Domingo, 20 Maio 2018

Sobre uma ruptura oportunista

Vários militantes da LPS (Luta Pelo Socialismo), inclusive a maioria do Comitê Central (CC), romperam com o Programa da Organização validado no seu I Congresso, que aconteceu em abril de 2017, voltando formalmente a aplicar a política sindical burocrática da antiga Luta Popular e Sindical, com a qual, na prática, nunca haviam rompido. Essa política representa uma variante menor da política de “frente popular” encabeçada pelo PT e, portanto, uma maior integração com o regime. Essa ala burocrática representa uma ala fraca da burocracia sindical em geral que, após ter ficado durante meses defendendo (só na teoria) o Programa revolucionário operário, agora, sob a pressão da direita (reforma trabalhista, ataques contra os sindicatos etc.) e a pressão da ala revolucionária da Luta Pelo Socialismo, renega do programa revolucionário sem reivindicar absolutamente nada do que tinha “defendido”. Devido ao controle dos aparatos essa ala impôs a manutenção do nome do Jornal Gazeta Operária e disse que tentará aplicar o Programa, agora já sem o “incômodo” da ala revolucionária que justamente lutava pela sua efetiva aplicação. Essa política se explica pelo próprio caráter da burocracia sindical, como uma camada média da sociedade, e pela política absolutamente pragmática que segue (ou seja orientada pela política sindical burocrática) que tem como único objetivo manter os próprios privilégios.

Nós da minoria do CC rompemos formalmente com o burocratismo sindical e nos mantemos fieis ao programa, à política, à organização e aos métodos aprovados no I Congresso da Luta Pelo Socialismo e às resoluções do I Pleno do CC que aconteceu em junho de 2017.

Os Eixos Programáticos da LPS foram votados por unanimidade sete vezes após a fusão da LPS e a antiga Gazeta Operária que aconteceu após a I Conferência Nacional da LPS, a então Luta Popular e Sindical (julho de 2016). A despeito disso, ao invés de aplicar o programa aprovado, a LPS, manteve a política sindical burocrática, fortemente influenciada pela política de conciliação de classes, de “frente popular”, encabeçada pelo PT. Essa política representa uma brutal traição aos trabalhadores e, portanto, se trata de uma política objetivamente contrarrevolucionária. Por trás dessa capitulação sempre estiveram esses setores sindicais burocráticos que, na realidade, de maneira velada ou aberta, nunca foram além de tentar usar a ala revolucionária como um verniz para encobrir a política oportunista, de defesa dos próprios interesses materiais a partir do controle dos aparatos a qualquer custo. Essa política nunca conseguiu ser quebrada. A partir de junho de 2017, com a aumento da pressão da ala revolucionária pela efetiva aplicação do Programa já aprovado, além do aumento da pressão pela direita com a aprovação da reforma trabalhista e a paralisia do movimento de massas que tem na base a política traidora da “frente popular”, a ala oportunista, valendo-se do seu controle dos aparatos, praticamente impossibilitou a atuação dos militantes revolucionários.

Apesar de reconhecer teoricamente o desvio oportunista de direita, a ala oportunista da LPS levantou que ela teria como causa a “falta de formação e de compreensão dos militantes”, que teriam “havido avanços” e que a saída seria aprimorar a formação teórica. O setor que constituiu a ala esquerda da LPS concordamos com que a falta de formação dos militantes da LPS além de grave, aparece em primeiro lugar, na direção. Mas esse problema apenas tem refletido uma política que tem na base material o oportunismo que é gerado, objetivamente, a partir dos sindicatos que a LPS dirige e que coloca, também objetivamente, a Organização sob a influência da política de conciliação de classes de “frente popular”, encabeçada pelo PT. Neste sentido, a Luta Popular e Sindical apenas aparece como um exemplo do burocratismo generalizado que tomou conta da esquerda devido a décadas de integração ao regime burguês e de recorrentes traições.

A nova paralisia em que o movimento operário se encontra no Brasil, em grande medida por causa da adesão, na prática, do PT e da CUT como base de apoio real do governo Temer, assim como o ataque contra os sindicatos e os trabalhadores por meio da reforma trabalhista e outros mecanismos, colocaram a política burocrática sindical da Luta Popular e Sindical, e do grosso da esquerda, a reboque da mesma política do PT que tenta salvar os próprios privilégios a qualquer custo.

Vivemos numa sociedade de classes, em luta entre si cada vez mais acirrada por causa do aprofundamento da crise capitalista. Por esse motivo, todo enfraquecimento da política revolucionária, inevitavelmente, fortalece a política oportunista, que é uma política, objetivamente, contrária aos interesses dos trabalhadores.

Centrismo cristalizado 

A caraterização que nós fizemos da LPS (Luta Popular e Sindical), no início de 2016, quando uma parte de nós ainda militava na antiga Gazeta Operária, e que nos levou a estabelecer discussões que levaram à fusão das duas organizações. A posição política da LPS, na época, tinha evoluído no sentido classista, se posicionando contra a política de “frente popular” (de conciliação de classes), encabeçada pelo PT, o que apareceu de maneira mais clara na participação da LPS nas manifestações que aconteceram no mês de março de 2016. Mas essa evolução, na realidade, tinha sido influenciada pela evolução à esquerda do movimento de massas e não se materializou no rompimento com a política sindical burocrática. Essa política reflete a adesão, na prática, à política movimentista da burocracia.

Os sindicatos que a Luta Popular e Sindical dirige representam, em termos objetivos, a principal força material burocrática que influencia a Organização, inclusive considerando o caráter semi bonapartista com que a atuação foi conduzida durante mais de uma década. A política de acordos com a burocracia sindical para obter a participação em diretorias oportunistas, também adiciona uma considerável pressão burocrática sobre a LPS.

Os militantes que atuavam na direção do antigo Gazeta Operária erramos na caraterização da burocracia sindical que controlava a LPS, como uma burocracia que pudesse ser empurrada à esquerda, para a política revolucionária. Na verdade, a prática tem revelado que a LPS tem sido controlada por uma política burocrática centrista integrada durante décadas à burocracia sindical, por meio de vários mecanismos. Quer dizer, o centrismo acabou se cristalizando à direita, o que é o processo “natural” no processo de refluxo. Se trata de um caminho sem volta, pelo menos enquanto a base material que dá vida a essa política não seja quebrada. As viradas à esquerda são também fenômenos “naturais” que acontecem sob a pressão do movimento de massas.

Nos anos passados, até 2015, houve ainda a influência da política muito oportunista da direção do PCO (Partido da Causa Operária), que tinha como principal objetivo espoliar os sindicatos. O baixo nível de formação teórico, político e principalmente ideológico dos militantes, mesmo dos que militaram durante décadas no PCO, a orientação do grosso dos militantes à execução de tarefas práticas, no grosso burocráticas, e a preocupação também burocrática com o controle dos aparatos, demonstram que a direção desse partido nunca teve como objetivo construir um partido revolucionário, pelo menos nos últimos 15 a 20 anos anteriores à ruptura.

Na Luta Popular e Sindical, como herdeira dos militantes do PCO em Minas Gerais, o centrismo acabou se transformando em “centrismo cristalizado”, de acordo com as palavras de Leon Trotsky. Trata-se de uma burocracia frágil, que visa se manter no controle dos aparatos manobrando em cima de várias pressões, ainda mais no contexto em que os ataques do imperialismo e do grande capital estão obrigando a burocracia do PT e dos demais componentes da “frente popular”, portanto da burocracia de direita, a buscar mecanismos alternativos para salvar os próprios privilégios a qualquer custo. Neste sentido, a experiência das eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim que é controlado pelo PC do B há décadas, no início de 2017, quando a burocracia da Articulação tentou retomá-lo com muita pressão, foi uma amostra desta política.

Deve entender-se que o desenvolvimento da burocracia, assim como todos os fenômenos sociais, acontecem em grande medida, em cima do desenvolvimento da luta de classes e independem, também em grande medida, da “livre vontade” ou da inteligência de determinadas pessoas, principalmente se essas pessoas não tiverem assimilado a ideologia revolucionária da classe operária.

Como militantes que levantamos a continuidade da defesa do Programa da Luta Pelo Socialismo, com o qual a ala oportunista rompeu, nós repudiamos a política oportunista da burocracia em geral, defendemos a aplicação do programa marxista revolucionário e consideramos que a política burocrático sindical representa um suicídio político.

A paralisia do movimento de massas tem prazo de validade por causa dos crescentes ataques do grande capital. A burocracia tende a ficar prensada entre os ataques da direita e o inevitável ascenso operário. Mas também entendemos, por causa do caráter de classe da burocracia, a dificuldade objetiva dessa maioria oportunista em romper com a manutenção dos privilégios materiais.

Pela defesa do programa revolucionário

Em cima das divergências programáticas e políticas fundamentais se acumularam as divergências em praticamente todos os componentes da política da LPS, entre a política burocrático sindical e a política revolucionária. No período posterior à fusão da LPS com o Gazeta Operária, o objetivo fundamental da política revolucionária foi municiar a nova organização com um programa e uma política marxista. Esse processo durou oito meses, entre agosto de 2016 e abril de 2017, quando aconteceu a primeira reunião Plena do Comitê Central da LPS , e que coincidiu com a paralisia do movimento de massas, provocada pela traição do PT após o impeachment de Dilma e que teve um ascenso parcial a partir de março, conforme temos avaliado em detalhes no Jornal Gazeta Operária. A partir deste momento, aumentou a luta interna no sentido da aplicação da política revolucionária que enfrentou muita resistência da maioria.

A ala burocrático sindical da LPS aumentou o discurso radicalizado aceitando todos os documentos revolucionários, mas, ao mesmo tempo, fortaleceu a política prática de contenção da política revolucionária em todas as frentes, adereçada por diversas variantes do mesmo discurso demagógico, como, por exemplo, que “essa [os militantes sindicais burocratizados e oportunistas] é a matéria prima disponível”, que “devemos ir mudando aos poucos”, que “não devemos ser ansiosos”, que “temos feito importantes mudanças”, que se formos aplicar a política revolucionária (que formalmente é reconhecida como correta) “como iremos fazer” com tal ou qual problema imediato ou conjuntural etc.

Na realidade, as duas políticas colocadas, uma política burocrática que é imposta a partir do controle dos aparatos dos sindicatos e uma política revolucionária, imposta, principalmente, a partir da luta promovida pelos integrantes do antigo Gazeta Operária, se mostraram irreconciliáveis. Essa divergência de fundo apareceu de maneira recorrente a cada vez que a ala revolucionária tenta promover avanços em cima de problemas políticos práticos, principalmente quando os problemas se relacionavam com questões financeiras ou com o controle dos aparatos sindicais, que para os sindicalistas burocratizados “devem ter vida própria”.

Sem quebrar a base material da burocracia é, na prática impossível impor a política revolucionária, dado que os sindicalistas burocratizados se encontram objetivamente, numa situação privilegiada (independentemente das considerações individuais) diante das categorias de trabalhadores que representam e, portanto, sofrem menos pressão dos ataques e da crise capitalista, além de se encontrarem, por meio de mecanismos diretos e indiretos, atrelados ao estado. A política revolucionária não consegue avançar sem quebrar com a base material do burocratismo; inclusive porque se trata de uma luta à morte, pela própria sobrevivência. Se não conseguir avançar nesse sentido, ela própria se diluirá na política oportunista. Esta é a base material que fundamenta o aumento das contradições entre as duas políticas na LPS e que levou ao racha.

A pressão sofrida por grande parte dos militantes por aqueles que de fato controlam os sindicatos com seus recursos materiais sempre entravou a construção do partido operário revolucionário, buscando isolar os órgãos partidários onde a política revolucionária ia se impondo. Nessas condições, a disputa pelas posições organizativas se tornou secundária em relação à defesa das posições programáticas se transformou no centro da luta, conforme Trotsky orientou.

O inevitável ascenso operário, colocado para o próximo período em escala mundial, em cima dos crescentes ataques do capital, deverá ultrapassar a esquerda burocrática atual de conjunto. E mesmo ele sendo derrotado e a contrarrevolução triunfar durante um período, essa esquerda e essa burocracia atual estão esgotadas; elas não conseguem mais funcionar como mecanismos de contenção das massas a não ser totalmente integradas ao estado burguês. Por esse motivo, o grande capital impulsiona os movimentos da extrema direita.

Para a política burocrática e oportunista da esquerda no geral, e concretamente da burocracia sindical, o controle dos aparatos se transformou em condição sine qua non de sobrevivência por causa do endurecimento do regime político. Os ataques adquiriram uma escala maior com a reforma trabalhista que acelerou a política do “salve-se quem puder”. Há ameaça de ataques provenientes de alas mais direitistas da burocracia contra alas mais fracas e também de um ascenso operário que possa provocar o surgimento de novas oposições sindicais classistas. A política revolucionária, aplicada na prática, além das declarações ou dos discursos que não saem do papel, representa, objetivamente, uma ameaça à política burocrática porque implica, em primeiro lugar, em abrir mão dos próprios privilégios, doa a quem doer, e direcionar os aparatos sindicais para a luta real dos trabalhadores.

A luta política entre ambas alas se transformou numa luta à morte, com “linhas vermelhas”, que deviam ser defendidas, nas posições políticas de ambas alas, sob pena de colocar em risco a própria sobrevivência. Estava em jogo a defesa dos interesses burocráticos, pela política burocrático sindical da LPS, que representam os interesses das camadas médias da população, da pequeno burguesia, e a política revolucionária que representa os interesses da classe operária. Somente os trabalhadores terão condições de destruir a burocracia que é parte integrante do regime político burguês. O papel dos revolucionários é desmascará-la perante os trabalhadores.

Quebrar a base material da burocracia

No I Congresso da LPS (abril de 2017), os documentos programáticos, políticos e organizativos foram aprovados por unanimidade. Mas, junto a eles, foi passado “de contrabando”, por imposição da ala oportunista majoritária da LPS, um CC com 15 membros onde foram misturados dirigentes com militantes, pré-militantes e simpatizantes. O fato da então ala revolucionária minoritária não ter travado uma luta ferrenha sobre esta questão foi um erro já que a construção do partido revolucionário começa pelo CC. A mesma política de “fronteiras abertas” continuou sendo a norma na maior parte dos núcleos (células), o que representou a clássica política oportunista menchevique que levou ao racha no POSDR (Partido Operário Socialdemocrata Russo), em 1903.

No mesmo sentido, a publicação do Jornal Gazeta Operária representou um aspecto positivo da atuação da LPS. Mas Lenin orientou que o Jornal devia ser um “organizador coletivo” e estar no centro das atividades do partido revolucionário, e não ser sustentado burocraticamente por recursos provenientes de aparatos, enquanto a esmagadora maioria dos militantes, fortemente influenciada pela burocracia, sempre o tratou como um fardo, porque foi acostumada pela burocracia sindical a receber tudo dos sindicatos. Isto representa uma manifestação clara do burocratismo que permeia a LPS e que, com o novo refluxo do movimento de massas e a pressão da ala revolucionária, se fortaleceu. O trabalho com o Jornal, por si próprio, define o caráter do militante enquanto tal. A partir desse trabalho, vão se consolidando os contatos, ampliando os núcleos e fortalecendo a formação de quadros independentes da burocracia. Dessa forma o Jornal dentro da Organização, vai impulsionar e reforçar a política revolucionária.

A adoção do programa da “frente popular”, disfarçada com “fazer o possível” com “os militantes limitados atuais”, objetivamente, isto é independentemente das boas intenções de determinadas pessoas, tem como objetivo impor a política oportunista a toda a Organização. A política revolucionária que não sai do papel apenas serve para dar um verniz de esquerda a essa política.

A mudança da política burocrático sindical oportunista para a política revolucionária é impossível de acontecer por meios evolutivos graduais, sem luta política, sem quebrar a base material da burocracia e, principalmente sem adequar os métodos organizativos e a política à política revolucionária. Ambas políticas representam os interesses materiais de duas classes sociais inimigas.

Os revolucionários não devem abandonar o trabalhador com o fardo da traição da burocracia nas costas, mas devem aplicar a política revolucionária contra a política sindical burocrática. Se trata de velho problema esclarecido de maneira magistral por Lenin no livro Que Fazer?.

 

Duas políticas, dois caminhos: uma política sindical burocrática (contrarrevolucionária) e uma política revolucionária

Em cada uma das divergências apresentadas a continuação, a “Política sindical oportunista” faz referência à política que predominou amplamente na LPS e que, em primeiro lugar, foi imposta pela maioria burocrático sindical do Comitê Central. Se tratou de uma política objetivamente (independentemente de intenções individuais) contrarrevolucionária, contra os interesses dos trabalhadores, contra a qual a ala revolucionária travou uma luta ferrenha. No fundamental, essa política é a mesma que é aplicada pela burocracia sindical e todas as demais burocracias que controlam os partidos da esquerda integrada ao regime e as organizações operárias burocratizadas.

Abaixo apontamos a “política sindical oportunista” por um lado e a “política revolucionária” por outro, bem como as medidas necessárias para romper com a primeira.

                      

1. Defesa da política revolucionária

Política sindical oportunista

Dentro da organização política podem coexistir duas políticas, mesmo representando os interesses de classes sociais diferentes.

A organização estaria progredindo e portanto, seria necessário ter paciência, pois, em algum momento, no futuro, aconteceria a mudança da política oportunista para a política revolucionária por meio do acúmulo de mudanças quantitativas, sem rupturas qualitativas estruturais, isto é sem romper com a base material da política burocrática.

Política revolucionária

A política oportunista representa a capitulação prática ao oportunismo e a justificava para continuar aplicando a política oportunista, principalmente o controle oportunista dos aparatos sindicais, em cima de acordos com demais setores da burocracia e, portanto, contra os interesses da classe operária.

A política revolucionária implica em aplicar a política revolucionária imediatamente. Isto implica no direcionamento imediato da Organização para uma organização de agitação e propaganda.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que estão colocados dois caminhos que podem ser seguidos. Antes de avaliarmos como fazer na prática (o que faremos em outros dos pontos, mais abaixo), deve ser definido: i) qual dos dois caminhos será seguido; ii) quais são as premissas para seguir pelo caminho revolucionário efetivamente (sem perdermos, achando que estamos mudando de caminho, mas, na prática, nos mantendo no caminho oportunista); iii) se é possível entrar no caminho revolucionário sem termos o método marxista como instrumento de análise (principalmente a luta de classes como força material que objetivamente impulsiona a história) e sem aplicarmos o marxismo efetivamente na prática.
  2. Reconhecer efetivamente que, de acordo com o marxismo, a base material da política burocrática se encontra na influência material dos sindicatos, que aplicam uma política burocrática imposta pelo “sindicalismo estatal”, da mesma maneira que acontece com todos os mecanismos de infiltração da burguesia no movimento operário.
  3. Reconhecer que sem quebrar essa base material do burocratismo, e simplesmente por meio do acúmulo de mudanças quantitativas, é impossível avançar para uma política revolucionária.
  4. Reconhecer que para medirmos o quanto estamos construindo precisamos avaliar, em primeiro lugar, em cima de qual política (caminho) estamos construindo. A discussão sobre o que fazer em termos práticos e quem irá fazer (militar) deve ser colocada como dependente do caminho que será tomado.
  5. Posicionar-se formalmente sobre o documento  "Questões Organizativas”, capítulo “Duas políticas podem coexistir no partido revolucionário?”

2. Programa

Política sindical oportunista

O Programa não passa de papel morto, uma simples formalidade que permite, objetivamente, manter uma fachada de esquerda para encobrir a política sindical oportunista real e que tem como objetivo principal manter e ganhar aparatos sindicais.

Política revolucionária

Os marxistas revolucionários defendem a formação do partido revolucionário como estratégia fundamental. O Programa e a política não são uma mera formalidade, mas eles expressam o norte da atuação na luta intransigente pelos interesses dos trabalhadores. A atuação deve estar norteada pelo Programa.

O Programa deve ser aplicado efetivamente e tem como principais objetivos estratégicos a luta pela tomada do poder político pela classe operária e a construção do partido operário revolucionário.

O Programa é o patrimônio mais importante da organização revolucionária e por esse motivo, se coloca a defesa à morte da sua aplicação.

Sem o Programa, a Organização fica sem rumo, à mercê das pressões da esquerda oportunista, da burocracia, do estado burguês e do capital. Em política não há vácuo.

O “núcleo duro” (Comitê Central) deve se agrupar em torno do Programa (o partido revolucionário) que deve irradiar a política para as organizações, e não destruí-las. Devemos ser os melhores sindicalistas do mundo, mas com uma política revolucionária.

As organizações de massas burocratizadas influenciam a política das organizações que atuam no movimento sindical. A pressão burocrática é exercida pelos sindicatos contra as direções revolucionárias, portanto da periferia para o centro. Essa pressão somente pode ser quebrada por meio de muita luta cotidiana, quebrando-a com muita paciência e firmeza. E ainda mais: na hora em que essa pressão for relaxada, a política burocrática tomará conta novamente.

Sobre o Jornal Gazeta Operária, como órgão central revolucionário, a política e o programa que ele defende deverá ser o instrumento da nossa atuação.  A luta deve ser direcionada para que não seja transformada em mais uma formalidade burocrática devido aos métodos burocráticos que buscam se impor sob a influência da burocracia sindical.

No livro Que Fazer?, Lenin diz que os revolucionários devem atuar nos sindicatos para buscar neles os melhores elementos para a construção do partido revolucionário. O fundamental das divergências políticas práticas que a política oportunista da LPS apresenta repete ipsis litteris a política economicista que Lenin criticou no livro Que Fazer? A mesma política predomina no grosso da esquerda brasileira e mundial.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que o programa revolucionário deve ser imposto por meio da luta, contra a política burocrático sindical que tem como correia de transmissão, os sindicatos onde os militantes atuam na direção.
  2. Reconhecer que o Programa deve ser imposto a partir de uma luta a morte contra a influência da ideologia burguesa e pequeno burguesa nas fileiras da Organização.
  3. Documentar formalmente as principais divergências políticas com a política e os métodos colocados por Lenin no livro Que Fazer?.
  4. Posicionar-se formalmente sobre o documento “10.08.2017 Teoria Estrategia Tática”, capítulos “O Programa e o movimento de massas” e “Estratégia e Tática”.
  5. Se posicionar sobre os Eixos Programáticos.

3. O marxismo como método (versus questões pessoais)

Política sindical oportunista

O marxismo não passa de uma mera formalidade. Isso é compreensível por causa da forte influência burocrática. A burocracia e a esquerda oportunista não têm programa, nem política, nem método. Elas atuam, objetivamente, em cima de uma política empírica e movimentista orientada pela defesa dos próprios interesses materiais e privilégios contra os trabalhadores. E não se trata de boas vontades, mas da engrenagem em que se encontram inseridas e os interesses de classe objetivos que acabam defendendo.

Política revolucionária

Para a ala que defende a aplicação da política revolucionária, o método do marxismo é o coração da análise política. Isso não tem a ver com o conhecimento acadêmico do marxismo e muito menos com as teorias do “marxismo universitário” que representam um acúmulo de conhecimento por fora da luta de classes real. Essas teorias, objetivamente, representam a ideologia burguesa contra o socialismo científico, contra a revolução operária.

O método do marxismo é o Materialismo Histórico e Dialético que considera a luta de classes como o motor da história.

A primeira questão considerada na formulação da política revolucionária é a definição da etapa em que se encontra a luta de classes numa determinada localidade, visando definir a correlação de forças entre as classes sociais e os setores das classes em luta.

Por meio dessa avaliação é definida a fase da situação política como contrarrevolucionária, não revolucionária, pré-revolucionária ou revolucionária.

As tarefas políticas derivadas da análise têm como objetivo orientar os militantes para armá-los em relação aos eixos principais da atuação, a saber a mobilização das massas e a construção do partido operário revolucionário.

Os balanços históricos somente são válidos desde que tenham como objetivo suportar as resoluções.

 

Materialismo Dialético (MD) e Histórico (MH)

  1. LUTA DE CONTRÁRIOS
    1. Os fenômenos são objetivos (independentes do que nós achamos ou gostamos);
    2. Devemos avaliar principalmente as transições (do ser ao não ser e vice-versa) que se desenvolvem a partir do movimento interno da luta de contrários;
    3. A luta de contrários implica na negação (num fenômeno contraditório externo) da negação (do fenômeno contraditório interno) e na mudança qualitativa a partir do acúmulo das mudanças quantitativas;
    4. O desenvolvimento acontece em espiral, com o aparente retorno do velho;
    5. Desenvolvimento desigual e combinado, conforme foi explicado por Lenin e Trotsky como características predominantes na época do imperialismo.
  1. CONHECIMENTO
  1. As relações e interações entre a forma e o conteúdo são integradas; um não existe sem o outro;
  2. A aparência e a essência são componentes dos fenômenos;
  3. As categorias são momentos do conhecimento que refletem a realidade que é muito complexa e está em movimento. Também há determinações (qualificações das categorias), leis, abstrações, conceitos;
  4. Devemos buscar o conhecimento do concreto ao abstrato, do relativo ao absoluto, do finito ao infinito, do singular ao universal, do imediato ao mediato. Um revela o outro, um contém o outro.
  5. Da análise devemos passar à síntese, focando as transições de uma para a outra,
  6. As nossas análises devem contemplar as interrelações dos fenômenos que compõem a totalidade, numa aproximação constante e infinita à verdade.
  1. TEORIA E PRÁTICA
  1. União da teoria e da prática;
  2. Sempre devemos superar o que criticamos;
  3. Liberdade é o conhecimento da necessidade (e atuação conforme).

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que a assimilação do marxismo, do Materialismo Histórico e Dialético, é a tarefa mais importante do partido revolucionário e, em primeiro lugar, do Comitê Central.
  2. Reconhecer que sem um Comitê Central marxista, em termos teóricos, políticos e ideológicos, é impossível construir um partido revolucionário. Essa construção deve ser realizada de cima para baixo.
  3. Confirmar a vontade política de aplicar um plano para construir uma organização revolucionária efetivamente marxista, fazendo todas as mudanças práticas que forem necessárias para atingir este objetivo.
  4. Posicionar-se formalmente sobre o documento “10.08.2017 Teoria Estrategia Tática”, principalmente os dois primeiros capítulos que tratam da “Formulação marxista da política” e do “Materialismo Histórico e Materialismo Dialético”.

4. Relação teoria/ prática

Política sindical oportunista

A teoria não tem relação com a prática. É perfeitamente possível aprovar dezenas de documentos e na hora de atuar, aplicar a política da “frente popular”. O conhecimento teórico não passa, no melhor dos casos, de acúmulo historicista de dados e apresentação de sabedoria pessoal.

Os militantes burocratizados estão muito influenciados pela política oportunista, não estudam, nem sequer leem o Jornal e muitas vezes nem sequer conseguem escrever, nem mesmo ler, um panfleto. É o culto à ignorância, o que abre passo ao enfraquecimento da Organização.

Política revolucionária

A luta se desenvolve em cima de três componentes, conforme Engels orientou: teoria, ideologia e política. Os mestres do marxismo sempre ensinaram que sem teoria revolucionária não há prática revolucionária, e vice versa. A teoria é o resumo da prática por meio de leis, identificação de fenômenos, categorias, determinações etc. Sem teoria revolucionária não é possível a existência de uma prática revolucionária.

Contra a “frente popular” e a burocracia

A “frente popular”, encabeçada pelo PT, representa uma “frente popular” moribunda, na última etapa de desenvolvimento. No movimento operário, a influência é fraca, baseada praticamente no controle dos aparatos e, portanto, intrinsicamente integrada ao Estado burguês. É mais forte, pela base, no movimento social, mas também se encontra muito enfraquecida por causa dos anos de integração umbilical ao regime, principalmente nos anos em que o PT foi governo.

Por esse motivo, os acordos e as propostas para as direções devem ir acompanhados de uma forte propaganda nas bases.

Os revolucionários devem rejeitar a política da “frente de esquerda”, com acordos oportunistas com pequenos grupos que não têm base de massas.

Hoje, o eixo da política deve ser uma forte campanha de agitação e propaganda orientada ao movimento de massas.

A burocracia tem como papel histórico na luta de classes quebrar as greves, principalmente quando se desenvolvem objetivamente como um movimento independente da burguesia (e da própria burocracia) e, portanto, quando o movimento se projeta contra o regime político. O PT e o próprio Lula, por exemplo, não impulsionaram as greves metalúrgicas da década de 1970 (que nasceram por fora e contra o controle da burocracia), mas atuaram para quebrá-las. A greve de 1979 foi respondida pelo então governo do general Figueiredo com a intervenção no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. A política de Lula foi a de trocar a greve pela devolução do Sindicato quebrando desta forma o movimento dos operários em função dos interesses da burocracia, de manutenção do aparato sindical.

Neste momento, a principal linha da nossa atuação deve estar focada na luta contra as privatizações e materializada na busca pela unidade das principais categorias nacionais. Mas o eixo principal não deve ser os acordos com a burocracia sindical e, sim, a propaganda nas bases.

A partir desta frente, devemos impulsionar o fortalecimento da campanha nacional da luta contra o golpismo pela base, a partir da frente única operária.

Os trabalhadores vão reconhecer como direção aqueles que puderam mobilizá-los com palavras de ordem nas lutas concretas.

Os militantes revolucionários devem aproveitar todas as oportunidades para propagandear o nosso Programa e a nossa política, principalmente a partir das nossas palavras de ordem.

A luta nos órgãos de massas, que são controlados pela burocracia, deve focar em divulgar o nosso Programa e política por meio de uma agitação (discursos e palavras de ordem), alinhada com as reivindicações mais sentidas das massas, que devem ser amplamente divulgadas e explicadas (política de propaganda).

Devem ser repudiados e denunciados os acordos não públicos e os conchavos com a burocracia.

Os métodos da burocracia que devem ser enfrentados nas nossas fileiras, como condição de sobrevivência como, por exemplo, o “movimentismo”, a “correria sem política”, o anarquismo, o individualismo, o “aparelhismo” (foco da política na conquista burocrática ou controle dos aparatos), os conchavos com a burocracia, o “amiguismo”, o “flanelismo” etc.

Os trabalhadores esperam liderança, clareza e firmeza da vanguarda revolucionária. Para isso, é preciso formular a nossa política com a maior democracia possível, conforme os princípios do centralismo democrático. Uma vez definida a política, ela precisa ser imposta e os militantes revolucionários não podem abrir concessões. Cada conchavo, acordo etc., só pode dar lugar ao enfraquecimento da nossa política e representar, em algum grau, uma traição aos trabalhadores. Atuamos em meio à luta de classes e não num clube de amigos. Por esse motivo, hoje mais do que nas últimas décadas, a firmeza e a luta política se tornaram fatores cruciais para a própria sobrevivência.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que o ponto de partida do debate colocado é a existência de dois caminhos, duas políticas, que podem ser seguidos. A discussão colocada neste momento, não se relaciona com “quebrar as pessoas”, mas com qual caminho deve ser seguido (qual política). A partir dessa definição, deve ser feito um “recenseamento” dos militantes para identificar quem irá segui-lo na prática.
  2. Reconhecer que caminho burocrático sindical representa a política da burocracia sindical e portanto, da pequeno burguesia. Para aplicar a política revolucionária, que representa os interesses históricos da classe operária, é preciso quebrar a base material da política burocrática. Sem essa medida inicial e fundamental não é possível aplicar a política revolucionária.
  3. Reconhecer que os erros que a LPS de conjunto e os seus militantes e dirigentes têm cometido, assim como acontece com eventuais estados de ânimo “desanimados” de determinados militantes, não eliminam a discussão que deve ser colocada em primeiro lugar: qual caminho deve ser seguido e como segui-lo.
  4. Quando a direção de uma organização se diz favorável a seguir o caminho revolucionário, mas na hora de aplicar as medidas práticas para avançar neste sentido as divergências (“a gritaria”) começam; a pergunta que deve ser respondida é: esse CC está disposto a atuar como marxista revolucionária fazendo as mudanças que para isso se fizerem necessárias e que começam por quebrar a base material do burocratismo?

Algumas das medidas práticas sobre como quebrar a base material da influência da burocracia sindical serão expostas em pontos específicos mais abaixo.

 

5. Relação entre Programa, Política, Organização e Métodos

Política sindical oportunista

O grosso dos problemas da Organização são problemas de método e, principalmente, problemas pessoais. Estes militantes trazem para dentro os métodos oportunistas da burocracia onde o grosso das reuniões é destinado a discutir problemas financeiros ou as crises dos militantes. Os problemas raramente são identificados, discutidos e sanados pela raiz, como problemas políticos. Geralmente o que é para se discutir, não se discute.

Política revolucionária

O grosso dos problemas da Organização são problemas políticos que têm na base divergências com o Programa revolucionário, em cima da pressão da burocracia.

Os problemas pessoais nem sequer deveriam ser discutidos dentro da Organização e quando essas discussões acontecerem, deveria ser feito de maneira assessorial.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Adotar métodos de controle mais rígidos para impedir que as discussões no Comitê Central girem em torno a questões pessoais e não políticas.
  2. Incentivar os debates por escrito para ajudar a sistematizar as ideias.
  3. Promover um sério programa de formação que, em primeiro lugar, deve ser individual, mas que deve estar orientado a resultados práticos. Ou seja, a formação deve ser realizada para que os militantes passem a militar como marxistas e não para eles continuarem aplicando a mesma política burocrática. Planos de transição devem ser adotados, mas em cima de resultados esperados, metas e métricas, e responsáveis pelas tarefas específicas.

6. O que está no centro da Organização

Política sindical oportunista

No centro de toda a política, está o controle dos aparatos sindicais, o trabalho sindical disperso e miúdo, que é muito influenciado pelo espontaneísmo e pelo movimentismo que representam duas manifestações fundamentais da burocracia sindical nas nossas fileiras. O ponto alto desta política passa por disputar, e se possível vencer, mesmo fazendo acordos espúrios com a ala direita da burocracia para preservar os aparatos sindicais, o que é uma política contrária aos interesses dos trabalhadores.

Política revolucionária

O partido operário revolucionário deve ser construído como uma máquina de agitação e propaganda, conforme foi orientado por Vladimir Ilich Lenin no livro Que Fazer?.

O Jornal político deve ser colocado no centro da atuação, mas não de maneira formal, com a publicação sendo paga pelos sindicatos e com os militantes semidesmoralizados não vendendo, e nem sequer lendo, o Jornal. O Jornal deve ser a mola mestre de uma engrenagem que deve ter como objetivo a atuação nos grandes centros operários, numa luta a morte contra o sindicalismo e o centrismo.

No lugar de “sindicalistas”, o partido revolucionário procura construir e fortalecer “tribunos” da revolução operária. Isso não tem nada a ver com “abandonar os sindicatos” que, para a política oportunista, implica em controlar os aparatos sindicais a qualquer custo.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que a atuação de todos os militantes deve ter como objetivo a agitação e propaganda e não a política “economicista”, sindical miúda. Direcionar todos os esforços da Organização para se tornar uma máquina de agitação e propaganda.
  2. Reconhecer que até hoje essa determinação que foi validada sete vezes, não saiu do papel porque os militantes, que no grosso são sindicalistas “puro sangue”, resistem a aplicá-la por causa da pressão das engrenagens do sindicalismo burocrático. Essa mudança não acontecerá “na boa”, por meio de algumas mudanças quantitativas, como o demostra o exemplo da luta mortal (uma verdadeira briga de foice) contra os atrasos nas reuniões.

Estamos numa sociedade de classes. Os métodos da pequeno burguesia representam uma força material e por isso não é possível enfrentá-los “na boa”; se trata de uma briga de foice mesmo, contra privilégios de alguns Não esquecer que a pequena burguesia, como classe social, odeia a classe operária, e ainda mais odeia a classe operária revolucionária.

  1. Se declarar disposto a adotar todas as medidas que forem necessárias para promover essa mudança.

7. Perspectiva da Organização

Política sindical oportunista

O eixo da construção do partido revolucionário passa por estar fisicamente no local, naquela categoria específica, a partir de onde os esforços devem ser direcionados a controlar os  aparatos sindicais. Afirmam que os sindicatos têm vida própria, mas se apegam a seus aparatos como propriedade particular. Se trata dos mesmos métodos de trabalho artesanal que Lenin denunciava no livro Que Fazer?.

Política revolucionária

O fundamental dos esforços do partido revolucionário deve ser direcionado para as principais categorias, com o objetivo de divulgar a política da LPS por meio da imprensa revolucionária. Uma parte menor do esforço dos sindicalistas (a menor possível) deve ser gasta no trabalho miúdo e administrativo sindical.

Os aparatos devem ser colocados a serviço da luta dos trabalhadores com o objetivo da tomada do poder, da revolução socialista mundial.

A Organização deve se preparar como uma verdadeira máquina de agitação e propaganda para atuar no inevitável ascenso operário que acontecerá no próximo período.

Os métodos artesanais devem ser repudiados e no lugar, devem ser aplicados os métodos da grande indústria, do mais avançado que o capitalismo conseguiu produzir até o momento.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que é preciso validar um plano para atuar como uma máquina de agitação e propaganda integrada e que o trabalho não pode estar focado somente numa determinada categoria ou local.
  2. Neste ponto, seria importante emitir um parecer sobre dois pontos do livro Que Fazer? de Lenin: i) a questão economicismo versus o trabalho político revolucionário; ii) a questão do trabalho local e artesanal versus o trabalho político nacional.
  3. Posicionar-se formalmente sobre o documento “10.08.2017 Teoria Estrategia Tática”, capítulos “Política revolucionária e política sindical”.

 

8. Análise da conjuntura política

Política sindical oportunista

A análise da conjuntura política não passa de uma curiosidade escolástica. Da mesma maneira que na Idade Média, os escolásticos ficavam discutindo sobre quantos anjos cabiam na ponta de uma agulha, os militantes burocratizados não fazem nenhum vínculo prático entre a avaliação política e as tarefas práticas do dia. No dia a dia, eles aplicam a política sindical burocrática, preocupados única e exclusivamente em manter o controle (muitas vezes pessoal) sobre os aparatos sindicais, por meio de uma administração não transparente mesmo para os membros da diretoria.

Política revolucionária

Uma boa parte do esforço da Organização deve estar orientado a elaborar a política que deve ser consolidada por meio das palavras de ordem. Essa é a base de uma política de agitação e propaganda que deve se construir na base do movimento de massas.

No presente momento, a LPS caracterizou que o Brasil se encontra na fase final da segunda etapa do golpe, o “estado de exceção” imposto pelo Poder Judiciário. O imperialismo tenta impor, com muitas dificuldades, a terceira etapa do golpe, uma ditadura bonapartista de cunho burocrático policial, com o objetivo de impor duríssimos ataques contra os trabalhadores. Em cima dessa caracterização, o papel dos revolucionários é o de se organizar com o objetivo de organizar a luta dos trabalhadores que, em primeiro lugar passa por resistir a esses ataques, o que coloca a política da “frente única”, conforme foi elaborada por Lenin e Trotsky.

Sobre as palavras de ordem

Um partido político sem eixos programáticos e sem palavras de ordem gerais para o movimento de massas é um partido sem política, que fica à mercê do “movimentismo” e, portanto, da influência da burocracia e da esquerda oportunista.

As análises devem se materializar em políticas definidas que devem se expressar em palavras de ordem.

Os revolucionários elaboram quatro tipos de palavras de ordem principais: econômicas, democráticas, transitórias e organizativas.

As palavras de ordem de cunho econômico (próprias do início da etapa  imperialista do capitalismo) têm como objeto orientar a luta pelas condições de vida que, neste momento, é defensiva e não para arrancar novas concessões.

Essas palavras de ordem devem ter como carro-chefe as orientações gerais. Caso contrário, cairemos no sindicalismo e no reformismo.

Hoje, é preciso vincular as palavras de ordem econômicas com as transitórias (próprias da decadência do imperialismo e da transição ao socialismo) como, por exemplo, a “escala móvel de salário e horas de trabalho” e a luta contra os ataques e o arrocho.

A partir dessa luta, deve-se colocar a frente única operária para conter os ataques. Não fazê-lo implica em ficar nos marcos da burocracia sindical e do “reformismo” sem reformas..

A ausência de palavras de ordem defensivas nos distancia da luta real dos trabalhadores.

A partir da luta concreta pelas reivindicações econômicas, precisamos explicar pacientemente aos trabalhadores ativistas que amanhã será necessário ir além do piquete como, por exemplo, participar de uma manifestação, a ocupação da empresa, a organização de milícias de autodefesas. Além disso, será necessário construir o partido operário revolucionário.

Ao mesmo tempo, é preciso evitar transformar táticas em estratégias como, por exemplo, levantar a Greve Geral em todas as condições.

As palavras de ordem sobre a luta contra a burocracia, no interior do movimento operário, também fazem parte das palavras de ordem transitórias, conforme Leon Trotsky argumentou no “Programa de Transição” e no folheto “Os Sindicatos da época de decadência do imperialismo”.

As palavras de ordem democráticas devem refletir a defesa contra os ataques políticos que inevitavelmente acompanham os ataques econômicos. Trata-se da defesa contra os ataques da burguesia em relação:

Ao endurecimento do regime.

Às liberdades democráticas.

Aos setores mais explorados, como os trabalhadores terceirizados, os camponeses, as mulheres, os jovens, os negros, os moradores de rua, os quilombolas, os indígenas etc.

A cada novo ataque da burguesia, as massas serão obrigadas a se defenderem.

Exemplos: Fim da Polícia Militar; Fim do “estado de exceção”;  Abaixo a ditadura do Judiciário; Defesa das organizações operárias, etc.

As palavras de ordem tendem a se misturar e a evoluir rapidamente de uma para outra porque fazem parte de um todo, principalmente conforme a crise capitalista avança. O objetivo deve ser organizar a classe operária e os trabalhadores à tomada do poder.

É preciso retomar a divulgação da alternativa operária de poder: por um governo operário e camponês e a aliança da classe operária com os camponeses e as camadas inferiores da pequeno burguesia das cidades.

A classe operária seguirá a direção revolucionária após ter feito a experiência prática, após ter comprovado que se trata de uma organização lúcida, firme e disciplinada, comparando-a com as demais organizações.

A teoria e a propaganda têm como objetivo elaborar as palavras de ordem que norteiem a Organização num determinado período, no sentido de dirigir o movimento de massas. A nossa política deve se sintetizar no domínio de elaborar as palavras de ordem corretas para cada etapa da situação política.

A pressão da esquerda integrada ao regime e do “espontaneísmo” nos obriga a explicar as palavras de ordem de maneira constante.

O papel dos revolucionários é iniciar, acompanhar e dirigir essas campanhas, que devem ter como objetivo mobilizar as amplas massas. Precisamos ligar o nosso trabalho de maneira muito estreita ao movimento operário de massas.

Os revolucionários devem intervir nas eleições com uma palavra-de-ordem de poder, por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, independentemente de não se poder conquistar o poder pelas eleições somente. Trotsky disse no Programa de Transição da IV Internacional, “a todos os partidos e organizações que se apoiam nos operários e camponeses e falam em seu nome, exigimos que rompam politicamente com a burguesia e entrem na via da luta pelo poder dos operários e camponeses. Nesta via prometemos-lhes o apoio contra a reação capitalista. Ao mesmo tempo desenvolveremos uma agitação incansável em torno das reivindicações de transição que deveriam, em nossa opinião, constituir o programa do ‘governo operário e camponês’”.

O “esquecimento” da palavra de ordem da ditadura do proletariado é mais uma manifestação da influência do oportunismo sobre a LPS da “ditadura democrática da ditadura socialista”. Da mesma maneira, acontece com a revolução nacional em relação à revolução mundial que, como reflexo do oportunismo mórbido, adquire a feição de “revolução em um único sindicato”. Ambos fazem parte do ato inicial da luta mundial e não do final.

Sobre a frente única operária

A frente única dos trabalhadores contra o golpismo aparece como a tarefa mais urgente, perante o grave perigo contrarrevolucionário: propor tarefas defensivas sentidas pelos trabalhadores, principalmente os agrupados pelos reformistas.

Os revolucionários ainda não têm força para impulsionar o movimento nacional, por esse motivo devem usar a tática da frente única. As propostas começam sendo colocadas às direções, mas devem ter como foco uma ampla campanha de propaganda nas bases, com o objetivo de desmascarar a traição da burocracia e da “frente popular”.

 A luta contra o capitalismo nos países atrasados, como o Brasil, passa pela luta contra o imperialismo. Uma tarefa impossível de ser travada junto com a burguesia “nacional” completamente integrada ao regime.

A frente única é uma tática, não uma questão de princípios ou uma estratégia. A sua aplicação não depende do percentual da classe operária que dirigimos; essa é uma avaliação subjetivista e sectária, já que leva em conta simplesmente a relação entre as direções.

A aplicação da tática da frente única deve corresponder às necessidades específicas de uma determinada etapa da luta do movimento de massas e não às relações internas entre os vários componentes deste movimento. O objetivo é unificar o movimento operário para enfrentar a escalada dos ataques da burguesia. Portanto, na base da frente única está a relação com o conjunto dos exploradores, um fator estrutural e não superestrutural.

A frente única deve ser colocada em prática para as direções e, principalmente, para as bases.

A tática da frente única persegue quatro objetivos principais:

  1. Não romper com as bases dos partidos reformistas, o que levaria a ignorar as direções oportunistas.
  2. Impulsionar a pressão das bases sobre as direções para obrigá-las a aderir à tática da frente única.
  3. Esgotar a experiência das bases com as direções, deixando em evidência as traições em cima das tarefas concretas.
  4. Disputar a direção das massas na luta real.

A disputa da direção das massas com a burocracia passa pela consideração de que ela não irá mobilizar os trabalhadores, mas os conduzirá inevitavelmente à derrota. A burocracia hoje tem como política as eleições e os conchavos com a direita. O objetivo, portanto, é desmascarar as atuais direções burocráticas e disputar a direção das massas.

A tática da frente única é intrinsicamente defensiva. Ela é movida pelo sentimento generalizado do perigo dos ataques colocados pela reação.

Por esse motivo, a tática da frente única deve ser priorizadas sobre os setores mais afetados pelos ataques e que, portanto, apresentem maior facilidade para serem mobilizados. Sobre esses setores devemos priorizar a nossa atividade. Devemos nos valer das palavras de ordem específicas mais mobilizadoras que “aterrissem” os problemas gerais do movimento de massas.

O êxito da tática da frente única depende, em primeiro lugar, do desenvolvimento da luta de classes, e, em segundo lugar, da nossa relação de força com as demais organizações.

Propostas de palavras de ordem para este período

Como palavras de ordem para a conjuntura atual

  1. Para barrar o golpe de Estado em andamento:
    1. Abaixo o golpe de Estado!
    2. Abaixo o golpe contra os trabalhadores!
    3. Unificar a luta contra os ataques do governo golpista!
    4. Fora Temer!
    5. Pela unificação das campanhas salariais das categorias em luta!
    6. Unificar as lutas rumo a uma verdadeira greve geral!
    7. Abaixo as reformas trabalhista e previdenciária do governo agente do imperialismo!
    8. Anulação de todas as medidas contra os trabalhadores feitas pelo governo golpista!
  2. Sobre as eleições:
    1. Voto nulo contra as eleições golpistas!
    2. Apostar nas eleições golpistas é fazer o jogo da direita!
    3. Eleições golpistas não são a solução! Unidade dos trabalhadores contra o golpe!
  3. Transitórias (que, portanto, somente poderão ser colocadas em prática por um governo operário e camponês):
    1. Privatização é coisa de ladrão! Reestatização das empresas privatizadas!

[Contra as demissões]

  1. Estabilidade no emprego
  2. Redução da jornada de trabalho, sem redução do salário
  • Não ao pagamento da dívida pública; expropriação dos grandes bancos, taxação das grandes fortunas
  1. Dividir as horas de trabalho sem reduzir o salário
  2. Construção de comitês de trabalhadores por local de trabalho
  3. Contra a privatização e demissão, ocupação das empresas com o controle dos trabalhadores
  1. [Diante da alegação de prejuízo pelos patrões]
    1. Auditoria das empresas públicas pelos trabalhadores
    2. Contra o segredo comercial dos patrões, abertura dos livros contábeis sob controle dos trabalhadores
  • Controle operário da produção
  1. Fim dos assassinatos dos trabalhadores rurais. Dissolução da PM
  2. Expropriação do latifúndio; Revolução agrária!
  3. Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo!
  4. Bairros
    1. Comitês de bairros contra a violência, por serviços públicos
    2. Direito à moradia digna. Legalização fundiária
  5. Fora imperialismo!
  6. Negros
    1. Por um movimento negro unificado com os trabalhadores
    2. Não ao genocídio do povo negro principalmente nas periferias
  • Tribunal popular para julgar os abusos cometidos contra o povo negro
  1. Políticas de quotas e de permanência com condições dignas para a juventude negra
  2. Legalização dos assentamentos quilombolas como patrimônio nacional
  1. Mulheres
    1. Pelo direito ao aborto
    2. Creches em tempo integral para os filhos das mulheres trabalhadoras
  • Trabalho igual, salário igual
  1. Educação
    1. Por uma educação pública, laica, gratuita e de qualidade
    2. Por um governo tripartite com maioria estudantil nas universidades
  • Fim do vestibular
  1. Contra a burocracia:
    1. Fora a burocracia dos nossos sindicatos!
    2. Sindicato é para lutar!
    3. Rodízio de cargos e funções

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que o esforço político fundamental no período atual deve estar orientado a elaborar a política e a aplicar a política.
  2. Reconhecer que essa elaboração e aplicação só pode ser o produto do trabalho coletivo.
  3. Os dirigentes do CC devem ser estudiosos (individuais) do marxismo e estar bem informados sobre a conjuntura política. Essa tarefa não pode ser realizada de maneira amadora ou sem priorização dos esforços, mas requer muita determinação revolucionária.

9. Papel da Teoria na formação

Política sindical oportunista

A política oportunista despreza a teoria marxista devido ao pragmatismo próprio da política sindical oportunista, que representa uma manifestação da ideologia pequeno burguesa no seio do movimento operário.

Apesar de caracterizar o baixíssimo nível teórico dos militantes semiburocratizados, essa ala apresenta uma enorme resistência ao estudo, que é revelado ou mesmo deixado de lado para priorizar as pequenas tarefas sindicais do dia a dia.

Política revolucionária

A tarefa fundamental de todo militante marxista passa por assimilar profundamente o marxismo tanto em termos teóricos, assim como políticos e ideológicos. Essa tarefa somente pode ser empreendida por meio do estudo individual e também coletivo, na busca por assimilar o marxismo como método, como a ideologia do proletariado revolucionário, o que somente pode acontecer por meio da estrita unidade entre a teoria e a prática.

A teoria revolucionária, científica, está na base da ação revolucionária.

Sem teoria revolucionária não há prática revolucionária.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Entender que todo dirigente revolucionário, e também todo militante revolucionário, deve realizar um forte esforço individual para assimilar o marxismo como método. É preciso muita determinação neste sentido, que em primeiro lugar deve ser individual. Esta tarefa implica numa luta à morte contra o sindicalismo burocrático.
  2. Precisamos ter como base da nossa compreensão que o sindicalismo burocrático representa os interesses das camadas médias da população, portanto da pequeno burguesia. Trata-se portanto de interesses materiais que no Brasil estão atrelados ao controle do Estado. A política revolucionária somente pode ser imposta numa luta à morte que passa por quebrar a base material do burocratismo e uma firme determinação para assimilar o marxismo como ideologia.

10. Ação política

Política sindical oportunista

A ação política é fundamentalmente burocrático sindical e portanto, “reformista” e centrista. O grosso dessa política repete os princípios de atuação que foram duramente criticados por Lenin, no livro Que Fazer?, e que herdavam a atuação oportunista de Ferdinand Lassalle, criticado na época por Karl Marx e Friedrich Engels, assim como a de Eduard Bernstein, o pai do revisionismo moderno, criticado duramente por Rosa Luxemburgo e por Lenin.

A visão de que no sindicato somente dá para ser feito o trabalho sindical miúdo, oportunista, e que para militar politicamente é preciso ser um militante político profissional representa o clássico desvio “economicista” criticado por Lenin.

Política revolucionária

A ação política do militante revolucionário passa por um profundo comprometimento com a revolução operária mundial que se materializa na luta política interna e externa cotidiana.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

Reconhecer que os militantes devem aplicar a política revolucionária em quaisquer circunstâncias.

 

11. Luta de classes

Política sindical oportunista

A luta de classes não existe no interior da Organização; somente há pessoas e na nossa organização “somos todos irmãos”.

Política revolucionária

A luta de classes representa um fenômeno material que existe em todos as organizações que atuam na sociedade capitalista, ou em qualquer outra onde existam as classes sociais.

A luta de classes se torna ainda mais acirrada no partido operário revolucionário devido à luta mortal da política pequeno burguesa contra a política operária revolucionária. E isso não tem nada de luta pessoal.

Vale lembrar que há tempos estamos alertando sobre o crescente endurecimento do regime político em direção a uma ditadura de terror aberto.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Encarar a luta política interna em defesa do programa e da política da LPS como uma luta à morte. Se o programa não for aplicado, ele morre devido à força da pressão da ideologia pequeno burguesa que tem como corrente de transmissão a pressão da burocracia sindical.
  2. Reconhecer que essa “incompreensão”, que na realidade se trata de uma política de capitulação à pressão da ideologia burguesa, está na base da burocratização do grosso da esquerda brasileira e mundial, que se tornou uma “esquerda neoliberal”.

12. Luta política revolucionária

Política sindical oportunista

Para os oportunistas, bastam reuniões de cunho administrativo, “aulinhas” sobre a análise de conjuntura e/ou acordos para se avançar na construção do partido revolucionário.

Política revolucionária

A construção do partido operário revolucionário, em todos os seus componentes, passa por uma luta encarniçada contra todas as manifestações de oportunismo, do qual o sindicalismo burocrático é uma delas. O trabalho com os contatos, nas frentes, nos núcleos (células) e principalmente na direção do partido devem ter como objetivo impor a política revolucionária que foi elaborada pela Organização. Sem essa visão leninista, a Organização fica desarmada perante a pressão da luta de classes, tende a se direitizar e, na atual conjuntura política, com a escalada dos ataques da direita e o inevitável levante operário colocado em escala mundial para o próximo período, ela tende a desaparecer.

Bastaria acontecer a perda do controle dos dois sindicatos que a LPS dirige para a esmagadora maioria dos militantes se dispersarem. Dada a evolução da situação política, esta é um possibilidade colocada para o próximo período, inicialmente pela pressão da direita, mas sobretudo pelo ascenso da classe trabalhadora.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. É preciso dar a luta política, o que implica, em primeiro lugar, em deslindar campos, em separar quem é militante de quem não é militante por exemplo, quem defende efetivamente a política revolucionária de quem defende a política oportunista.
  2. As leituras e palestras ajudam a fortalecer os militantes. Mas devem ser feitas para pessoas realmente interessadas. Os funcionários (dos sindicatos) não devem ser obrigados a participar; ficar dormindo ou dispersos nas reuniões, não comparecer alegando os mais diversos motivos que não têm relação com a luta revolucionária etc. são componentes pequeno burgueses de uma luta política; se não forem combatidos desmoralizam o conjunto dos militantes.

13. Organização

Política sindical oportunista

A política da Organização, que é fundamentalmente burocrático sindical, pode ser adequada às necessidades dos interesses particulares e dos acordos com a burocracia, à mercê do movimentismo. Essa política é pragmática e acontece por meio de métodos bonapartistas e administrativos, impostos por meio da autoridade pessoal de um pequeno punhado de grandes líderes (chefes, cabeças, capa-preta), com cunho altamente administrativo.

O funcionamento dos organismos é basicamente formal, em todos os níveis, com pouquíssimas pessoas elaborando e decidindo a política. Aparentemente se trataria de um problema de formação, mas se converteu numa política materializada, que conta dentre outros componentes, com a mistura de dirigentes, militantes e simpatizantes e a resistência de atacar a base material do burocratismo.

Política revolucionária

Em primeiro lugar, a política deve ser elaborada de maneira coletiva, com ampla democracia interna. Mas uma vez elaborada e aprovada, ela deve ser imposta e somente pode ser demovida pelos mesmos organismos que a aprovaram. Estes métodos organizativos materializam o centralismo democrático que não tem absolutamente nada a ver com o centralismo burocrático oportunista.

Sobre a política e os métodos da organização revolucionária

O trabalho coletivo no partido revolucionário busca consolidar um grupo de ação. As reuniões dos núcleos (células) são reuniões de trabalho que têm como objetivo elaborar e aplicar a política, conforme se encontra descrito no documento “Sobre as reuniões” e no Capítulo 6 do documento “Sobre as tarefas como partido operário”.

O enfraquecimento das fronteiras entre militantes e simpatizantes representa uma clara penetração do oportunismo nas fileiras do partido revolucionário. Essa política esteve na base da ruptura entre os mencheviques e os bolcheviques no POSDR (Partido Operário Socialdemocrata Russo).

O combate ao bonapartismo, ao burocratismo, ao flanelismo e a todas as manifestações da ideologia e política pequeno burguesas estão no centro da luta dos militantes revolucionários.

As relações entre os militantes devem ser claras e revolucionárias, conforme estabelecido no Programa e nos Estatutos, e conforme nos foi ensinado pelos mestres do marxismo.

A confiança entre os militantes deve ser construída a partir de militância revolucionária provada e não a partir de afinidades pessoais ou acordos. A Organização deve procurar incentivar as relações formais que devem ser fraternas, mas orientadas à luta.

O modelo organizativo da ala oportunista é o anarquismo e o caos. O modelo da ala revolucionária são os métodos organizativos mais avançados que o capitalismo já produziu, em primeiro lugar o toyotismo e a disciplina militar, à luz da experiência acumulada pelo marxismo revolucionário.

Enquanto a ala oportunista busca construir um clube de amigos para funcionar como fachada a uma política sindical oportunista, a ala revolucionária busca construir uma Organização de luta pela revolução mundial.

Os militantes revolucionários repudiam todas as manifestações de localismo, corporativismo, bonapartismo etc. Eles devem ser soldados da revolução operária mundial, centralizados e disciplinados em cima do Programa e da política revolucionária. Os dirigentes, em primeiro lugar, devem ser sensibilizados e enquadrados sobre a necessidade imperiosa de se posicionar como tais em todas as circunstâncias, contra o anarquismo, o seguidismo, o bonapartismo interno, o “flanelismo”, o “amiguismo” e todas as demais manifestações das políticas oportunistas, que no atual momento da situação política se tornam muito graves e tendem a implodir a organização revolucionária. São alguns exemplos de manifestações de tais políticas oportunistas:

  1. Não dar a luta política. Manter o amiguismo, principalmente com a burocracia, mas também internamente, e não diferenciar os campos nem impor a política revolucionária. Os dirigentes e militantes devem entender (para a atuação imediata e contínua):
  2. a luta política como reflexo da luta de classes, em todas as circunstâncias (inclusive nos vários componentes da sociedade, como a família);
  3. Em todos os âmbitos, a luta política se processa entre três alas (oportunista, centrista e revolucionária) como reflexo da luta de classes geral;
  4. Em política, não há vácuo. Todo liberalismo em relação ao oportunismo implica no enfraquecimento das posições revolucionárias.
  5. o papel da luta política e como ela deve ser levada a cabo internamente e externamente, contra o oportunismo e o centrismo.
  6. Acordos espúrios ou o temor de “perder militantes” abrindo espaço para as posições oportunistas implicam no fortalecimento do oportunismo;
  7. A política revolucionária, uma vez definida, deve ser imposta sempre.
  8. Reconhecer formalmente as caraterizações política centrais (como a da 3a etapa do golpe), mas atuar com métodos e prioridades de uma etapa de total calmaria;
  9. Desprezar e não aplicar as decisões da Organização;
  10. Desprezar ou rebaixar, em qualquer medida, o papel do Comitê Central como principal instrumento executor das resoluções dos congressos;
  11. Ser “tarefeiros” ao invés de dirigentes revolucionários organizadores da revolução proletária;
  12. Despriorizar, ignorar, não cumprir ou desprezar as tarefas atribuídas para resolver tarefas sindicais ou outras, sejam burocráticas ou não. Tarefas acordadas em reunião, devem ser cumpridas sempre. NUNCA, sob hipótese alguma, absolutamente nenhuma tarefa deve deixar de ser cumprida. Em casos excepcionais, devem ser seguidos os processos definidos, como por exemplo entrar em contato imediatamente com o responsável etc.;
  13. Não ter uma agenda rotineira de trabalho orientada a resultados;
  14. Não organizar o trabalho na frente de atuação; simplesmente executar tarefas de maneira descoordenada;
  15. Elaborar agendas, calendários, grupos de trabalho etc., formais ou informais, eventuais ou permanentes, por fora do controle dos organismos partidários;
  16. Não organizar o trabalho local, geral, nacional e mundial;
  17. Se preocupar apenas com o próprio “feudo”;
  18. Administrar sindicatos ou a política sindical ou local de maneira individual (portanto, burocrática) e não de maneira coletiva, de acordo com a política da LPS e se submetendo organizativamente, à centralização da LPS;
  19. Orientar a luta (de maneira burocrática) para o controle e expansão dos aparatos, sem política revolucionária, e não jogar TODOS os esforços para a luta revolucionária, colocando a questão do controle dos aparatos como acessório, uma consequência, da luta;
  20. Não se concentrar num sério, e irreconciliável, esforço para combater qualquer manifestação de burocratismo em qualquer âmbito da atuação da LPS, já que essa liberalidade política representa o fortalecimento da pressão interna do oportunismo e conduz à implosão da LPS;
  21. Desrespeitar as reuniões tanto em termos de horários, mas, como esta questão foi praticamente superada em cima da luta interna, principalmente, em termos de resultados:
  22. ficar fazendo outras tarefas durante a reunião, como mexendo no celular e no computador;
  23. não se preocupar em organizar o trabalho geral;
  24. não se posicionar em cada reunião de acordo com o caráter da reunião, como um verdadeiro dirigente revolucionário. Por exemplo, se perder nos detalhes na reunião do CC e não sintetizar os resultados em processos gerais;
  25. tratar os assuntos de maneira pessoal ou de acordo com os interesses da própria frente de atuação.
  26. Aplicar métodos organizativos bonapartistas (personalistas), passando por cima da direção coletiva, independentemente da maneira como esses métodos sejam processados, como, por exemplo, agindo às costas da Organização (por fora das reuniões e dos organismos formais), de maneira individual, ou manobrando e apresentando fatos consumados à Organização;
  27. Considerar que não é possível recrutar ninguém a não ser por meio do “amiguismo”, do dinheiro, emprego no aparato ou por algum tipo de favor ou favorecimento. Essa política é oportunista e liquidacionista, pois se isso for verdadeiro, a política revolucionária estaria totalmente errada e a revolução seria impossível;
  28. Não considerar a luta contra a burocracia, para desmascará-la perante os trabalhadores, como prioridade número um dos revolucionários.
  29. Considerar que a tarefa é ficar fazendo conchavos com a burocracia (mesmo que sejam menores e poucos) deve ser considerado como uma traição à classe operária.
  30. Qualquer acordo com a burocracia deve ser feito à luz do dia. Sem qualquer conchavo e sem qualquer segredo.
  31. Os revolucionários não seguram aparatos por meio de conchavos ou respeito a feudos, mas por meio da luta e de colocar a política revolucionária às claras para a classe operária. E corrigi-la sempre que errar (reconhecendo os erros com a maior humildade) ou a situação política mudar.
  32. Quem estiver profissionalizado a uma das organizações por ela dirigida, considerar que não pode fazer críticas aos dirigentes, que são tratados como patrões.
  33. Essa política é abertamente contrarrevolucionária porque fortalece o espírito de camarilha e o burocratismo;
  34. Nenhum militante pode ser rebaixado ou “demitido” por meio de uma iniciativa individual de qualquer outro militante. As decisões são coletivas e, dependendo da importância, devem ser validadas pelo CC;
  35. Todo militante deve ser um ferrenho defensor das resoluções dos congressos e denunciar todos os desvios;
  36. A defesa da integridade programática, política e organizativa é a prioridade número um dos militantes.
  37. Priorizar questões pessoais contra o interesse coletivo, mesmo que elas implodam a Organização. Alguns exemplos:
  38. furar reuniões, se ausentar do trabalho e do trabalho político e se “desligar” ou se ausentar quando a necessidade, imposta pela luta de classes, seria ficar “aquartelado” e concentrado (levando em conta a comparação com a disciplina militar) dada a enorme criticidade da situação;
  39. alegar falta de tempo para organizar o trabalho revolucionário pelos mais diversos motivos individuais representa uma manifestação da penetração da ideologia pequeno burguesa, fundamentalmente do anarquismo. Essas alegações vão desde o “excesso de trabalho”, passando pelo acúmulo de tarefas burocráticas e necessidade de estudar para concurso público (mesmo que tenham sido quase extintos) até ter dificuldades porque tem que se casar etc.
  40. Não devem ser misturadas questões pessoais com a política revolucionária.
  41. O militante deve organizar o seu tempo, otimizá-lo priorizando a atividade revolucionária em cima de metas, prazos, métricas e resultados.
  • As dificuldades devem ser levadas para os órgãos dirigentes. Mas nunca devem ser motivo para não ser um militante exemplar.
  1. Pior ainda: ficar “choramingando” sobre a desorganização, sobre que as coisas não são como deveriam ser ou sobre a falta de tempo.
  2. Um revolucionário deve se comportar como tal;
  3. Deve ser um otimista revolucionário. Principalmente, considerando que nunca, pelo menos nos últimos 50 anos, a situação foi tão favorável para a revolução operária mundial (crise gigantesca do capitalismo, hiperenfraquecimento da burocracia em escala mundial, hiperdescontentamento das massas, inclusive da pequeno burguesia etc.)

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Deve ser realizado um recadastramento dos militantes para deslindar os campos.
  2. Os organismos devem funcionar como órgãos para a ação em todos os níveis. De cada um deles devem participar unicamente os militantes que reúnam as condições políticas para fazê-lo, conforme descrito nos Estatutos da LPS.
  3. Contribuições (financeiras ou políticas) para outras organizações devem ser aprovadas dentro de um plano validado formalmente pelo CC.

14. Militantes

Política sindical oportunista

Os militantes seriam os sindicalistas semi desmoralizados, a reboque da “frente popular” e com fé cega na “democracia” burguesa. Importa a quantidade e a “fraternidade” entre os mesmos.

As discussões com os ativistas e contatos é despolitizada e normalmente orientada a assuntos pessoais que têm como objetivo ampliar o círculo de “amigos”, visando o controle dos aparatos sindicais.

A maioria dos dirigentes das organizações pequeno burguesas são centristas, não marxistas; inclusive isso foi dito literalmente por vários dirigentes do primeiro nível no I Pleno do CC e em várias outras reuniões do CC.

Política revolucionária

É preciso estabelecer uma clara delimitação entre quem é militante e quem é simpatizante.

A mistura de militantes e não militantes (na prática) abre a porta de entrada à pressão da direita no seio da Organização, conforme Lenin o descreve na polêmica com os mencheviques.

Os dirigentes são marxistas revolucionários que priorizam a construção do partido revolucionário. Eles são inimigos mortais do centrismo que numa situação não revolucionária tende a evoluir à direita.

Nunca um dirigente revolucionário deve se autoqualificar como centrista, a menos que seja num processo de profunda autocrítica e que apresente as medidas claras e firmes que estará aplicando para sair imediatamente dessa condição. Uma política frouxa neste sentido é incompatível com o pertencimento à direção da Organização e até com a militância nela.

No centro dos militantes, se encontram os quadros que são os militantes provados na luta (inclusive interna) em torno dos quais a Organização se estrutura. Esses militantes representam o estado maior da revolução e, por esse motivo, é fundamental o processo de seleção rigoroso. Eles devem ser capazes de lutar contra todas as manifestações da política pequeno burguesa e os provocadores e a polícia política que inevitavelmente o estado e o capital irão enviar para implodir a organização operária.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Dirigentes devem ser apenas os militantes que realmente dirigem. Pode ser aberta uma exceção para aqueles militantes que tiverem se destacado na luta e que estiverem dispostos, de maneira extremamente disciplinada, a passar por um programa muito intensivo de formação.
  2. Os militantes devem cumprir as condições estatutárias, especialmente se propondo a se enquadrarem num profundo processo de formação teórico, político e ideológico.
  3. Os pré-militantes devem ser os militantes em experiência que aderiram ao Programa revolucionário por livre vontade. Militantes que têm algum vínculo financeiro com a Organização, seja direto ou indireto, devem passar por uma profunda avaliação, validada pelo CC, para estabelecer a verdadeira concordância com o Programa.
  4. Simpatizantes devem simpatizar realmente com a Organização por meio de ações práticas.

15. Construção do partido

Política sindical oportunista

O partido deve ser construído com centristas e contratados, numa política orientada a ganhar “colegas”, porque seria praticamente impossível ganhar militantes pela política

Haveria apenas uma “divergência tática” com a ala revolucionária, pois especialistas em determinado assunto poderiam ser contratados e tornar-se militantes. Dentre esses “especialistas” se encontrariam os “especialistas” na panfletagem. Essa política é considerada como uma divergência tática com a ala revolucionária.

Esses profissionais são contratados com o principal objetivo de que os militantes sindicais se mantenham na política burocrática, que eles mantêm por causa de não quererem trabalhar com os contatos de base; muitos deles têm medo da opinião dos trabalhadores sobre o sindicato, alguns evitam mesmo os trabalhadores. 

A política de profissionalização é abertamente antileninista. A contratação de amigos ou de pessoas fieis às quais a liderança bonapartista faz favores pessoais não é uma política revolucionária.

O resultado prático dessa política burocrático oportunista é que além de se criar um círculo de favorecidos, há o fortalecimento da ala direita da Organização e o enfraquecimento da política de recrutamento que tem como máxima o “não consigo fechar”.

Política revolucionária

Não se trata de uma “divergência tática”, mas do tipo de organização que pretendemos construir. A construção do partido revolucionário começa pelo CC.

As contratações de “empregados” que não são revolucionários, principalmente quando ligadas aos sindicatos, fortalecem a ala direita da Organização e enfraquecem a política revolucionária, além de se tornarem uma porta de entrada do burocratismo.

Para a ala que defende a aplicação da política revolucionária, o partido revolucionário deve ser construído a partir do CC, com quadros leninistas. A profissionalização revolucionária deve começar pelos membros do CC; esta é a base para colocar em pé a organização de revolucionários profissionais que Lenin orientou no Que Fazer?.

Problemas particulares de contatos e amigos devem ser tratados por fora da construção do partido revolucionário, portanto, em outro âmbito. Neste, somente devem ingressar os militantes que tiverem concordado na teoria e na prática, em aplicar o programa revolucionário, mas nunca deve se aplicar uma pressão administrativa para que essa adesão aconteça, pois o resultado inevitável é que estas pessoas deixem de “militar” assim que perderem o emprego no aparato.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

A discussão pessoal de “estar comprando pessoas” deve ser substituída pela discussão sobre a profissionalização que envolve várias questões.

  1. A profissionalização dos militantes da Organização deve acontecer a partir do CC.
  2. Devem ser validados mecanismos (métodos revolucionários) para evitar a burocratização que representa um dos componentes principais de implosão da política revolucionária.

Deve haver uma política clara de profissionalização, com critérios gerais.

Nunca se deve ganhar um militante a partir de uma oferta de salário.

  1. Considerar que o assalariamento representa uma das principais portas de entrada do fortalecimento da política oportunista na Organização, principalmente quando se trata do assalariamento dos militantes, mas também quando se trata da contratação de funcionários.
  2. A contratação de funcionários deve ser minimizada (ao menor nível possível) porque fortalece a ala direita (a política oportunista da Organização). A situação torna-se ainda pior quando os contratados substituem a atuação dos militantes como acontece com os panfletadores.
  3. Situações transitórias podem ser aceitas dentro de um plano com datas, responsáveis, metas, métricas e resultados.
  4. Uma vez definido o plano de profissionalização e contratações, validado de maneira formal pelo CC, deve ser feito um levantamento detalhado de todas as contratações existentes hoje, que deverão ser adequadas.
  5. As insinuações de que se fosse aplicada a política revolucionária deveria ser quase todo mundo demitido representa em si uma política pequeno burguesa. O que está em debate é a construção do partido operário revolucionário. Neste sentido, deve ser dito claramente: i) se a política de profissionalização e contratações burocrática está correta ou não e porque; ii) se uma política de readequação em cima do programa revolucionário será realizada ou não e porque; iii) a política de readequação implicará na perda de quantos militantes e porque. Quantos militantes efetivos sobrarão.
  6. Os problemas particulares de pessoas podem ser avaliados desde que eles se enquadrem na política de construção do partido revolucionário pelos militantes. Fora isso, deveria ser aberta outra organização (talvez uma ONG) para ajudar as pessoas, mas por fora da Organização que tem como objetivo a luta pela derrubada do capitalismo, que representa em si a necessidade de uma enorme disciplina revolucionária e tensão de forças.
  7. Posicionar-se formalmente sobre o documento “Questões OrganizativasOrganizativas”, sobre o ponto “Sobre a profissionalização dos militantes”.

16. Recrutamento

Política sindical oportunista

O recrutamento é identificado com ganhar militantes no varejo, na amizade, na troca de favores na ultradefensiva para não assustar os trabalhadores.

Não é possível ganhar ninguém pela política porque os trabalhadores seriam todos burros, idiotas, atrasados, despolitizados e afins.

“Não temos capacidade de ter um CC revolucionário. Não temos quadros para ter um partido revolucionário. Os nossos não estão à altura. Deve ser uma construção. O maior problema colocado é se nós poderemos construir um trabalho revolucionário.”

 “O nosso grupo é estritamente sindical. É o produto que temos na mão

Devemos ir lentamente. Se tentar impor 10% do que aprendemos aqui no Sindados, ficaremos sem ninguém.”

Política revolucionária

É preciso atuar nos principais centros operários com o objetivo de ganhar para a revolução os militantes que se destacarem nas lutas do movimento de massas.

Os quadros devem ser forjados a partir da luta interna e externa que deve ter como foco recrutar quadros a serem formados teórica, ideológica e politicamente para a revolução.

Discussões com contatos devem ser políticas e devem acontecer em cima da política da Organização que se encontra expressa no Jornal; nunca começam com dinheiro, favores ou empregos. Qualquer avaliação sobre a eventual profissionalização de um novo militante deve ter como eixo a formação e fortalecimento dos quadros e ainda deve acontecer com militantes e ativistas que tenham se destacado na luta e por necessidade de construção da Organização.

A venda do Jornal deve ser coletiva e direcionada pelos núcleos (células) em cima das frentes de atuação.

Os contatos devem ser considerados como um importante “tesouro” e a planilha deve ser avaliada semanalmente, nos núcleos (células).

Deve ser realizado um recadastramento imediato com o objetivo de definir quem é dirigente, militante, pré-militante e simpatizante. Sob essa base, devem ser estabelecidas as relações corretas.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer o problema do burocratismo interno é um primeiro passo e muito importante.

Externar a vontade de corrigir o problema e avançar também é muito importante, mas até essa vontade não se materializar em medidas práticas não passam de boas intenções.

  1. Para materializar a intenção de aplicar a política revolucionária é preciso em primeiro lugar, entender que vivemos numa sociedade de luta de classes.
  2. Para avançar nesse sentido, o ponto de partida é quebrar a base material da burocracia sindical que é a principal fonte do oportunismo (objetivo), como, por exemplo, rodízio das liberações entre todos diretores e nas funções dos sindicatos.
  3. O próximo passo deve ser direcionar a Organização por inteiro à política de agitação e propaganda.
  4. A eventual contratação de um “especialista técnico” poderá ser avaliada caso a caso, desde que não implique em tornar o “especialista” num militante somente após termos lhe oferecido um emprego e, principalmente, após ele não ter dado amostras de que ele realmente pretende adotar a ideologia da classe operária.
  5. A Organização assim como os sindicatos devem ser tornados o mais enxutos possíveis, orientados à agitação e propaganda. Todas as medidas necessárias devem ser tomadas no sentido de combater qualquer sintoma de burocratismo que representa um dos principais fatores do apodrecimento do partido revolucionário.

17. Atividades da Organização

Política sindical oportunista

O foco das atividades deve estar concentrado em administrar sindicatos e em garanti-los nas eleições sindicais. Esta política é apenas uma variante da política parlamentar hiperoportunista, que no Brasil, é aplicada de maneira clássica pelo PT. A fé na pseudo democracia burguesa expressa a enorme pressão da “frente popular”.

Em cima da pressão burocrática, os sindicatos apresentam enormes dificuldades para publicar boletins e distribuí-los. O trabalho com os contatos é inexistente e, quando existe, é orientado pelas relações pessoais, o que reflete a política da burocracia de manter um grupo de amigos mais próximo para disputar as eleições sindicais.

A maior parte dos dirigentes não escreve para o Jornal e nem sequer lê o Jornal.

“Lenin estava em 1917, nós em 2017. A tecnologia para Jornal era outra. Tenho dúvidas sobre se ele trabalharia com a venda do Jornal. Não é uma questão de princípios, mas organizativa. Lenin teria uma conduta distinta.”

Política revolucionária

Para a ala que defende a aplicação da política revolucionária, no centro da atuação deve estar colocada a organização da agitação e propaganda.

Uma lista séria de contatos deve ser trabalhada por meio do Jornal político, em primeiro lugar, e os boletins que são instrumentos para facilitar o trabalho com o Jornal. E esse deve ser o grosso das atividades de todos os militantes, em primeiro lugar dos sindicalistas que devem ser “tribunos revolucionários”, conforme a expressão utilizada por Lenin.

A integridade da Organização deve ser defendida em quaisquer circunstâncias como uma máquina de agitação e propaganda, o que implica em combinar o trabalho legal e outros tipos de métodos com esse objetivo.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. O Jornal deve ser fortalecido em relação à propaganda o que implica em aproveitar todos os mecanismos atuais, inclusive as redes sociais e a Internet.
  2. Considerar que, como o “organizador coletivo”, o Jornal deve ser colocado no centro da atuação da Organização, inclusive nos sindicatos à partir dos boletins que devem estar subordinados ao Jornal.

O Jornal deve ser trabalhado em primeiro lugar com a lista de contatos, que hoje não é feita devido à pressão da burocracia.

O trabalho político revolucionário com os contatos deve ser uma das preocupações fundamentais dos sindicalistas.

  1. Explicar como seria feito o trabalho de contatos, de recrutamento e de organização sem a Organização ter um Jornal físico e panfletos e boletins, que devem servir como extensão do Jornal, para discuti-lo com os trabalhadores a partir dos problemas econômicas que eles enfrentam.??
  2. Documentar as divergências em relação à visão elaborada por Lenin no livro Que Fazer?
  3. Comentar sobre o documento “10.08.2017 Questoes Organizativas” capítulo “A principal e fundamental tarefa: partido de agitação e propaganda”.

18. Regras, metas, métricas e resultados

Política sindical oportunista

Predomina o trabalho espontâneo, o “corre corre” sindical burocrático do dia a dia. A desorganização generalizada faz parte das organizações sindicais devido à influência dos métodos burocráticos.

As regras, metas, métricas e resultados são praticamente inexistentes. Mesmo aprovadas em documentos, elas são costumeiramente relaxadas conforme a “opinião pública” e a vontade pessoal, e costumam não se aplicar nem mesmo decisões tomadas em reuniões da diretoria sindical quando elas existem.

A burocracia sindical faz parte das camadas médias da população e, portanto, aplica os métodos pequeno burgueses, hiperindividualistas e arrogantes próprios desses setores sociais. Conforme já temos discutido inúmeras vezes para entender a psicologia da burocracia sindical é preciso entender a psicologia de um pequeno proprietário, por exemplo do dono de uma pequena padaria.

Política revolucionária

A atuação do partido revolucionário deve estar orientada aos resultados revolucionários e estruturada em cima de regras, metas, métricas e resultados. Deve ser travado um combate acirrado contra todas as manifestações de anarquismo e burocratismo.

Todas as discussões e decisões devem ser realizadas nos organismos e, principalmente, devem ser estritamente respeitadas e aplicadas.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Todos os militantes, principalmente os sindicalistas, devem trabalhar em cima de resultados que devem ser medidos por meio de métricas e regras específicas.
  2. A política deve valer tanto para o trabalho em campo (panfletagem, reuniões nos setores) como para o trabalho interno.
  3. Todas as atividades devem ser consideradas como uma oportunidade para estar em contato com os setores de ponta dos trabalhadores e devem ser medidas.
  4. O calendário de atividades deve ser controlado a partir dos órgãos dirigentes, mas deve ser totalmente voltado à política de agitação e propaganda

Até o momento, o que tem acontecido é que os calendários continuam voltados a uma política burocrático sindical. As melhorias não têm rompido com a política sindical, o que é natural porque vivemos numa sociedade de classes e isso somente será possível por meio de uma luta política muito dura.

Relembrar que a questão do enquadramento das reuniões impôs uma luta feroz devido à resistência da política burocrática. E isso até foi uma questão banal quando consideramos que a verdadeira resistência virá a partir das questões materiais; não podemos esquecer que vivemos na sociedade capitalista.

19. Luta interna

Política sindical oportunista

A luta interna deve ser levada a cabo em cima de conchavos, troca de favores, cumplicidade entre “amigos” e relações “fraternais”, o que aliás reflete de maneira muito clara os métodos da burocracia sindical.

As divergências internas devem ser camufladas e nunca explicitadas, principalmente em relação ao público exterior à Organização.

Política revolucionária

A luta interna passa pelo combate encarniçado ao centrismo, que tende à direita, como reflexo da luta de classes.

As relações entre os militantes são incompatíveis com a troca de favores, com o “somos todos amigos” e afins. Elas devem ser construídas na luta pela revolução operária mundial. A confiança plena e fraternal existe, mas somente entre revolucionários provados na luta.

As resoluções da Organização devem ser estritamente aplicadas na luta contra a política burocrática de tornar essas resoluções em “papel morto”.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Reconhecer que o programa e a política da LPS devem ser defendidos em primeiro lugar internamente, mesmo contra considerações conjunturais ou excepcionais.
  2. Se posicionar formalmente sobre o documento “10.08.2017 Questões Organizativas”, principalmente sobre os quatro capítulos relacionados com o centrismo.

20. Documentos públicos devem ser publicados?

Política sindical oportunista

Documentos aprovados pelo CC com a política da Organização para o próximo período não devem ser publicados porque podem conter informações internas que poderiam expor a Organização à chacota de outras organizações.

As restrições colocadas praticamente eliminam todo o espírito do documento. É evidente que não se trata de uma mera “divergência tática” ou de “caracterização”, mas que se trata de uma divergência sobre qual é o tipo de organização que queremos construir e, principalmente, a serviço de quem ela deve estar.

O fundamental dos documentos aprovados pelo CC deve refletir o que já foi aprovado e publicado nos Estatutos e Eixos Programáticos.

Política revolucionária

O partido operário não é propriedade de um pequeno grupo, da mesma maneira que não o deveriam ser os sindicatos. O método da crítica e da autocrítica, conforme nos ensinaram os mestres do marxismo, representa um dos mecanismos principais para fazer avançar o partido revolucionário na interligação com a classe operária e o movimento de massas. Ver o documento “10.08.2017 Crítica e Autocrítica”.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Posicionar-se formalmente sobre o documento Critica e Autocritica”.
  2. As resoluções do CC devem ser publicadas na íntegra não somente em cima de considerações táticas, mas principalmente sobre a consideração política a respeito de qual organização queremos construir. Questões internas específicas devem ser documentadas de maneira separada. Mas a política da Organização deve ser pública.

21. Disciplina

Política sindical oportunista

A disciplina que impera é a da “frente popular”, isto é o anarquismo, o individualismo e a desmoralização crescente já que a política revolucionária é substituída pela política pequeno burguesa.

Política revolucionária

A disciplina que deve imperar é a disciplina leninista, revolucionária, a fidelidade absoluta à causa da classe operária; é o centralismo democrático; é o trabalho em equipe; é o respeito a horários, às reuniões, à política revolucionária; ao planejamento das tarefas, assim como a sua execução em cima de métricas e resultados.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Considerar que o ponto de partida da disciplina passa por aprovar as resoluções que efetivamente serão aplicadas. Ter documentos programáticos e políticos que foram aprovados muitas vezes e não são aplicados é uma fonte de burocratismo e desmoralização.
  2. Se o Programa e os demais documentos não serão aplicados, então que sejam cancelados e colocados no lugar, os que serão efetivamente aplicados.

À eventual objeção de que já estamos indo nesse caminho, respondemos que não é uma avaliação marxista. O problema é a que política, a que classe social, o caminho atual serve, mesmo com as melhorias quantitativas.

  1. Documentar eventuais divergências práticas sobre o "documento sobre anarquismo”.

22. Aplicação da política

Política sindical oportunista

Para aplicar a política bastaria um discurso exaltado ou até uma eventual postagem no WhatsApp o que, na realidade, não passa de um disfarce do burocratismo e do culto à ignorância política.

Política revolucionária

A aplicação da política revolucionária deve acontecer de acordo com o Programa e a política revolucionária; os calendários dos militantes devem ser controlados de maneira centralizada e orientados ao estudo, à agitação, à propaganda e à organização. Acima de tudo, um militante revolucionário deve amar o partido e a revolução operária.

Sem ideologia revolucionária, é impossível ter uma prática revolucionária.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Todas (pelo menos o grosso) das atividades dos militantes devem ser direcionadas à agitação e propaganda. Isto implica numa mudança radical do que acontece hoje em que os militantes dedicam o tempo a qualquer coisa (principalmente ao trabalho sindical miúdo) ou a atividades não centralizadas.
  2. Deve ser elaborado e aplicado um plano bem estruturado para que todos os militantes, a começar pelos dirigentes, assimilem o marxismo revolucionário em termos ideológicos, teóricos e políticos.

23. Evolução da situação política

Política sindical oportunista

A rápida evolução da situação política mundial é, na prática obscura, o que reforça a influência da política da “frente popular”. A tarefa colocada seria continuar melhorando a administração burocrática dos sindicatos na tentativa de se adaptar aos ataques do capital, mantendo o que for possível dos próprios privilégios.

Política revolucionária

A evolução da situação política para o próximo período coloca a necessidade de preparar o partido para o acirramento da luta de classes, que passa pelo aumento do aperto do imperialismo (econômico e político) e o “iminente” ascenso operário. Nesse contexto, a tarefa colocada passa pelo fortalecimento do partido de quadros e a manutenção do funcionamento da Organização, em quaisquer circunstâncias, como máquina de agitação e propaganda a serviço da revolução operária mundial.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Entender que a perspectiva deve ser um partido de combate político disposto a atuar em quaisquer circunstâncias.
  2. Entender que o partido deve se preparar para atuar no próximo ascenso do movimento de massas e em escala pelo menos nacional, o que já representaria um desvio, embora que muito menos grave que o atual, dado que a luta revolucionária somente pode se dar em escala mundial.
  3. Posicionar-se formalmente sobre o documento “10.08.2017 Trabalho legal” 

24. Sobre os Sindicatos

Política sindical oportunista

Os sindicatos representam um fim per si. Eles são tratados quase como propriedade privada. Soluções administrativas e pequenas manobras estão na base da solução dos problemas; mesmo os recursos dos aparatos são uma “caixa preta” para os militantes.

O eixo da atuação são as ações jurídicas e a luta ideal são as greves econômicas.

O controle dos aparatos por longo período está na base dessa política que se relaciona em boa medida, com o controle das finanças. Com esse objetivo, os esforços são direcionados à disputa das eleições.

O papel dos trabalhadores não passa de massa de manobra. Ele é considerado burro, que não quer lutar etc.; mas o objetivo real dessa campanha é dizer que “não dá para fazer” porque o trabalhador não quer e que, portanto, deveria ser feito “o possível”, ou seja, cuidar dos próprios privilégios.

Conforme palavras textuais de dirigentes do primeiro nível da ala oportunista da LPS: “Para transformar os militantes sindicais em militantes revolucionários, precisamos avançar na formação deles sem que a Organização seja inviabilizada.

Como evoluir para uma política leninista sem abandonar o trabalho sindical?

Como construir uma política leninista dentro dos sindicatos, nos detalhes?

Não acho que haja uma visão sindical estrita, mas também marxista porque está atuando.

Nós somos burocratas; mas estamos comprando uma grande briga.

O problema nosso é analisar os passos que iremos dar, sem perder o que temos, sem abrirmos passo para qualquer aventureiro tomar o sindicato. O que iremos ganhar perdendo o Sindicato? Deixar para a Articulação? Não vejo uma preocupação de Alejandro neste sentido.

As pessoas piram porque não tem experiência teórica e prática e não sabem o que fazer.”

Política revolucionária

Os sindicatos não representam um fim per se. Eles pertencem aos trabalhadores e ninguém deve tratá-los como propriedade privada.

Para o partido revolucionário, o papel dos sindicatos é o de organizar (politicamente) a classe operária a partir das próprias lutas, que somente podem começar como lutas econômicas.

O objetivo fundamental da atuação é organizar oposições sindicais de luta e nunca buscar segurar os aparatos sindicais a qualquer custo.

Os militantes revolucionários devem lutar para transformar os sindicatos burocráticos em sindicatos revolucionários. Trotsky explicou no texto “Os Sindicatos na época da decadência do imperialismo” que é impossível existir um sindicato revolucionário sem a direção do partido revolucionário e que o sindicalismo burocrático tende a ser rapidamente colocado a serviço do capital.

Os principais quadros revolucionários devem atuar na propaganda e não na administração dos sindicatos. O Jornal deve ser vendido para os contatos, por dentro e por fora das empresas. Os boletim devem ser panfletados nos principais locais como instrumento de agitação para levar a política do Jornal.

Os sindicalistas são apenas quadros médios e não devem ser considerados como membros naturais do CC.

Os aparatos sindicais devem ser apenas utilizados para facilitar o trabalho de contatos e de agitação e propaganda da política revolucionária, assim como para criar grupos fortes de militantes. Eles são importantes fundamentalmente até a situação revolucionária.

No Brasil, o sindicalismo se encontra atrelado ao Estado. Por esse motivo, é preciso estabelecer uma ampla depuração e luta contra o flanelismo e o burocratismo. A direção deve ser coletiva; os ativistas devem ser envolvidos; deve acontecer o rodízio dos diretores liberados para ampliar o trabalho na base; deve ser realizado o trabalho nas OLTs (Organizações por Local de Trabalho) e com os terceirizados já que a divisão da classe operária somente pode representar uma traição à luta do conjunto dos trabalhadores.

Os conchavos com a burocracia devem ser repudiados. Somente devem ser aceitos acordos públicos; as relações com a burocracia não podem ser pessoais, mas devem ser realizadas pela Organização e sob ferrenho controle do CC por causa da penetração do burocratismo.

Fundamentalmente, nos sindicatos dirigidos pela LPS, deve-se, em primeiro lugar, quebrar a base material da burocracia. Deve-se fazer um levantamento preciso da maneira como os sindicatos trabalham hoje. A partir desse levantamento, deve ser feito um diagnóstico dos processos que na prática, são aplicados hoje. Em cima do diagnóstico, devem ser criados e refinados novos processos de funcionamento com o objetivo de colocar os sindicatos efetivamente a serviço dos trabalhadores, como órgãos dos trabalhadores. Essa política requer o enxugamento da máquina no maior nível, e o direcionamento dos diretores e ativistas para o trabalho de base, para tornar esses aparatos em máquinas de agitação e propaganda a serviço da revolução operária. Essa política implica em que a defesa dos aparatos deve ser subordinada à política revolucionária, à formação de grupos revolucionários orientados a organizar a luta dos trabalhadores, e que qualquer acordo com os patrões ou com a burocracia sindical (que atua como uma extensão objetiva dos interesses dos patrões) deve ser claro, público e deve ser submetido à validação dos trabalhadores. É óbvio que a aplicação desta política se choca com os interesses estreitos e oportunistas da burocracia sindical; isso faz parte do próprio desenvolvimento da luta de classes.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Partido revolucionário ou partido sindical? 

Muitas das colocações apresentadas pelos oportunistas refletem o gigantesco grau em que a política burocrática se encontra infiltrada na maior parte da esquerda.

Para não ficar chovendo no molhado, aquelas organizações burocratizadas que expressam a intenção de avançar no sentido da construção do partido operário revolucionário, mas repetem exatamente a mesma política que tem sido duramente criticada pelos revolucionários marxistas há pelos menos 150 anos (Lassalle, Bernstein, mencheviques), devem se posicionar claramente, formalizando essa posição no documento de resposta, sobre o livro de Lenin Que Fazer? em relação aos sindicatos e à política burocrático sindical (o economicismo). Também devem se posicionar claramente, formalizando essa posição no documento de reposta, sobre o texto de Trotsky “Os sindicatos na época de decadência do imperialismo”.

  1. Sobre a “destruição dos sindicatos”. 

Qual é a verdadeira política sobre os sindicatos?

A política sindical burocrática tem como eixo manter o controle dos aparatos sindicais a qualquer custo, o que somente pode reforçar a política burocrática oportunista, a ala direita da Organização.

A política revolucionária considera que os sindicatos não são um fim em si mesmo, mas um instrumento para organizar a luta dos trabalhadores a partir da luta econômica. Mas a luta econômica representa a penetração da política burguesa no movimento operário (conforme os mestres do marxismo sempre ensinaram). Essa penetração somente pode ser quebrada por meio da luta político revolucionária.

Os resultados práticos da política burocrática são (dentre outros): falta empedernida de contatos políticos, extrema dificuldade de mobilização dos trabalhadores, não venda do Jornal, quase inexistência de discussão da política revolucionária, recrutamento de militantes políticos igual a zero; desmoralização crescente dos militantes; necessidade de fazer inúmeros conchavos para manter o controle dos aparatos. E o pior: dada a evolução da luta de classes, se trata de uma política hiperdesmoralizada que tende a ser implodida no próximo período com a total implosão do que hoje há e que gira em torno aos aparatos.

A perspectiva da política revolucionária é trabalhar com sindicalistas revolucionários que combatam com veemência o burocratismo e o flanelismo, com os militantes concentrados na luta política, em fortalecer os sindicatos ao máximo possível: com o trabalho entre os terceirizados, nas OLTs, etc., pois a classe operária não deve ser dividida, mas com o objetivo de transformar a luta econômica em luta política. Os militantes não devem ser sindicalistas, mas usar o sindicalismo para se transformarem em tribunos políticos revolucionários. Esta é a única luta que tem perspectiva para o próximo período já que se propõe avançar no mesmo sentido em que gira a roda da história.

  1. Abandonar os sindicatos? 

A política sindical revolucionária não implica em abandonar os sindicatos. Exatamente o oposto. Somente com a política leninista é possível fortalecer os sindicatos. A “confusão” está em que para a política burocrático sindical o problema radica em como conservar os aparatos a qualquer custo.

Para a política revolucionária, a conservação dos sindicatos deve ser colocada a serviço da política revolucionária. Os eventuais acordos com a burocracia, com os patrões ou com quer que seja, devem ser públicos e colocados estritamente a serviço da luta geral e ainda, preferencialmente, devem ser validados pelos trabalhadores.

Em resumo, está em pauta a quem pertencem e a serviço de quem devem estar os sindicatos: de um pequeno grupo ou da luta da classe operária? Essa divergência se transfere também sobre o partido operário revolucionário. É essa divergência que está por trás da questão da autocrítica pública.

  1. Qual é a política revolucionária para o movimento sindical? 

Assim como acontece em todas as organizações, nos sindicatos existem três alas principais, como reflexo da luta de classes: esquerda, direita (oportunista) e centrista (que no momento de refluxo tende inevitavelmente à direita).

O ponto de partida para a aplicação da política revolucionária tem na base fatores materiais que, em primeiro lugar, passa pelo problema da burocracia.

Para a política revolucionária, sem quebrar com a base material da burocracia interna é impossível aplicar a política revolucionária. Os componentes principais burocráticos passam pelo poder material, principalmente o controle financeiro e do poder, e privilégios no geral. Os funcionários dos sindicatos de maneira “natural”, reforçam a ala oportunista já que eles estão vinculados ao trabalho burocrático que se encontra intrincado ao sindicalismo estatal, que é o tipo de sindicalismo que especificamente no Brasil, predomina amplamente. Por esse motivo político, o número de funcionários deve ser reduzido ao menor número possível.

  1. Exemplo de como um sindicato deveria ser organizado 

Como, enfim, deveria ser organizado na prática, um sindicato para atuar em cima de uma política revolucionária?

Um exemplo que poderia ser usado como base para a atuação revolucionária nos sindicatos:

  • Quebrar a base material da política burocrática 
  1. i) Controlar as finanças de maneira coletiva e evoluir para apresentar as contas de maneira clara e aberta para os trabalhadores.
  2. ii) Todo pagamento recorrente ou importante deve depender de uma aprovação prévia da Diretoria, que posteriormente deverá ser apresentado na prestação de contas, para a Diretoria Colegiada e em assembleia de trabalhadores.

iii) A apresentação de contas (uma vez o processo tendo sido estabilizado) deverá ser usada também como um dos componentes da política de agitação e propaganda, com o objetivo de mobilizar os trabalhadores.

  • Promover o enxugamento da máquina sindical a partir de processos validados 
  1. i) Fazer um levantamento detalhado do funcionamento atual do Sindicato, identificando os processos envolvidos.
  2. ii) Em cima da análise realizada, detalhar os novos processos, que envolvem três componentes principais: pessoas, procedimentos e ferramentas.
  • Racionalizar os investimentos da máquina 
  1. i) Eliminar imediatamente todos aqueles contratados que atuam como uma espécie de “peso morto” no Sindicato. Evitar ao máximo contratar funcionários para as tarefas de agitação e propaganda que deverão estar sob a responsabilidade dos militantes e dos demais diretores.
  2. ii) Avaliar a possibilidade de redução dos espaços físicos ao mínimo possível. Avaliar, em cima desta medida, a redução do número de funcionários e o número de liberações de diretores que hoje estão dedicados a trabalhos internos.

Essa avaliação deve ser realizada a partir do levantamento preciso dos dados, a análise dos mesmos, a verificação dos processos que estão colocados na prática hoje e a substituição por novos processos que direcionem o Sindicato para uma política de agitação e propaganda revolucionária.

iii) Avaliar o Jurídico pelos  resultados políticos, porque representa uma das principais fontes da penetração da política burguesa. Ver se pode ser enxugado ou até terceirizado, deixando um único advogado plantonista.

Essa avaliação deve ser realizada a partir do levantamento preciso dos dados, a análise dos mesmos, a verificação dos processos que estão colocados na prática hoje e a substituição por novos processos que direcionem o Sindicato para uma política de agitação e propaganda revolucionária.

  1. iv) O Sindicato deverá ficar com o menor número possível de funcionários, já que eles objetivamente fortalecem o burocratismo, conforme foi explicado em detalhes mais acima.
  • Os novos processos devem ser direcionados à política de agitação e propaganda 
  1. i) Os diretores liberados devem ocupar o máximo do tempo atuando na base, fazendo reuniões, por dentro e por fora, discutindo a política revolucionária a partir dos problemas dos trabalhadores.
  2. ii) Trabalhar com terceirizados e OLTs em cima da mesma política de agitação e propaganda, e com muita intensidade.

iii) Sistema centralizado de controle de contatos, como um dos componentes principais da atuação revolucionária.

  1. iv) Reavaliar o funcionamento das subsedes, em cima de uma política de agitação e propaganda, levando os trabalhadores para discutir os problemas por meio de palestras, filmes, amostras e até questões jurídicas, mas estas últimas não devem ser colocadas no eixo.
  2. v) No eixo da atuação, deve estar a discussão da política a partir dos problemas mais sentidos dos trabalhadores. Na base, deve estar o Jornal que deve ser explicado a partir dos boletins.
  • Relação dos sindicatos com a organização política 
  1. i) Organizar os militantes políticos revolucionários nos sindicatos apenas com quem for efetivamente militante. Este núcleo deve buscar dirigir politicamente as reuniões da Diretoria Executiva e Ampliada.
  2. ii) Empreender uma política de recrutamento de militantes revolucionários a partir da luta dos trabalhadores, como política prioritária.

iii) Reduzir ao máximo possível, e de preferência eliminar, os repasses de recursos pelos sindicatos. Desta maneira, se quebrará uma das bases materiais da influência do burocratismo sindical sobre a política revolucionária.

  1. iv) Exigir que os militantes revolucionários que dirigem e atuam no Sindicato façam o trabalho realmente revolucionário, que tem componentes claros, como por exemplo:
  2. a) Os próprios militantes se formarem como militantes marxistas revolucionários por meio de um plano elaborado a partir do CC.
  3. b) Eliminar todas as manifestações de bonapartismo e incentivar o trabalho coletivo.
  4. c) Não misturar militantes e não militantes nos núcleos.
  5. d) Fortalecer como prioridade o trabalho com terceirizados e OLTs.
  6. e) Concentrar o trabalho revolucionário nas unidades principais.

Eventuais necessidades conjunturais, como, por exemplo, durante a campanha salarial, devem ser tratadas como necessidades táticas, mas que não devem ser transformadas numa política estratégica.

  1. f) Incorporar os ativistas ao trabalho sindical revolucionário. Há muitos deles que se encontram praticamente abandonados devido à priorização do trabalho sindical miúdo, burocrático.
  2. g) Realizar o trabalho em escala nacional efetivamente.
  3. h) Evoluir rapidamente para a eliminação de acordos não públicos com a burocracia sindical e a empresa.
  4. i) etc.  

25. Finanças

Política sindical oportunista

A principal fonte de financiamento tem como origem os sindicatos e, por meio de mecanismos diretos ou indiretos, deverá continuar assim no próximo período.

Política revolucionária

As finanças devem ser construídas como um processo de luta política a partir da militância.

Devido à gigantesca pressão exercida pela burocracia sindical, os sindicatos devem ser profundamente enxugados, assim como a própria LPS. Os recursos dos sindicatos devem ser direcionados para executar a política de agitação e propaganda. Todos os gastos desnecessários (os que não forem absolutamente necessários para a política de agitação e propaganda) deverão ser cortados.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

  1. Elaborar um plano que contemple a sobrevivência da LPS em cima da própria arrecadação, na maior medida possível.

Enxugar ao máximo os gastos. Enquadra-los a uma política de arrecadação que tenha na base o trabalho de base dos militantes.

  1. Eliminar ao máximo (de preferência totalmente) eventuais transferências recorrentes realizadas a partir dos sindicatos. Esta política, neste momento, é de fundamental importância porque ajuda muito a quebrar o burocratismo na LPS.

Os recursos dos sindicatos devem ser direcionados para realizar a luta na própria categoria, em escala nacional (tratando-se de um sindicato com base nacional).

  1. Considerar as finanças como uma tarefa política e, que, portanto, deve contar com a participação “miúda” de todos os militantes, pré-militantes e simpatizantes.

26. Senso de urgência

Política sindical oportunista

O senso de urgência válido é a manutenção da política oportunista. Isso acontece sob a cobertura das mais variadas fórmulas, tais como “é preciso ter paciência”, “vamos devagar”, “não há dinheiro”, “não temos formação”, “estamos voltando agora” (vamos abandonando o oportunismo aos poucos), somos todos “amigos”, “concordo”, mas “como fazer?, “não tenho certeza”, “sou centrista”, “estou na dúvida entre a farinha e o fubá”, precisamos manter os aparatos etc.

Política revolucionária

O principio mais importante colocado é Ser leninista JÁ!

A LPS deve assumir como compromisso, inclusive público, que a Organização e os seus militantes, atuarão como um partido leninista realizando todas as mudanças necessárias neste sentido e com profundo senso de crítica e autocrítica.

Os revolucionários atuam nos sindicatos ou em qualquer outra organização dos trabalhadores, mas a orientação política tem que ser dada a partir da Organização e não de maneira bonapartista, por vontade pessoal.

Devem ser dirigentes da Organização apenas os militantes marxistas (ou que se propõem efetivamente a sê-lo) que dirigem politicamente a LPS.

 

27. A Crítica e Autocrática: pública ou fechada?

Política sindical oportunista

A crítica e autocrítica deve ser realizada de maneira fechada. Essa política implica no medo da “opinião pública” e portanto, na construção de um partido que não tem como se integrar à classe operária.

Política revolucionária

O método da crítica e da autocrítica é amplo e aberto justamente porque está em pauta a construção de um partido revolucionário que faz parte da classe operária.

Medidas práticas para aplicar a Política revolucionária

Se posicionar em relação ao documento "Crítica e Autocrítica”Crítica e Autocrítica”.

 

28. Internacionalismo

Política sindical oportunista

O trabalho deve ser realizado de maneira localizada ao extremo, dando lugar a um localismo mórbido, a luta por posições, para negociar os feudos. A esta posição oportunista se aplica na íntegra as críticas realizadas por Lenin, no livro Que Fazer?, sobre o trabalho local.

Política revolucionária

O trabalho deve ser nacional e internacional, e deve ser realizado a partir da propaganda política.

A luta é pela construção do partido da revolução operária mundial e não pelo controle de um determinado aparelho sindical local.

 

29. Expectativa futura

Política sindical oportunista

A desmoralização dos militantes e ativistas é crescente porque ela se encontra amarrada à “frente popular”, encabeçada pelo PT que se encontra em fase terminal.

A expectativa dessa política é tentar manobrar perante o aumento da pressão do imperialismo para tentar continuar controlando os aparatos e sua sustentação financeira por decreto do Estado burguês. O futuro colocado para essa burocracia centrista é o que sempre aconteceu: sob o aperto do ascenso da classe operária, ela deverá ser ultrapassada pelo movimento de massas levando ao seu desaparecimento como agrupamento e como política, com a dispersão dos seus militantes uma vez perdida sua base material.

Política revolucionária

A política colocada para o próximo período coincide com os dois objetivos estratégicos fundamentais colocados por Lenin no “Que Fazer?”, a construção do partido de quadros leninista e a luta pela revolução socialista.

O desenvolvimento da situação política coloca os revolucionários numa situação em que predomina o otimismo revolucionário, contra o pessimismo contrarrevolucionário da burocracia e da esquerda oportunista.

Uma nova esquerda revolucionária será construída em cima de ascenso operário e sobre as cinzas da esquerda oportunista e burocrática.

 

Nacional

Geraldo Alkmin, dois passos para o alvo

11 Maio 2018
Geraldo Alkmin, dois passos para o alvo

  Agora, o que está acontecendo, dentro da caixa de Pandora aberta pela Operação Lava Jato, é que os procuradores querem ir além do PT porque são elementos, no geral,...

Mortes e prisões no dia do trabalhador

11 Maio 2018
Mortes e prisões no dia do trabalhador

  A política oficial do PT teve como resultado um 1 º de maio, em 2018, tão comportado que, além de ter sido um desastre, ninguém chegou a ser preso....

O desespero petista

11 Maio 2018
O desespero petista

    O 1 º de maio de 2018 representou um divisor de águas, marcou o colapso da política de “frente popular”, encabeçada pelo PT. A esquerda burguesa e pequeno...

Quem poderia atender melhor o imperialismo?

11 Maio 2018
Quem poderia atender melhor o imperialismo?

Há uma luta entre alas da burguesia. A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, aderiu ao golpe e à “teoria do domínio do fato” de mala e cuia. Aquela estória de...

Não se trata da luta do bem contra o mal

04 Maio 2018
Não se trata da luta do bem contra o mal

  O imperialismo organiza sua política para aumentar os ataques contra as massas A esperança da “frente popular” de que o órgão do Judiciário A, B ou C, venha a...

Educação

Fatiamento na luta da educação em Belo horizonte

09 Maio 2018
Fatiamento na luta da educação em Belo horizonte

  A Educação Infantil está em greve desde o dia 23 de março em busca de melhores salários e condições de trabalho. Na última assembleia foi rejeitada a proposta do...

A greve da Educação Infantil continua em Belo Horizonte

03 Maio 2018
A greve da Educação Infantil continua em Belo Horizonte

Dia 03 de maio de 2018 – 7º dia de greve da Educação Infantil em BH Alexandre Kalil (o Kalílgula), prefeito de Belo Horizonte, mandou um recado para as professoras...

Corre a repressão sobre os educadores em Belo Horizonte

23 Abril 2018
Corre a repressão sobre os educadores em Belo Horizonte

No fim do ano de 2017, em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre kalil (PHS), uma espécie de Dória mineiro, resolveu abrir mais vagas na Educação Infantil e para isso utilizou-se...

"É que Narciso acha feio o que não é espelho"

22 Abril 2018
"É que Narciso acha feio o que não é espelho"

  "É que Narciso acha feio o que não é espelho" Caetano Veloso    Na semana passada, na tentativa de dar respostas à insatisfação da categoria com o governo Fernando Pimentel...

MORENO COMO VOCÊS? O REI SE INCLINA E MATA

19 Abril 2018
MORENO COMO VOCÊS? O REI SE INCLINA E MATA

Termina a greve dos educadores de Minas Gerais   No dia 18 de abril de 2018, com uma assembleia lotada, mas menor que as anteriores, foi aprovado o fim da...

Gazeta Revolucionária [pdf]

Saiba Mais

A economia vai de mal...

  A inflação no Brasil teria caído para 3%, segundo...

A mais-valia ameaçada

Com o aprofundamento da crise mundial, a margem de manobra...

Bashar al-Assad, Putin, Xi Jinping,...

Uma coisa interessante é que o bombardeio da Síria pelos...

As guerras híbridas

Trata-se de um método imperialista para atacar os países sem...

A crise da direita tradicional

A direita tradicional passou a ser colocada pelo imperialismo na...