Quarta, 20 Junho 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

Na virada do ano de 2017, apareceram vários sintomas do fortalecimento de uma ala direita na LPS contra a política e o Programa da LPS. Os sintomas mais claros apareceram na frente dos Correios e, como ponto culminante, teve a reunião da Diretoria que aconteceu nos dias 18, 19 e 20 de janeiro.

O objetivo da reunião era reorganizar o trabalho da Direção do Sintect-MG, fazendo as Secretarias funcionarem de fato e adotarem mecanismos de gestão coletiva, com sistema de rodízio. A Secretaria de Organização e Controle não participou efetivamente destes trabalhos.
No entanto, o que predominou foi a adoção de medidas para favorecer os interesses particulares de alas burocratizadas da Diretoria do Sintect-MG. As questões centrais foram praticamente deixadas de lado, tais como a escalada dos ataques contra os trabalhadores, a iminência da privatização, a necessidade de colocar em pé um verdadeiro plano de lutas, a incorporação dos terceirizados à luta, a necessidade de fortalecer o trabalho da imprensa, o desenvolvimento do trabalho sindical como um trabalho revolucionário,  a aliança com os trabalhadores de outras categorias etc. No lugar, tiveram tratamento privilegiado questões como: minimizar o “esforço” dos diretores, que a reuniões deveriam ser realizadas durante o horário do expediente, que os diretores do interior deveriam receber compensações especiais (alguns diretores chegaram a defender abertamente a compensação por “sobre-trabalho”) etc.

Posteriormente, o que acabou se confirmando foi uma ala direita da LPS dentro do Sindicato que promoveu uma campanha contra a Direção da LPS, acusando a Organização de não “dar a mínima para os militantes”, menos ainda para a família, que seria pior que o PCO (Partido da Causa Operária) – organização na qual participaram vários dos militantes atuais da LPS e caracterizada por métodos pequeno-burgueses como “arrecadacionismo”, personalismo, burocratismo, priorização da discussão de questões pessoais, dentre outro – e que os métodos do companheiro Alejandro (dirigente Nacional da LPS) seriam truculentos.

Essas acusações foram avaliadas com certo cuidado pela Direção Nacional da LPS, pois, apesar de terem se manifestado de maneira aberta na frente dos Correios, elas também aparecem, na prática, na atuação das demais frentes sindicais.

“Truculência” ou capitulação à burocracia?

 

A primeira questão que deve ser avaliada, de acordo com os métodos do marxismo (o Materialismo Dialético e o Materialismo Histórico), é o fenômeno tal como ele é, no seu movimento e nas suas contradições.

O aperto do imperialismo sobre o Brasil e o avanço da extrema-direita no sentido do endurecimento do regime têm colocado contra a parede os setores de centro, que incluem o PMDB, setores do PSDB e de outros partidos burgueses, e a “frente popular”, encabeçada pelo PT.

A capitulação da “frente popular” é muito vergonhosa e tem provocado a paralisia do movimento operário. O PT, principalmente, tem baseado sua política em conchavos recorrentes com a direita e traições de todas as greves das categorias. As mobilizações têm sido pífias e canalizadas para os conchavos institucionais. O outro fator importante que está na base da paralisia do movimento operário e dos movimentos sociais é a política recessiva e abertamente entreguista dos golpistas, que tem provocado o aumento do medo da perda do emprego em categorias fundamentais, como metalúrgicos, químicos, a construção civil, entre outras.

O clima de desmoralização tomou conta da esquerda em geral. Como a LPS atua nesta realidade social, essa atmosfera também avançou sobre a Organização. Como em toda organização política ou social, na LPS se desenvolve a luta interna entre três alas, como reflexo da luta entre as três classes sociais que existem na sociedade.

A ação da ala mais burocrática da LPS contra a ala revolucionária aconteceu como produto da paralisia do movimento operário e como resposta “natural” aos avanços revolucionários que a LPS de conjunto vinha conseguindo no final do ano passado: formulação do Programa, elaboração da política mais definida e assertiva, diferenciação mais clara da “frente popular”, preparação do I Congresso da LPS, começo da consolidação das reuniões dos núcleos etc.

“Concordo 100% com a política, mas não concordo com o método”

Esse tem sido o mote principal da ala direita que cresceu na LPS.

Na realidade, o “concordo com a política da LPS” tem que ser colocado em perspectiva. Para concordar com a política da LPS é preciso, em primeiro lugar, concordar com o Programa da LPS. Conforme consta nos Eixos Programáticos da LPS (ler mais em: http://www.lpsmundo.org/especiais/texto/390-eixos-programaticos-da-lps-luta-pelo-socialismo) um dos pilares da Organização é a luta encarniçada contra a “frente popular”, o burocratismo ou interesses particulares contra os interesses dos trabalhadores e da LPS, assim como a defesa intransigente  da classe operária.

A política da LPS se materializa na Organização. Todo militante revolucionário deve zelar pela integridade organizativa da LPS. Isso passa pelo comparecimento pontual e devidamente preparado às reuniões recorrentes e às não recorrentes; a venda do Jornal para os contatos; a priorização do trabalho revolucionário sobre o trabalho meramente sindical; o pagamento pontual das mensalidades, do Jornal e das demais obrigações financeiras (sob pena de ser rebaixado e até afastado da LPS, de acordo com os Estatutos vigentes). Não por acaso, a ala direita da LPS teima em atacar a Organização em todas as questões fundamentais, como, por exemplo, nas listadas acima. Isso é até certo ponto “natural”, pois essa ala representa uma correia de transmissão da influência da burocracia dentro da LPS.

Os métodos revolucionários não estão desvinculados da defesa da integridade organizativa. Questões qualificadas como “truculentas” pela ala direita podem ser avaliadas, assim como qualquer outro método, de acordo com os Estatutos vigentes, que inclusive prevêem até a formação de uma Comissão de Moral para avaliar a conduta de um determinado militante. Mas, além das questões meramente organizativas, é preciso lembrar que os métodos devem ser colocados a serviço da construção da LPS, como embrião do partido operário revolucionário, e nunca em prol de interesses particulares. Quem levanta a crítica em relação aos “métodos” da LPS deve estar, no mínimo,  em dia com as suas obrigações e militar seriamente em prol da construção da Organização. Mesmo assim, qualquer discussão pode ser feita nos órgãos internos, a começar pelos núcleos, com a possibilidade de escalar o problema para a Direção Nacional.

A luta de classes está presente na Organização. A LPS e a ala direita, burocrática, desenvolvem uma luta a morte. A ala direita é fundamentalmente liquidacionista; ela quer acabar com a LPS como partido operário revolucionário, refletindo a mesma política da burocracia. Por ser uma correia de transmissão dessa política, ela tenta implodir a Organização por meio de vários mecanismos, chegando até a apresentar a “renúncia” sem nem sequer discutir o problema “do método” de maneira formal. E isso às vésperas do I Congresso. O “centrismo”, por sua parte, cumpre um papel de quinta coluna – que abre caminho para a atuação contrarrevolucionária aberta da ala direita. Os centristas aceitam tudo da boca para fora, mas na hora de agir, na prática, jogam o Programa e a política da LPS no lixo e fazem acordos espúrios com a ala burocratizada.

Por um partido operário revolucionário de quadros

 

A Direção Nacional da LPS tomou várias medidas para preservar a integridade da Organização e viabilizar a sua construção como um partido revolucionário leninista.

A primeira das medidas passa pela construção da LPS como um partido operário revolucionário de quadros. A validação na prática implica em que As tarefas devem ser derivadas da avaliação da situação política e não da política da “frente popular”.

A Direção Nacional começou um “recadastramento revolucionário” dos militantes que prioriza a fidelidade ao Programa, à política e aos métodos organizativos da LPS e não à “quantidade” de militantes, pré-militantes ou simpatizantes. O Jornal político (Gazeta Operária) será colocado efetivamente no centro da atuação política da LPS, com todos os militantes atuando com base na lista de contatos, com palavras de ordem alinhadas com o estado de espírito dos trabalhadores, com o objetivo de construir uma máquina de agitação e propaganda. Será aplicado um plano acelerado de formação dos quadros, teórico e prático. A atuação nos sindicatos será direcionada para o sindicalismo revolucionário, de acordo com os ensinamentos dos mestres do marxismo, contra o sindicalismo burocrático, que representa um instrumento da burguesia contra os trabalhadores. As forças serão concentradas nos centros operários, evitando dispersões, pois deverão entrar em movimento, inevitavelmente, no próximo período por causa dos crescentes ataques do capital.

Duas políticas: leninismo e “frente popular”

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