Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

I Congresso – 14 a 16 de abril de 2016

Crise capitalista mundial e movimento operário................................................................. 2
Neoliberalismo, refluxo e burocratização da esquerda................................................... 2
A esquerda revolucionária hoje.................................................................................................... 4
Estados Unidos...................................................................................................................................... 4
América Latina........................................................................................................................................ 6
Europa......................................................................................................................................................... 8
Oriente Médio.......................................................................................................................................... 8
Japão............................................................................................................................................................ 8
Rússia e China........................................................................................................................................ 8 

Crise capitalista mundial e movimento operário

  1. O aprofundamento da crise capitalista mundial tem acelerado. A LPS considera que no próximo período acontecerá um novo colapso capitalista, muito pior que os anteriores, por causa do enfraquecimento dos estados burgueses provocado pelos resgates das grandes empresas desde 2008.
  2. O movimento operário mundial ainda não se recuperou do duro golpe das políticas neoliberais, impostas em escala mundial desde a metade da década de 1980. Mas aparecem sinais de que deverá acordar em breve impulsionado pelo aprofundamento da crise mundial. Dentre outros, o aumento do número de greves em vários países, os protestos na França contra a reforma trabalhista, o ascenso parcial do movimento estudantil, o movimento de professores no México. A classe operária será colocada numa encruzilhada, ou luta ou morre de fome. Perante essa situação, se colocará a necessidade da formação do estado maior, o partido operário revolucionário mundial.
  3. A maior parte da esquerda foi reduzida a um penduricalho da burguesia com o refluxo do movimento operário. A quase totalidade acabou se integrando ao regime. Uma nova esquerda revolucionária deverá surgir no próximo período.

Neoliberalismo, refluxo e burocratização da esquerda

  1. Na década de 1960, os chamados “Anos Dourados” do capitalismo mundial chegavam ao fim nos países desenvolvidos. A crise de 1967 acelerou a inflação e o desemprego. Esta foi a base material dos movimentos estudantis de 1968, que se aceleraram a partir do repúdio à agressão imperialista contra o Vietnam.
  2. Em 1971, a Administração de Richard Nixon, nos Estados Unidos, aplicou o calote da desvinculação do dólar do padrão ouro devido à impossibilidade de enfrentar os crescentes gastos da Guerra do Vietnam. Era o fim da “ordem” estabelecida pelos acordos de Bretton Woods, de 1944, pela qual os Estados Unidos tinham se comprometido a manter a conversibilidade do dólar ao ouro enquanto os demais países passaram a usar o dólar como o principal lastro para as moedas locais.
  3. Em 1974, explodiu a chamada crise mundial do petróleo que esteve na base do colapso das políticas “keynesianas”. A inflação e o desemprego escalaram. As ditaduras militares, que foram impostas pelo imperialismo norte-americano nos países atrasados após o final da Segunda Guerra Mundial, colapsaram. Os mecanismos de contenção do desenvolvimento das tendências revolucionárias apresentaram fraturas por causa da crise capitalista.
  4. O “keynesianismo” foi a política aplicada pelos governos das potências centrais com o objetivo de conter a crise capitalista aberta em 1929, em cima do aumento dos gastos públicos direcionados, principalmente, para obras de infraestrutura e gastos militares. Mas, na realidade, a contenção da crise de 1929 somente foi possível em cima da brutal destruição das forças produtivas que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. O esforço de reconstrução da Europa em escombros, por meio do Plano Marshall, a partir de 1948, gerou um período de relativa prosperidade nos países desenvolvidos que durou por, aproximadamente, 20 anos e que teve como lápide a crise mundial do petróleo de 1974, em grande medida, impulsionada pelos gigantescos gastos absorvidos pela Guerra do Vietnam.
  5. Um novo ciclo de revoluções se abriu em cima do aprofundamento da crise capitalista. A Revolução de Portugal, de 1974, foi o tiro de largada. A Revolução no Irã, em 1979, foi o ponto culminante. O Irã tinha sido desde o sangrento golpe de 1954, promovido pela CIA contra o governo nacionalista de Mossadegh, o país mais forte do Oriente Médio e o principal instrumento do imperialismo norte-americano para controlar a região. A crise revolucionária que se abriu na Polônia, em 1980, com grandes mobilizações operárias, colocou abaixo os regimes estalinistas na Europa Oriental e na própria União Soviética.
  6. No início da década de 1980, a inflação oficial superou os 20% anuais nos Estados Unidos. A desestabilização social levou o movimento operário a experimentar uma forte ascensão em escala mundial.
  7. A contenção do movimento operário aconteceu após a derrota da greve dos mineiros do carvão na Inglaterra (1984), que durou um ano, e da greve dos controladores aéreos nos Estados Unidos (1985), que resultou na demissão de 13 mil trabalhadores, e com a entrada dos trabalhadores chineses no mercado mundial ganhando salários miseráveis. Assim começava a aplicação das chamadas políticas “neoliberais”, em escala mundial.
  8. O movimento grevista foi duramente atacado, com demissões das lideranças, além de demissões em massa. Importantes setores industriais foram migrados dos países desenvolvidos para os países atrasados, principalmente para o México, a China e outros países da Ásia. Um novo enorme número de trabalhadores, com salários miseráveis, foi incorporado ao mercado mundial, no final da década de 1980 e no início da década de 1990, a partir do colapso da antiga União Soviética.
  9. O chamado “neoliberalismo” se transformou na política do conjunto da burguesia mundial para conter a crise. A esquerda burguesa e pequeno burguesa em geral, assim como a burocracia sindical, se transformaram em base de apoio e instrumentos dessa política no Brasil e no mundo.
  10. Em 2008, as políticas “neoliberais” implodiram como contenção da crise capitalista, particularmente como mecanismo de contenção da queda da taxa média de lucros em escala mundial.
  11. Perante a impossibilidade de impor uma nova política alternativa ao “neoliberalismo”, a burguesia imperialista tem se visto forçada a manter as mesmas políticas, o que tem levado à escalada da crise. Por esse motivo, a única “saída” para a crise do sistema capitalista mundial passa pela militarização da sociedade e a imposição de uma guerra em larga escala. Com a destruição enorme de forcas produtivas, o capitalismo recuperaria um certo fôlego durante algum período. O efeito colateral passa pelo desenvolvimento das tendências revolucionárias.

A esquerda revolucionária hoje

  1. Os partidos operários revolucionários são praticamente inexistentes no mundo por causa da integração ao regime burguês e a paralisia do movimento operário durante décadas. Quando existem não passam de pequenos grupos com influência muito escassa no movimento de massas.
  2. A situação internacional evolui rapidamente para um novo colapso capitalista gigantesco. A classe operária, inevitavelmente, deverá acordar do longo sono neoliberal.
  3. Está colocado o surgimento de uma nova esquerda revolucionária, enquanto a esquerda oportunista atual e a burocracia sindical deverão ser ultrapassadas pelo movimento de massas.
  4. A LPS deve preparar-se para impulsionar a luta em escala mundial, em primeiro lugar, por meio da imprensa.
  5. A criação de um partido de quadros, com algumas dezenas de quadros operários firmes e com clareza, com forte influência no movimento operário, poderá transformar a LPS num dos polos aglutinadores dos revolucionários no mundo.

Estados Unidos

  1. As eleições dos Estados Unidos, que aconteceram em novembro de 2016, têm forte impacto sobre a América Latina e o mundo.
  2. Hillary Clinton representou os interesses do complexo industrial militar, os bancos e as petrolíferas. Para salvar os lucros, se veria obrigada a apertar os trabalhadores ainda mais e a acirrar as contradições com as potências regionais e as demais potências imperialistas.
  3. Donald Trump foi eleito devido ao apoio importantes da burguesia imperialista na tentativa desesperada de manter a taxa de lucros. Ele busca fortalecer os Estados Unidos por meio das clássicas políticas de extrema direita, como as políticas xenofóbicas e a recomposição industrial do país. Isto somente poderia acontecer por meio da fascistização da sociedade, preparando o país para um confronto militar em larga escala, posterior. O ministério e o primeiro escalão do governo que assumiu aponta nesse sentido.
  4. O imperialismo norte-americano enfrenta a pior crise da história.
  5. À paralisia industrial se soma o endividamento generalizado. Somente a dívida pública (oficial) passou de US$ 6,5 trilhões para US$ 19 trilhões nas duas Administrações de Obama. Somando as dívidas das empresas, dos estudantes, o provisionamento para as aposentadorias e os gastos militares no mundo, a dívida supera os US$ 60 trilhões até a próxima década.
  6. A Reserva Federal (banco central) se debate na tentativa de aumentar a taxa de juros. As taxas de lucros em cima dos títulos podres, movimentam mais de US$ 6 trilhões, mas essas taxas têm caído. O círculo vicioso é que ao aumentar os juros, se coloca em xeque a capacidade das grandes empresas contraírem empréstimos ilimitados a quase 0% para aplicá-los na especulação financeira.
  7. A especulação financeira, fundamentalmente os nefastos derivativos financeiros, movimentam mais de 10 vezes o PIB total mundial, que já é muito parasitário. No Brasil, por exemplo, somente os juros somam quase 40% do PIB. Os altos volumes de capitais fictícios deverão ser “queimados” na próxima crise, levando a uma bancarrota generalizada das grandes empresas.
  8. Na tentativa de salvar os lucros dos monopólios, o imperialismo tenta diversos malabarismos, como a extração ultra depredadora de petróleo a partir do xisto, a PTP (Parceria Trans Pacífica), que faliu, ou a PTA (Parceria Trans Atlântica), que não consegue sair do papel devido à oposição do imperialismo europeu.
  9. As condições de vida dos trabalhadores norte-americanos têm piorado significativamente.
  10. O movimento operário norte-americano foi praticamente desmantelado após a derrota da greve dos controladores aéreos durante a Administração de Ronald Reagan, na década de 1980. Hoje apenas 8% dos trabalhadores estão sindicalizados. A contenção da burocracia é feroz. Os movimentos sociais que despontaram em Nova Iorque e na Costa Oeste foram mediatizados. O “fenômeno” Bernie Sanders conseguiu canalizar para as vias eleitorais institucionais parte desse descontentamento social.
  11. O imperialismo norte-americano é uma espécie de leão velho, ferido e com várias pontes de safena, mas, não por isso, pouco perigoso. Funciona como uma espécie de supra polícia mundial.
  12. A superpotência que, após a Segunda Guerra Mundial, dominou a Europa e o Pacífico, hoje não consegue controlar o Afeganistão que é um país muito atrasado. Para estabilizar o Oriente Médio, a Administração Obama se viu obrigada a estabelecer acordos com aliados que estão muito longe de serem tradicionais, como o Irã, a Rússia, os curdos e, indiretamente, com a milícia libanesa Hizbollah.
  13. No mundo, existem mais de 800 bases norte-americanas. São quatro milhões de funcionários ligados aos organismos repressivos. Há dezenas de agências e órgãos de inteligência. Conforme revelou o ex-agente da NSA e da CIA, Edward Snowden, todas as telecomunicações se encontram sob vigilância.
  14. Um poderio tão gigantesco como esse, pode ser derrotado? Somente há uma força capaz de derrotar o imperialismo: a revolução proletária. A Guerra do Vietnam foi uma amostra prática disso.
  15. É preciso levantar uma série de bandeiras democráticas para mobilizar amplos setores das massas contra o imperialismo, pois esta dependência impede o avanço dos países atrasados.
    1. Não pagamento da dívida pública;
    2. Ruptura com todos os acordos impostos pelo imperialismo;
    3. Pela Revolução Agrária;
    4. Contra os planos de “ajustes” em geral;
    5. Estatização do sistema financeiro, do comercio exterior e das grandes empresas.
  16. A mobilização de amplos setores anti-imperialistas somente pode acontecer se a classe operária conseguir se organizar. Por esse motivo, é preciso avançar rapidamente no sentido da formação do partido operário revolucionário.

América Latina

  1. Na América Latina, o imperialismo tenta apertar os regimes por meio de engrenagens golpistas com o objetivo de aplicar duros planos de “ajuste” que visam descarregar o peso da crise contra as massas.
  2. Os governos nacionalistas têm sido colocados contra as cordas em todos os países, em cima de campanhas contra a corrupção e outras manobras promovidas pela direita.
  3. Também os governos da “nova onda neoliberal” se encontram em crise, como pode ser visto no México, na Argentina e no Brasil, em primeiro lugar, que saem na linha de frente da crise mundial.
  4. No Brasil, está colocada a retomada do movimento grevista da década de 1980.
  5. A América Latina se encontra na linha de frente da crise capitalista mundial devido, em primeiro lugar, à pressão do imperialismo para desviar a crise dos centros.
  6. O imperialismo norte-americano tenta impor uma “nova onda neoliberal” com outra escalada de ataques contra os trabalhadores.
  7. Na base destes ataques, se encontra a incapacidade do grande capital de extrair lucros da produção.
  8. Os governos “neoliberais” conseguiram unificar todos os setores da burguesia com a política das privatizações, desmonte dos direitos trabalhistas e da escalada dos ataques contra os trabalhadores. No Brasil, a CUT, por meio das câmaras setoriais, esteve na base da contenção da classe operária. O PSTU fez parte da diretoria do pelego Vicentinho durante anos.
  9. Esses governos começaram a implodir relativamente cedo, com o Caracazo (1989) na Venezuela. A lápide dessas políticas foi o colapso de 2008.
  10. Os regimes nacionalistas burgueses e de “frente popular”, que sucederam os governos “neoliberais”, contiveram as tendências revolucionárias. A base material foi a supervalorização das matérias primas durante um período.
  11. O aprofundamento da crise capitalista levou ao esgotamento das políticas “nacionalistas” de contenção das massas por meio da cessão de algumas migalhas. O imperialismo apertou o centro dos regimes políticos com o objetivo de impor ataques muito maiores.
  12. Os governos “nacionalistas” mais importantes da região (Venezuela, Equador e Bolívia) enfrentam enorme crise por causa da redução do orçamento público.
    1. A Venezuela se encontra numa situação explosiva. 40% do orçamento nacional está destinado à programas sociais e 20% a subsídios. A dívida pública é de US$ 120 bilhões; somente com a China é de US$ 50 bilhões. A radicalização das massas é evidente, particularmente nos movimentos sociais. Uma parte dos Coletivos se encontra armado.
    2. Na Bolívia, o confronto do governo com os trabalhadores voltou à ordem do dia: confronto com os mineiros cooperativistas (que estavam na base do governo) e a retomada das movimentações em torno à formação do Partido dos Trabalhadores.
    3. No Equador, a queda dos preços do petróleo colocou em xeque a “Revolução Cidadã”, de Rafael Correia.
  13. O recente propagandeado acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC-EP, e que ficou em xeque devido à rejeição no plebiscito, ainda deverá ser sustentado economicamente e poderá ser dificultado pela falta de verbas para implementa-lo. Ainda resta ver o destino dos combatentes e a possibilidade de que uma parte deles engrosse o crime organizado.
  14. A ponta de lança da “nova onda neoliberal” está se esgotando rapidamente qual fogo de palha.
    1. O governo de Sebastián Piñeira, no Chile, chegou ao final do governo muito desgastado e teve que ser substituído com o bombeiro clássico: mais um governo da Concertación.
    2. No México, o governo de Peña Nieto, imposto pelos Estados Unidos em dezembro de 2012, conseguiu entregar a Pemex e impor a reforma trabalhista. Mas não conseguiu entregar a educação pública nem o setor elétrico. Agora, a dois anos do final do mandato, está completamente esgotado.
    3. Na Argentina, Maurício Macri conseguiu, no início deste ano, impor brutais aumentos nas tarifas dos serviços públicos. Somente entre os meses de janeiro e abril, o número de pobres aumentou em 1,4 milhão, levando em conta que a população total é de 40 milhões. Agora, perante a recessão, até os empresários estão pressionando por um governo de “coalisão nacional”.
    4. No Brasil, o governo Temer se esgotou. O golpe parlamentar deu lugar a um golpe do Judiciário.
  15. No eixo da pressão golpista, se encontra a escalada dos ataques contra os trabalhadores. A crise econômica tende a se aprofundar rumo a um colapso de gigantescas dimensões, que está colocado para o próximo período.
  16. Em cima do aprofundamento da crise capitalista mundial, avança a convulsão do regime político de conjunto. Todos os partidos integrados ao regime burguês se encontram em crise, da esquerda à direita. Por esse motivo, o imperialismo é obrigado a impor regimes cada vez mais duros e atrelados às estruturas repressivas do Estado, rumo a uma nova onda de golpes militares.
  17. A classe operária latino-americana e mundial se encontra paralisada por causa da contenção exercida pelos governos nacionalistas e de “frente popular”, unido ao fato de que os ataques ainda não atingiram patamares muito críticos.
  18. Para o próximo período, está colocada, inevitavelmente, a movimentação da classe operária conforme os ataques aumentarem.
  19. Os mecanismos próprios das ditaduras militares que tinham ficado retraídos começam a aparecer novamente: leis antiterror; vários instrumentos no Brasil, México e Argentina para colocar em pé a repressão a partir do exército; a direitização do Judiciário; o enfraquecimento dos parlamentos etc.
  20. É preciso fazer avançar a organização dos trabalhadores brasileiros e latino-americanos. A luta é uma só: rumo à Federação dos Estados Unidos Socialistas da América Latina.

Europa

  1. A Europa enfrenta forte crise. A recessão industrial atingiu em cheio o coração do imperialismo europeu, a Alemanha, que representa o termômetro da região.
  2. A Zona do Euro enfrenta dura crise e se confronta com a possibilidade de implosão.
  3. A crise avança a passos largos contra os países mais desenvolvidos. Dos chamados PIIGS (acrônimo de pigs, porcos em inglês), que compreende Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, avançou para a França e a Inglaterra.
  4. A crise econômica se reflete na crise política. Por esse motivo, o bipartidarismo (que representa a forma ideal de controle do estado pelo grande capital) está em frangalhos. A burguesia tenta manter o controle do regime por meio de mecanismos extraparlamentares, impulsionando a extrema direita, que já controla boa parte dos países da Europa Oriental.
  5. A burguesia imperialista impulsiona a extrema direita como carta na manga para enfrentar a inevitável ascensão operária que acontecerá no próxima período.

Oriente Médio

  1. No Oriente Médio, a região nunca se recuperou da crise aberta em 2011. Alcança o ponto culminante na Síria. Mas a desestabilização avança de maneira generalizada, conforme pode ser visto, de maneira gritante, no Iraque, no Líbano, no Iêmen, na Palestina, na Turquia, mas também no coração da região, a Arábia Saudita.
  2. A desestabilização, a partir do Oriente Médio, avançou sobre o Norte da África e o Sahel (a região localizada ao sul do Deserto do Saara).
  3. O enfraquecimento do imperialismo tem levado ao protagonismo de potências regionais na região, como a Rússia, Arábia Saudita, Catar e Turquia.
  4. A LPS levanta a bandeira do direito à autodeterminação de todas as nações oprimidas, a luta contra as monarquias e os regimes reacionários da região e a expulsão do imperialismo.

Japão

  1. O Japão, que representa a terceira potência mundial, enfrenta há décadas a estagnação. A dívida pública é gigantesca. O governo encabeçado pelo primeiro ministro Shinzo Abe se encontra encurralado; há anos tenta aumentar o imposto sobre o consumo sem sucesso. A extrema direita, desde 2012, tem ocupado um papel de primeira ordem no cenário político.

Rússia e China

  1. Na Rússia, o governo Putin conseguiu, por meio de manobras, vencer as recentes eleições parlamentares. Mas a economia se encontra em recessão há vários anos por causa dos baixos preços da energia.
  2. Na Ásia, a “locomotiva mundial”, a China, está perdendo o fôlego industrial. Por esse motivo, de maneira recorrente e crescente, tem buscado mecanismos especulativos na tentativa de conter a crise.
  3. A política chinesa do chamado “Novo Caminho da Seda” tem como objetivo criar melhores mecanismos logísticos para reduzir o tempo da circulação de mercadorias com a Europa, tendo como pivô a Rússia. Investimentos bilionários têm sido feito neste sentido, o que têm acirrado as contradições.
  4. O imperialismo norte-americano deslocou para a região Pacífico da Ásia nada menos que a metade do orçamento do Pentágono. A chamada aliança Transpacífico representa o instrumento econômico para conter a China, mas entrou em crise. O mesmo aconteceu com a Aliança Trans Atlântica que foi rejeitada pela Europa.

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