Quarta, 20 Junho 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

A formação dos Sindicatos no Brasil

  1. No final do século XIX, as condições de trabalho nas primeiras fábricas instaladas no Brasil eram bem parecidas com aquelas que existiam no início do capitalismo na Europa. Os trabalhadores estavam submetidos a condições degradantes com longas jornadas de trabalho, péssimos salários e morando em cortiços. Num primeiro momento, surgiram as organizações de ajuda mútua, na sua maioria organizadas sob a influência da Igreja Católica e que não tinham caráter de resistência ou mesmo reivindicatório.
  2. Nos primeiros anos do século XX, os trabalhadores começaram de fato a organizar os sindicatos para reivindicar direitos. Os primeiros estavam localizados nos maiores centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife e não tinham nenhuma regulamentação que não fosse aquela estabelecida pelos próprios trabalhadores. A reação da burguesia foi violenta, mas a união de classe se fortalecia com uma imprensa operária publicada em diversas línguas pela necessidade de fazer-se entender pelos diversos imigrantes. A remota industrialização do país estava sujeita às intempéries da economia mundial, portanto, antes mesmo do início do século XX, foi afetada pela crise financeira de 1897 a 1900 e depois pela crise de 1913-1914, neste períodos a classe operária foi atingida em cheio pelo desemprego com o fechamento temporário ou definitivo de empresas.
  3. Portugueses, espanhóis, italianos, franceses, dentre outros, chegavam pelo Atlântico com sonhos e com experiências de lutas nos países de origem. Estes imigrantes foram obrigados a vender sua força de trabalho de acordo com as condições que o capitalismo aqui oferecia: eram péssimas. Diante desta situação começaram a romper como o mutualismo e organizar os sindicatos. Neste momento o Brasil vivia sob a “política do café com leite”, uma referência a alternância na presidência da república entre paulistas e mineiros.
  4. No Estado de São Paulo, em 1900, o número de operários na indústria têxtil era de apenas 4.579 em 17 estabelecimentos; em 1910 passam para 13.396 em 24 estabelecimentos e em 1920 são 17.823 operários em 54 estabelecimentos. Ainda em São Paulo, entre 1907 e 1920 o número de empresas industriais passou de 326 para mais de 4 mil e o número de operários foi de 22 para 84 operários. Essa primeira fase da industrialização caracteriza-se por uma atividade bastante artesanal e com uma variedade ínfima de produtos, embora já houvesse pequena produção de teares manuais e mecânicos, mas muito dependente dos países centrais do capitalismo. Em 1907, haviam 149.140 operários no Brasil e em 1920 eles eram 275.512. A população brasileira em 1900 era de 17.318.556 habitantes e em 1910 de 23.414.177 habitantes. A economia brasileira assentava-se essencialmente na lavoura: produção de café para exportação.
  5. Em 1906 acontece a primeira grande crise que atinge a sua exportação. Havia sido produzido 20 milhões de sacas, quando o consumo mundial estava estimado em 16 milhões. O governo sai em socorro dos latifundiários e contrai uma divida de 15 milhões de libras esterlinas. A dívida externa que entre 1901 e 1906 estava numa média de 340 milhões de dólares, saltou para 444 milhões em 1907, 542 milhões em 1908, 553 milhões em 1909 e 625 milhões em 1910.
  6. Em 1906, foi formada a Confederação Operária Brasileira (COB) que em abril do mesmo ano realizou seu primeiro congresso no Rio de Janeiro, com a participação de representantes de 28 sindicatos. Eram 43 delegados, na maioria provenientes das Federação Operárias do Rio e de São Paulo. Sua criação foi um salto qualitativo para a organização dos trabalhadores, principalmente com a publicação de seu jornal, A Voz do Trabalhador, publicado nos anos de 1908 e 1909 e entre 1913 e 1915. Em 1907, os trabalhadores foram reprimidos com muita violência devido a greve dos tecelões, gráficos, metalúrgicos, dentre outros, sendo a COB constituída formalmente em 1908 quando relativamente passa a onda de repressão. Dentro da COB a força política majoritária era a anarquista, que ficaram conhecidos como anarco-sindicalistas, mas também tinham os socialista, comunistas e outras tendências. Eram filiadas a ela sindicatos e associações de diversas categorias que em geral se organizavam por estado, como por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores em Fábricas de Tecidos (os têxteis eram o maior grupo entre os trabalhadores industriais no Brasil), a Associação Protetora dos Chapeleiros, o Centro dos Operários Marmoristas, o Sindicato dos Carpinteiros, Pedreiros e Anexos, o Sindicato dos Trabalhadores em Ladrilhos e Mosaicos, o Sindicato dos Trabalhadores em Pedreiras, o Sindicato dos Pintores, o Sindicato dos Sapateiros, o Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Veículos, o Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindicato dos Trabalhadores em Fábricas de Tecidos, o Sindicato dos Transportadores de Tijolos, o Sindicato dos Trabalhadores em Pedra Granito, a Liga dos Pintores, a Liga das Costureiras de Carregação, o Sindicato dos Trabalhadores de Olarias, o Sindicato dos Oficiais Alfaiates, etc.
  7. Praticamente todas as tendências políticas no interior da COB faziam forte crítica ao reformismo, ao mutualismo, ao cooperativismo e apostavam na ação direta e na autonomia do movimento operário. Tinham a greve geral como principal meio para a transformação social. Organizava comícios onde debatiam as condições de trabalho e a necessidade dos trabalhadores se unirem para destruir o capitalismo. A redução da jornada de trabalho para oito horas estava no topo das reinvindicações da época, mas a lista era grande e passava pela regulamentação do trabalho feminino e proibição do trabalho infantil.
  8. Paralelamente à repressão o governo tratava de organizar a cooptação das lideranças. Em 1912, durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca, foi organizado um Congresso Operário que ficou conhecido como Amarelo e no ano seguinte foi reeditada a Lei Adolfo Gordo de 1907 e que previa várias penas a quem participasse de movimentos grevistas e principalmente com a expulsão de estrangeiros envolvidos ( 1º - O estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometer a segurança nacional ou a tranquilidade pública, pode ser expulso de parte ou de todo o território nacional). Os Amarelos, ao contrário dos anarco-sindicalistas incentivavam o mutualismo e o cooperativismo, sob a tutela do governo. Um fato importante da época foi a Revolta da Chibata que ocorre em 1910, feita pelos marinheiros contra as péssimas condições de trabalho e pelos castigos que sofriam. Durante o mesmo governo iniciou-se, em 1912 a Revolta do Contestado, quando os camponeses se organizaram e pegaram em armas contra sua expulsão pelos latifundiários na divisa do Paraná com Santa Catarina.
  9. Em 1913, a COB, realiza no Rio de Janeiro seu Segundo Congresso aprova uma campanha contra a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial.
  10. Depois de 1915, a COB para se esfacela e deixa de publicar seu jornal. É um período de forte repressão ao movimento operário com prisões e expulsão do país de diversos líderes.
  11. Em 1917 os operários tomam conta da cidade de São Paulo. A I Guerra Mundial levou a falta de produtos industrializados e de alimentos, a classe operaria estava sendo sugada ao máximo pelos capitalistas. Não houve outra saída, foram a luta e organizaram uma greve geral. A repressão foi violenta e um trabalhador foi morto, seu enterro transformou-se uma ato com mais de 10 mil pessoas e depois vieram os saques e foi formado o Comitê de Defesa Proletária que passou a governar a cidade de fato, organizando inclusive a distribuição de alimentos. O governo negociou e atendeu as reivindicações do movimento, mas depois voltou atrás de perseguiu as lideranças.
  12. Animados com a tomada do poder na Rússia pelos trabalhadores os anarquistas brasileiros pensaram em fazer a revolução no Brasil e em 1918 deram o sinal para uma greve geral que levasse a tomada do poder. Centenas foram presos. Os anarquistas não tinham um organismo centralizado para a tomada do poder, um partido revolucionário.
  13. Em 1922, alguns destacados dirigentes sindicais, que provinham do anarco-sindicalismo, entendendo a necessidade de romper com o economicismo e o apoliticismo dos sindicatos fundaram o Partido Comunista do Brasil (PCB). Os comunistas também viam a necessidade de construção de uma central sindical para construir a unidade da classe trabalhadora e criaram a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) em 1925 e em 1929 a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
  14. Durante as duas primeiras décadas os trabalhadores brasileiros através da luta direta conseguiram diversas conquistas, algumas categorias alcançaram o direito de férias e descanso semanal remunerado, redução da jornada de trabalho, dentre outros.
  15. Em 1929, a política conhecida como “café com leite” implode, o acordo é desfeito e uma aliança entre políticos mineiros e gaúchos leva ao poder Getúlio Vargas.

O Sindicalismo de Estado no Brasil

  1. Termina a fase em que os sindicatos eram legítimos apenas perante os trabalhadores. Agora são legitimados pelo Estado e legalmente reconhecidos, têm proteção do governo e negociam delimitados por escopo jurídico próprio, têm atribuições transmitidas pelo poder público e agem em conformidade a elas. Essa normatização vai marcar profundamente o contexto da luta de classes no Brasil. Getúlio Vargas se inspira na Carta del Lavoro de Mussolini. O objetivo: integrar os sindicatos ao controle dos aparatos do estado burguês.
  2. Na década de 1930, o Brasil passa por uma transformação. A enorme queda da bolsa de valores em 1929, a profunda crise do capitalismo que levaria a Segunda Guerra Mundial, afetou a economia brasileira, integrada a divisão internacional do trabalho que tinha na exportação do café a sua principal fonte de divisas. A crise de 1929 e a depressão econômica que a seguiu fizeram que, durante a primeira metade da década de 1930, os preços internacionais do café diminuíssem pela metade. Mesmo assim, a economia brasileira apresentou, entre 1930 e 1945, taxas de crescimento próximas a 5% ao ano.
  3. A “Revolução” de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, marcou o início de um processo de industrialização, com destaque relativo dos centros urbanos para o cenário político do país e a necessidade da burguesia colocar o Estado para fazer um novo tipo de regulação nos conflitos entre as classes.
  4. A escravidão e o sistema produtivo baseado na lavoura vão marcar de forma acentuada as prerrogativas outorgadas ao Estado no Brasil. O “Sindicalismo de Estado” encontra terreno fértil nesse proletariado advindo do campo através do assistencialismo e trata com mão de ferro as forças revolucionárias no seio do movimento operário. Os setores médios também são fundamentais para dar sustentação ao governo Vargas que viam no “fortalecimento” do Estado uma forma se protegerem.
  5. Getúlio Vargas foi catalogando e regulamentando as conquistas que os trabalhadores tinham conquistado nas suas diversas lutas. Esse processo iniciado em 1930 com a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio culminou na criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que além de estabelecer uma legislação trabalhista nacional determinava como os sindicatos deveriam funcionar.
  6. Vargas diminui cada vez mais a possibilidade de existência de sindicatos não atrelados a esse modelo, até que, em 1939, dois anos após a decretação do Estado Novo, determina a existência de um único sindicato por categoria profissional. Cria o imposto sindical, através do qual é descontado anualmente um dia de trabalho da folha de pagamento dos trabalhadores, encaminhado para financiar a estrutura sindical. Os sindicatos vão se tornando cada vez mais organizações assistencialistas e promotores da harmonias social.
  7. É criada a Justiça do Trabalho para dirimir conflitos trabalhistas e todas as querelas são resolvidas ali dando a sensação a amplas camadas da classe trabalhadora de que a Justiça seria a forma mais eficaz para acabar com as injustiças cometidas pelos patrões.
  8. Essa estrutura jurídico e política de funcionamento dos sindicatos, a unicidade sindical e as contribuições sindicais obrigatórias por força da lei “geram um aparelho sindical integrado ao Estado e separado dos trabalhadores”. Os trabalhadores já não podem decidir sobre a forma de se organizarem, não podem escolher qual sindicato os representa, não têm controle sobre suas finanças. O sindicato passa a ser um órgão de direito público e suas normas de funcionamento estão estabelecidas em lei.
  9. As consequência do sindicalismo de estado são desastrosas para os operários e, ao mesmo tempo, cria diversos privilégios para os burocratas sindicais. O peleguismo é oficializado, inexiste organização nos locais de trabalho, o assistencialismo e organização fragmentada por categorias profissionais, são alguns dos elementos que emanam da sua estrutura. Neste contexto, os sindicatos são do Estado e não apenas submissos a ele. É o Estado que emite a carta concedendo a suas existência, o seu funcionamento.
  10. Os sindicatos, no Brasil, alcançaram de forma cristalina aquilo que Trotsky expôs em seu texto “Os Sindicatos na Época da Decadência Imperialista”: “Há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo: sua a aproximação e sua vinculação cada vez mais estreitas com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, social-democratas, comunistas e anarquistas [...]O capitalismo monopolista não se baseia na concorrência e na livre iniciativa privada, mas numa direção centralizada. As camarilhas capitalistas, que encabeçam os poderosos trustes, monopólios, bancos etc., encaram a vida econômica da mesma perspectiva como o faz o poder estatal, e a cada passo exigem sua colaboração. Os sindicatos dos ramos mais importantes da indústria, nessas condições vêem-se privados da possibilidade de aproveitar a concorrência entre as diversas empresas”.
  11. A estrutura sindical de Estado criada por Getúlio Vargas permanece viva no Brasil e a burocracia sindical apega-se a ela com unhas e dentes. A ditadura militar de 1964 aproveitou dela para fazer todos os tipos de intervenções necessárias para manter a ordem. A Constituição de 1988 a reformulou e ampliou concedendo também estes departamentos de Estado (Sindicatos) aos funcionários públicos. A organização sindical deixou de ser um direito dos trabalhadores para ser um direito burguês. A Constituição de 1988 criou uma situação aparentemente contraditória em que normatiza a dependência e a autonomia dos Sindicatos diante do Estado, mas na verdade não rompe com a estrutura anterior.
  12. A estrutura sindical não é composta só pelos sindicatos. No topo está o Ministério do Trabalho que é ocupado por funcionários diretos do Estado, as Delegacias Regionais do Trabalho e a Justiça do Trabalho.
  13. No final da década de 1970 e início dos anos de 1980 os Sindicatos encontravam-se completamente controlados pelos burocratas mais afinados com a ditadura militar. Um novo ascenso da classe operária, nascido dentro das fábricas atropelou a velha burocracia e abriu caminho para a construção do “novo sindicalismo”, classista, que levou à fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983.
  14. Contudo, mesmo o “novo sindicalismo” se revestiu, principalmente a partir de 1987, de todo o legalismo e submissão voluntária aos Sindicatos de Estado. A ala direita do PT, a Articulação Sindical, após muitas manobras, conseguiu se apoderar dos órgãos e alavancas principais da Central.
  15. A unidade de propósito dos Sindicatos de Estado é quebrar a organização dos trabalhadores e destruir as tendências revolucionárias. A CUT incorporou a expectativa de que a tutela do Estado ajudaria os trabalhadores a limitarem a exploração do capital sobre o trabalho assalariado.
  16. Em dezembro de 1991, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema começaram a participar da Câmara Setorial da indústria automotiva, uma negociação tripartite envolvendo empresários, governo e representantes dos trabalhadores, que fez mudar as orientações da CUT e do PT em relação a elas, num sentido abertamente oportunista, de conciliação de classes. O acordo nacional que aparentemente beneficiaria a todos neles envolvidos não passava de um embuste do capitalismo em crise.
  17. Hoje, a grande maioria dos sindicatos encontram-se sob a direção política da burguesia. A burocracia sindical separa a luta reivindicativa da luta revolucionária e, desta forma, reveste-se de um reformismo conservador que não coloca em xeque o poder dos capitalistas.

A LPS e o sindicalismo revolucionário – Teses Programáticas

  1. A LPS defende a luta por sindicatos revolucionários que permitam agrupar os trabalhadores, em cima dos problemas imediatos, no sentido da tomada do poder político pela classe operária e o fim do capitalismo.
  2. A LPS entende que os sindicatos não representam um fim em si mesmos, mas que são uma espécie de escola para o verdadeiro embate, que é a revolução operária pela destruição do capitalismo. Os sindicatos pertencem aos trabalhadores não são “propriedade privada” de um punhado de dirigentes. Na situação pré revolucionária, os trabalhadores tendem a passar por cima da burocracia e retomar os sindicatos para a luta. Na situação revolucionária, os trabalhadores vão além e formam conselhos de trabalhadores para a disputa do poder político.
  3. A defesa da autonomia dos sindicatos não pode se confundir com a independência política dos sindicatos. A independência política ou neutralidade afasta os sindicatos de uma atuação revolucionária. Portanto os sindicatos devem estar sob uma orientação política revolucionária e com independência total perante o Estado burguês e o Imperialismo. Conforme o revolucionário russo escreveu no folheto “Os sindicatos na época d decadência imperialista” https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1940/mes/sindicato.htm “O capitalismo monopolista é cada vez menos capaz de conviver com a independência dos sindicatos. Exige que a burocracia reformista e a aristocracia operária, que juntam as migalhas que caem de sua mesa, transformem-se em sua polícia política aos olhos da classe operária. Quando não consegue isso, suprime a burocracia operária, substituindo-a pelos fascistas.” “Isso significa que na era do imperialismo a existência de sindicatos independentes é, em geral, impossível? Seria basicamente incorreto colocar assim esta questão. O que é impossível é a existência de sindicatos reformistas independentes ou semi-independentes. É perfeitamente possível a existência de sindicatos revolucionários, que não somente não sejam agentes da política imperialista mas que também se coloquem como tarefa a destruição do capitalismo dominante. Na era da decadência imperialista, os sindicatos somente podem ser independentes na medida em que sejam conscientes de ser, na prática, os organismos da revolução proletária. Nesse sentido, o programa de transição adotado pelo último congresso da IV Internacional não é apenas um programa para a atividade do partido, mas, em traços gerais, é o programa para a atividade dos sindicatos.”
  4. A política sindical revolucionária está intrinsicamente ligada à defesa intransigente dos interesses da classe trabalhadora. Por esse motivo, os militantes sindicais da LPS rejeitam a política burguesia do apartidarismo que tem como objetivo propagandear que, como “todos os políticos são corruptos”, os trabalhadores deveriam se concentrar em trabalhar. Os sindicalistas da LPS lutam pela construção do partido operário revolucionário que é o único que pode levantar as bandeiras políticas da classe operária, tais como: a destruir do verdadeiro responsável pelas macelas sociais, o capitalismo, o fim da ultra corrupta dívida pública, a nacionalização dos bancos e a taxação das grandes fortunas, o fim da burocracia estatal, a polícia e o exército, e a substituição pelo poder operário, dentre outras.
  5. No trabalho sindical, a LPS atua com palavras de ordem, elaboradas a partir da análise a situação política e alinhadas com o estado de espírito da classe trabalhadora com o objetivo de elevar a consciência das massas. A LPS rejeita o “pragmatismo” da burocracia sindical, o desprezo à teoria e à realização de acordos espúrios contra os trabalhadores. Os Sindicalistas da LPS devem estar em constante formação visando à formação de quadros para ampliação da política revolucionária nas bases de atuação dos Sindicatos.
  6. Atuar nos sindicatos com uma política clara e revolucionária é uma tarefa chave para ampliar o debate sobre a construção de um Partido Operário Revolucionário. Neste sentido, a orientação programática e a direção política da LPS tem como objetivo a aplicação prática, na defesa inegociável dos interesses dos trabalhadores. A LPS rejeita a política da burocracia sindical que trata das questões programáticas como papel morto, como mera formalidade e que foca os esforços para disputar cargos sindicais.
  7. O trabalho sindical da LPS deve ter como objetivo fundamental fortalecer a imprensa operária, como uma máquina de agitação e propaganda. Usar os problemas dos trabalhadores para evidenciar os brutais ataques impostos pelos capitalista e o estado burguês. Neste sentido, o trabalho sindical miúdo, local, somente faz sentido na busca pela ampliação, pelo trabalho nacional e pela unidade dos trabalhadores, das outras categorias. A organização de oposições sindicais revolucionárias é mais importante que a conquista de aparatos sindicais de maneira burocrática, principalmente, quando não estiver ligada à luta dos trabalhadores.
  8. Os militantes organizados nos sindicatos devem trabalhar para Os militantes organizados nos sindicatos devem trabalhar para organizar listas de contatos para venda e debate do principal militante do Partido, o Jornal Gazeta Operária. Desta forma podemos ampliar a divulgação da política de forma profissional e sem diletantismo. Seguimos os ensinamentos do líder da Revolução Russa Vladimir Ilich Lenin expressos no livro “O que fazer?”.
  9. A administração burocrática dos sindicatos não pode estar no eixo da atividade dos sindicalistas revolucionários. Todos os contatos com os trabalhadores, seja pelo motivo que for, devem ter como objetivo desenvolver a propaganda revolucionária a partir da realidade deles. Nesse sentido, os boletins ser regulares e refletir muito de perto os problemas que eles vivem. A sensibilização dos trabalhadores deve ser completada com o repasse e discussão do Jornal político com os contatos mais interessados, principalmente, com o objetivo de elevar a consciência política da vanguarda dos trabalhadores. Os militantes dos trabalhadores devem se preparar para os brutais ataques colocados pelo capital que, inevitavelmente, colocarão os trabalhadores na encruzilhada de uma luta à morte.
  10. A LPS se organiza baseada nos princípios do centralismo democrático, com amplo incentivo às discussões coletivas e à construção de um coletivo disciplinado, rejeitando todas as manifestações de burocratismo, tais como o centralismo burocrático, a figura do grande líder e o “movimentismo”, a corrida desenfreada e não planejada a reboque dos pequenos acontecimentos.
  11. As regras, metas e métricas dos militantes sindicais da LPS são aprovadas de maneira coletiva, após amplo debate. Mas uma vez aprovadas, elas devem ser cumpridas e não devem ser relaxadas por causa da pressão da burocracia ou mesmo do atraso de setores dos trabalhadores.
  12. As oposições sindicais classistas e revolucionárias da LPS devem ser construídas com militantes que lutem, de maneira consequente, pelos interesses dos trabalhadores. A LPS rejeita o “centrismo”, a conciliação com os patrões, o “amiguismo” e “coleguismo”.
  13. O trabalho dos sindicalistas revolucionários sofre a pressão dos patrões, da burguesia e da burocracia. Eles não devem nunca esquecer que se encontram no olho de uma encarniçada luta de classes. Para combater essa pressão, os militantes devem fortalecer o nível ideológico, político e organizativo. As relações entre os militantes devem ser formais e orientadas à ação revolucionária, em contraposição às trocas de favores, o burocratismo, o “amiguismo”, o anarquismo e o individualismo, que conduzem à desmoralização crescente.
  14. O sindicalistas da LPS devem ser formados como militantes sérios, disciplinados de conscientes, a serviço da classe operária. Eles devem se forjar na luta real, onde devem se constituir no estado maior das lutas e da revolução operária. A LPS rejeita frontalmente o sindicalismo oportunista e burocrático a reboque da política de colaboração de classes, que neste momento é impulsionada no Brasil principalmente pelo PT. Essa política somente conduz à desmoralização e à integração com o regime burguês. A LPS busca combater o burocratismo dentro dos Sindicatos à morte, pois estes sofrem pressão e infiltrações de setores centristas e de direita para um alinhamento não com a classe trabalhadora, mas sim com os interesses do imperialismo.
  15. O recrutamento de novos ativistas revolucionários deve acontecer principalmente em cima das lutas. Por luta deve ser entendido a defesa, na luta de frente, dos interesses mais importantes dos trabalhadores, a partir das questões menores. Isso se contrapõe à priorização da luta jurídica ou de discussões no Whatsapp.
  16. A LPS defende a formação marxista dos militantes sindicais para que através da evolução da consciência de classe, estes entendam que a luta é interna, real e principalmente material contra burocracia Sindical.
  17. O senso de urgência de um militante sindical revolucionário deve ser transformar-se num militante classista e revolucionário imediatamente. A LPS rejeita a política burocrática baixo qualquer motivo, sejam estes “ir devagar”, “não há dinheiro”, “não temos formação”, “vamos abandonar o oportunismo aos poucos”, “somos todos amigos”, “concordo, mas como fazer?”, “não quero militar de maneira disciplinada, mas quero a liberação pelo Sindicato, o prestígio ou outras benesses”. A cerejinha do bolo da justificativa para o oportunismo contrarrevolucionária passa pela política de que “os trabalhadores estão paralisados”, “que os trabalhadores são idiotas” e de que, portanto, “cada um” (isto é, os burocratas) deve cuidar da própria vida.
  18. A LPS considera que a “paralisia dos trabalhadores” tem como fatores materiais a brutal pressão da empresa, do capital e do estado, e as traições da burocracia sindical. O papel dos militantes da LPS passa por ajudar os trabalhadores a aumentar a consciência política a partir da própria experiência, a partir do nível de consciência, esclarecendo por meio de palavras de ordem (que devem refletir a evolução da situação política e o estado de espírito das massas) que devem ser propagandeadas por meio de forte agitação e propaganda.
  19. A burocracia se encontra submersa numa gigantesca e crescente desmoralização por causa da sua integração ao regime burguês. A LPS mantém o otimismo revolucionário, em cima da evolução da situação política, que a pesar de ser muito crítica coloca pela primeira vez nos últimos 25 anos a possibilidade de uma grande ascenso operário em escala mundial por causa da impossibilidade do grande capital de colocar em pé uma política alternativa ao “neoliberalismo”, com obscenos ataques contra os trabalhadores.
  20. O financiamento da luta dos trabalhadores deve ter na base pequenas contribuições dos próprios trabalhadores. A LPS considera as finanças como um componente da luta política e da construção da organização independente da luta dos trabalhadores. A LPS rejeita a política espúria da burocracia que busca se financiar a partir dos organismos atrelados aos capitalistas e ao estado burguês.
  21. A LPS luta por aplicar os métodos mais avançados que a sociedade capitalista conseguiu produzir, contra os métodos artesanais da burocracia sindical.
  22. Atuar no interior dos sindicatos burocratizados de forma travar a luta de classes também dentro destes aparelhos dominados pela burocracia sindical. Lutar contra o reformismo que engessa os sindicatos e serve de base para neutralizar os trabalhadores mais combativos.
  23. Os dirigentes sindicais revolucionários devem atuar de forma firme na defesa da política da LPS nos fóruns de debate, seja no campo Sindical ou em qualquer outro campo.

A atuação nas bases operárias deve ser no intuito de debater a política sem “medo”. O sindicalista revolucionário deve debater com os trabalhadores de base a política revolucionária no sentido de explicar a importância da criação de um Partido Operário Revolucionário de massas.

Os dirigentes sindicais revolucionários devem seguir uma disciplina operária em consonância com o objetivo máximo, a revolução operária. Essa disciplina deve estar baseada no controle sistemático das atividades sindicais para que os dirigentes não adotem uma política contra revolucionária de alinhamento com o estado burguês.

Os dirigentes sindicais revolucionários devem lutar no dia-a-dia contra as infiltrações da direita dentro das entidades sindicais com intuito de implodir o trabalho de construção do Partido Operário Revolucionário. Essa luta passa obrigatoriamente pela construção de núcleos da LPS nestes sindicatos com militantes ativos e compromissados em debater cotidianamente a política revolucionária.

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