Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

 

  1. O imperialismo norte-americano enfrenta a pior crise da história.
  2. À paralisia industrial se soma o endividamento generalizado. Somente a dívida pública (oficial) passou de US$ 6,5 trilhões para US$ 19 trilhões nas duas Administrações de Obama. Somando as dívidas das empresas, dos estudantes, o provisionamento para as aposentadorias e os gastos militares no mundo, a dívida supera os US$ 60 trilhões até a próxima década.
  3. A Reserva Federal (banco central) se debate na tentativa de aumentar a taxa de juros. As taxas de lucros em cima dos títulos podres, movimentam mais de US$ 6 trilhões, mas essas taxas têm caído. O círculo vicioso é que ao aumentar os juros, se coloca em xeque a capacidade das grandes empresas contraírem empréstimos ilimitados a quase 0% para aplicá-los na especulação financeira.
  4. A especulação financeira, fundamentalmente os nefastos derivativos financeiros, movimentam mais de 10 vezes o PIB total mundial, que já é muito parasitário. No Brasil, por exemplo, somente os juros somam quase 40% do PIB. Os altos volumes de capitais fictícios deverão ser “queimados” na próxima crise, levando a uma bancarrota generalizada das grandes empresas.
  5. Na tentativa de salvar os lucros dos monopólios, o imperialismo tenta diversos malabarismos, como a extração ultra depredadora de petróleo a partir do xisto, a PTP (Parceria Trans Pacífica), que se encontra à beira de falir, ou a PTA (Parceria Trans Atlântica), que não consegue sair do papel devido à oposição do imperialismo europeu.
  6. As condições de vida dos trabalhadores norte-americanos têm piorado significativamente.
  7. O movimento operário norte-americano foi praticamente desmantelado após a derrota da greve dos controladores aéreos durante a Administração de Ronald Reagan, na década de 1980. Hoje apenas 8% dos trabalhadores estão sindicalizados. A contenção da burocracia é feroz. Os movimentos sociais que despontaram em Nova Iorque e na Costa Oeste foram mediatizados. O “fenômeno” Bernie Sanders conseguiu canalizar para as vias eleitorais institucionais parte desse descontentamento social.
  8. As eleições presidenciais, que acontecerão em novembro, expressam as contradições existentes entre duas alas direitistas próximas em relação a como salvar os monopólios da crise.
  9. Hillary Clinton representa a ala, testada, ligada diretamente aos grandes bancos, às petrolíferas e ao complexo industrial militar. É a favorita dos monopólios que precisam salvar os lucros a qualquer custo e de maneira urgente.
  10. Donald Trump é um elemento da extrema direita, que “corre por fora” do aparato do Partido Republicano e busca fortalecer o imperialismo internamente com o objetivo de projeta-lo, posteriormente, para a guerra. O último debate entre os candidatos mostrou que o grande capital se orienta, principalmente, para impor a vitória de Clinton, mas com a permanência do controle das duas câmaras do Congresso pelos setores mais direitistas.
  11. A guerra aparece como a única “saída” para o capitalismo em crise, pois implicaria na destruição acelerada de forças produtivas. O problema insolúvel é como destruir forças produtivas sem acelerar o desenvolvimento das tendências revolucionárias.
  12. O imperialismo norte-americano é uma espécie de leão velho, ferido e com várias pontes de safena, mas, não por isso, pouco perigoso. Funciona como uma espécie de supra polícia mundial.
  13. No mundo, existem mais de 800 bases norte-americanas. São quatro milhões de funcionários ligados aos organismos repressivos. Há dezenas de agências e órgãos de inteligência. Conforme revelou o ex-agente da NSA e da CIA, Edward Snowden, todas as telecomunicações se encontram sob vigilância.
  14. Um poderio tão gigantesco como esse, pode ser derrotado? Somente há uma força capaz de derrotar o imperialismo: a revolução proletária. A Guerra do Vietnam foi uma amostra prática disso.
  15. A superpotência que, após a Segunda Guerra Mundial, dominou a Europa e o Pacífico, hoje não consegue controlar o Afeganistão que é um país muito atrasado. Para estabilizar o Oriente Médio, a Administração Obama se viu obrigada a estabelecer acordos com aliados que estão muito longe de serem tradicionais, como o Irã, a Rússia, os curdos e, indiretamente, com a milícia libanesa Hizbollah.
  16. É preciso levantar uma série de bandeiras democráticas para mobilizar amplos setores das massas contra o imperialismo, pois esta dependência impede o avanço dos países atrasados.
    1. Não pagamento da dívida pública,
    2. Ruptura com todos os acordos impostos pelo imperialismo,
    3. Pela Revolução Agrária,
    4. Contra os planos de “ajustes” em geral.
  17. A mobilização de amplos setores anti-imperialistas somente pode acontecer se a classe operária conseguir se organizar. Por esse motivo, é preciso avançar rapidamente no sentido da formação do partido operário revolucionário.

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