Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

Ao Comitê Central da LPS
diante dos documentos recebidos nos últimos dias (Carta ao Comitê Central da LPS, do companheiro Alejandro Acosta; Resposta da maioria dos membros do CC da LPS ao documento; Deliberações da reunião do Comitê Central da LPS 06.09.2017), nós, militantes do núcleo de Assis, apresentamos nossas considerações ao Comitê Central (CC) da LPS:
O documento elaborado pelo companheiro Alejandro reflete uma luta interna entre duas políticas que sempre esteve clara aos olhos de nosso núcleo. Essa luta se expressou para além do CC com o debate sobre a publicação, na íntegra, ou não, do documento debatido e aprovado no Pleno do dia 10 de junho e da censura feita ao mesmo pela ala majoritária do CC. Nesse debate nos posicionamos favoráveis à publicação, na íntegra. È inegável que a defesa intransigente do programa revolucionário pelos companheiros do CC que romperam com a organização levou a LPS a uma evolução política extraordinária. A busca pelo trabalho disciplinado e pela organização das tarefas militantes, o esclarecimento político sobre as tarefas colocadas no atual contexto, o trabalho com o jornal e a ampliação dos contatos para além do círculo sindical tornaram a LPS uma organização respeitada entre a esquerda nacional. Também é inegável e evidente que a burocracia sindical, que controla a parte majoritária do CC da LPS contém bases materiais de décadas de desenvolvimento. Sabemos que a tarefa dos militantes revolucionários é desnudar essa burocracia aos olhos dos trabalhadores, porém, entendemos que essa base material é dialética e não está totalmente desassociada da formação de um partido, que terá suas bases revolucionárias na superação da política sindical ciente do inevitável ascenso da classe trabalhadora que vai tomar (pela esquerda) ou destruir (pela direita) os atuais movimentos de luta, os partidos e os sindicatos. Ou seja, a base material da burocracia vai ser quebrada ou pelo movimento dos trabalhadores diante dos ataques ou pela própria direita golpista.
Portanto, pensamos que neste momento, em que as próprias condições materiais do ascenso do movimento operário não estão claras, a fragmentação da organização é uma precipitação dado que a luta política interna dependerá da correlação de forças que se estabelecerá a partir das contingências materiais. Quando o primeiro documento nos fora apresentado (a carta do Alejandro), nos posicionamos contra a ruptura imediata, entendendo que o enfraquecimento da organização nesse momento seria uma integração ao regime que se direitiza a cada dia mais. O momento não pede a paciência para um possível amadurecimento teórico dos militantes, como argumentam os setores do CC ligados ao sindicalismo (o que está mais para resiliência do que paciência), mas pede, sim, a compreensão, na prática, da evolução da luta de classes, já que estamos no refluxo do movimento operário e que nosso trabalho tem que focar na formação de quadros de vanguarda preparados para o ascenso.
Vemos a LPS como um grupo ainda fortemente economicista e localista, mas um racha provocado por um núcleo do CC (seja ele qual for) parece inviabilizar a aplicação prática de uma política revolucionária para superar essas condições, considerando que o perfil das massas em luta serão traçados na própria luta (como ensina Trotsky).

Ao tomarmos conhecimento do segundo documento (a resposta da maioria do CC) e das deliberações da reunião do CC que formalizou a ruptura da ala minoritária, debatemos os seguintes pontos:
1) a resposta, elaborada pela ala ligada ao burocratismo sindical e os embates promovidos nos grupos de redes sociais revelaram uma fragilidade política muito grande desse setor. As discussões ativeram-se a intrigas de caráter pessoais e moralistas e deixaram de lado uma proposta política e programática para o enfrentamento da crise interna. Postura muito semelhante a da direção do PCO, que corrobora a tese defendida por Alejandro de que há uma preocupação majoritária com a manutenção dos aparatos.
2) O núcleo de Assis encaminhou à SEO, na ata da reunião de 09 de agosto, questionamentos sobre as posições adotadas pelos companheiros Pedro Paulo e Robson no Conrep baseados no que foi lido na matéria sobre o mesmo na 24ª edição do JGO, (não na matéria ardilosa do PCO). Até agora não tivemos resposta e a abertura da crise interna abortou esse debate que consideramos imprescindível para os trabalhadores.
3) Entendemos que o II Congresso da LPS seria o espaço adequado e fundamental para a explicitação das divergências, para o embate e para a formalização da ruptura, com a participação de toda a militância. Discordamos da decisão de cancelá-lo, descumprindo o programa e deixando a militância fora do debate.
4) Diante dessa evidente fragilidade, consideramos necessário um debate aberto sobre os próximos passos da LPS (Luta Pelo Socialismo):
*o que se pretende ao adotar um programa revolucionário?
*Qual a relação com os núcleos que se formarão de forma independente do sindicalismo?
*qual a tolerância para os acordos: burocrática, para manter os aparatos, ou objetivando a frente única?
*qual relação se estabelecerá com os trabalhadores a partir dos acordos? Denunciar as capitulações da Frente Popular, ou fazer parte do movimento de contenção das lutas?
*nos Correios, por exemplo, como serão feitas as convocações para a greve desse semestre?
*quais os mecanismos serão adotados para que as tarefas de permanente agitação e propaganda no interior das organizações dos trabalhadores sejam cumpridas?
*há a intenção de publicizar e debater todas as atividades dos militantes (participação regular nas reuniões, vendas de jornais, escrita de matérias, cumprimento de tarefas pré-estabelecidas, etc)?

Tais questionamentos apontam um posicionamento em relação a nossa permanência ou não na LPS, haja vista que todo o processo de ruptura se deu através de debates internos do CC, sem a participação da militância. As respostas à maioria deles virão, inevitavelmente, com a prática. Fazemos a autocrítica no sentido de termos deixado fortalecido e intacto um núcleo duro de sindicalistas que, dadas as determinantes materiais, limitam a organização que planejamos coletivamente como revolucionária.
Acreditamos que, com o rápido entrismo na LPS (que só se caracterizou como tal após a ruptura) e com a forma como esta ruptura se deu (sem enfrentamentos anteriores que pudessem envolver a militância) não tivemos a oportunidade de cumprir a tarefa de aprender a realizar um trabalho revolucionário nos sindicatos “reacionários” (tarefa sugerida por Lenin em “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”). Seguimos na tentativa de buscar esse aprendizado, que acreditamos ser fundamental para a militância revolucionária, na LPS ou fora dela.
Dolores, Dimas, Carol
Assis, 12/09/2017

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