Sábado, 22 Setembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

A LPS – Luta Popular e Sindical, foi organizada em 2014 a partir de um pequeno grupo em Minas Gerais, a maioria de seus membros fruto de rompimentos com o Partido da Causa Operária (PCO). Nessa fase embrionária da LPS, seus militantes estavam dispersos, sem nenhuma militância orgânica, embora alguns deles, formalmente, ainda representassem o PCO nas instâncias jurídicas do TRE. No início à constituição do grupo, analisando a necessidade de firmarem-se, esses militantes procuraram estabelecer frente com outras organizações e criaram o Movimento Mundo do Trabalho contra a Precarização (MTCP) no segundo semestre de 2014, quando voltou a ser debatido o Projeto de Lei das terceirizações (PL 4330). Realizou-se, então, um trabalho bem avançado, em termos sindicais, se comparado ao tamanho da burocracia que imperava nos sindicatos e centrais sindicais.

A partir de uma intervenção firme da LPS no MTCP, foram realizadas várias atividades como debates, plenárias, panfletagens e participação em movimentos de rua envolvendo diversos setores do movimento sindical. Tais atividades incomodaram a burocracia cutista, dentre outras, que sequer fazia reuniões e plenárias organizativas em seus sindicatos para conscientizar e mobilizar a base contra a precarização do trabalho. Por pressão desse Movimento, as plenárias na CUT voltaram a acontecer todas as segundas-feiras. Com elas, setores de base da CUT, ligados ao PT, começaram a fazer críticas ao governo Dilma e ao imobilismo da Central. Para coibir o avanço da nossa política, dirigentes do PT foram deslocados para aquelas reuniões, na tentativa de controlar seus militantes e por fim às plenárias que deixaram de existir na sede da CUT, demarcando e transferindo o centro de decisões para as reuniões da Frente Brasil Popular. Quando já estava claro que aconteceria o impeachment da presidenta Dilma, esses setores chamavam, timidamente, algumas manifestações controladas, que sequer envolvia toda a militância. Estava claro que não estavam dispostos a lutar contra o golpe de maneira consequente. Sua integração ao regime estava atrelada aos benefícios que aquela burocracia mantinha nos sindicatos e nas centrais sindicais.

Nesse período, a LPS impulsionou um combate contra a ala mais direitista da CUT e da Frente Popular e contra a “política frouxa” em relação à luta contra o golpe e à retirada de direitos dos trabalhadores. Foi nessa luta contra a paralisia da burocracia sindical que, através do MTCP, levamos um pouco mais de uma centena de trabalhadores em Brasília, no início de abril/2015, e tomamos a dianteira do ato público em frente ao Congresso Nacional barrando a entrada dos veículos que transportavam deputados, trabalhadores e lobistas (empresários...) para dentro do Congresso, o que gerou o mais ferrenho enfrentamento com a polícia militar e a do Congresso Nacional naquele ano, cuja repercussão nacional e internacional colocou em destaque nosso Movimento (tendo nossa palavra de ordem “Terceirização escraviza, mutila e mata” ganhado o movimento sindical e visibilidade ímpar)  e impulsionou a luta nacional contra o PL 4330.

Alguns aliados foram importantes nessa luta, embora apresentassem uma política vacilante, como o caso do PCR e da esquerda petista. Não obstante, nossa luta ainda era meramente sindical e o foco estava na oposição à retirada de direitos, com a palavra de ordem “Nenhum direito a menos!”, que elaboramos e difundimos a partir de uma reunião do MTCP.

No ano 2015, promovemos intensas atividades e produção de materiais (cartazes, panfletos, boletins e cartilhas) sobre a luta contra a precarização do trabalho e a retirada de direitos dos trabalhadores.

A NECESSIDADE DE CONSTRUIR UMA ORGANIZAÇÃO MAIS CENTRALIZADA

Desde as primeiras reuniões para a construção da LPS ocorreram discussões sobre os objetivos da organização. De certa forma, ainda sob a influência da experiência burocrática de funcionamento do PCO, existiu uma tendência inicial de fazer uma organização “mais flexível” e com um trabalho específico na área sindical com um pé no viés cultural. Na medida em que se abria mais espaço de atuação dentro dos movimentos essa concepção foi mudando e a percepção da necessidade de uma organização mais centralizada e nos moldes de um partido revolucionário veio à tona. Foram organizados alguns encontros em diversos Estados, na maioria com ex-militantes do PCO e/ou sindicalistas dos Correios, para conversar sobre a necessidade de nos organizarmos nacionalmente. Esses encontros e as investidas de avançar na tentativa de uma organização nos moldes “bolchevique” nos levaram a preparar a primeira Conferência da LPS, realizada em Brasília em final de junho de 2015.

As principais dificuldades para a construção de um partido revolucionário eram grandes devido à enorme influência sindical, sobretudo o aspecto burocrático do sindicalismo atual, que ao mesmo tempo foi a base sobre a qual forjou-se um debate que, ao ser travado, tornou possível construir a nova organização. O atraso teórico, consequência dos longos anos de centralismo burocrático e “tarefeiro” embruteceram a militância que estava habituada a atuar somente sob o jugo da ordem que, na maioria das vezes, acabou cumprindo-a de forma distorcida ou com dificuldade de entender seu objetivo essencial. O esforço para que os militantes escrevessem algumas linhas para nossas publicações ou desenvolvessem tarefas de cunho político eram muitas vezes em vão. Com um cronograma de atuações, tanto do Movimento Mundo do Trabalho quanto da LPS, demos um salto em direção à elaboração do nosso jornal: Jornal da PLS, bem como da atuação dos militantes em núcleos (as células leninistas), com reuniões quinzenais, e em plenárias, também quinzenais, além das plenárias do MTCP (ora quinzenais, ora tri semanais e, por último, mensais).

Para auxiliar os nossos “redatores” incluímos uma jornalista profissional (a companheira Sa), próxima à política da LPS, que veio algumas vezes (de João Pessoa/PB) para ministrar cursos de redação. Essa companheira, hoje incorporada à LPS, continua atuando enquanto jornalista no nosso jornal, o Gazeta Operária.

DA FUSÃO DO GAZETA OPERÁRIA À LPS

Desde a I Conferência da LPS estivemos em contato com integrantes da Gazeta Operária, um grupamento oriundo do PCO, cuja ruptura com aquela organização ocorrera mais ou menos na mesma época dos militantes que construíram a LPS.

Durante alguns meses estabelecemos um relacionamento de proximidade com o companheiro Alejandro Acosta, que nos permitiu utilizar diversas das matérias de análise da situação política internacional (e nacional) escritas pelo então organização Gazeta Operária para colocarmos no jornal da LPS.

Esse companheiro participou, também, de algumas plenárias do MTCP o que possibilitou uma maior aproximação entre esses dois grupos.

A partir de abril de 2016, decidimos pela fusão da Gazeta Operária à LPS, considerando que, no geral, tínhamos o mesmo comprometimento político e ideológico. A Gazeta Operária tinha quadro militante com maior experiência teórica marxista e a LPS tinha maior quantidade de quadros médios com formação marxista e maior inserção no movimento sindical e popular.

Decidimos, então, a partir do Nº 4 do nosso Jornal, alterar o nome do “Jornal LPS” para “Jornal Gazeta Operária”. O nome da nossa Organização foi mantido.

Desse momento em diante, aprimoramos a luta por uma formação marxista mais disciplinada dos militantes, trazendo vários companheiros do movimento sindical e popular de diversos Estados brasileiros a participar de cursos e outras atividades de formação política. Fomos, também, diversas vezes, em vários Estados abrindo frentes de intervenção, constituindo núcleos e pré núcleos para a construção do partido que pretendemos seja o Partido Operário Revolucionário.

Nacional

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