Quarta, 21 Novembro 2018

Sobre nosso rompimento com a LPS e rompimento da maioria  do Comitê Central com o Programa aprovado no Iº Congresso da LPS

Durante a estruturação da ala esquerda (revolucionária) da LPS, a luta até o I Congresso (Abril de 2017) foi pela imposição do programa revolucionário. A primeira reunião Plena do CC foi o ponto em que ala burocrática foi pressionada a aplicar o Programa. Até esse momento, todos os documentos (que foram escritos pela ala revolucionária, especificamente por Alejandro Acosta) foram aprovados por unanimidade. Mas a ala burocrática aprovava tudo como mero papel que devia ser jogado no lixo. O objetivo sempre foi usar a ala revolucionária como verniz para o trabalho burocrático sindical oportunista, e especificamente para continuar controlando os caixas dos sindicatos. Com o fim do imposto sindical e sob a pressão da ala revolucionária, a ala burocrática, se viu encurralada e partiu para cima da ala revolucionária com o objetivo de enquadra-la aos próprios interesses, tentando impedir inclusive a ida destes à base e não estruturando o trabalho nacional.

 

  1. O aprofundamento da crise capitalista mundial tem impactado em cheio o Brasil.
  2. O imperialismo, principalmente o imperialismo norte-americano, tem buscado descarregar o peso da crise sobre a América Latina, na tentativa de salvar os lucros dos monopólios.
  3. O aperto do regime político tem levado à implosão do centro do regime político (direita parlamentar) e ao fortalecimento dos polos (extrema direita e esquerda revolucionária).
  4. A Operação Lava-Jato tem como objetivo endurecer o regime, varrendo, em primeiro lugar, o PT dos setores chave do governo, avançando sobre o PMDB.
  5. O PMDB está na mira do imperialismo desde 1988 por se tratar de um partido “muito caro”. Devido à necessidade de garantir a “governabilidade” de todos os governos que vieram após o final da Ditadura Militar, ele foi tolerado. Mas os “desvios” dos caciques locais e do clientelismo são incompatíveis com a política imperialista de direcionar tudo para os grandes especuladores financeiros.
  6. A política econômica do imperialismo norte-americano para o Brasil conta com quatro eixos principais: i) Acabar com os gastos públicos sociais e direcionar os recursos para a especulação financeira. A rolagem dos serviços da dívida pública é um dos principais instrumentos neste sentido; ii) As privatizações, a troco de nada, dos Correios, da Petrobras, dos bancos públicos, da Infraero e de mais 250 empresas públicas; iii) A reforma trabalhista; iv) A reforma da Previdência Social.
  7. A política da “frente popular”, encabeçada pela cúpula do PT, é de absoluta traição aos trabalhadores.
    1. A luta contra o golpismo não passou de uma camuflagem para direcionar o descontentamento das massas para os canais parlamentares;
    2. O PT se aliou com a direita golpista do primeiro time (PSDB, PMDB e DEM) em 1.682 municípios nas eleições municipais, tendo se transformado assim numa “esquerda golpista”;
    3. A política revolucionária foi a do voto nulo (ativo): participar das eleições para denunciar o caráter golpista;
    4. A greve geral contra o golpe não passou de uma mera enganação para camuflar a traição. Nenhuma categoria foi mobilizada para a greve. Há o medo da burocracia perder o controle. A política revolucionária é a da construção da greve geral pela base, a partir das reivindicações das principais categorias nacionais;
    5. A campanha salarial das principais categorias nacionais foi traída, em primeiro lugar, nos Correios, nos bancários e nos petroleiros.
  8. A paralisia dos trabalhadores tem na base dois fatores principais: i) A traição da “frente popular”; ii) O governo golpista de Temer ao invés de atacar em cheio os trabalhadores, tem segurado os ataques. Para manter o controle da base parlamentar, o déficit público que o governo Dilma iria deixar para este ano foi duplicado.
  9. O imperialismo se movimenta para avançar contra o governo Temer após as eleições municipais e colocar, no lugar, um governo mais duro, com o PSDB à frente, na política prática.
  10. O regime político de conjunto se encontra em crise, desde a direita até a ala esquerda (PT e grupos menores integrados ao regime).
  11. Como o objetivo é aplicar o “ajuste” para salvar os lucros, um governo mais duro, do PSDB, ainda será insuficiente para atacar os trabalhadores na intensidade que o grande capital precisa para salvar os lucros. O limite é a busca para não ultrapassar a fronteira que poderia levar as massas à revolução.
  12. O aprofundamento da crise capitalista mundial obriga o imperialismo a avançar na direção de um regime de terror. A Lei Anti-terror, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e o endurecimento do Judiciário fazem parte da recolocação em pé das estruturas da Ditadura Militar que, na realidade, nunca foram desmontadas no fundamental. Nas eleições municipais, foram colocados 70 mil soldados do Exército nas ruas de várias cidades.
  13. Cada vez mais, fica claro que a “democracia” burguesa não passa de um leve verniz de uma brutal ditadura contra os trabalhadores, conforme tem ficado muito claro a partir de 2001.
  14. Os vários projetos de Lei e as PECs (Propostas de Emenda Constitucional) que tramitam no Congresso representam apenas, e apesar da truculência, a ponta de lança, dos ataques que veem pela frente.
  15. A classe operária, brasileira e mundial, está sendo colocada perante uma encruzilhada, ou entra em movimento ou morre de fome. Seria o que Rosa Luxemburgo chamou de “socialismo ou barbárie”.
  16. O sistema capitalista mundial ficou muito enfraquecido por causa da crise de 2008. A guerra em largas proporções é a única “saída” para a crise, com uma destruição de forças produtivas em ainda maior escala. Mas a desestabilização política (a guerra representa a continuidade da política por outros meios) tende a acelerar o desenvolvimento das tendências revolucionárias.
  17. O “sindicalismo” tradicional deverá ser ultrapassado, no próximo período, diante da evolução da situação política para uma situação pré-revolucionária. A terceirização e o aperto do Ministério do Trabalho está aumentando o atrelamento dos sindicatos, enquanto a base representada se reduz aceleradamente.
  18. O “movimentismo”, junto com o “sindicalerismo”, representam duas versões da infiltração do “espontaneísmo”, da política da burocracia sindical e política, contra a política operária revolucionária, contra o programa marxista.
  19. Os marxistas revolucionários precisam atuar nas organizações existentes de trabalhadores, mas também é necessário impulsionar o trabalho com os terceirizados e em outros setores de trabalhadores.
  20. Está colocado, de maneira urgente, estruturar os pilares para a formação de um partido operário revolucionário, a partir de um grupo de agitação e propaganda organizado para atuar na luta de classes no próximo período, no cenário nacional e mundial.

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