Segunda, 20 Agosto 2018

1. No livro escrito por Vladimir Ilich Lenin em 1902, Que Fazer?, está descrita a estrutura fundamental do partido operário revolucionário para lutar na etapa imperialista do capitalismo.

2. Lenin: “a revolução será uma sucessão rápida de explosões mais ou menos violentas, alternando-se algumas fases de calma momentânea mais ou menos profunda. Por isso, a atividade essencial de nosso Partido, o palco de sua atividade, deve consistir em um trabalho que seja possível e necessário tanto nos períodos de explosões mais violentas como nos de calma absoluta, isto é, deve consistir em um trabalho de agitação política unificada para toda a Rússia, que ilumine todos os aspectos de vida e dirija-se às massas em geral. Ora, esse trabalho é inconcebível na Rússia atual, sem um jornal que interesse a todo o país e apareça com bastante frequência. A organização a ser constituída por si mesma em torno desse jornal, a organização de seus colaboradores (no sentido amplo de palavra, isto é, todos aqueles que trabalham para ele) estará pronta para tudo, para salvar a honra, o prestígio e a continuidade no trabalho do Partido nos momentos de grande ‘depressão’ dos revolucionários, e para preparar, determinar o início e realizar a insurreição armada do povo.” (Que Fazer?)


3. A estrutura central do Partido Bolchevique tinha como objetivo garantir a continuidade da atuação em quaisquer condições, tanto em situações de legalidade como de clandestinidade, com a capacidade de promover uma rápida mudança de uma condição para a outra. Se tratava de uma estrutura centralizada, disciplinada e conspirativa. E torno desta estrutura, composta por quadros militantes, se organizavam as várias organizações do movimento de massas. O objetivo era organizar a destruição do estado burguês por meio da insurreição do movimento de classes encabeçado pela classe operária.


4. Dessa estrutura, portanto, somente participavam os militantes que aceitavam o Programa e cotizavam, mas que eram elementos revolucionários que dedicavam a sua vida à revolução proletária, que estavam dispostos a se transformarem em quadros. Não havia lugar no Partido Bolchevique, para reformistas ou oportunistas, conforme o mostra a dura luta interna com os mencheviques que durou desde 1903 a 1912.


5. O partido revolucionário funciona como um máquina de agitação e propaganda que deve defender a sua integridade física e atuação em quaisquer atuação. Como organização de combate que busca dirigir as lutas dos trabalhadores se torna alvo do capital.


6. O desprezo pela organização centralizada e a defesa dos ataques dos órgãos da repressão é a política dos partidos reformistas de todas as cores, burgueses e pequeno burgueses, que se integram ao regime político. Lenin: “Apenas uma organização de combate centralizada que pratique com firmeza a política socialdemocrata [marxista] e, por assim dizer, que satisfaça a todos os instintos e aspirações revolucionárias, está em condições de preservar o movimento contra um ataque irrefletido e preparar outro que prometa o êxito.” (Que Fazer?)


7. Lenin: “Temos de concordar que seria insensata e até mesmo criminosa a conduta de um exército que não se dispusesse a conhecer e utilizar todos os tipos de armas, todos os meios e processos de luta que o inimigo possui ou pode possuir. Mas essa verdade é ainda mais aplicável à política que à arte militar. Em política é ainda menos fácil saber de antemão que método de luta será aplicável e vantajoso para nós, nessas ou naquelas circunstâncias futuras. Sem dominar todos os meios de luta podemos correr o risco de sofrer uma derrota fragorosa - às vezes decisiva - se modificações, independentes da nossa vontade na situação das outras classes puserem na ordem do dia uma forma de ação na qual somos particularmente débeis. Se dominamos todos os meios de luta, nossa vitória estará garantida, pois representamos os interesses da classe realmente avançada, realmente revolucionária, inclusive se as circunstâncias nos impedirem de utilizar a arma mais perigosa para o inimigo, a arma mais capaz de assestar-lhe golpes mortais com a maior rapidez. Os revolucionários inexperientes imaginam frequentemente que os meios legais de luta são oportunistas, uma vez que a burguesia enganava e lograva os operários com particular frequência nesse terreno (sobretudo nos períodos chamados "pacíficos", nos períodos não revolucionários), e que os processos ilegais são revolucionários. Mas isso não é justo. O justo é que os oportunistas e traidores da classe operária são os partidos e chefes que não sabem ou não querem (não digam: não posso, mas sim: não quero) aplicar os processos ilegais de luta numa situação, por exemplo, como a guerra imperialista de 1914,/1918, em que a burguesia dos países democráticos mais livres enganava os operários com insolência e crueldade nunca vistas, proibindo que se dissesse a verdade sobre o caráter de rapina da guerra. Mas os revolucionários que não sabem combinar as formas ilegais de luta com todas as formas legais são péssimos revolucionários. Não é difícil ser revolucionário quando a revolução já estourou e está em seu apogeu, quando todos aderem à revolução simplesmente por entusiasmo, modismo e inclusive, às vezes, por interesse pessoal de fazer carreira. Custa muito ao proletariado, causa-lhe duras penas, origina-lhe verdadeiros tormentos "desfazer-se" depois do triunfo desses "revolucionários". É muitíssimo mais difícil - e muitíssimo mais meritório - saber ser revolucionário quando ainda não existem as condições para a luta direta, aberta, autenticamente de massas, autenticamente revolucionária, saber defender os interesses da revolução (através da propaganda, da agitação e da organização) em instituições não revolucionárias e, muitas vezes, simplesmente reacionárias, numa situação não revolucionária, entre massas incapazes de compreender imediatamente a necessidade de um método revolucionário de ação, Saber perceber, encontrar, determinar com exatidão o rumo concreto ou a modificação particular dos acontecimentos suscetíveis de levar as massas à grande luta revolucionária, verdadeira, final e decisiva é a principal missão do comunismo contemporâneo na Europa Ocidental e na América.” (“A doença infantil do ‘esquerdismo’ no comunismo”, 1921)


8. Perante a desagregação do capitalismo, a burguesia coloca em pé as bandas fascistas quando percebe a possibilidade dos órgãos de repressão serem ultrapassados pelo movimento de massas. Por esse motivo, é preciso, além de organizar a estrutura de defesa do funcionamento da Organização, impulsionar a criação de comitês de defesa contra os fascistas. Estes devem ser enfrentados fisicamente conforme orientou Leon Trotsky.


9. Em contrapartida, a política oportunista prega a luta meramente teórica ou ideológica contra os fascistas, o que reflete a ideologia pequeno burguesa do chamado “marxismo cultural” com as suas várias manifestações que representam a capitulação da esquerda pequeno burguesa, principalmente universitária, à pressão do imperialismo.


10. Conforme o regime político continua endurecendo, coloca-se à ordem do dia a necessidade de preparar-se para atuar nas novas condições, inclusive em condições de semiclandestinidade, com a superposição as atividades legais e não legais, com o objetivo de garantir a sobrevivência e ação do partido revolucionário como uma máquina de agitação e propaganda em quaisquer condições. Lenin: “Um bom aparelho clandestino exige, uma boa preparação profissional dos revolucionários e uma divisão rigorosamente lógica do trabalho. Duas condições absolutamente impossíveis para uma organização local, por mais forte que seja em um determinado momento.” (Que Fazer?)


11. O núcleo central da Organização deve ser reduzido, muito disciplinado, firme, profissionalizado, especializado em lutar contra a polícia política e muito fiel à revolução operária. Em condições de clandestinidade, ele deve ser o mais estritamente clandestino possível.


12. Lenin: “Cada fábrica deverá ser para nós uma fortaleza. E, para isso, a organização operária "de fábrica" deverá ser tão conspirativa em seu interior, quanto "ramificada" no seu exterior, isto é, nas suas relações externas deverá levar seus tentáculos tão longe e nas mais diferentes direções, quanto qualquer outra organização revolucionária. Saliente que o núcleo dirigente deverá ser também aqui, obrigatoriamente, o grupo de operários revolucionários.” “Quando o subcomitê de fábrica se encontrar formado, este deverá iniciar a criação de toda uma série de grupos e círculos de fábrica, com tarefas distintas, com diferentes graus de conspiração e de estruturação, como por exemplo, círculos para a distribuição e difusão das publicações (uma das mais importantes funções, que deverá estar de tal forma organizada, para dispormos de um verdadeiro correio próprio permanente, para que sejam experimentados e testados não só os métodos de difusão, mas também a distribuição por bairros, de tal modo que conheçamos obrigatoriamente todos os bairros e suas vias de acesso), círculos para a leitura da literatura ilegal, para a observação dos espiões, círculos especiais de direção do movimento profissional e da luta econômica, círculos de agitadores e propagandistas que saibam iniciar conversas e mantê-las longamente e de forma plenamente legal (sobre máquinas, inspeção, etc.), para que se possa falar publicamente e com segurança, conhecer as pessoas e testar o terreno, etc.” “Nos tempos de paz, essa rede de agentes irá difundir a literatura, panfletos, proclamações e informações conspirativas do comitê; em tempos de guerra, organizará manifestações e outras ações coletivas. Em segundo lugar, sairá do próprio comitê uma série de círculos e grupos que sirvam para assegurar os diversos aspectos do movimento (propaganda, transportes, as mais variadas atividades clandestinas, etc.).” “Por exemplo, para os grupos de distribuição é requisito o segredo e a disciplina militar mais rigorosa. Para os grupos de propagandistas, também será necessária clandestinidade, mas com um disciplina militar muito menor. Para os grupos de operários que se dedicam à leitura de publicações legais ou que organizam reuniões restritas sobre as necessidades e as reivindicações profissionais, a clandestinidade é ainda menos necessária, etc.. Os grupos de distribuidores deverão pertencer ao POSDR e conhecer determinado nº de seus membros e de seus dirigentes. O grupo que estuda as condições de trabalho e que elabora as reivindicações profissionais não necessita obrigatoriamente pertencer ao POSDR. O grupo de estudantes, oficiais e funcionários, que se ocupam de sua própria formação contando com a participação de um ou dois membros do partido, algumas vezes nem sequer deverão saber sobre a filiação partidária destes etc.. Há, entretanto, um ponto no qual devemos exigir incondicionalmente a máxima organização de todos esses grupos alinhados ao comitê: cada membro do partido que faz parte dele é formalmente responsável do que se faz nos seus grupos e tem que tomar todas as medidas para que o CC e o OC tenham o maior conhecimento possível da composição de cada um deles, de todo o mecanismo e conteúdo deste trabalho. Isso é necessário para que o centro tenha o quadro completo de todo o movimento, possibilitando com isso o recrutamento entre o maior número possível de pessoas, de algumas para as diversas funções do partido; para que a experiência de cada grupo possa ser transmitida (através do centro) e outros grupos semelhantes de toda a Rússia e, finalmente, para que possamos nos prevenir quanto ao aparecimento de provocadores e pessoas duvidosas.” “O movimento deve ser dirigido por um pequeno número de grupos, os mais homogêneos possíveis e de revolucionários profissionais respaldados pela experiência. Mas no movimento deverá participar o maior número de grupos, os mais diversos e heterogêneos possíveis, recrutados nas mais diferentes camadas do proletariado (e de outras classes do povo). E com relação a cada um desses grupos, o centro do partido deverá ter sempre em vista, não somente dados exatos sobre sua atividade, mas também os mais completos possíveis a respeito de sua composição. Devemos centralizar a direção do movimento. Mas devemos também (e precisamente para isso, pois sem a informação é impossível a "centralização") descentralizar o quanto possível a responsabilidade ante o partido de cada um de seus membros individualmente, de cada participante no trabalho, de cada um dos círculos do partido ou próximo dele. Essa descentralização é a condição indispensável para a centralização revolucionária e seu necessário corretivo.” (“Carta a uma camarada sobre nossas tarefas de organização”, 1902)


13. Mesmo em condições de clandestinidade, a Organização deverá ter como prioridade o Jornal e a imprensa em geral, em cima da acertada elaboração política, buscando aproveitar todas as brechas para a atuação legal com o objetivo de impulsionar o movimento de massas.


14. Lenin explicou que os militantes devem se organizar de maneira compartimentada, com estrita divisão do trabalho, que ser muito mais estrita conforme as tarefas se aproximam do núcleo central da Organização.


15. O conhecimento de informações pessoais dos militantes deve ser evitado. A estrutura conspirativa tem como objetivo defender a Organização da repressão. Mas, ao mesmo tempo, dificulta a identificação e prova dos militantes, o que facilita a infiltração policial. Por esse motivo, Lenin orientou a provar os militantes no trabalho legal, com o objetivo de identificar as infiltrações e realizar o trabalho de massas. Na IV Duma russa, o responsável pela bancada Bolchevique e membro do Comitê Central, Manilovski, resultou ser um agente. Lenin: “a rápida sucessão do trabalho legal e ilegal, que implica na necessidade de "ocultar", de envolver com singular segredo o Estado-Maior, os chefes, originou em nosso pais, algumas vezes, fenômenos profundamente perigoso. O pior deles foi a infiltração no Comitê̂ Central bolchevique, em 1912, de um agente provocador - Malinovski. Este delatou dezenas e dezenas dos mais abnegados e excelentes camaradas,. causando a sua condenação a trabalhos forçados e provocando a morte de muitos deles. Se não causou maiores danos foi porque estabelecêramos adequadamente a correlação entre os trabalhos legal e ilegal. Para ganhar nossa confiança, Malinovski, como membro do Comitê̂ Central do Partido e deputado à Duma, teve de ajudar-nos a organizar a publicação de diários legais que, inclusive sob o czarismo, souberam lutar contra o oportunismo dos mencheviques e difundir, com os disfarces necessários, os princípios fundamentais do bolchevismo. Com uma das mãos, Malinovski enviava para a prisão e para a morte dezenas e dezenas dos melhores combatentes do bolchevismo; com a outra via-se obrigado a contribuir para a educação de dezenas e dezenas de milhares de novos bolcheviques, através da imprensa legal.” (“O ‘esquerdismo’, doença infantil do comunismo”)


16. As reuniões deverão continuar acontecendo, mesmo em condições de clandestinidade, mas o número de membros deverá ser reduzido e somente um militante deverá manter o contato com a direção. Os locais de reunião deverão ser seguros.


17. A Organização deve estar preparada para mudar rapidamente as táticas de luta de acordo com as várias etapas da luta revolucionária. Isso deve refletir-se no grau em que o trabalho legal e ilegal deve ser realizado. Mas o fundamental das estruturas devem ser mantidas em pé em todas as condições. Essa tarefa tornou-se ainda mais crítica devido ao desenvolvimento da situação política e ao inevitável levante operário que acontecerá como reação aos brutais ataques do capital. Sem colocar em pé uma organização firme será praticamente possível intervir no movimento de massas e se manter vivo durante um certo período.


18. A Organização deve estar preparada para todas as condições de luta. Hoje praticamente toda a esquerda tem enormes ilusões na democracia burguesa. Estão muito longe de serem organismos de combate. O próximo período deverá ser muito mais repressivo e o partido revolucionário deve se preparar para atuar nessas condições, sob risco de ser aniquilado, como acontecerá com quase toda a esquerda atual. Como é impossível fazer previsões exatas sobre os períodos de fluxos e refluxos o que deve ser feito é preparar o partido para todas as condições de atuais nos momentos em que essas condições existem, principalmente porque as mudanças importantes sempre acontecem de maneira muito rápida.


19. Os militantes do partido revolucionário devem, portanto, serem verdadeiros soldados, o estado maior, da revolução operária mundial. Eles devem estar dispostos a aplicar o Programa em todas as condições e sob todas as condições de sacrifícios.

Nacional

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