Quarta, 21 Fevereiro 2018

          Mobilização das massas ou frente popular

 

  1. A paralisia atual mais se parece com a calmaria que sempre antecede uma grande tempestade, como uma caricatura da paralisia do movimento operário da década de 1990. Com a implantação do “neoliberalismo” em escala mundial, a partir da década de 1980, e principalmente após a queda do Muro de Berlim, o grosso da esquerda mundial se integrou ao regime perante os ataques do imperialismo e a paralisia do movimento operário. A tarefa de construir o partido operário foi praticamente abandonada.
  2. Os partidos operários que existem hoje se incorporaram com mala e cuia à “democracia imperialista”, fizeram parte da base de implantação do “neoliberalismo”. Na sua maior parte, se integraram às “frente populares” que hoje se encontram em fase terminal. Quando elas chegam no poder, não rompem com o imperialismo e, no melhor dos casos, impõem ditaduras burocráticas nacionalistas, fazem algumas reformas, mas não expropriam o capital.
  3. Hoje mais do que nunca é preciso construir o partido operário revolucionário para organizar a mobilização das massas rumo à revolução operária mundial. Ou seja, se trata da luta pelo Programa de Transição, pela ditadura do proletariado.
  4. O foco deve estar na organização da luta das massas e não na atuação junto às superestrutura das organizações burocratizadas e de acordos com suas direções traidoras. Todo acordo deve ser feito sob a política revolucionária.

          Duas políticas podem coexistir no partido revolucionário?

  1. A existência de duas políticas dentro do partido revolucionário somente pode se tratar de um fenômeno temporário. Este partido deve manter a sua independência programática e política. Caso contrário será tomado pelo centrismo e as tendências burocráticas o irão implodir. Perante as massas, ele deve se apresentar de maneira clara com as suas palavras de ordem que devem refletir o seu Programa e política.
  2. Lenin disse: “O congresso do nosso partido foi um acontecimento único no seu gênero, sem precedentes em toda a história do movimento revolucionário russo. Pela primeira vez, um partido revolucionário clandestino conseguiu sair das trevas da ilegalidade para aparecer à luz do dia, mostrando a todos e cada um a trajetória e o desfecho da luta interna do nosso partido, a fisionomia do nosso partido e de cada uma das suas partes de alguma importância em questões de programa, de táctica e de organização. Pela primeira vez conseguimos libertar-nos das tradições de relaxamento próprio de círculos e de filistinismo revolucionário, reunir dezenas dos mais diversos grupos, muitas vezes terrivelmente hostis entre si, unidos exclusivamente pela força de uma idéia e prontos (prontos em princípio) a sacrificar todo e qualquer particularismo e independência de grupo em prol do grande todo que pela primeira vez criávamos de fato: o partido. Mas em política os sacrifícios não se obtêm sem esforço; conquistam-se combatendo. Como era inevitável, a luta pela morte das organizações foi terrivelmente encarniçada. O vento fresco da luta aberta e livre transformou-se em turbilhão. Este turbilhão varreu - e ainda bem que varreu! - tudo o que ainda subsistia de todos os interesses, sentimentos e tradições de circulo, e criou pela primeira vez organismos coletivos genuinamente de partido. Mas uma coisa é chamar-se e outra coisa é ser. Uma coisa é sacrificar em princípio o espírito de círculo em prol do partido, e outra é renunciar ao seu próprio círculo.” (“Um passo em frente, dois passos atrás”, 1904)
  3. O partido operário revolucionário deve se apresentar de maneira independente perante as massas como a alternativa revolucionária em luta, com o próprio programa e política, contra a política e programas oportunistas.
  4. Conforme a classe operária vai fazendo a própria experiência com essas políticas, a tendência é que ela vai buscando caminhos de luta, principalmente quando a situação não revolucionária se transforma numa situação pré-revolucionária. Mas o reconhecimento da direção revolucionária não acontece de maneira automática. Ela requer também da experiência prática, de tempo de atuação prática, do reconhecimento de que a política revolucionária é a saída para a crise.
  5. No próximo período, as organizações oportunistas tendem a quebrarem em cima da pressão da extrema direita e do ascenso do movimento. Tende a aparecer um vácuo político à esquerda. Setores ainda mais oportunistas buscam ocupar esse vácuo, como acontece no Brasil com o Psol e o PSTU, usando como modelo a experiência contrarrevolucionária do Podemos (Espanha), o Syriza (Grécia), o Sinn Fein (Irlanda) e a Esquerda Unida (Portugal). Ao mesmo tempo, devido ao rápido aprofundamento da crise capitalista, o grande capital continua fortalecendo as organizações fascistas com o objetivo de incorporar os setores desesperados principalmente das camadas médias da população, do lumpenproletariado e dos desempregados, com o objetivo de joga-las contra os trabalhadores em ascenso.
  6. Lenin: “É preciso assinalar, entre outras coisas, que a vitória dos bolcheviques sobre os mencheviques exigiu da Revolução de Outubro de 1917, não só antes como também depois dela, a aplicação de uma tática de manobras, acordos, compromissos, ainda que de tal natureza, é claro, que facilitavam e apressavam a vitória dos bolcheviques, além de consolidar e fortalecê-los às custas dos mencheviques. Os democratas pequeno-burgueses (inclusive os mencheviques) vacilavam inevitavelmente entre a burguesia e o proletariado, entre a democracia burguesa e o regime soviético, entre o reformismo e o revolucionarismo, entre o amor aos operários e o medo da ditadura do proletariado, etc. A tática acertada dos comunistas deve consistir em utilizar essas vacilações e não, de modo algum, em desprezá-las; para utilizá-las é necessário fazer concessões aos elementos que se inclinam para o proletariado - no caso e na medida exatos em que o fazem - e, ao mesmo tempo, lutar contra os elementos que se inclinam para a burguesia.” (“A doença infantil do ‘esquerdismo’ no comunismo”, 1921)

 

          As bases sociais do “centrismo”

  1. O centrismo representa uma das principais manifestações da ideologia pequeno burguesa no interior das organizações operárias. A tendência, numa etapa não revolucionária, é que ele evolua à direita sob a pressão da própria direita.
  2. O “centrismo” não é fruto de convicções individuais ou subjetivas. Ele é o produto de bases materiais e sociais.
  3. Os períodos de crescimento do capitalismo possibilitaram o crescimento de setores pequeno-burgueses e da aristocracia operária, principalmente nos países imperialistas. Esses setores passaram a ter importante influência no movimento operário – nos partidos, sindicatos e movimentos sociais – criando uma inflexão centrista no seu programa.
  4. A agenda do centrismo é carregada pela aliança com setores burgueses, sem restrições, contra os regimes ditatoriais verdadeiros ou imaginados; a aliança com setores pequeno-burgueses que teriam a missão de elevar a consciência de classe do proletariado, sem a qual seria impossível qualquer revolução, e mesmo a aliança com setores progressistas da burguesia que se encaminhariam para a esquerda.[1] As concessões aos setores aliados, à revelia dos interesses dos trabalhadores, tornam-se o centro de todas as políticas, inclusive com acordos táticos sem princípios. O centrismo é, portanto, uma infiltração burguesa nas organizações dos trabalhadores. Uma traição à classe operária.


           O “centrismo” petista

 

  1. Hoje, vivemos uma situação bastante parecida com a República de Weimar na Alemanha – entre o fim da Iª Guerra Mundial e 1933 - e que levou ao fascismo. O centrismo não se sustenta numa situação de crise econômica. Quando a classe trabalhadora está sendo estropiada pelos capitalistas a tendência é que se radicalize e não aceite os meios-termos.
  2. Ao não romper com o grande capital especulativo e tentar “humanizar” o capitalismo, o PT acendeu uma vela à Deus e outra ao Diabo. Viu sua própria base eleitoral escorregar por entre os dedos e ser capitaneada, em grande parte, pela direita. Tal ação provocou um enorme desgaste para toda a esquerda e gerou, juntamente com a extrema direita, uma situação explosiva, alimentada por movimentos fascistas. O centrismo petista foi a galinha que chocou os ovos de pato e se lamentou as beiras do lago porque seu filhotes se puseram a nadar.
  3. O centrismo petista foi sustentado, durante algum tempo de governo, nos altos preços das matéria primas. Tão logo se aprofundou a crise econômica, em 2012, o centrismo petista de governo faliu, apesar dos centristas sempre existirem desde a fundação do PT, sendo a posição de Lula à direita dentro do partido. Também dentro do movimento sindical estas correntes sempre existiram devido às influências de setores da aristocracia operária e da pequena burguesia que se sobressaíram nas disputas.


         O “centrismo” dentro da esquerda revolucionária

  1. Em todos os partidos políticos, inclusive das alas mais à esquerda, há as três posições principais (direita, centro, esquerda) como reflexo da luta de classes. Leon Trotsky deu intenso combate dentro da IV Internacional contra o centrismo. Para ele, o reformismo se adapta, onde quer que seja, às tendências centristas. A dificuldade em definir o centrismo está no esvaziamento de conteúdo e o discurso contra o reformismo.
  2. Segundo Trotsky as principais caraterísticas dos centristas são:

         “d) O centrista, sempre inseguro da sua posição e seus métodos, odeia o princípio revolucionário que planteia que as coisas devem ser ditas tal como elas     são. Ele tende a substituir a política principista pelas manobras pessoais e a diplomacia miúda entre as organizações.

  1. e) O centrista sempre depende espiritualmente dos grupos de direita e se inclina a submeter-se aos mais moderados, a calar os seus erros oportunistas e ocultar as suas ações dos trabalhadores.
  2. f) O centrista frequentemente disfarça suas oscilações falando do perigo do “sectarismo”, que para ele não consiste na passividade da propaganda em abstrato ao estilo bordiguista, mas no interesse ativo pela pureza dos princípios, a clareza das posições, a coerência política e a perfeição organizativa.
  3. g) A posição do centrista entre o oportunista e o marxista é análoga, em certo sentido, à do pequeno burguês entre o capitalista e o proletário: se humilha perante o primeiro e despreza o segundo.
  4. h) No terreno internacional, o centrista se caracteriza, se não pela sua cegueira, pelo menos por ter pouca visão. Não compreende que na época atual somente pode ser construído um partido revolucionário nacional como parte de um partido internacional. Ao escolher seus aliados internacionais é menos cuidadoso que no próprio país.

[...]

  1. j) O centrista está prestes a aderir à política de frente única, mas a esvazia de todo conteúdo revolucionário, transformando-a de um método tático num princípio supremo.
  2. k) O centrista se vale do moralismo patético para ocultar a sua nulidade ideológica; não compreende que a moral revolucionária se forja unicamente em base a uma doutrina e a uma política revolucionária.” (Trotsky, L. El centrismo y la Cuarta Internacional, 1934)

 

          “Concordo com a política, mas não concordo com o método”

  1. Esse costuma ser o mote principal do centrismo.
  2. Na realidade, o mote “concordo com a política” revolucionária tem que ser colocado em perspectiva. Para concordar com a política revolucionária é preciso, em primeiro lugar, concordar com o Programa revolucionário. Um dos pilares da luta revolucionária é a luta encarniçada contra a “frente popular”, o burocratismo ou interesses particulares, contra os inimigos dos trabalhadores, assim como a defesa intransigente da classe operária.
  3. A política revolucionária se materializa na organização. Todo militante revolucionário deve zelar pela integridade organizativa do partido revolucionário. Isso passa pelo comparecimento pontual e devidamente preparado às reuniões recorrentes e às não recorrentes; a venda do Jornal para os contatos; a priorização do trabalho revolucionário sobre o trabalho meramente sindical; o pagamento pontual das mensalidades, do Jornal e das demais obrigações financeiras (sob pena de ser rebaixado e até afastado do partido). Não por acaso, o centrismo ataca a ala revolucionária em todas as questões fundamentais. Isso é até certo ponto “natural”, pois essa ala representa uma correia de transmissão da influência da burocracia dentro do partido revolucionário.
  4. Os métodos revolucionários não estão desvinculados da defesa da integridade organizativa. Além das questões meramente organizativas, é preciso lembrar que os métodos devem ser colocados a serviço da construção do partido operário revolucionário, e nunca em prol de interesses particulares.
  5. A luta de classes está presente no partido revolucionário. A ala revolucionária e a ala direita, burocrática, desenvolvem uma luta a morte. A ala direita é fundamentalmente liquidacionista; ela quer acabar com o partido operário revolucionário, refletindo a política da burocracia. Por ser uma correia de transmissão dessa política, ela tenta implodir a Organização por meio de vários mecanismos. O “centrismo”, por sua parte, cumpre um papel de quinta coluna – que abre caminho para a atuação contrarrevolucionária aberta da ala direita. Os centristas aceitam tudo da boca para fora, mas na hora de agir, na prática, jogam o Programa e a política revolucionária no lixo e fazem acordos espúrios com a ala burocratizada.

         

          Por um partido operário revolucionário de quadros

 

  1. O objetivo fundamental dos partidos politicos é a luta pelo poder do estado, o que depende do agrupamento dos indivíduos em classes sociais e setores de classes.
  2. Para se construir como um partido revolucionário leninista, não basta ter um programa e uma política. Eles devem ser colocados efetivamente em prática. O primeiro passo para a construção de um partido operário revolucionário de quadros é a aplicação da política revolucionária contra a política da “frente popular”.
  3. Os principais problemas organizativos hoje têm na base a pressão das várias manifestações de burocratismo e sindicalismo. Lenin: “O caráter da estrutura de qualquer instituição é determinado, natural e inevitavelmente, pelo conteúdo da atividade dessa instituição”. (Que Fazer?)
  4. É preciso realizar um “cadastramento revolucionário” dos militantes que priorize a fidelidade ao Programa, à política e aos métodos organizativos revolucionário e não à “quantidade” de militantes, pré-militantes ou simpatizantes. O Jornal político deve ser colocado efetivamente no centro da atuação política revolucionária, com todos os militantes atuando com base na lista de contatos, com palavras de ordem alinhadas com o estado de espírito dos trabalhadores, com o objetivo de construir uma máquina de agitação e propaganda. Deve ser aplicado um plano acelerado de formação dos quadros, teórico e prático. A atuação nos sindicatos deve ser direcionada para o sindicalismo revolucionário, de acordo com os ensinamentos dos mestres do marxismo, contra o sindicalismo burocrático, que representa um instrumento da burguesia contra os trabalhadores. As forças devem ser concentradas nos centros operários, evitando dispersões, pois deverão entrar em movimento, inevitavelmente, no próximo período por causa dos crescentes ataques do capital.
  5. “A incoerência e, em última instância, o caráter reacionário de todo tipo de anarquistas e anarcosindicalistas consiste, precisamente, em que não entendem a importância decisiva do partido revolucionário, particularmente na etapa superior da luta de classes, na época da ditadura proletária”. (Leon Trotsky, “Os problemas do desenvolvimento na URSS”, 1931)

         A principal e fundamental tarefa: partido de agitação e propaganda

  1. O marxismo nos ensina que a liberdade é o conhecimento da necessidade[i]. A totalidade predomina sobre os seus componentes, embora que as partes possam vir a exercer enorme influência sobre o todo.
  2. O instrumento fundamental para a construção do partido revolucionário continua sendo o Jornal. Ele garante o desenvolvimento do Programa e a unidade partidária. Ele deve ser a base para a unidade concreta para a ação, onde cada militante deve discutir os problemas e as necessidades concretas da luta para imediatamente passar para a atividade concreta. Mas esta, o trabalho de contatos, deve ter como eixo o Jornal.
  3. Todos os militantes, pré militantes devem discutir o Jornal e as suas campanhas políticas. O Jornal deve tornar-se o principal instrumento de denúncias políticas, estabelecendo uma rede de correspondentes.
  4. O trabalho de contatos implica no mapa qualificado, com tarefas específicas para cada contato e o cadastro contínuo da evolução da relação. Todo simpatizante tende a se tornar um militante em potencial.
  5. As reuniões, a começar pelas reuniões dos núcleos/células, devem ser o centro das atividades práticas, do planejamento e da prática. Quando as reuniões se focam exclusivamente em discussões da situação política, e não saem disso, a tendência é as reuniões se tornarem burocráticas e não tirarem nada de concreto.
  6. A atividade de agitação e propaganda deve estar voltada aos principais setores e fábrica, conforme Lenin ensinou no folheto “Novas tarefas, novas forças”. (1905)[ii]
  7. O recrutamento deve ter na base o Jornal. Sem aumentar a circulação do Jornal e sem coloca-lo na base da nossa atividade, as chances de crescimento tendem a se tornar uma miragem.
  8. Os ativistas devem ser ganhos para a política do partido revolucionário em cima da explicação paciente e contidiana, mas essa política deve ser elaborada para o movimento de massas e não especificamente para os ativistas.

        Sobre a profissionalização dos militantes

  1. A profissionalização dos militantes deve ter como objetivo construir o partido revolucionário como um partido de quadros. A liberação do trabalho nas fábricas e empresas possibilita o tempo livre necessário para a formação política, teórica e ideológica dos principais ativistas como dirigentes operários revolucionários. Portanto, essa política visa resolver um problema objetivo, material, que modifica as condições materiais da vida dos operários avançados. A partir daí, Lenin elaborou a teoria dos revolucionários profissionais.
  2. Lenin: “1º) que não seria possível haver movimento revolucionário sólido sem uma organização estável de dirigentes, que assegure a continuidade do trabalho;[iii] 2º) que quanto maior a massa espontaneamente integrada à luta, formando a base do movimento e dele participando, mais imperiosa é a necessidade de se ter tal organização, e mais sólida deve ser essa organização (senão será mais fácil para os demagogos arrastar as camadas incultas da massa); 3º) que tal organização deve ser composta principalmente de homens tendo por profissão a atividade revolucionária; 4º) que, em um país autocrático, quanto mais restringirmos o contingente dessa organização, ao ponto de aí não serem aceitos senão os revolucionários de profissão que fizeram o aprendizado na arte de enfrentar a polícia política, mais difícil será "capturar" tal organização e 5º) mais numerosos serão os operários e os elementos das outras classes sociais, que poderão participar do movimento e nele militar de forma ativa.” (“Que Fazer?”) 
  3. Os critérios de profissionalização passam, em primeiro lugar, pelo destaque na luta real, como dirigente do movimento operário real. É preciso estabelecer como regra geral que os militantes somente podem se tornar dirigentes após um período de militância exemplar e provada no movimento operário.
  4. Lenin: “Todo agitador operário, um pouco dotado e em quem se ‘deposite esperanças’, não deve trabalhar onze horas na fábrica. Devemos cuidar para que viva por conta do partido e possa, no momento desejado, passar à ação clandestina, mudar de localidade, pois, de outro modo, não adquirirá grande experiência, não alargará seu horizonte, não se poderá manter sequer por alguns anos na luta contra os policiais. Quanto mais amplo e profundo tornar-se o impulso espontâneo das massas operárias, mais serão colocados em destaque aqueles agitadores de talento, e também os organizadores e propagandistas talentosos e ‘práticos’ no melhor sentido da palavra”. (“Que Fazer?”) [iv]
  5. Lenin: “Um revolucionário sem energia, hesitante nos problemas teóricos, com horizontes limitados, justificando sua inércia pela espontaneidade do movimento de massa; mais semelhante a um secretário de sindicato que a um tribuno popular, incapaz de apresentar um plano amplo e corajoso, que imponha o respeito de seus próprios adversários, um revolucionário sem experiência e pouco hábil em sua arte profissional - a luta contra a polícia política - será um revolucionário? Não, não passa de um artesão digno de piedade.” (“Que Fazer?”)
  6. Sobre a política de que devemos aceitar o oportunismo nas nossas fileiras porque seriamos poucos militantes, Lenin disse: “a sociedade fornece um número muito grande de homens aptos ao ‘trabalho’, mas não sabemos utilizá-los a todos. O estado crítico, o estado transitório de nosso movimento nesse aspecto pode ser assim formulado: Há falta de homens embora os homens existam em grande quantidade. Os homens existem em grande quantidade porque a classe operária e camadas cada vez mais variadas da sociedade fornecem, a cada ano, um número sempre maior de descontentes, desejosos de protestar, prontos a cooperar de acordo com suas forças na luta contra o absolutismo, cujo caráter intolerável ainda não foi reconhecido por todo o mundo, mas é cada vez mais vivamente sentido por uma massa cada vez maior. E, ao mesmo tempo, há falta de homens, porque não há dirigentes, chefes políticos, organizadores capacitados para realizar um trabalho simultaneamente amplo, coordenado e harmonioso, que permita utilizar todas as forças, mesmo as mais insignificantes.”
  7. É preciso estabelecer faixas de ajuda econômica com critérios claros e de preferência que não sejam mais do que duas ou três.

       Sobre os dirigentes

  1. O objetivo do partido deve ser transformar os dirigentes em militantes profissionais que devem constituir-se na estrutura fundamental do partido.
  2. O dirigente deve ter assimilado o marxismo e ter condições de resolver os problemas políticos que aparecerem. O primeiro passo é a elaboração da política e a sua expressão em palavras de ordem.
  3. Sob o ponto de vista organizativo, ele deve ser capaz de alocar os recursos disponíveis, inclusive militantes, em cima da agitação e propaganda, para aplicar a política partidária contra as demais políticas.
  4. Os primeiros encaminhamentos do dirigente deverão ser complementados pela avaliação da direção coletiva.

      Centralismo democrático 

  1. O centralismo democrático se complementa com a centralização e a disciplina interna ferrênha. Somente desta maneira será possível dirigir as massas rumo à revolução socialista. Para isso, é preciso enfrentar a burocracia sindical e os partidos oportunistas que estão integrados à burguesia.
  2. A elaboração da política implica em ampla e profunda democracia nos debates. Ela depende do choque de posições dentro do partido e não de gênios individuais. Mas a aplicação da política implica em firmeza política e uma ditadura contra o burocratismo e oportunismo. Erros deverão ser trazidos para os organismos partidários e por meio da crítica e da autocrítica, corrigi-los.
  3. O centralismo sem democracia leva ao fortalecimento das tendências bonapartistas, onde a direção ou alguns “super gênios” ditam tudo, enquanto a maioria da militância desempenha um papel passivo.
  4. No presente momento da luta política é preciso fortalecer o aspecto democrático da direção até para possibilitar a construção de uma direção mais firme que tenha condições de transformar-se numa direção mais centralizada no caso do regime político endurecer, conforme o desenvolvimento da situação política evidencia.
  5. Os princípios do centralismo democrático também se aplicam à construção do partido revolucionário mundial.

 


 

[i] Engels escreve: "Hegel foi o primeiro a expor com justeza as relações da liberdade e da necessidade. A liberdade é, para ele, o conhecimento da necessidade... "A necessidade somente é cega enquanto não é compreendida." A liberdade não está numa independência ilusória em relação às leis da natureza, mas no conhecimento dessas leis e na possibilidade, baseada nesse conhecimento, de fazê-los atuar com fins determinados. Isso diz respeito tanto às leis da natureza exterior como às que regem o ser material e moral do próprio homem, isto é, as suas categorias de leis que, quando muito, podemos separar em nossas ideias, mas não na realidade. A liberdade de querer consiste, portanto, tão somente na faculdade de decidir com conhecimento de causa. Desse modo, quanto mais o julgamento do homem sobre um ponto dado é livre, tanto mais seu conteúdo é determinado pela necessidade... A liberdade consiste no domínio de nós mesmos e da natureza exterior, domínio baseado em nosso conhecimento das necessidades naturais" (pp. 112 e 113 da 5.ª edição alemã).

[ii] O desenvolvimento do movimento operário de massas na Rússia, em ligação com o desenvolvimento da social-democracia, caracteriza-se por três transições notáveis. Primeira transição - dos estreitos círculos de propaganda para a ampla agitação económica entre a massa; segunda - para a agitação política em grande escala e as manifestações de rua abertas; terceira - para uma verdadeira guerra civil, para a luta revolucionária directa, para a insurreição popular armada. Cada uma destas transições foi preparada, por um lado, pelo trabalho do pensamento socialista predominantemente numa direcção, e por outro lado por profundas mudanças nas condições de vida e em toda a estrutura psíquica da classe operária, pelo despertar de novas e novas camadas da mesma para uma luta mais consciente e activa. Estas mudanças tiveram por vezes lugar silenciosamente, a acumulação de forças pelo proletariado realizou-se nos bastidores, sem chamar a atenção, provocando não raramente um desapontamento dos intelectuais quanto à solidez e vitalidade do movimento de massas. Depois surgia uma viragem, e todo o movimento revolucionário se elevava, como que de repente, a um grau novo e mais elevado. Ao proletariado e ao seu destacamento de vanguarda, a social-democracia, colocavam-se tarefas praticamente novas, e para resolver estas tarefas surgiam como que do chão novas forças, de que ninguém suspeitava ainda na véspera da viragem. Mas tudo isto aconteceu não de uma vez, não sem vacilações, não sem uma luta de orientações na social-democracia, não sem retornos a concepções caducas que há muito pareciam mortas e enterradas.

[...]Não há a menor dúvida de que o curso do movimento varrerá também desta vez todos estes vestígios de concepções caducas e sem vida. 

[...]A questão prática que se nos coloca consiste antes de mais em como precisamente utilizar, dirigir, unir e organizar estas novas forças, como precisamenteconcentrar o trabalho social-democrata principalmente nas novas tarefas superiores avançadas pelo momento, sem ao mesmo tempo esquecer de modo nenhum as tarefas velhas e habituais que se nos colocam e colocarão enquanto existir o mundo da exploração capitalista.

https://www.marxists.org/portugues/lenin/1905/02/23.htm

[iii] Capítulo: A organização dos operários e a organização dos revolucionários. Em “Que Fazer?” Cap. IV ‘Os métodos artesanais dos “economistas” e a organização dos revolucionários’: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1902/quefazer/index.htm

O que são os métodos artesanais?  “É verdade que o caráter primitivo do armamento era, historicamente, não apenas inevitável a princípio, mas até legítimo, visto que permitia atrair grande número de combatentes. Mas, desde que começaram as operações militares sérias (começaram, propriamente, com as greves do verão de 1896), as lacunas de nossa organização militar fizeram-se sentir cada vez mais. Após um momento de surpresa e uma série de falhas (como atrair a opinião pública para os crimes dos socialistas, ou a deportação dos operários das capitais para os centros industriais de província), o governo não demorou a adaptar-se às novas condições de luta e soube dispor, em pontos convenientes, seus destacamentos de provocadores, espiões e policiais, munidos de todos os aperfeiçoamentos. As armadilhas tornaram-se tão freqüentes, atingiram tantas pessoas, esvaziaram a tal ponto os círculos locais, que a massa operária perdeu literalmente todos os seus dirigentes, o movimento tornou-se incrivelmente desordenado, sendo impossível estabelecer-se qualquer continuidade e coordenação no trabalho. A extraordinária dispersão dos militantes locais, a composição fortuita dos círculos, as falhas de preparação e a estreiteza de perspectivas nas questões teóricas, políticas e de organização constituíram o resultado nevitável das condições descritas. Em certos lugares, mesmo, vendo nossa falta de firmeza e de organização em conspirar, os operários passaram a se afastar dos intelectuais por desconfiança, dizendo que provocavam as prisões pela sua imprudência! Todo militante, mesmo pouco iniciado no movimento, sabe que, finalmente, esses métodos artesanais foram considerados pelos sociais-democratas sensatos como uma verdadeira doença.”

[iv] E assim, e apenas assim, que surgem os Bebel e os Auer da massa operária. Mas aquilo que em um país politicamente livre é feito por si só, entre nós deve ser realizado sistematicamente por nossas organizações. Todo agitador operário, um pouco dotado e em quem se "deposite esperanças", não deve trabalhar onze horas na fábrica. Devemos cuidar para que viva por conta do partido e possa, no momento desejado, passar à ação clandestina, mudar de localidade, pois, de outro modo, não adquirirá grande experiência, não alargará seu horizonte, não se poderá manter sequer por alguns anos na luta contra os policiais. Quanto mais amplo e profundo tornar-se o impulso espontâneo das massas operárias, mais serão colocados em destaque aqueles agitadores de talento, e também os organizadores e propagandistas talentosos e "práticos" no melhor sentido da palavra (que são tão poucos entre nossos intelectuais, em sua maioria tão apáticos e indolentes à maneira russa). Quando tivermos destacamentos de operários revolucionários especialmente preparados (e, bem entendido, de "todas as armas" da ação revolucionária) por um longo aprendizado, nenhuma polícia política do mundo poderá derrubá-los, porque esses destacamentos de homens devotados de corpo e alma à revolução gozarão da confiança ilimitada das massas operárias. E cometemos um erro não "empurrando" bastante os operários para esse caminho, comum tanto a eles como aos intelectuais, o caminho da aprendizagem revolucionária profissional, e arrastando-os com muita freqüência para trás. através de nossos discursos estúpidos sobre o que é "acessível" à massa operária, aos "operários médios" etc. Também sob esse aspecto, a estreiteza do trabalho de organização apresenta uma conexão inegável, íntima (embora a imensa maioria dos "economistas" e dos práticos novatos não tenham consciência disso) com a restrição de nossa teoria e de nossas tarefas políticas. O culto da espontaneidade faz com que de certa forma tenhamos medo de nos afastarmos nem que seja um só passo daquilo que é "acessível" à massa; de nos elevarmos muito acima da simples satisfação de suas necessidades diretas e imediatas. Nada temam, Senhores! Lembrem-se que em matéria de organização estamos em tão baixo nível que é até absurdo pensar que poderíamos subir tão alto! (d) Envergadura do Trabalho de Organização) no Cap. 4.

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