimento sindical atual (burocrático e atrasado). Entretanto, estes militantes têm desenvolvido uma luta férrea contra a burocracia sindical; contra a frente popular, encabeçada pelo PT; contra o Estado capitalista e suas instituições. Justamente por isso criamos a LPS (e depois aceitamos a fusão com a Gazeta Operária), com o compromisso de defendermos o programa marxista, ou seja: a luta pelo socialismo.

Obviamente, o estágio atual da LPS é de um pequeno embrião daquilo que poderá vir a ser, mais tarde, um partido operário revolucionário. Querer, em tais circunstâncias, pular etapas, “bater no peito” e caracterizar que a LPS é “O” Partido Operário Revolucionário e que esse ou tal militante é um Lenin é charlatanismo ou, na melhor das hipóteses, viver no mundo da lua. É não compreender o que nos informou Lenin em seu livro “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo”: que o partido bolchevique foi o resultado da “(...) experiência internacional de todo o século XIX como, em particular, pela experiência dos desvios, vacilações, erros e desilusões do pensamento revolucionário na Rússia”. E que a formação do partido bolchevique, em 1903, teve como antecedente, em meados da década de 1890, a constituição do “grupo central que iria encarregar-se da direção dos grupos distritais”. É preciso entender que a fase da construção da LPS, em relação ao Partido Bolchevique, está num período ainda anterior ao da constituição do “grupo central” que viria a ser o partido bolchevique que, a partir de 1903, graças à sua férrea disciplina e orientação política, embasada no “O Que Fazer?”, conseguiu organizar-se e dirigir a revolução russa a partir do segundo semestre de 1917.

Nesse sentido, o companheiro Al, que se diz um revolucionário marxista “puro sangue”, esquece-se de uma premissa básica do marxismo que é o etapismo. O companheiro quer, aparentemente, que todo e qualquer militante da LPS seja, imediatamente, um “quadro revolucionário” veterano, como se tivesse toda a experiência prática e teórica dos teóricos do marxismo, em uma Organização que nasceu “ontem” enquanto embrião de um partido revolucionário. Todo militante deve ser verdadeiramente revolucionário, isto é, ser sério, convicto da necessidade de lutar defendendo o programa e a política da organização à qual decidiu militar. Isto significa vestir a camisa da organização. Entretanto, o seu conhecimento não evoluirá como num passe de mágica. Nesse sentido, escreveram Marx e Engels no livro “A Ideologia Alemã (Feuerbach)”: “A maneira como os homens produzem seus meios de vida depende, acima de tudo, da própria natureza dos meios, com os quais se defrontam e que procuram reproduzir. Este modo de produção não deve ser unicamente considerado como reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se de um modo específico de atividade destes indivíduos, de um determinado modo de vida. E tal como manifestam este modo de vida, assim são. Por conseguinte, o que eles são coincide com suas produções, com o que produzem e com o modo que produzem. Portanto, o que os indivíduos são depende das condições materiais de suas produções”.

Com isso, Marx e Engels querem dizer que os indivíduos vivem em uma organização social que impõe características e limitações acima do próprio indivíduo. A evolução política e da consciência das massas está intrinsicamente ligada com o desenvolvimento da própria sociedade.

Nos encontramos, ainda, dando os primeiros passos na constituição do que queremos seja o Partido Operário Revolucionário e não será a aprovação de um conjunto de resoluções ou oito aprovações de defesa do programa da LPS que vai garantir a disciplina e os acertos deste “coletivo”. Mas, sim, a seriedade e a verdadeira vontade de construirmos o partido, no atual processo da luta de classes, baseado nos ensinamentos dos teóricos marxistas, seja corrigindo os erros, sobretudo dos quadros dirigentes, avaliando nossas debilidades, interferindo junto às amplas massas, nos formando teoricamente, depurando a militância, etc.

Entretanto, a política ultra esquerdista, os métodos bonapartistas e o descumprimento das deliberações da própria direção sem sequer fazer autocrítica, com “entrismo e sabotagens”, praticados pelo companheiro Al são a antítese do “O Que Fazer?”, do programa e da política aprovadas à LPS.

Para nós, a política do “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço” não prosperará em nossa trajetória.

 

Qual ala é revolucionária e qual é burocrática oportunista?

De acordo com o documento, a “ala revolucionária” seria a “minoria do CC, formada principalmente pelos ex-militantes da antiga Gazeta Operária”. Ocorre que dessa “minoria” há pessoas que sequer se enquadram na definição marxista/leninista de militantes. Militante, segundo a definição revolucionária, replicada no estatuto da LPS, seria, no mínimo, aquele que aceita o Programa, milita num núcleo, vende jornal e cotiza. Da nossa fusão (em agosto de 2016) até o I Congresso da LPS (abril de 2017), a maioria dos militantes oriundos da “Gazeta Operária” não estava nem mesmo organizada em célula (núcleo). Mesmo assim, considerando a necessidade de fazer evoluir a Organização, concordamos que a maioria deles participasse do Congresso, na qualidade de delegados, e até houve quem foi indicado e aceito para o Comitê Central. Entretanto, até hoje, tem “militante” desta “Ala” que não vende jornal nem milita efetivamente. No caso dos “militantes” de Caxias/RS não se sabe de nenhuma atuação organizada na região onde moram, seja política, sindical, popular ou cultural. Assim, não podemos levar minimamente a sério a caracterização do companheiro Al em autodenominar a “sua” ala como sendo de “revolucionários puro sangue”, quando sequer poderíamos chamá-los de militantes (conforme a definição leninista), se não fossem os acordos feitos durante o processo de fusão e o período atual de desenvolvimento político da LPS que coloca a necessidade de trabalharmos com esses e demais companheiros com o objetivo de, mais na frente, crescer a organização, elevando a consciência político/ideológica deles e de toda a militância. Curiosamente, sobre estes exemplos, não vimos nenhuma palavra do companheiro Al.

Feito esta consideração, demonstrando que o problema de oportunismo está na base da política da “Ala” pseudo-revolucionária/leninista/Alejandrista, justificamos a impugnação que fizemos acima sobre a acusação de que a ala “burocrática Sindical” não segue os ensinamentos do livro “O Que Fazer”, até porque seria uma aberração “o sujo falar do mal lavado”. Outra coisa é analisar as debilidades, a dificuldade que toda a militância está passando em se disciplinar e procurar executar adequadamente as resoluções e demais deliberações aprovadas, tanto no Congresso quanto nos demais órgãos do Partido. Isto só demonstra que toda a Organização deve se preocupar em se avaliar melhor, tirar conclusões, bem como encaminhamentos para evoluir em sua perspectiva marxista/leninista.

Sobre as diversas e repetitivas fases do documento do companheiro Al teceremos algumas considerações. São elas:

  • A primeira parte do documento nada mais é do que um conjunto de acusações e calúnias, sem qualquer fundamentação. É o exemplo da primeira calúnia: que a LPS “manteve a política sindical burocrática, fortemente influenciada pela política de conciliação de classes, de ‘frente popular’, encabeçada pelo PT” – essa acusação se repete diversas vezes ao longo do documento. A questão é: quais são as fundamentações para tal acusação? Quais foram os conchavos que a LPS fez com a frente popular? Quais foram os documentos escritos pela Organização onde essa conciliação de classe ocorreu? Em quais ações concretas a LPS ficou a reboque da mesma política do PT? Em quais datas ocorreram tais fatos? Por que Al não debateu tais assuntos exigindo o fim de tal politicagem e/ou medidas punitivas que dessem fim a tais comportamentos? Onde estão as atas e documentos demonstrando que esses fatos existiram e que foram duramente contestados pela “Ala Revolucionária Puro Sangue”? Sem responder a tais questões, sem documentar, exemplificar e fundamentar tais acusações, elas não passam de intrigas, seguindo os moldes da política stalinista. Pior: se admitirmos que Al está correto, então ele é o principal responsável por deixar a Organização nesse caminho, pois era um dos mais importantes coordenadores da LPS, sendo o seu núcleo o dos Correios, e era o responsável pelo FIQ, em BH, com as principais militantes sindicais das áreas de processamento de dados e servidores municipais.
  • A segunda acusação diz respeito à “falta de formação política dos militantes da LPS”, na qual deve-se incluir, também, os da “Ala revolucionária”, caracterizada como “grave e que aparece em primeiro lugar, nos dirigentes”. Isso não só é fato, como tal caracterização surgiu dos próprios dirigentes que ele acusa. Nunca foi ocultado que a Organização (inclusive os militantes que estão como direção) é limitada teoricamente e que ela é uma organização que se apresenta como um embrião de um partido revolucionário. Agora, justamente esta (a necessidade de realização mensal de um curso de formação) não foi uma das várias propostas que o companheiro PP apresentou à reunião do CC ampliado, dentro do seu plano de finanças, que visava a independência financeira da LPS e a formação dos militantes, plano esse boicotado literalmente pelo companheiro Al, que não emitiu, até hoje um único parecer ou uma linha de análise sobre o mesmo?
  • Sobre o Sindados: a caracterização de que o Sindados é semi cartorial é, no mínimo, ridícula, principalmente partindo de um dirigente partidário que tem usado a sede do Sindados para a maioria de suas atividades políticas (ele mesmo critica que a LPS utiliza muito o aparelho da entidade e que é necessária a “independência da LPS dos seus sindicatos”); que vê regularmente o sindicato emprestar sua sede, seus veículos, som, etc. para as mais variadas atividades da LPS e das diversas lutas e movimentos sociais como sem teto, sem-terra etc. Ele é a maior testemunha de que, no terreno sindical, embora com dificuldades, o Sindados tem procurado formar seus diretores para uma política socialista, tendo, com isto, ganhado vários deles para a LPS; e realizado trabalho de base, sobretudo no último período, em dezenas de empresas da categoria levantando a bandeira do socialismo; que o próprio Al, quando coordenador do FIQ da companheira RM, ficou assombrado com a quantidade demasiada de responsabilidades desempenhadas por ela nas questões administrativas e econômicas do sindicato; que, do ponto de vista da luta econômica, o Sindados é um dos sindicatos da região com maior quantidade de ganhos, inclusive judiciais, referentes à recuperação de direitos financeiros para sua base, sindicalizada e não sindicalizada; etc. Poderemos elencar diversas debilidades do Sindados/MG, menos que ele seja semi cartorial. Isto demonstra o quanto o companheiro Al está distante da realidade e da vida dos sindicatos dirigidos pela LPS. Este “distanciamento” se deve à visão ultra esquerdista e sectária que Al tem sobre o sindicato e o próprio movimento Sindical. Travestido de leninista, o companheiro é, na verdade, totalmente contrário à existência de sindicatos. Se escondendo detrás da análise de Trotsky que os sindicatos estão num “período de decadência” (o que é verdade) Al conclui que todos os militantes da LPS têm que abandonar os próprios sindicatos que dirigem e que têm que atuar somente em oposições, sem sequer explicar o propósito de se ter oposição, já que não é para ganhar a direção do sindicato e dirigi-lo com uma política leninista (que necessariamente leva em conta as questões econômicas dos trabalhadores e, portanto, da ação sindical revolucionária, obviamente ligada à luta pela destruição do capitalismo e pela emancipação da classe trabalhadora enquanto classe). Nessa miopia orienta os militantes a destituir todo o trabalho administrativo do sindicato; terceirizar todo o trabalho jurídico; deixar de realizar qualquer atividade sistemática nos locais de trabalho (ir apenas a três ou quatro setores “mais importantes” e apenas com o objetivo de ganhar um ou outro trabalhador para militar no partido); não participar das comissões de trabalhadores legalizadas pelos patrões; não fazer atuações de cunho cultural; distanciar-se de todo trabalhador religioso e reacionário das bases sindicais, etc. Resumindo: para este companheiro, os sindicalistas militantes da LPS devem realizar tão somente as atividades políticas do partido dentro do sindicato e nas bases sindicais. Com esta lógica, o companheiro Al procura inviabilizar que o sindicato realize o seu objetivo primeiro, que é a questão econômica, a qual deve ser utilizada pelo militante revolucionário como meio para se chegar à questão da política marxista/leninista no movimento sindical, incluindo aí o aparelho sindical, e conscientizar a classe operária pela disputa do poder político. Ou seja, ganhar a pessoa através do que ela compreende (da sua necessidade) e trazê-la para a luta política, contra o capitalismo, esclarecendo-a com firmeza e paciência. Míope, burocrático e alérgico às massas, o companheiro Al se afasta e procura afastar os militantes da LPS dos trabalhadores e de suas diversas atividades, para que esses trabalhadores fiquem entregues a uma disputa, apenas, entre sindicalistas totalmente comprometidos com os patrões e com os próprios esquemas patronais, isto é, à sua própria sorte. Isto sim é uma traição à classe operária. Sobre esta questão, e para reflexão de toda a militância, apresentamos, em anexo, capítulos do livro “A Concepção Marxista dos Sindicatos”, escrito por Alexandre Losovsky, responsável pela Internacional Sindical Vermelha – ISV (trata-se do “Programa de Ação da Internacional Sindical Vermelha”, criada sob a inspiração da III Internacional, a Internacional Comunista, fundada por Lenin e Trotsky),  onde explica a necessidade da unidade entre sindicatos e partidos, respeitando as diferenças entre si.
  • Sobre a participação no Sindibel (Sindicato dos Servidores Municipais de Belo Horizonte). Quando Al informa que a LPS sofre pressão em consequência da “política de acordos com a burocracia sindical para obter a participação em diretorias oportunistas”, é preciso, primeiro, “lembra-lo” de sua participação na linha de frente dessa eleição, que ele agora chama de “acordos com a burocracia sindical”. Al não só concordou com a formação da Chapa do Sindibel, como aprovou a constituição da mesma, em reunião realizada no auditório do Sindados/MG, na qual participou como palestrante e defendeu a composição da Chapa pela LPS. À época, nos pareceu que o companheiro fizera um discurso inflamado, chamando à organização sindical nas bases, em defesa do socialismo. Agora, passados quase oito meses do ocorrido, parece que o companheiro precisa “prestar esclarecimento” para algum grupo estranho à nossa militância e, de repente, tem que se voltar contra a maioria dos membros do CC para se ver livre de algo que discutiu, deliberou e impulsionou. Realmente, é impressionante a atitude desonesta e covarde como Al expõe sua “crítica” sobre o que ele mesmo aprovou e organizou e, agora, tenta esquivar-se. Ora, não é a primeira vez que Al coordena militantes que atuam na direção do Sindibel. Quando o companheiro pertencia ao PCO, chegou a coordenar sindicalistas daquele sindicato que já estavam em cargo de direção. Beira o cinismo. Entretanto, no caso atual do núcleo dos municipais, informamos ao companheiro que o trabalho nas bases do Sindibel, embora sejamos a minoria da minoria na direção daquele sindicato, está se encaminhando. Fazemos uma oposição firme, classista e na defesa do socialismo. Temos materiais regulares, seguindo as diretrizes da LPS (estranho, mas o companheiro “esqueceu” que, até cerca de 23 dias atrás, era o coordenador da principal militante do núcleo de Servidores municipais de BH). Será que o companheiro não está “indignado” devido ao fato de ter tentado cooptar a companheira para a sua “Ala Revolucionária Puro Sangue”, como tentou fazer com todos com os quais realizou o FIQ, e, ao receber uma negativa da companheira, resolveu se vingar, tentando descredenciar o trabalho sério (mesmo com debilidades) do núcleo de servidores, envolvendo-os num mar de intrigas? Aliás, esta política de “entrismo” tem sido uma tática levada a cabo já há algum tempo pelo companheiro, cujo êxito é ínfimo, o que, provavelmente, o esteja atordoando e desmoralizando. Isto, sim, para nós é o cúmulo do oportunismo.
    Ainda sobre nossa atuação no Sindibel, temos procurado fazê-la, mesmo que com imperfeições, levando em consideração o descrito por Lenin: “Não atuar no seio dos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou atrasadas à influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia, dos operários aristocratas ou ‘operários aburguesados’ (veja-se a carta de Engels a Marx em 1858 sobre os operários ingleses). (...) A absurda ‘teoria’ da não participação dos comunistas nos sindicatos reacionários é o que, precisamente, demonstra do modo mais evidente com que leviandade estes comunistas ‘de esquerda’ encaram a questão da influência sobre as massas e de que maneira abusam de sua algazarra sobre as ‘massas’”.
    Sobre a companheira MA, a realidade é bem diferente do que o exposto. O fato é que com uma única companheira, ganha há um pouco mais de um ano para a LPS (uma mulher negra, simples, tímida, enfermeira há mais de 30 anos, religiosa, mas que tem conhecimento com mais de mil trabalhadores no hospital em que trabalha - Odilon Behrens), ela, orientada e organizada no núcleo de servidores, enfrentou a superintendente do HOB, principal representante da área de saúde pública do prefeito da capital mineira. Com o trabalho coletivo do núcleo, a companheira, que tinha medo de se expor, de vender jornal e de distribuir boletins, acabou por mobilizar mais de dois mil trabalhadores daquele hospital contra o autoritarismo da superintendente. Foram realizados diversos atos públicos em frente ao hospital, envolvendo os três turnos de trabalho. Nosso núcleo obrigou a pelegada do Sindicato a se mexer e arranjar recursos para as mobilizações da base. O resultado é que, com este conjunto de ações, as autoridades da companheira e da LPS se ampliaram na base da categoria. Ela passou a distribuir boletins interno e externamente (são mais de 2.500 boletins distribuídos somente naquele hospital) e a vender jornais; ganhou uma companheira que tem se reunido, ainda irregularmente, conosco e influenciou o companheiro Ad em suas atividades; derrotou a superintendente, que foi destituída do cargo e retirada daquele hospital e filiou mais de 500 trabalhadores no sindicato. Se continuarmos nesse ritmo e ampliando nossa política, em pouco tempo, teremos maiores condições de ganhar militantes para a LPS e, no terreno sindical, desenvolver uma luta mais consciente contra a nefasta política da prefeitura de BH, levando maior compreensão crítica sobre a necessidade de suplantarmos o capitalismo, envolvendo aqueles trabalhadores numa concepção socialista. Entretanto, se levarmos adiante a política ultra esquerdista e traidora apresentada por Al, não faremos nenhuma luta econômica, nem por melhoria das condições de trabalho, nem por melhorias de leitos e medicamentos à população usuária, nada! Seguindo a política de Al que o núcleo de servidores deve tão somente encontrar um “ativista” fantástico e ganha-lo para se incorporar ao núcleo da LPS e “deixar pra lá” a “massa ignorante” que só pensa em salário e melhores condições de trabalho, nosso objetivo político não encontrará guarida para penetrar nas mentes atrasadas dos trabalhadores e da população usuária. Finalmente, chegaremos à conclusão de que é um erro atuar nos sindicatos e manteremos a política de distanciamento das massas defendida por Al. Assim, deixaremos a superintendente, o prefeito e seus lacaios explorarem e oprimirem cada vez mais os trabalhadores, convencendo-os de que “a vida de trabalhador é assim mesmo”. Será mesmo que a política do companheiro Al é a mesma defendida por Marx, Lenin, Trotsky, Rosa Luxemburgo e outros revolucionários marxistas? Acreditamos que não!
  • Salta aos olhos que o companheiro tenha identificado que a Organização é uma burocracia à direita, imutável, após mais de um ano de militância em conjunto. A conclusão que se chega é que, ao fazer tal caracterização, o companheiro conseguiu um pretexto para se colocar abruptamente fora da LPS.
  • O documento acusa a LPS de ser uma “burocracia frágil, que visa se manter no controle dos aparatos manobrando em cima de várias pressões”. Trata-se de acusações vazias, táticas de entrismo, apenas para gerar confusões no meio da militância e ver quem ele pode “levar” com ele. Quais seriam as várias “manobras” feitas por nós para nos mantermos no controle dos aparatos? Por outro lado, nenhum dos membros do CC está apegado a quaisquer privilégios, exceto o próprio Al cuja vida é um segredo que, por mais que perguntemos, ele teima em levar para o túmulo.
  • Al acusa a LPS “de contenção da política revolucionária em todas as frentes”. Essa é mais uma repetição do desespero ultra esquerdista do companheiro, de queimar etapas do próprio desenvolvimento político da militância. Ao invés desta deplorável lamentação, Al deveria ter apoiado o plano de finanças apresentado pelo companheiro PP, pois, o plano, sim, colocaria à prova os que pretendem conter a política revolucionária, na prática.
  • De acordo com o documento, as divergências de fundo têm aparecido de maneira recorrente, “principalmente quando os problemas se relacionam com questões financeiras ou com o controle dos aparatos sindicais, que para os sindicalistas burocratizados ‘deve ter vida própria’”. Reiteramos que o ponto finanças é o que melhor caracteriza a política diletante do “grupo” ultra esquerdista. Ainda segundo a caracterização, o grande problema da LPS seria o atrelamento econômico com os sindicatos. Há duas grandes falsificações da realidade apresentada nesta questão. a) de fato, a questão das finanças é um ponto que a Organização vem debatendo e, nesse sentido, foi elaborado todo um plano para que a LPS começasse a se auto sustentar. Estranhamente, na semana em que o plano foi formalmente apresentado em reunião do CC ampliado para que fosse colocado em prática, quando a Organização poderia dar um importante salto à esquerda, e poderíamos comprovar, na prática, o real interesse de quem de fato estaria disposto a construir o Partido, foi o exato momento em que o companheiro Al resolveu sabotar a discussão e estabelecer uma crise que, ao que parece, usa para justificar uma possível ruptura com a Organização. Isso nos deixa “um pé atrás” sobre as verdadeiras pretensões do companheiro, já que ele apresenta esse embate no momento em que a Organização estava se encaminhando para uma nova etapa de desenvolvimento. No documento de Al, como “medidas práticas”, ele “apresenta” a elaboração de um plano que é “parte” do mesmo já elaborado pela Secretaria de Finanças da LPS e que foi completamente ignorado por ele. b) Não se trata de nenhuma divergência sobre o “controle dos aparatos sindicais”, mas de uma ignorância política por parte do companheiro sobre a essência dos sindicatos – a diferença entre sindicato e partido, conforme pode ser lido em documentação da ISV (anexo).
  • Al acusa a LPS de ter passado “de contrabando”, por imposição da “ala oportunista majoritária da LPS”, um CC com 15 membros, onde foram “misturados dirigentes com militantes, pré-militantes e simpatizantes”. Essa acusação é de um oportunismo e um mau-caratismo típico de um stalinista “puro sangue”. Não houve uma única reunião em que a proposta de construção do CC fosse contestada. Al não só esteve presente em todas as reuniões, como foi o organizador delas – responsável inclusive por elaborar a pauta e secretariar os trabalhos. TODOS os nomes foram abertamente discutidos. Não só isso. A proposta de CC, inclusive com os nomes, foi aprovada por UNANIMIDADE no I Congresso da LPS. Como pode ter sido passado de “contrabando”? Se é para falar de “contrabando”, o único que houve foi por parte da “Ala Alejandrista” que, como já dito anteriormente, não atendia aos requisitos de militantes, mas foi aceito com o objetivo de manter a unidade do coletivo e fazer crescer a Organização como um todo.

Ainda sobre o tamanho (número) da direção do CC – é fato que o companheiro PP propôs em reunião preparatória ao I Congresso da LPS que o número de integrantes do CC deveria ser de 13 a 15 membros, mesmo com a alegação por Al que o nível de entendimento teórico dos militantes era ínfimo. Mas, justamente pelo fato de que os membros do CC teriam que ter uma formação mais criteriosa, sendo impulsionada por Al, ML e PP, devido ao acirramento das lutas, por causa do agravamento da situação política. A justificativa era a necessidade de submeter o CC a um ritmo mais firme de atividades teóricas e práticas para que seus membros de direção pudessem aprender e se encaixar nas diversas atividades que a Organização teria que encaminhar, tanto no terreno político quanto no sindical. Observamos que esta discussão foi a que alimentou, depois do Congresso da LPS, a iniciativa da constituição dos FIQ, cuja ideia inicial veio do próprio Al e a relação de livros apresentada por PP, sendo que a Secretaria de Organização e Controle ampliou e materializou os detalhamentos dos FIQ’s.  

Parte II

Mais uma vez, antes de fazer a consideração sobre os pontos, é preciso criticar os métodos stalinistas adotados pelo companheiro Al durante a elaboração desse documento e das “atas” das reuniões. Em diversos pontos foram apresentadas o que seriam as supostas transcrições de falas. Ocorre que essas “falas”, além de estarem fora de contexto (foram extrações de um ponto de uma determinada fala), elas foram feitas ao “bel-prazer” do companheiro. Ou seja, Al “transcreveu” aquilo que ele entendeu das falas. Não foi feita, por exemplo, uma gravação e transcrição oficial das reuniões (com consentimento dos presentes). Esses foram pontos, anotações pessoais, feitas durante as falas das pessoas, não podendo nem ser consideradas como atas porque careceriam de leituras e aprovações em reuniões seguintes. Fica evidente, portanto, a manipulação das informações por Al.

Essa prática policialesca, tipicamente stalinista, pode ser observada em outros momentos. Só para citar um exemplo, temos a reunião do II Pleno do CC, onde, na “ata”, o companheiro Al suprime toda a fala dele, colocando apenas “avaliação dos dados” e se “esquece” de anotar a fala sequente, do companheiro PP, onde foi feita toda uma análise da desonestidade política contida na fala anterior, do companheiro Al. Isso sem falar que na “ata” constam supostas falas do companheiro Al, que não foram ditas durante a reunião – ele pensou em falar, escreveu na ata, mas não teve coragem de dizer (caso do HOB). Não por acaso, na fala das pessoas são feitas espécies de “transcrição” (onde, obviamente, só são capturadas as frases de interesse daquele que está fazendo as anotações). Quanto as falas de Al, por exemplo, elas são apenas “pontuadas”.

No entanto, apesar da nossa boa fé, é preciso admitir nosso erro em não ter contestado tais “atas”. Nesse sentido, não poderemos aceitar anotações de registro, por quem quer que seja, dos conteúdos debatidos nas reuniões como se fossem atas. Doravante, teremos que adotar como critério que, além da designação do responsável por secretariar as reuniões e lavrar as atas, elas deverão ser lidas e aprovadas no início de cada reunião.

Assim, impugnamos, desde já, os trechos do documento onde supostamente são “transcritas” as falas que, como já foi dito, estão totalmente descontextualizadas e não passam de anotações pessoais, correspondendo, em princípio, à avaliação apenas de quem as transcreveram.

Questões centrais:

1) sobre os sindicatos (“acordos espúrios com a ala direita”): para qualquer debate minimamente sério, uma acusação desse porte deveria não só ter sido explicitada no documento, como deveria ter sido objeto de intenso debate dentro da Organização. A tal ala “revolucionária”, que na nossa opinião nem sequer existe de fato como ala, mas, tendo apenas um membro - o próprio autor do documento, nunca questionou qualquer “acordo”. No entanto, o que é ainda mais escandaloso (para não dizer lunático) é que durante todo o documento há uma caracterização de que a LPS seria uma burocracia sindical à direita, cujo único interesse é manter os aparatos a qualquer custo. Ocorre que o único sindicato que é totalmente dirigido pela LPS (sem a participação de outra força política na direção sindical), o Sintect-MG, também é utilizado pelo companheiro Al como exemplo do que deveria ser um sindicalismo revolucionário. Como pode a burocracia sindical à direita da LPS ser modelo de sindicalismo revolucionário? E pior, as medidas que são apresentadas como o modelo de sindicato revolucionário não foram “obras” do companheiro Al. Todo esse plano foi articulado pelo companheiro PP, resultado do acúmulo de discussão do coletivo.

2) Sobre o bonapartismo: o principal representante da política bonapartista dentro da LPS é o próprio companheiro Al, que se porta não como membro dirigente do partido, mas como o “dono” da Organização. Alguns exemplos são elucidativos: Quando da preparação dos documentos para o I Congresso da LPS, deliberou-se que os documentos escritos seriam, primeiramente, restritos à direção da LPS (que os leria e analisaria para, depois, repassar para todos os militantes), mas Al colocou os documentos que ele escreveu na internet, para todos lerem, no mesmo instante em que repassava para análise e modificações por parte da direção da Organização, criando uma situação incômoda, sendo ele criticado em reunião por tal conduta arbitrária. Al, aos poucos, inviabilizou a realização do jornal da LPS Sindical e as reuniões daqueles sindicalistas, o que inviabilizou a existência da própria LPS Sindical. Apesar de a direção da LPS ter deliberado que o envio do documento de divergências apesentado por Al à maioria do CC deveria ser restrito ao Comitê Central, por se tratar de uma discussão interna, inacabada, o companheiro, totalmente à revelia, encaminhou o documento também para militantes e pré-militantes (importante destacar que não foram todos os militantes e pré-militantes que receberam, apenas os que eram de seu interesse). O FIQ, que deveria ser apenas para uma parte dos militantes, foi ampliado por Al, à revelia, para todos os militantes e depois para pré-militantes, simpatizantes, ativistas sindicais e funcionários dos sindicatos (depois que virou uma bagunça, ele pediu apoio ao CE para reorganizar). Al deliberou, por conta própria, a ida do companheiro FL, membro do CC, para São Paulo, sem qualquer discussão com a direção, impedindo, inclusive, que o companheiro participasse das discussões, mesmo essa participação sendo de interesse do próprio FL. Al publicou documentos internos da Organização sem autorização do CC. Mesmo após te pedido afastamento da Organização, Al continuou a controlar as mídias digitais da LPS quando deveria se furtar de participar delas uma vez que foi ele mesmo que pediu o seu afastamento do Partido, etc. Ou seja, quem efetivamente atua “por meio de métodos bonapartistas e administrativos” é o companheiro Al.

3) Sobre a mistura de militantes e não militantes: quem mais “misturou” os militantes com os não militantes foi o companheiro Al. Alguns exemplos demonstram claramente essa prática. A primeira com relação aos FIQs, onde partiu do companheiro a decisão de ampliar esse programa como uma espécie de “rede Avon ou Natura”. Ou seja, o que era para ser um programa de formação de quadros individuais (acompanhada da formação em grupo, com cursos que o companheiro nunca se empenhou para que acontecessem), foi transformado numa “rede” que estava muito mais preocupada com a quantidade do que com a qualidade. Sobre esse ponto é importante fazer um pequeno destaque para a política do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” – apesar do FIQ ser uma reunião obrigatória para os militantes, a companheira DM (que não tem núcleo e não vende jornal, mas é apresentada como militante pela ala “revolucionária” – nada pessoal contra a companheira) se negou a participar da reunião sem dar qualquer justificativa plausível, apenas disse textualmente que “não tem vontade, nem disposição” e que considerasse essa decisão como “um ato de rebelião que pode e deve ser submetido para avaliação ao CC”. Essa discussão foi encaminhada pela companheira SS para o companheiro Al – inclusive com a replicação da conversa. Talvez, por se tratar de alguém do seu “grupo”, tal discussão nunca chegou aos ouvidos do CC.

Ainda sobre “misturar militantes”, temos o caso clássico das dezenas de núcleos dos Correios -  Em uma reunião do núcleo dos Correios, coordenada por Al, foi-lhe apresentada uma lista de 150 contatos sindicais. Desses, Al chegou à conclusão de que daria para fazer seis núcleos de “militantes” e orientou o companheiro Rob a organizá-los. Depois de algum tempo, o companheiro PP foi chamado por Al para participar do ponto “organizativo” daquele núcleo e constatou a farsa que eram aqueles “núcleos”, requerendo o cumprimento estatutário, o que levou tal fraude ao fim.

Outro exemplo: o grupo do whatsapp, denominado “LPS Militantes”, que é administrado pelo companheiro Al. Ocorre que tal grupo, que deveria ser apenas para militantes orgânicos, ou seja, pessoas que aceitaram o programa, militam num núcleo, vendem jornal e cotizam, é uma “salada” onde, por um lado, são inseridos simpatizantes e pré-militantes e, do outro, excluídos militantes. Só para citar um exemplo, temos o caso do companheiro de SP, RC (que caracterizamos ser, na melhor das hipóteses, um simpatizante da LPS), que foi adicionado ao grupo de militantes pelo companheiro Al, no último dia 20 de agosto. Esse companheiro é, segundo as últimas informações repassadas ao CC, um membro da LBI que está em processo de rompimento com aquela organização. Não só isso. A própria inclusão de RC no pré-núcleo, bem como o desdobramento do próprio pré-núcleo de SP, ocorreu totalmente à revelia da direção da Organização (em mais um ato bonapartista do companheiro Al). Nesse caso, a situação é ainda mais grave, pois a direção da LPS acordou que Al deveria ir à SP e participar da reunião, que seria realizada no dia 19, pois o tal “pré-núcleo” era suigeneris, uma vez que contava com a participação de um “pré militante” que ainda pertencia a outra organização. Al ficou de dar retorno ao CC sobre essa reunião, o que não aconteceu até o presente momento. Dias depois, a maioria dos dirigentes do CC foi surpreendida com a convocatória de uma reunião desse pretenso pré-núcleo, feita pelos pré-militantes de SP, através do grupo de whatsapp de militantes, – algo totalmente contrário às normas e estatutos da Organização. Ou seja, o companheiro Al, que foi designado pelo CC para impugnar o pré-núcleo de SP até que pudéssemos avaliar de conjunto a real situação, não só descumpriu com a deliberação, como aplicou deliberadamente a política de entrismo – tentar cooptar os militantes não para a LPS, mas para o seu “grupo Alejandrista”.

Como fica claro, o maior provedor dessa política “contrarrevolucionária”, de enfraquecimento das fronteiras entre militantes e simpatizantes, responsável por uma “clara penetração oportunista nas fileiras do partido” foi aquele que se autodenomina “revolucionário leninista”.

4) Sobre as contratações/profissionalização: realmente, a organização precisa debater bem esta questão. Podemos discutir quem contratar para os trabalhos administrativos/organizativos do Partido e para a profissionalização militante, que em princípio deve-se priorizar os quadros que cumprirão um papel fundamental na formação política da militância ou em questões de relevada importância. Entretanto, o debate que se coloca é apenas um jogo de intrigas, que tem por objetivo jogar um companheiro contra o outro e fortalecer o “grupo” de Al (novamente a questão do entrismo).

Vamos esclarecer, uma vez mais, que os companheiros ML, RT, SS e FM estão na LPS antes da fusão das ex Luta Popular e Sindical / Gazeta Operária. Não é segredo para nenhum dos membros do CC que os três primeiros companheiros trabalham no Sindados e dedicam uma parte importante de seus dias a serviço da Organização. Por trabalharem no Sindados e atuarem no departamento de jornalismo daquele sindicato e tendo afinidade com a política da Organização, RT e SS foram incorporados à LPS num processo de discussão política. Posteriormente a companheira SS informou que precisava arranhar outro emprego, complementar, para aumentar sua renda. O Partido entendeu, então, que deveria manter a companheira no trabalho, tanto do sindicato quanto do Partido. Por isso, por unanimidade do CE ampliado, o Partido passou a contribuir com um valor a mais, agregado ao salário da companheira.

O caso do companheiro FM é diferente: na fase inicial da constituição da Luta Popular e Sindical ele foi convidado pelo companheiro PP para elaborar uma página quinzenal no jornal, sobre a questão de negros. Nessa ocasião o companheiro estava desempregado e PP propôs repassar-lhe uma ajuda de custo. Daquele relacionamento, o companheiro FM passou a ter maior aproximação nas atividades da Organização. Quando da fusão dos dois grupos, PP informou a situação para o companheiro Al e manteve o trabalho com FM que, depois, veio a ser incorporado à organização. Nesse sentido, entendemos que o companheiro FM é um militante profissionalizado pela LPS, num debate franco e aberto no interior da Organização. Se existe discordância cabe à Organização debater e encaminhar. Mas, não temos porque nos furtar de nenhuma dessas discussões, mesmo porque esses companheiros prestam um serviço militante de relevante importância para o Partido.

Outra situação é o caso do companheiro FL que, quando da fusão das antigas organizações, veio de São Paulo. Naquela oportunidade, o companheiro Al propôs sua profissionalização para que ele militasse internamente na LPS (Al não quis, na época, que FL atuasse nos núcleos sindicais. Por isso, foi criado o núcleo da Logística que era, também, uma necessidade da Organização). Tal profissionalização foi aceita por ambas as partes e tanto ele quanto Al foram alojados pela Organização.

Sobre o uso de panfleteiros (freelance) – Somos questionados por usar alguns jovens, com ajuda de diárias, filhos de conhecidos dos nossos militantes, em algumas panfletagens da Organização. O companheiro PP tem utilizado esse tipo de apoio, esporadicamente (3 a 4 companheiros), desde a época do movimento “Mundo do Trabalho Contra a Precarização”, fundado por ele e outros. Eles recebem diárias pelo serviço executado. Esse apoio ajuda a impulsionar a visualização da Organização e cria um universo de contatos que nem sempre se traduz em resultado de ganhar militante, mas amplia o conhecimento das massas pela Organização. O apoiador não está no lugar do militante, como quer fazer crer nosso “opositor”, mas é um complemento ao militante e atua em conjunto com o militante. Defendemos essa prática, desde que ela seja monitorada corretamente pela Organização. Esses apoiadores esporádicos seguem a mesma lógica do financiamento de matérias online (essa, misteriosamente, contando com o aval dos ultra esquerdistas). Nossos “opositores” nos criticam alegando que o uso dos apoiadores com pagamento de diárias é uma prática antimarxista, mas, ao mesmo tempo defende o “modelo marxista” de fazer a divulgação dos jornais, panfletos e outros materiais através do facebook. Isto mostra o grau de infantilidade e ignorância política com as quais teremos que conviver na construção do Partido Operário Revolucionário.

Ainda sobre a questão da profissionalização, o nosso maior problema é com o nosso maior crítico: o companheiro Al. Para um militante que critica tanto a contratação da companheira SS, que ele aprovou, no mínimo deveria esclarecer, honestamente, para todo o CC (e demais militantes) quem é que o financia. Quem paga suas inúmeras viagens e estadias pelo mundo afora? Ou seja, quem profissionaliza o companheiro, uma vez que não é a LPS? É no mínimo estranho que se abra um debate contestando a profissionalização de militantes e trabalhadores na LPS e em sindicatos (pessoas que todos sabem onde moram, quanto ganham, como vivem e quem efetivamente são), enquanto a situação financeira do companheiro e sua vida pessoal é uma incógnita para o partido. Al cotiza R$250,00 mensais. Então, tudo leva a crer que ganha mensalmente cinco mil reais. Esta quantia é incompatível com as idas e vindas e o modo de vida do cotidiano de Al. Até para analisarmos a base para a sua cotização mensal, que no caso de todos os militantes se baseia no que recebem de salário, torna-se essencial este esclarecimento.

5) Sobre as divergências internas: essa é uma mentira grotesca. Em nenhuma reunião foi colocado que não deveria se fazer críticas e autocríticas. Publicar documentos internos não tem nada a ver com autocrítica. Qual o sentido de se ter uma direção, de ter calendários de atividades, de se elaborar questões táticas e estratégicas numa reunião fechada se todos os documentos serão públicos? Essa é, na melhor das hipóteses, uma conduta para deixar a organização fragilizada, com sua vida interna e seus detalhes de ação à mercê de qualquer adversário. Ainda sobre a autocrítica, sinceramente, quem não a faz é o companheiro Al. Apenas para citar: durante reunião do segundo pleno do CC, houve um duro embate sobre a questão das contratações. O debate foi fechado naquela reunião com o companheiro Al “assumindo” que havia feito uma discussão “de forma atravessada” e que o problema era muito mais de entendimento (tática). Mesmo tendo reconhecido o erro, no dia seguinte, passando por cima da direção da LPS, o companheiro tentou reabrir essa polêmica numa reunião de núcleo dos Correios (fórum totalmente inadequado, já que se tratava de um problema que, a priori, havia sido sanado no CC) – tal discussão foi impugnada pelo companheiro Rob, que remeteu a questão ao CC. Na reunião seguinte do CC, Al voltou a fazer uma “mea-culpa” colocando mais uma vez que seu debate no núcleo dos Correios tinha sido “atravessado”, o que não o impediu de, na sequência, realizar uma rede de intrigas usando a questão das “contratações”. Somente nesse exemplo, podemos identificar quatro diferentes métodos stalinistas/ultra esquerdistas: covardia política (uma vez que o companheiro adota “duas caras” nas reuniões, a depender de quem participa do fórum); desrespeito ao centralismo democrático; bonapartismo e ausência de autocrítica.

6) Sobre “segurar” os sindicatos: chama a atenção a tese de que não deveríamos atuar nos sindicatos, buscando tomar o aparelho para as mãos da classe operária – que deveríamos apenas atuar como “oposições”. Os Correios se encontram na eminência de uma privatização. Afirmar que não deveríamos nos preocupar com o sindicato, o que significa entregá-los de bandeja, por exemplo, para a Força Sindical, é uma traição sem fim aos interesses da classe operária. Entregar os sindicatos para os patrões é permitir e, na prática, corroborar com a privatização e a demissão. Uma política totalmente antileninista, ultra esquerdista. Conforme a orientação dos mestres do marxismo, os revolucionários devem sim atuar nos sindicatos, inclusive nos reacionários, que é onde está a classe operária. Apesar da importância das redes sociais, ficar somente em facebook escrevendo matérias não passa de diletantismo.

Mais entrismo e sabotagem

As práticas de sabotagem aberta e entrismo revelam que não há um interesse por parte do companheiro em sanar as divergências. Isso ficou claro com o documento escrito por ele e com as inúmeras desonestidades políticas, além de conduta bonapartista, desrespeito ao centralismo democrático etc.  Na verdade, o que está claramente colocado é a tentativa de implodir a Organização. Senão, vejamos: o companheiro Al sabotou a última reunião do CC ampliado. Em seguida, abandonou as reuniões do FIQ com alguns militantes. Com outros, entretanto, ele usou o FIQ para difamar os companheiros PP e Rob ou para cooptá-los para sua política. Ao companheiro JE, orientou-o a se aposentar, pois ele “era sério, honesto e não iria se vender” à direção dos Correios (como se outros da diretoria do sindicato estivessem vendidos). À companheira IL, disse que tudo indicava que Rob e PP estavam metidos em falcatruas; que o sindicato estava todo burocratizado e não ia dar em nada; que ela era a mais séria do sindicato e deveria fazer uma carta de renúncia da diretoria e deveria militar com ele para fazer um trabalho na base do sindicato, etc. 

     

Por fim, o que está colocado é que a política do companheiro Al é uma traição aberta aos interesses da classe operária, pois tem por objeto impedir o crescimento da Organização que, justamente no último período, vem tendo maior visibilidade e começa a ser um fator de referência aos trabalhadores e a movimentos organizados mais à esquerda. O abandono do trabalho com as massas para se tornar apenas um militante “virtual”, uma prática já colocada em curso por Al, é a demonstração cabal do que é ser contrarrevolucionário, burocrata cristalizado e antileninista.

A íntegra do documento de Al revela muito mais uma ação no sentido de desestruturar e acabar com a Luta pelo Socialismo do que a manifestação de divergências que possam ser debatidas, refletidas e superadas pelo grupo. Talvez seja por esta razão, que da leitura do seu documento, tenhamos tido a conclusão de tratar-se de um documento de ruptura por parte desse militante.

Todavia, para sair da Organização não era necessário falsear tanto o debate político e as caracterizações.

Talvez tenhamos frustrado as expectativas do militante Al, que pensou ser este grupo tão frágil ao ponto dele dominá-lo e controlá-lo.

O fato é que independente da permanência do companheiro Al no nosso coletivo, este dará continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo antes da sua chegada.

Alimentamos uma expectativa boa de aceleração do desenvolvimento do grupo em termos teóricos, pois tínhamos a expectativa de que o acumulo teórico de Al cumpriria o papel de fazer avançar mais rapidamente o grupo. Hoje, temos dúvidas quanto aos objetivos de Al ao se integrar à LPS.

Temos plena consciência das nossas limitações e este é um ponto relevante para avançarmos, porque somos militantes sérios e trabalhamos para a construção do partido revolucionário.

Se a LPS será o partido que dirigirá a revolução não sabemos, afinal, como caracterizado por nós, somos um embrião. Entretanto, certamente seremos agentes políticos desta construção porque acreditamos no socialismo como evolução organizativa da humanidade.

Sobre os próximos passos da LPS caberá ao conjunto dos seus militantes, e apenas eles, discutirem e encaminharem nos fóruns adequados da Organização. Nesse sentido, esperamos que este material possa contribuir para o debate que realizaremos no CC, na próxima quarta-feira, 06 de setembro de 2017; que tiremos as conclusões e o norte a trilhar na luta pela construção da LPS e pelo socialismo.

Belo Horizonte, 04 de setembro de 2017

Pedro Paulo de Abreu Pinheiro,

P/ Membros do CC da LPS que respondem ao documento apresentado por Alejandro.

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